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abril 28th, 2009matérias especiais, posts por autor: Andréia[Natasha Ramos]

Capa do disco "Together Through Life"
Bob Dylan lança nesta terça (28) seu 33º disco de estúdio, Together Through Life (Columbia Records). Com um título no mínimo romântico combinado à foto da capa de dois jovens se pegando no banco de um carro, o álbum revisita a atmosfera do verão de 1959 e a sonoridade daquela época.
Com meio século de existência artística, Bob Dylan deixou sua marca no universo musical e na cultura pop. Sem dúvida, a lenda do folk se tornou referência para muitos músicos contemporâneos que resolveram enveredar pelo mesmo gênero do músico.
É o caso de Hélio Flanders, do Vanguart, que em entrevista ao Palco Alternativo revelou ter conhecido Dylan aos 14 anos.
“Uma ex-namorada foi viajar e me deixou um K7 onde tinha uma versão

Hélio Flanders, do Vanguart
arrebatadora de ‘You’re a Big Girl Now’, do disco Blood On The Tracks [1975]. Fiquei voltando e escutando compulsivamente, aí resolvi ouvir o disco todo e tudo mudou para mim na música. A forma de se pensar em escrever as letras, de como se pronunciar as sílabas… Dylan é certamente minha maior influência estrangeira”.
Outra banda que parece ter bebido da fonte Dylan é a curitibana Charme Chulo, que adequou o folk gringo às nossas raízes brasileiras.
“Nós do Charme Chulo costumamos levantar a seguinte bandeira: ‘O folk no Brasil é música caipira’, mas Bob Dylan é o que? Rock e Folclore (ainda que norte americano) e dos ‘bão’!”, explica o vocalista Igor Filus.
Igor também comenta como foi seu primeiro contato com a musicalidade de Dylan. “O primeiro disco que ouvi foi Blonde on Blonde. Vi a capa do disco em um clipe da banda Belle and Sebastian, o que me fez ir atrás de Bob Dylan. Ou seja, cheguei até ele pelas bandas que ele influenciou, algo que acabou acontecendo em relação as minhas influências musicais dele no trabalho do Charme Chulo”.
Como todo músico itinerante, Bob se permitiu passar por mudanças em seu som: do folk de protesto, aderiu aos instrumentos elétricos, assumindo uma fase mais blues/rock, passou pelo country rock e até pelo gospel. Sobre suas diferentes fases, tanto Igor quanto Hélio expressam quais são suas preferidas.
“Gosto de todas as fases. Comecei pela fase folk e gosto muito dos primeiros álbuns, porém minha fase favorita é do Bringing It All Back Home até o Blonde on Blode”, comenta Hélio, do Vanguart.

Igor Filus, do Charme Chulo
“Citaria como o melhor disco, o seu début [Bob Dylan] de 1962, o mais roots e visceral de todos, uma revolução total. E como dizia Renato Russo, todos os outros até 1979, Slow Train, por aí…”, conta Igor, do Charme Chulo.
Apesar de existirem diversas bandas novas que tocam o que atualmente é chamado de folk, muita coisa aconteceu desde a década de 60, que transformou o gênero tocado por Dylan em uma variação do estilo.
“Uma diferença, ao meu ver, é o caráter politizado, a principal marca do folk dos anos 60, que se perdeu naturalmente pelas condições atuais da cultura ocidental. Somos de um outro modo, temos que decifrar os dilemas do nosso tempo, temos que representar nossos dias. Porém, muitas vezes, as bandas não conseguem alcançar isso e ficam apenas nos estereótipos musicais do estilo, outra infeliz tendência atual”, declara Igor.
Sobre essa leva de bandas novas que fazem um som com o pé no folk, Hélio indica outras boas: “Tem o Bad Folks, de Curitiba, tem a maravilhosa Mallu Magalhães e a Stephanie Toth de São Paulo”.
Enfim, Bob Dylan se tornou um ícone por ter influenciado tanto as gerações que vieram depois dele, quanto seus contemporâneos, como John Lennon.
