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janeiro 31st, 2009posts por autor: Andréia, raio-x
por Andréia Martins
A guitarra barulhenta e os ecos ao fundo indicam: não espere ouvir algo que lembre o manguebeat. Os garotos são de Recife, mas gostam mesmo é de rock, sem desmerecer, é claro, a importância do movimento para a cena musical local.
“O River Raid nasceu no momento em que o mangue estava explodindo e enquanto todo mundo tinha uma banda com uma alfaia, a gente fazia rock com três guitarras. Admiramos o movimento manguebeat, a banda é fã assumida da Nação, a gente só escolheu outro caminho”, diz um dos três guitarristas do The River Raid, Toni Ferreira ao Palco Alternativo.
A banda pernambucana está começando a ganhar espaço lá fora. Mas seu som não lembra em nada as bandas brazucas como Cansei de Ser Sexy, Bonde do Rolê, entre outras, que ganharam as pistas e palcos dos EUA e Europa.
Além de tocarems nos EUA e Canadá nos meses de maio e junho de 2008, a banda levou o prêmio “Internacional Songwriting Competition 2007″, que entre os juízes tinha na bancada figuras como Julian Casablancas (The Strokes), Robert Smith (The Cure), Macy Gray, Jerry Lee Lewis e Frank Black (Pixies), e venceu o “New Music Vídeo Awards – We Are Listening”, com o vídeo da música Time Up.
Como tudo começou
“A gente se conheceu no colégio. Eu e Toni estudávamos na mesma sala e o Gilberto Bezerra (guitarra) e o Leo Amante (baterista) na sala ao lado, ate que o Leo foi expulso da sala dele e despejado na nossa”, conta com humor o baixista Eduardo Pereira. Quanto ao quinto elemento, o guitarrista Ricardo Leão, esse veio de outra banda de Edu e Toni. A primeira apresentação rolou no próprio colégio, num festival onde só alunos do colégio podiam se inscrever.
E se você tem mais de 25 anos, com certeza imaginou que o nome da banda venha do famoso jogo de videogame do Atari. Acertou.
Na contramão do manguebeat
Riffs pesados, distorção e letras em inglês já mostravam que o caminho do River Raid, apesar da banda não negar a influência do manguebeat. “Podemos dizer que fizemos parte do movimento, não necessariamente fazendo o mesmo tipo de som. O movimento é maior do que a música”, diz Dudu.
As influências da banda também entregam: Mutantes, Pixies, Television, Beatles, Neil Young, Roberto Carlos (ele mesmo, o rei), Supersoniques, Velvet Underground, Radiohead, Nirvana, Ramones, Butthole Surfers, The Clash, Cream e The Doors.
Dez anos depois, bolachinha na mão
Com dez anos de estrada, o River Raid demorou para gravar seu primeiro CD, homônimo, mas a demora não deixou ninguém preocupado com o futuro da banda. “Como toda banda brasileira de rock do circuito independente, nossa vida durante esse tempo não foi fácil”.
Duda conta que todos passaram todo esse tempo se preparando profissionalmente e tocando outras coisas, desde projetos paralelos à faculdade. Já Toni, revela: “Era pra gente ter gravado antes. O baterista é que precisou desse tempo pra decorar as musicas”.
Cedo ou tarde, CD saiu caprichado. Gravado em Recife, foi mixado e masterizado nos EUA no renomado estúdio Sterling Sound, em Nova York. Como as portas se abriram? Eduardo conta. “Fui fazer um curso os EUA, onde conheci o produtor Felipe Tichauer (ganhador do Grammy com Christina Aguilera) que resolveu produzir o disco. Quando eu o conheci, só tínhamos oito músicas em português e ele sugeriu que fizéssemos mais quatro em inglês pra tentar a carreira internacional. Daí, tudo começou a acontecer”.
Depois, outro produtor Filipi Gomes, de Recife, inscreveu a banda no “Atlantis Music Conference”, onde tocaram em setembro de 2007. A banda já saiu em compilações na Austrália, EUA e Canadá. Agora, segundo Toni, emplacar no mercado internacional é um dos principais focos.
Se a dica do produtor, de cantar em inglês, deu mais certo ou errado? Bom, para Eduardo, já passou o tempo em que bandas brasileiras que cantavam em inglês eram criticadas. “A recepção do público tem sido bem legal, mesmo com as letras em português. O rock é uma linguagem universal”.
