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maio 31st, 2009posts por autor: Andréia, raio-x
(por Andréia Martins) – Macaco Bong, Guizado, Burro Morto, Mamma Cadela, Ruído/mm, The Dead Rocks, Hurtmold, e por aí vai. Esses são apenas alguns nomes de bandas que apostaram, nada mais nada menos, em fazer música instrumental para conquistar ouvidos mais aguçados. Mas a cena não era assim tão variada em 2002, ano em que gaúchos do Pata de Elefante resolveram mostrar a que vieram ao mundo.
Criada em janeiro de 2002, a banda tem dois discos lançados e consegue realizar o que pode ser considerado o maior desafio das bandas instrumentais: fazer canções com uma cara pop, bem-humoradas, cativantes com suas melodias sofisticadas e um balanço pelo qual é difícil não se deixar envolver. Tente.
O Pata de Elefante é formado por Gustavo Telles (baterista e que hoje acumula a função de manager da banda), Gabriel Guedes e Daniel Mossman (que fazem um revezamento 2×2 na guitarra e baixo) e tem dois discos na bagagem, Pata de Elefante (2004) e Um Olho no Fósforo e Outro na Fagulha (2008). O trio está gravando o terceiro disco, que deve sair até o final de 2009, e ainda não deu pistas do que podemos esperar do novo trabalho.
O multi man Gustavo Telles conta que a banda nasceu meio por acaso. A história é a seguinte: havia uma data disponível para um show. Ele e Gabriel já se conheciam. Restava encontrar o terceiro elemento da banda. Eis que aparece Daniel. “Conheci o Daniel uns minutos antes do show”, conta Telles. “O que era para ser apenas uma jam, acabou formando a Pata de Elefante, e desde o início, estávamos dispostos a fazer canções instrumentais”.
Em 2008, ao tocar no Abril Pró-Rock, o Pata acumulou momentos memoráveis ao tocar no mesmo palco que bandas como New York Dolls, Bad Brains, Helloween, entre outras.
Com influências de Eric Clapton, Jimi Hendrix, The Beatles, The Who, The Band, Rolling Stones, The Ventures, você vai encontrar uma boa dose de improviso misturada com a técnica de três excelentes músicos que, seguros, desfilam ora pelo puro e simples rock (ouça Pesadelo Hippie 3, Satuanograso e Bolero das Arábias, só para citar algumas) ora pelo blues, com momentos variando entre o folk e o country, e outros de puro pop (Bang Bang e Até Mais Versão são boas pedidas).
O trio foi até escalado para integrar a trilha do documentário Surf Adventures 2 – A Busca Continua, de Roberto Moura, com a canção Angelita, do primeiro disco. A trilha traz ainda Santana, Los Hermanos, Sly & The Family Stone, entre outros.Com isso, a banda está conseguindo romper barreiras e transformar um estilo que até pouco tempo era extremamente cercado de preconceitos em algo pop. Se incomoda? Em algumas entrevistas, ao responder a mesma pergunta, Gustavo diz que não, pelo contrário. Afinal, esse é o objetivo, certo? E se até o Papa já foi pop, fica difícil resistir a uma Pata de Elefante com arranjos charmosos e uma boa pegada rock’n’roll.
Tags: instrumental, Pata de Elefante -
maio 31st, 2009entrevista, posts por autor: Andréia(por Andréia Martins) – Pedro Bromfman é um carioca que adora música e resolveu correr atrás da carreira nos EUA. Para quem não se lembra de tê-lo visto cantar ou algo parecido, o motivo é simples: o músico trabalha com trilha sonora, além de cultivar uma antiga paixão: o jazz.
O mais conhecido trabalho deste trilheiro no Brasil talvez seja a trilha sonora do filme Tropa de Elite, que além de jargões – ‘fanfarrão’ e ‘pede pra sair’- recuperou um antigo hit do grupo Tihuana, que leva o nome do filme, entre novas composições.
“Tive a sorte de estar envolvido desde a fase do roteiro, o que me possibilitou conhecer intimamente os personagens e entender como a musica deveria contribuir emocionalmente para o filme”, diz ele do trabalho em Tropa… . Um compositor de trilhas trabalha de duas formas: seja na escolha de músicas já gravadas para compor uma trilha ou compondo as músicas.“Ajudamos a ‘construir’ o mundo emocional através da criação de temas musicais”, diz ele. Entre uma viagem e outra – ele reside em Los Angeles e passa a maior parte do tempo por lá – Pedro bateu um papo com a gente e falou do trabalho, do mercado – seu último trabalho a passar por aqui foi a trilha do documentário Mataram a Irmã Dorohty – de “trilheiros”, formação e novos projetos.
Gostaria que você falasse sobre o trabalho no filme Tropa de Elite.
Pedro Bromfman – Compus e produzi em torno de 30 faixas incidentais que dividem com as canções escolhidas os momentos musicais do filme. Também fui responsável pela produção e regravação de algumas canções como Rap das Armas e a faixa Nossa Bandeira, ambas gravadas com os MCs Leonardo e Júnior e com a bateria da Escola de Samba da Rocinha. Toquei diversos instrumentos durante as gravações da trilha, fiz a programação sonora e criei sons e contei com a participação de grandes músicos como Robertinho Silva, Ney Conceicao e Cassio Duarte.Haverá uma edição especial da trilha nos EUA, parece que ela vem com algumas novidades, certo?