“Dylan é tão único que seu legado seja talvez simplesmente o de ter existido um Bob Dylan um dia, como John Lennon ou Brian Wilson. Geniais em suas particularidades”, conclui Hélio.
Tags: bob dylan, charme chulo, folk, hélio flanders, vanguart -
abril 24th, 2009cone-sul, posts por autor: Andréia
(por Andréia Martins)
A foto da capa do disco de estreia da atriz mexicana Ximena Sariñana, engana. Lá, ela está sentada, como uma senhorita comportada, usando um vestido de bolinhas e costurando. Mas, ao ouvir o disco, você vai entender o porquê do nome do álbum, Mediocre - direcionado a quem seja algo que não é – e perceber que Ximena não é bem o que aquela senhorita da capa demonstra ser.
De fala rápida, cheia de ideias, ela diz preferir roupas largas, tem um estilo despojado, e solta a voz no disco, um dos melhores no gênero jazz pop. Com 14 trabalhos como atriz no currículo, desde filmes a novelas (alguém se lembra de Luz Clarita, no SBT? Pois é, ela estava lá) ela diz que não foi difícil ou nervoso gravar o primeiro disco.
“A música está na minha vida desde os 4 anos de idade. Foi uma escola, por influência dos meus pais”, o cineeasta Fernando Sariñana e a atriz Angélica Rivera, disse ela numa rápida em entrevista à repórter no final de 2008, por telefone, direto do México.
Sua relação mais profissional com a música começou graças ao trabalho como atriz, quando gravou o tema da tal novela Luz Clarita, em 1996. Desde então, a vontade de continuar gravando não parou de crescer. Apesar disso, outros sons vem fazendo a cabeça dessa jovem mexicana. “De tudo um pouco. Começando por Fiona Apple e Björk, com muita influência de cantoras de jazz como Ella Fitzgerald, muita música latino-americana e também leio muito”.
Das 12 canções de Medíocre, duas são covers e as outras 10 foram escritas entre 2006 e 2007. “Falam de coisas de tempos atrás, mas que de alguma forma, estão presentes na minha vida”, diz ela. Destacam-se Vidas Paralelas, Normal, escolhida como primeira música de trabalho, e La Tina, com uma levada cadenciada, capaz de conquistar qualquer um. Há também Sintiendo Rara, com um baixo marcante, e a delicada Gris.
O grande diferencial de artistas como Ximena, que junto a outros latinos como José González, vêm conquistando espaço entre jovens e o público que adora descobrir novidades na internet, é a sinceridade de sua música e já na estreia, entrou para a lista de melhores discos de 2008 no ranking da Rolling Stone mexicana.
Neste mês ela levou a turnê para os EUA, onde foi bem-recebida pelo público. Sem data certa para lançar o próximo disco, a última novidade de Ximena é o cãozinho Lázaro, um labrador de quatro anos que segundo ela conta em seu blog, poderia muito bem se chamar Copperfield, pois saltou de uma ponte de 15m e sobreviveu.
Pelo jeito boas histórias não faltarão no próximo disco de Ximena. E ao contrário do que ela canta em No Vuelvo Más, “mañana me olvidarás” (amanhã me esquecerá), tudo indica que para os que tiveram ouvidos mais aguçados, Ximena veio pra ficar.
Tags: ximena sariñana -
abril 9th, 2009notas, posts por autor: Andréia
(por Andréia Martins) – Arte sonora numa exposição itinerante por São Paulo. Essa é a nova proposta da dupla à frente do estúdio de artes visuais Sopa Grafix, os artistas gráficos e músicos Bruno Mestriner e Yuri Garfunkel.Eles se conhecem desde a 6ª série. Primeiro formaram uma banda (um toca baixo e o outro flauta) e depois se uniram para criar o estúdio, pelo qual acabam de colocar “na estrada” a exposição “Música Visual”.
A instalação, inaugurada no Coletivo Galeria, em Pinheiros, zona sul de São Paulo, no dia 3/4, reúne imagens do universo musical feitas em diversos suportes artísticos, como lona de caminhão reciclada, grafites, gravuras, impressão fotográfica, stickers e lambe-lambes. E mais: para mostrar que eles apostam na irreverência, a exposição circulará por algumas casas noturnas da cidade.