Concursos no exterior
Quanto ao ISC, a banda conta que a inscrição rolou meio que sem querer. O prêmio era bom. Saber que Julian Casablanca ouviu a música do River é pra eles “um orgulho”. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira, dia 10 de abril, e pegou a banda de surpresa: primeiro lugar na categoria rock e 15° na classificação geral.
Resumo da ópera: o River Raid faz “um som regional sem tambores e acreditando que não existe maior expoente da world music que o Rock´n Roll”. Quem for adepto da mesma filosofia, pode ouvir o som dos caras no My Space, ou comprar o disco, que já está nas lojas.
Tags: manguebeat, nação zumbi, the river raid -
janeiro 31st, 2009notas, posts por autor: Natasha
Até o líder do Velvet Underground, Lou Reed, escorregou com um disco ruim
Por Natasha Ramos
Existem vários nomes na música que se consagraram por trabalhos primorosos. Aqueles álbuns que você não se cansa de ouvir, que marcaram momentos em sua vida ou que simplesmente soam divertidos.
Porém, depois de um tempo considerável na estrada, talvez um ou outro disco não tenha recebido a devida atenção, ou a proposta do músico mudou, e eis que surge aquele ruído na carreira do artista.
É o caso do cantor, guitarrista e compositor Lou Reed. Calma! Eu sei que muitos fãs incondicionais podem discordar, mas é em momentos como o disco Sally Can’t Dance, que se faz necessário resgatar o bom e velho senso crítico.
Pensemos no currículo de Reed. O cara foi o formador da Velvet Underground, uma das bandas de vanguarda da década de 60; influenciou nomes como Iggy Pop, David Bowie, Joy Division, Sonic Youth, Jesus and Mary Chain e até Nirvana.
Após o término da banda, Lou seguiu com sua carreira solo, tornando-se um pouco mais comercial se comparado à proposta de sua extinta banda.
Lança o álbum Transformer (1972), que traz a famosa “Walk On the Wild Side”, em que o músico muda o tom, mas não muda o tema (falando sobre o submundo de Nova York), e “Perfect Day”, a música do famoso, no universo alternativo, filme “Transpotting”.
Depois de lançar um álbum como esse, espera-se uma sucessão de bons trabalhos. Mas, dois anos mais tarde, em 1974, eis que chega Sally Can’t Dance, para decepção de alguns, indiferença de outros e, ironicamente, sucesso de vendas.
Sally Can’t Dance and I can’t hear. Uma ou outra faixa como “Ride Sally Ride” até passa (apesar dos coros insuportáveis), mas “Animal Language” deixou bastante a desejar. De onde saiu a inspiração para descrever a morte do cachorro de Miss Riley com um tiro na boca ou do gato de Miss Murphy, com um coágulo?
Até parece que o Lou fez o disco “nas coxas”. Parece… porque foi exatamente o que aconteceu. “Eu não queria fazer Sally Can’t Dance de maneira alguma. Eu gravei todos os vocais em um único take, em 20 minutos, e dei adeus. Eles me pediram algumas canções mais dançantes e eu dizia que não sabia fazer isso”. Deu para perceber. Têm faixas nesse CD que de tão calmas poderiam ser usadas como canções de ninar.
Apesar disso, e para desespero de Reed, o CD foi um sucesso, ficando entre os 10 mais vendidos (fato único em sua carreira até então). “Parece que quanto pior fico, mais vendo. Se eu não aparecer no próximo disco, provavelmente chegarei ao número 1! Ele ficou entre os 10 mais sem canção nenhuma de trabalho!”, disse Lou na ocasião.
Sally Can’t Dance
Ano: 1974
Gravadora: RCA Records1) Ride Sally Ride
Tags: lou reed, velvet underground
2) Animal Language
3) Baby Face
4) N.Y. Stars
5) Kill Your Sons
6) Ennui
7) Sally can’t dance
Billy
9) Good Taste -
janeiro 30th, 2009posts por autor: Natasha, resenhas
“Gostamos muito dos timbres que conseguimos. Deixamos o nosso pop mais sujo”, diz o vocalista Bruno Mattos sobre o disco de estreia do Rockassetes

Capa do disco “Sobre Garotas, Discos e o Tênis Vermelho”
Por Natasha Ramos
Com músicas que falam basicamente sobre garotas, relacionamentos e metáforas — como na música de abertura “Pipa”—, o Rockassetes, lançou, em abril de 2008, um álbum completo, intitulado Sobre Garotas, Discos e o Tênis Vermelho (independente) no festival Abril Pro Rock, em Recife.
