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março 28th, 2009posts por autor: Andréia, raio-x
(por Andréia Martins)
Músico, produtor e compositor. Esse é Carlos Pontual, mais conhecido hoje como o guitarrista da banda Os Infernais, que nos últimos anos virou companhia oficial do ex-Titã Nando Reis. Depois de um jejum de nove anos, em 2008, Pontual colocou na roda o seu segundo disco solo, Instrumental Social, recém-lançado no Brasil pelo selo britânico Curve Music.
Miolo do Som, primeiro disco solo de Pontual, foi lançado em 1999. Comparado ao primeiro, o novo álbum do músico traz “acordes menos complicados”, como ele mesmo disse em entrevista por telefone, ao lançar o disco. “Procurei misturar sonoridades para não deixar as músicas pesadas”, disse Pontual, num tom tranquilo, sossegado, típico de quem respira música 24 horas por dia e não vê outra opção de profissão na vida.
O hiato de quase dez anos pra lançar outro disco solo tem explicação. “Casei, as turnês, ser pai, ponte Rio-São Paulo”, conta ele, que se divide entre compor para si e outros artistas, produzir discos (o mais recente, o do ator e cantor Sérgio Lorozza) e tocar com outros músicos, como acontece com Nando Reis e o resto dos Infernais.
Aliás, por falar na parceria de sucesso com o cantor, Pontual conta como tudo começou. “Depois de gravar com o Nando o disco Para Quando o Arco-Íris Encontrar o Pote de Ouro, o Valter Villaça precisou sair da banda e me chamou para substituí-lo. Aí eu acabei fazendo a turnê do disco com base no que ele já tinha gravado e fiquei”.
Quem ouve o disco Instrumental Social certamente vai se perguntar se é o mesmo guitarrista dos Infernais, visto que o repertório do disco desfila pelo jazz, samba-funk, bossa-nova, e vez ou outra, uma guitarra mais presente, nos remete ao Carlos Pontual do rock. “Fiquei mais conhecido com o trabalho com o Nando, mas não sou um guitarrista de rock. Gosto, claro. Quem me levou a tocar foi Jimmi Hendrix, mas não sou daqueles que guarda nome de discos, coisa e tal. Minha formação é jazz e minhas influências são muito mais de Hermetto Paschoal e Frank Zappa”, diz o músico.Gravado uma parte ao vivo e outra em um homestudio, Pontual parece satisfeito com o resultado do novo álbum. Agora, ele pretende focar a turnê neste disco, apesar de já ter outro na manga, mas com um diferencial: cantado e que conta com músicos dos Infernais e outros que tocaram com ele no seu mais novo disco.
Para ouvir algumas músicas do novo disco solo de Pontual: http://www.myspace.com/carlospontual. Veja o vídeo da faixa De Onda, ao vivo:
Tags: carlos pontual, curve music, instrumental social, nando reis -
março 28th, 2009cone-sul, posts por autor: Andréia
(por Andréia Martins)
Uma cadeira, meia luz e um violão. Assim foi a passagem do uruguaio Gonzalo Deniz por São Paulo, no final do ano passado: sem muito barulho. Aliás, quem acompanhou a sua apresentação no auditório do Sesc Vila Mariana, viu que barulho não é bem a especialidade deste latino.
Deniz é um multiartista: adora livros, é recém-formado pela Escola de Cinema do Uruguai e vocalista da banda Mersey, mas veio ao Brasil sob o codinome Franny Glass (nome extraído de um romance de Salinger), seu projeto solo e que, na verdade, faz bem mais sucesso que a banda.
Eis a história: Deniz começou tocando com seu irmão, o baterista Germán, e amigos, mas no decorrer do caminho acabou como um “one man band”. Ele não parou de tocar, até que conseguiu gravar pelo selo Retrocedonia. O disco, lançado de forma independente por 100 pesos uruguaios, teve produção de Deniz e Figueredo e a participação de cantoras como Maite Zugarramurdi, Leticia Skrycky, Carmen Sandiego, Figueredo e Sofía Rodríguez.
Tímido, o cantor de 20 e poucos anos falou pouco no show em São Paulo, mas arrancou boas risadas do público ao cantar a história de Emiliano y Juana, a história de un chico y una chica que ouviram a voz de Deus e bom, você consegue imaginar a confusão que esse tipo de acontecimento pode causar.