“A gente vive esse negócio de música visual. Só pára de ouvir musica pra tocar e está vendo coisas enquanto toca. Os trabalhos dessa exposição vêm desse tema que é muito natural pra gente, tanto que alguns dos nossos primeiros trabalhos, que tem mais de dois anos, fazem parte da exposição porque tratam do mesmo tema. É bem possível que ele esteja em tudo que a gente fizer”, diz Bruno em entrevista por email ao Palco Alternativo.

Gravura da exposição Música Visual, assianda pelo Sopa Grafix
Sobre o objetivo da exposição, para ele trata-se de dividir, ou simplesmente, trocar ideias. “O que queremos mostrar são ideias mesmo. Cada imagem é uma ideia que começa na nossa cabeça e vai se juntando com outras até virar uma imagem. Mas a ideia só termina quando outra pessoa vê essa imagem e isso vira uma ideia na cabeça dela. Queremos comunicar”, diz ele.
E como para Bruno “muitos trabalhos são melhores de se ver no bar do que na galeria”, a exposição passará por quatro bares de São Paulo. “A gente talvez apareça”, brinca ele.
O calendário dos caras é o seguinte: dia 21 de abril a exposição passa pelo Bar Kabul, no dia 6 de maio segue para o Bar B, e no dia 4 de junho, eles encerram a peregrinação no Teta Bar, com mais um show, afinal, foi com a música que tudo começou.
“A música seguramente não é um hobby. Tocamos em diversos projetos muito antes do estúdio, juntos e separados. O Sopa é nosso trabalho visual e que anda junto com as bandas. Hoje, participamos do Encanta Realejo, um projeto que mistura música, dança, poesia e pintura, e do Frigazz, um projeto de música improvisada”, conta Bruno.
O trabalho exposto pelos dois já foi visto até fora do Brasil. “Expusemos em lugares muito interessantes em Barcelona e em Bolonha. É muito legal mostrar o trabalho para pessoas de outros países. Eles têm outro jeito de entender as coisas”, relembra Bruno, que se disse surpreso pelo interesse dos estrangeiros em temas brasileiros como os trabalhos sobre o Saci, o Curupira e a Mula Sem Cabeça expostos pela dupla.
E para finalizar, a pergunta que não quer calar: depois de estudarem, tocarem, trabalharem, criarem e morarem juntos, o que mais falta sair dessa parceira? A resposta de Bruno vem na lata: “Dinheiro”. Bom, pelo menos, ao que tudo indica, até agora eles estão se divertindo.
Confira as datas do “tour” da EXPO MÚSICA VISUAL por Sampa:

Coletivo Galeria – Rua dos Pinheiros, 493, Pinheiros, região oeste, São Paulo. Tel.: (11) 3083-6478. Ter. a sex.: 15h às 20h; sáb.: 12h às 19h. Grátis. Expo Música Visual de 4/4 a17/4.
Bar Kabul - Rua Pedro Taques 124, Consolação. Festa de abertura: terça-feira 21 de abril, 21h. Expo Música Visual de 21/4 a 2/5.
Tags: bruno mestriner, coletivo galeria, sopa grafix, yuri garfunkel -
abril 7th, 2009posts por autor: Natasha, raio-xGrupo, que acaba de voltar de mini-turnê pelos EUA, lança seu disco de estreia, Chora Matisse!, na internet

Banda Nancy, de Brasília
[Por Natasha Ramos]
Ao contrário do que pode parecer, Nancy não é o nome da garota da foto acima, mas do sexteto brasiliense que toca um rock de levadas harmônicas temperado com a doce voz da vocalista Camila Zamith.
A banda lança hoje, virtualmente, seu CD de estreia, intitulado Chora Matisse!, que traz, dentre as faixas, a ótima “Keep Cooler”, música que chamou a atenção do Palco Alternativo e nos motivou a conhecer mais o trabalho do grupo.
A partir da correspondência via e-mail entre a vocalista e o guitarrista Praxis, que estavam em continentes diferentes —ela na Inglaterra, ele no Brasil—, no início, o que se configurava mais como um projeto musical foi tomando forma até se consolidar como banda com o retorno da moça ao Brasil.