Este disco mescla inéditas com canções lançadas anteriormente no CD demo (2003), nos dois EPs, Sistema Nervoso (2005) e SamPa SEcília (2007), e no single As Fechas (lançado em 2006 pelo selo do Senhor F). É o caso das faixas “A Garota do Tênis Vermelho”, “Os Discos Que Você Falou”, “Uma Carta Para Tarsila” e “Sogra Boa É Aquela Com a Boca de Aranha”.
A faixa de abertura, “Pipa”, vem recheada de trocadilhos inteligentes sobre uma tartaruga ambiciosa (“Pipa queria asas,/mas não para voar baixo”). Segundo Bruno Matos, vocalista, “Pipa” é uma gíria muito comum no nordeste.
Já em “A Garota do Tênis Vermelho”, o vocalista Bruno conta a história de uma garota misteriosa, cujas únicas referências são o tênis vermelho e os olhos negros. “Sempre gostei de ler contos excêntricos; ‘A Garota do tênis vermelho’ é isso: algo que aconteceu de uma maneira pouco usual. Você pode usar um pouco das suas próprias experiências ou apenas observar ao redor, ou, ainda, mesclar as duas coisas”, comenta ao Palco Alternativo.
Há ainda “Uma Carta para Tarsila”, escrita por Bruno para uma ex-namorada, quando ele tinha 16 anos. “Foi a segunda música que havia escrito na vida, ganhamos um festival estadual com ela em 2000”, comenta.
Para quem não entendeu a mensagem da 7ª faixa, “Sogra com a boca de aranha”, boca de aranha seria o mesmo que boca cheia de formiga, ou seja, morta. “Essa música é do João [Mello, baixista]. É uma espécie de homenagem às sogras”, conta.
Estas e outras faixas do disco estão repletas de backing vocals e guitarras sessentistas, com uma pitada do novo rock atual. Suas influências, desde Beatles e The Who até Weezer e Teenage Fanclub, podem ser notadas ao longo das 14 faixas temperadas com vocais melódicos e refrões que grudam nos ouvidos que, à menor distração, nos fazem bater o pé e balançar a cabeça ao compasso da música.
“Gostamos muito dos timbres que conseguimos, grande parte disso deve-se ao Clayton (baterista do grupo Cidadão Instigado e Detetives), que coproduziu o disco conosco e entende do que gostamos. Conseguimos deixar o nosso pop mais sujo, porém uma sujeira de bom gosto, vintage”, diz Bruno.
Mas os caras não dormem no ponto e já preparam um novo material. “Temos músicas suficientes para um segundo disco, estão sendo tocadas nos shows mais recentes. Inclusive, estamos fazendo metade do repertório com novas músicas. Muito provável que lancemos um single novo até meados deste ano, mas sem data exata ainda”.
Além do Rockassetes, os irmãos Bruno e Leo Mattos estão com um projeto paralelo, ainda indefinido. “Em março, lançaremos um single, e colocaremos material no MySpace. O conceito existe, mas ainda não um nome, então vamos aguardar.”
Os Rockassetes são Bruno Mattos (vocal, guitarra e violões), João Mello (contra-baixo e violões), Leo Mattos (baterista, vocais e pandeirolas) e Rafael Costello (guitarra). As composições são todas de Bruno Mattos, exceto “Sogra Boa É aquela Com a Boca de Aranha”, de João Melo, e “Sobre Mulheres e Vinis”, de Bruno e Rafael Costello. O disco pode ser baixado no site dos caras.
Disco: Sobre Garotas, Discos e o Tênis Vermelho
Ano: 2008
Independente
Faixas
1 – Pipa
2 – A Garota do Tênis Vermelho
3 – As Flechas
4 – Os Discos Que Você Falou
5 – Eu deveria Te Esquecer
6 – Uma Carta Tarsila
7 – Sogra Boa É Aquela Com a Boca de Aranha
8 – A Garota do 10º Andar
9 – Fora de Órbita
10 – Sobre Mulheres e Vinis
11– Desinteresse
12– SNE
13 – Fique Longe De Mim
14 – Encruzilhada
Tags: resenha, rockassetes -
janeiro 23rd, 2009posts por autor: Natasha, raio-x
por Natasha Ramos
Depois de dividir o palco com a banda Banze! no Centro Cultural São Paulo, na sexta-feira (9), os caras do Ecos Falsos se jogaram na noite paulistana de sábado (17) e tocaram para público moderninho da Funhouse.