Ao vivo – com o palco decorado como se fosse parte da sala de sua casa, com uma cadeira, livros, abajur e uma mesa ao lado -, Franny mostrou porque vem conquistando cada vez mais o público: violão bem dedilhado, canções fofinhas com frases do dia a dia e que, com sua voz delicada e honesta, poucos ouvidos podem resistir.
Com seu primeiro disco solo, Con la mente perdida en intereses secretos (2007), Fanny Grass foi marcando espaço e ganhou diversos prêmios latinos, como melhor álbum de rock alternativo, melhor trabalho de arte e melhor compositor. Nesse disco estão músicas como Cine y Libros, Abro Los Ojos, Fin de Semana, 32 Canciones, Adivinando Lo Que Pensás, Hoy no Quiero Verte Nunca Más, Emilliano y Juana, entre outras.
Em uma rápida conversa depois do show, no hall do auditório do Sesc, ele disse que o segundo disco está pronto – leva o nome Hay un cuerpo tirado en la calle; repare que ele é muito criativo para nomes de músicas e discos – e foi lançado em janeiro deste ano. Mas, por enquanto, o disco ainda não chegou ao Brasil. Ou seja, quem quiser conhecer mais o trabalho deste uruguaio, terá que recorrrer à internet: http://www.myspace.com/32canciones ou www.fotolog.com.br/franny_glass. Divirta-se com as canções ou com as fotos.
Trecho de “No pasé durmiendo el invierno”, ao vivo, no Sesc Vila Mariana:
Tags: cone-sul, franny glass, gonzalo deniz -
março 5th, 2009posts por autor: Andréia, resenhas
(por Andréia Martins)
O nome pode não soar comum aos seus ouvidos: Yael Naim e David Donatien. Com shows marcados em cidades dos EUA, como Boston, Nova York, Los Angeles, Paris, Portugal, Montreaux, Tel Aviv, entre outros, essa dupla vem conquistando cada vez mais o público com canções delicadas, misturando o inglês e o hebraico num folk pop de primeira.
Naim começou a cantar em casa, depois que o pai trouxe um piano. Enquanto acompanhou o exército francês, lá pelos idos de 1996, também aproveitou para mostrar seus dotes de cantora. Foi quando repararam que a moça dava para a coisa. O primeiro disco, In a Man’s Womb, lançado em 2001, não obteve muito sucesso. Ou melhor, não teve sucesso algum. Depois de conhecer Donatien durante um festival, formaram uma dupla.
Juntos eles se reuniram no estúdio que a cantora franco-israelense tem em seu apartamento, na França, para gravar as canções dela. Isso há quase três anos. Donatien, que é precussionista, acompanha Naim fazendo programação eletrônica, tocando baixo, órgão, guitarra elétrica e o que mais precisar.
O resultado foi Yael Naim & David Donatien, um disco que mostra que para uma boa música, não existem barreiras como ideologias e idioma. O disco é repleto de músicas contemplativas que, na doce voz de Naim, não pedem que o ouvinte entenda árabe, hebraico, ou até mesmo o inglês, e sim que você aproveite a música. Destacam-se a super pop – e talvez a única canção feliz do disco – “New Soul“, usada na campanha da Apple; há também “Shelcha”, essa em hebraico, com uma melodia irresistível e, acredite, uma versão para “Toxic”, de Britney Spears, que ganhou outra cara com a dupla.
A faixa que abre o disco fala sobre Paris, cidade onde a dupla reside atualmente, e tem uma batida leve, mostrando bem o que você pode esperar do resto do disco traz. Vale a pena repetir a faixa “Far Far”, essa em inglês, e a seguinte, “Yashanti”. Ambas abusam do violão e da guitarra de fundo, como coadjuvante, e a última, ainda traz sons de passarinhos ao fundo. O tipo de canção perfeita para aquele dia em que tudo o que você precisa é sentir um pouco de paz.
Lançado em 2007 pelo selo independente “tôt Ou tard”, o CD chegou ao Brasil via Warner apenas no segundo semestre de 2008, mas ainda é missão impossível encontrá-lo nas lojas. O jeito mesmo é recorrer ao You Tube e ao My Space, que infelizmente, disponibiliza poucas músicas da dupla.
No geral, um disco intimista, de uma dupla ainda não conhecida do público brasileiro, mas que se chegar ao ouvido de quem não tem restrições ou preconceitos musicais, vai ganhar o espaço que merece, seja na prateleira de discos ou na lista de preferidos do iPod.
Tags: david donatien, resenha, yael naim -