Integrantes
A banda Nancy é formada por Camila Zamith (vocalista), Praxis (guitarrista), Dreaduardo (baterista), Munha (baixista), Fernando (guitarrista), Rick Ramirez (flautista).
“O Munha também é maestro do Satanique Samba Trio, uma banda super bad vibe daqui de Brasília”, comenta Práxis em entrevista ao Palco Alternativo.
Início
O grupo teve duas formações, uma no começo da carreira, em 2003, antes de Camila ir morar em Londres, e a atual, reformulada depois de sua volta. Além da vocalista, Praxis também saiu de Brasília para ir morar no Rio. Mas a distância não foi suficiente para que eles desanimassem.
“Continuamos compondo. Eu fazia as partes da guitarra e enviava [pela internet] para a Camila, que mandava de volta com o vocal e vice e versa. Quando voltei para Brasília, montei novamente a banda, dessa vez com Munha e Fernando, e ensaiamos bastante. Quando a Camila chegou, entramos em estúdio para gravar essas músicas”, conta Praxis.
Influências
O som de Nancy é influenciado principalmente por Nina Simone, Public Enemy, Mulatu Astatqé e “aquela banda que toca no Twin Peaks”, segundo Praxis. Tudo isso contribuiu de alguma forma na formação sonora única da banda, que toca um “HPV Chic”, como classifica o guitarrista.
Já sobre as letras, não quebre a cabeça para tentar traduzir as músicas cantadas em inglês, pois como o Praxis explica: “Tocamos rock, ou seja, nossas letras não significam nada”.
Nome
A escolha do nome é algo realmente curioso e, digamos, onírico. Certa vez, Praxis teve um sonho bem maluco com o vocalista da Legião Urbana..
“O Renato Russo me pedia para dar um recado ao dado Villa-Lobos: que ele tomasse cuidado com o Negrete, pois ele voltaria da Chapada para tentar assediá-lo sexualmente. Ao fim do sonho, ele perguntava se eu tinha entendido o recado. Então, eu entrei num loop respondendo ‘Não, sim, não, sim, não, sim’. Daí surgiu Nancy”.
Shows
O quinteto já se apresentou no Milo Garage, em São Paulo, em todos os cantos de Brasília, em festivais em Goiânia e, na edição do Motomix do ano passado. “Mas se alguma gata quiser nos convidar para tocar na casa dela também aceitamos”, completa.
Além disso, a banda acabou de voltar de uma mini turnê pela costa leste dos Estados Unidos e da apresentação no festival texano South by Southwest, realizado nos Estados Unidos entre os dias 7 e 16 de março do ano passado.
Músicas

Capa do CD "Chora, Matisse!"
A banda leva na bagagem o recente disco de estreia, Chora, Matisse!, lançado online nesta segunda-feira (06/4) pelo site spsOnica, onde é possível fazer o download de todas as músicas e fotos. Este álbum traz nove faixas, entre elas, “Keep Cooler”, “Glicerina Dreaming” e “Mamba Negra Fashion”, que podem ser ouvidas no MySpace da banda.
Tags: Nancy -
abril 3rd, 2009posts por autor: Natasha, raio-x
Banda Castigo Elétrico
[Por Natasha Ramos]
Gênero pouco divulgado no Brasil, o blues ficou relegado ao underground e a mídias especializadas no assunto. Diz a lenda que os músicos que defendem o estilo o preferem assim. Conjecturas à parte, fato é que, hoje, as bandas brasileiras de blues têm mais espaço para tocar do que antes. Pubs proliferaram e festivais dedicados ao gênero foram surgindo em várias cidades do país.
“Não dá para dizer que é o ideal, mas tem espaço sim”, comenta Fábio Levatti, guitarrista, bandolinista e vocalista da Castigo Elétrico ao Palco Alternativo, durante ensaio da banda.