Depois de idas e vindas com baixistas, a banda, que surgiu em 2002 como um quinteto — Gustavo Martins (vocalista e guitarrista), Daniel Akashi (guitarrista), Tomás Martins (baixista), Felipe Daros (guitarrista) e Davi Rodrigues (baterista)—, estava tocando como um quarteto, com três guitarristas que se revezavam na hora de tocar o baixo.
“Depois que meu irmão [Tomás] saiu da banda, nós ainda arranjamos outro baixista, o Thiago, que é o cara que aparece no clipe da música ‘Réveillon’, que concorreu ao VMB 2006, mas também não durou muito e ele saiu no final daquele ano”, conta Gustavo Martins ao Palco Alternativo.
O show na Funhouse foi o primeiro com a nova formação, que conta com Vini F (Orange Disaster) como baixista fixo e Rodrigo BB (um dos caras que ajudou a fundar o Ecos Falsos), que voltou a assumir as seis cordas no lugar de Felipe.
Formados no curso de Arquitetura na USP, os caras se conheceram no tempo de faculdade. “Eles tinham uma banda cover, tocavam em festinhas e, em uma ocasião, eles estavam precisando de um guitarrista, pois o Daniel [Akashi] tinha ido trabalhar no Japão. Foi aí que o meu irmão me chamou para tocar com os caras e eu entrei para a banda. Acho que eles ficaram sem graça de me tirarem da banda [risos]”, brincou o vocalista.
Nome e influências
No caso do Ecos Falsos, não foi nada fácil encontrar um nome para a banda. A escolha se deu na base da tentativa e erro. “Tentamos coisas muito ruins como ‘Possível Repertório’ até eu encontrar o termo ‘Ecos Falsos’ numa busca do Google, que é o sinal de atividades alienígenas captados por radares. Aí eu achei legal.”, explica Gustavo.
Já as influências são diversas. Segundo Gustavo, cada integrante segue por vertentes semelhantes, enquanto rock, mas diferentes em suas particularidades. Esse é um dos motivos que torna o som dos caras tão autêntico.
“Eu gosto muito de Frank Zappa, Blur e We Are Scientists. Já o Daniel pende mais para os Beatles, também gosta de uma banda japonesa que canta em inglês chamada Judy and Mary. O Felipe está numa onda de Los Hermanos, Cartola, Caetano Veloso e o Davi ouve umas bandas mais obscuras, como Queens of the Stone Age, gosta também de PJ Harvey”, conta.
Músicas
Em setembro de 2007, os EF lançaram o álbum début Descartável Longa Vida, pelo selo independente Monstro Discos, que cuidou da distribuição e da prensagem do disco. O disco vem recheado de músicas como “Fim do Milênio”, “Sentimental”, “A Última Palavra em Fashion”, “Réveillon”, “A Revolta da Musa” (com participação de Tom Zé) e “Dois a Zero” (com Fernanda Takai).
Antes do disco de estreia, a banda já havia lançado A Última Palavra em Fashion, EP de 2005, disponível no site da banda para download.
E como toda banda independente que se preze põe a mão na massa e corre atrás dos próprios assuntos, os EF são total adeptos do “Faça você mesmo”.
“Nós vendemos a maioria das coisas, marcamos os shows, é tudo ‘home made’”, comenta Gustavo. “Sou eu mesmo que marco os shows, o Daniel faz as camisetas e a capa dos discos… Somos uma micro empresa de nós mesmos, não temos produtor. Somos independentes total e, ao mesmo tempo, todo mundo tem empregos fixos, o que dificulta um pouco.”
A Sereia
Enquanto algumas músicas dos Ecos Falsos têm um tom mais crítico, como “Fim do Milênio” e “A Última Palavra em Fashion”, há outras que são totalmente nonsense. É o caso de “A Sereia”, que ainda não foi lançada em nenhum disco.
“Em 1997, quando eu tinha 14 anos e o Felipe, 13, estávamos na praia de Guarujá em um dia que tinha muita mulher feia. Lembro que eu estava começando a aprender a tocar guitarra, já tinha aquele riffzinho e criamos a letra da ‘Sereia’”, lembra Gustavo.
“A produção do Ecos Falsos é muito isso: a gente faz música de acordo com o nosso estado de espírito. Então umas são mais sérias, outras são mais bobagem. Gostamos de ser meio imprevisíveis, como as pessoas são imprevisíveis”, acrescenta. “Era para ela entrar nesse disco, mas o pessoal achou melhor não, porque ela ia destoar muito das outras. Mas no próximo vou bater o pé para que ela faça parte”.
Jovem Escritor
O principal compositor do Ecos Falsos, Gustavo Martins, antes de ficar conhecido pela banda, já havia chamado a atenção da mídia por outro motivo.