“Quem vive de música gostaria que [o gênero] ‘estourasse’ para ganhar dinheiro”, comenta Roberto Terremoto, vocalista e guitarrista da Castigo Elétrico. “Mas, por exemplo, o [guitarrista, cantor e compositor brasileiro de blues] Big Gilson que fez turnê com simplesmente [o guitarrista e cantor norte-americano de blues] Johnny Winter, considerado um deus nos Estados Unidos. Quantas notas você leu em alguma revista? Não é divulgado”, acrescenta.
“O próprio Celso Blues Boy quando gravou aquela música ‘Mississipi’, com o BB King, só foi notícia no meio do blues. Acredito que, mesmo que tenha se popularizado um pouco, o gênero não vai chegar a ser algo comercial”, acrescenta Fábio.
“Seguidores” do gênero, a banda paulistana Castigo Elétrico, formada ainda por Alê Rossi (baterista) e Ricardo Blane (baixista, saxofonista e backing vocal), existe há dois anos e meio, com um disco virtual na bagagem —Devolve a Minha Sorte— gravado de forma atípica.

Integrantes da Castigo Elétrico, que recebeu a equipe do Palco Alternativo em ensaio da banda
“O disco não foi concebido como é normalmente. A gente ensaiava duas músicas e gravava. Depois de alguns meses, alguém da banda trazia mais três, ensaiávamos e gravávamos. Começamos a gravar em 2006 e terminamos em 2007”, explica Fábio.
Assim como aconteceu no processo de gravação do disco, a banda surgiu de maneira despretensiosa. “Eu e o Blane tocávamos juntos desde 1998, numa banda chamada Canalhas Ordinários, que depois virou Artéria, com a qual lançamos dois discos. Em 2006, a banda terminou para valer”, conta Fábio.
“Roberto, que tocou com meu irmão em uma banda chamada Jafer Blue, conhecia o Alê, há bastante tempo, dos projetos de blues deles [além da Castigo, Roberto e Alê tocam em outra banda de blues chamada Bimbols Brothers] e ensaiavam em um estúdio que eu tinha. Já tínhamos amizade. Um dia, conversando, a gente disse ‘Vamos fazer um som?’. Era isso. Não era montar uma banda, era fazer um som”, explica Fábio.
Escolha do nome
A escolha do nome se deu a partir do filme dos Muppets, que, ao que tudo indica, é uma grande influência da banda. “Eu estava assistindo ao filme dos Muppets dublado”, explica Fábio. “A bandinha deles, do animal na bateria, estava tocando em uma igreja, quando entra o Caco, ouve aquela barulheira do inferno e pergunta: ‘quem são vocês?’, no que eles respondem: ‘Nós somos e sempre seremos o Castigo Elétrico’. Na época, a gente já ensaiava, achamos espetacular e tinha que ser esse nome”, acrescenta.
Músicas
“Inclusive a [música] ‘Jorge’ teve a letra inspirada nos Muppets também”, lembra-se o baterista Alê Rossi.
Fábio explica: “Tem um cachorro dos Muppets que toca piano. No primeiro episódio da primeira temporada, ele toca uma música chamada “Eu, Você e Jorge”. Aí, eu tive a ideia de compor uma letra a partir dessa música, na qual eu sou Eu, Você é a menina e Jorge é o que tomou o chifre.”

Capa do disco "Devolve a minha sorte"
A composição das letras, geralmente bem-humoradas, é dividida entre Fábio e Roberto, mas conta com a colaboração dos outros integrantes. “Na ‘Toninho Tranca Rua’ eu cheguei [num ensaio] com o refrão ‘Toninho Tranca Rua, gosta de charuto, pinga velha e mulher nua’. Então, tivemos a ideia de fazer uma música sobre um cara que prende o diabo na guitarra”, explica Fábio.
Além dessas, também é deles a “Amélia, ex-mulher de verdade” —música composta por Roberto, que fala de uma Amélia emancipada, muito diferente da Amélia de Mário Lago, no sambinha de 1941—, que, inclusive, foi tocada por outra banda de blues, a Havengar, em uma apresentação.
Apesar da maioria das faixas do álbum ter uma pegada blues, há músicas que saem desse contexto, como a piegas “Seres Humanos” e a “Castigo Elétrico”. Acontece que além de bandas de blues, os integrantes da Castigo tem outras influências…
Influências
Com orientações musicais que passeiam do blues ao rock’n’roll, a banda tem uma proposta aberta a experimentações, dentro desses dois gêneros. Cada um fala quais são suas influências roqueiras.
“Eu sou do punk”, diz entre risos o baixista Ricardo Blane. “Gosto, principalmente, de Ramones, Beatles e Red Hot Chilli Peppers, por conta do baixista Flea”.
“Eu já vou mais prum Van Halen, Led Zeppelin, New Order, Depeche Mode, eu adoro…”, conta Alê Rossi.
“Eu gosto mais dos clássicos, o rock do começo, Elvis, Chuck Berry… E, no Brasil, Raul Seixas, o ícone”, diz Fábio. “Também gosto de bandas, cujas letras são bem humoradas, como Camisa de Vênus e Ultrage [a Rigor]”, acrescenta.
“Blues eu curto de tudo, mas, eu comecei escutando rock’n’roll. A melhor banda do mundo é AC/DC. E a segunda é Lynyrd Skynyrd. Depois vem o resto”, enfatiza Roberto.
Onde ouvir
No site Music Delivery é possível escutar as faixas na íntegra e baixar o disco completo Devolve a minha sorte, do Castigo Elétrico. “A própria Music Delivery já colocou [as músicas] em todos esses sites, como Terra, Uol, Baixahits”, comenta Fábio.
Além desses, é possível ouvi-los no Myspace da banda e no site Palco MP3, onde estão disponíveis oito músicas.
Shows

Banda durante apresentação
Durante os shows, predomina o improviso. “O legal do blues é que nenhuma versão é igual à outra, porque é tudo improviso, como no jazz, ninguém quer ver aquele solo do disco”, diz Roberto.
Por enquanto, a banda não tem datas de apresentações previstas. O último show aconteceu em 15 de março, no Ton Ton Jazz, em Moema. Fora esse, a Castigo fez poucas apresentações. A primeira foi na Alltv, uma TV pela internet, depois, em outubro de 2008, eles tocaram na Feira Erótica. Já tocaram no St. Johnns Pub, no Tatuapé, e no Paddy’s Pub, em Santana.
“Nós começamos pelo fim. Começamos gravando o CD para depois tocar em shows”, comenta Roberto.
“É, a gente fez o inverso. Geralmente, as pessoas tocam, tocam, tocam e depois gravam o disco”, confirma Fábio. “A ideia é começarmos a tocar agora e juntarmos uma grana para prensarmos o disco físico. Aí podemos correr atrás de pocket shows nessas livrarias da vida, fnac, Saraiva…”, acrescenta. Com a crise permanente da indústria fonográfica, o CD acabou virando mais um cartão de visitas, do que algo rentável.
Cena alternativa
Por pertencerem a uma cena alternativa, os músicos brasileiros de blues, ídolos para muita gente como o Celso Blues Boy, não são intangíveis como muitos músicos do rock ou pop.
“O Paulo Meyer, um gaitista das antigas, é muito gente boa. Já dei canja com ele várias vezes em shows”, conta Roberto que mantém um blog especializado no gênero, no qual entrevista vários músicos de blues. “O [carioca] Celso Blues Boy veio tocar em São Paulo, certa vez, e recebeu a gente super bem no camarim…”. acrescenta
Segundo eles, a cena de blues nacional costuma ser mais forte no Rio de Janeiro, terra do músico Big Gilson. “Esse cara é patrocinado pela Marshall. É o único guitarrista da América Latina que tem Marshall com o nome dele no amplificador. E quase ninguém escutou o nome desse cara até hoje”, comenta Roberto, voltando ao ponto de que os músicos de blues não recebem a devida atenção da imprensa.
Talvez a autenticidade do blues permaneça pelo fato de, justamente, não ter sido um gênero que caiu nas graças da grande mídia. Permanecendo no underground, o blues conservou sua identidade, atraindo para si apenas quem realmente se interessa por essa vertente da música negra.
Tags: blues, castigo elétrico