“Quando eu tinha nove anos, publiquei um livro infantil e fui citado no Guiness Book da época como o mais jovem escritor a publicar um livro. Aí, apareci no programa da Xuxa e tudo o mais”, conta Gustavo. “Eu recuperei esses vídeos, foram digitalizados e eu pretendo disponibilizar no site da banda”, acrescenta.
O livro ao qual o vocalista se refere chama-se “Fábulas para o Ano 2000” (Rodrigo Lacerda e Gustavo Martins; ilustrações de Paulo Batista; 80 págs.; Lemos Editorial), em que foram adaptadas histórias tradicionais, como “A Princesa e o Sapo” e “Os Três Porquinhos”, aos tempos modernos.
Onde encontrar
Os trabalhos dos Ecos Falsos podem ser comprados em vários lugares como a Livraria Cultura e a Saraiva. No site da distribuidora Tratore, é possível encontrar uma lista das lojas que vendem o disco.
Os caras ainda vendem o disco pelo site da banda e disponibilizaram faixas no Tramavirtual e MySpace.
Tags: ecos falsos -
janeiro 20th, 2009disco clássico, posts por autor: Natasha
Capa do disco 'Too Much Too Soon'
Por Natasha Ramos
Depois da tentativa de emplacar seu álbum début, homônimo, a banda norte-americana New York Dolls chamou o produtor Shadown Morton (uma das figuras mais inventivas dos anos 60, responsável por hits de girl groups, como Shangri-Las) para trabalhar em seu segundo disco, Too Much Too Soon (1974).
Apesar do relativo fracasso de vendas deste álbum, que culminou com a saída da banda do selo Mercury Records (e nenhum outro selo se interessaria pela banda depois), o New York Dolls foi um dos grupos mais importantes dos anos 70, por ter adiantado o que seria chamado mais tarde de punk rock.
Assista o vídeo de “Lookin’ for a kiss”. Clique aqui.
Pautados no rock’n'roll sujo dos Rolling Stones e no mix de androgenia de Mick Jagger com o glam rock de David Bowie e T. Rex, a banda apresentou uma sonoridade nova, que pode não ter agradado aos ouvidos conservadores da época.
A diferença do primeiro para o segundo disco da banda pode ser notada desde a primeira faixa, “Babylon”, não apenas pela guitarra mais limpa, mas também pelo mix de efeitos sonoros de estúdio e backing vocals femininos.
Ironicamente, em vez de a banda pegar mais leve e entrar nos trilhos do rock progressivo da época, o disco trouxe a energia dos Dolls, com riffs de guitarra cheios de personalidade e vocais ora cantados ora gritados.
Apesar de suas músicas mais conhecidas -”Looking For a Kiss”, “Jet Boy”, “Trash”, “Personality Crises” – serem do disco anterior, Too Much Too Soon foi o disco, da primeira fase da banda, com um trabalho de produção notavelmente mais sério. Depois do lançamento mal-sucedido desse álbum, a banda chamou um novo produtor para seguir com sua proposta, Malcolm McLaren, que ajudou a desenvolver nos Dolls a estética feminina das roupas. Apesar de McLaren ficar conhecido, um ano mais tarde, por abusar da linguagem visual com o Sex Pistols, foi com os New York Dolls que a estética punk/glam teve seus primeiros embriões.
Mas, com o fracasso de vendas de seu segundo álbum, sem dinheiro e sem gravadora, os Dolls estava com o futuro comprometido, e uma briga entre os integrantes terminaria por separá-los.
A banda ficou parada durante 30 anos e retornou com David Johansen, Sylvain Sylvain e Arthur Kane (que viria a falecer de leucemina alguns meses depois), em 2004, graças a um convite de Morrissey, um grande fã dos Dolls. A partir de então, voltaram a fazer shows pelo Reino Unido e Estados Unidos e, dois anos depois, em 2006, lançaram o terceiro disco oficial, One Day It Will Please Us to Remember Even This.

Assim como aconteceu com o álbum début do Velvet Underground and the Nico, os primeiros trabalhos dos NYD não foram bem aceitos pela massa e pela crítica da época por apresentarem um modo diferente de tocar rock. Mas, apesar da demora, a banda finalmente recebeu seu merecido reconhecimento, tendo excursionado em vários países, inclusive o Brasil, em 2008, na turnê de promoção do seu One Day It Will Please Us to Remember Even This.
Tags: disco clássico, new york dolls -