PB – O filme que será lançado nos EUA será exatamente igual ao que saiu no Brasil. A diferença é que o CD da trilha que lançamos aqui fora contará com parte da trilha incidental, o que não saiu no Brasil e alguns diálogos mixados entre as músicas.Como é esse mercado – o de trilhas – aí nos Estados Unidos, para os brasileiros?
PB – O mercado de trilhas em Hollywood é completamente globalizado. Compositores do mundo inteiro que querem trabalhar com música para cinema tentam a sorte por aqui. Esse é sem dúvida um mercado extremamente competitivo porem, apesar de bastante saturado, existe trabalho para compositores nas mais diversas áreas: videogames, web sites, shows de TV, etc… Eu trabalhei durante anos compondo musica para trailers e comerciais antes de começar a me dedicar exclusivamente ao cinema.Você saberia dizer quais músicos brasileiros se destacam por aí, nessa área?
PB – Alguns estão construindo carreiras bem sucedidas por aqui como, por exemplo, o Antonio Pinto, o Heitor Pereira e o Marcelo Zarvos.Você começou como guitarrista de Jazz no Rio, certo? Quando você decidiu se tornar produtor de trilhas e tentar a carreira nos EUA?
PB – Me mudei para Los Angeles em dezembro de 2001. Estava frustrado com o cenário da música instrumental no Brasil e queria passar um tempo por aqui tocando e aprendendo mais sobre produção. Não planejei entrar para o mercado de trilhas, apesar de ser apaixonado por cinema. Quando cheguei a LA conheci muita gente do meio e quando percebi, estava compondo trilhas para curtas e documentários. Resolvi então me especializar em composição de trilhas com um curso de pós na UCLA.Formam-se melhor os músicos nos EUA?
PB – Fiz faculdade em Boston, na Berklee college of Music. Foi uma experiência extraordinária. A infra-estrutura de uma faculdade de música como a Berklee, pelo menos em 1994 quando cheguei a Boston, era inimaginável no Brasil. A possibilidade de tocar, gravar e estudar com excelentes músicos do mundo inteiro foi maravilhosa. Acho que no Brasil temos músicos brilhantes e extremamente talentosos, porém, muitas vezes a falta de oportunidades acaba criando insatisfação e uma frustração geral que dificulta a constante busca da superação.Fale um pouco sobre o trabalho no filme They Killed sister Dorothy. Que tipo de músicas você preparou para essa história?
PB – They Killed Sister Dorothy é uma produção inteiramente americana, porém sobre um caso que ocorreu no Brasil, a morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, no Pará em 2005. O filme é narrado pelo ator Martin Sheen, dirigido pelo talentoso Daniel Junge e produzido por Nigel Noble, ganhador de um Oscar de melhor documentário nos anos 80. Compus em torno de uma hora de música para o filme, que conta exclusivamente com músicas minhas. O filme foi premiado no festival de South by Southwest com o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio Popular.Você continua se apresentando ao vivo, está preparando algum trabalho novo de inéditas?
PB – Não tenho tocado ao vivo. Tenho vontade de montar um grupo no futuro e voltar a tocar jazz, uma das minhas grandes paixões. Porém, no momento estou muito feliz em poder trabalhar compondo trilhas. Sempre fui um músico muito eclético, escutava e tocava de tudo desde a infância, e essa diversidade esta presente todos os dias em meu trabalho. Devo fazer mais um filme com o José Padilha, diretor do Tropa, dessa vez um documentário sobre os índios Yanomamis. Além disso existe a possibilidade de eu compor a trilha para um novo filme brasileiro e outro americano, ainda estamos em fase de negociação.Se tivesse que escolher, qual seria o seu Top 5 de filmes que tem um casamento, digamos perfeito, entre trama e trilha, e por que?
Tags: pedro bromfman, trilha sonora, tropa de elite
PB – Sou um grande fã do Ennio Morricone e hoje tenho o orgulho de dizer que temos o mesmo agente em Hollywood, surreal, não?!?! Suas trilhas para The Good, The Bad and The Ugly, Cinema Paradiso e A Missão são perfeitas. Também adoro o trabalho do John Barry, Out of África e Somewhere in Time são trilhas maravilhosas. Como comentei antes, o compositor de trilhas é responsável por encontrar o tom do filme e compor temas que nos façam sentir na pele o que vemos na tela. Nos exemplos citados acima, esses gênios não só o fizeram, como também criaram melodias extraordinárias que funcionam maravilhosamente bem, mesmo separadas do filme. -
maio 18th, 2009posts por autor: Andréia, raio-x
(por Andréia Martins) - Numa tarde de abril, um colega da redação chegou empolgado depois de ver, num bar, o baixista do Ira! tocando um baixo acústico em uma nova banda. Embalada pela empolgação alheia, fomos atrás de Ricardo Gaspa (ex-baixista do Ira) e descobrir mais sobre o Black Sheep Rules, banda de rockabilly que vem colocando os paulistas que curtem o rock das antigas para dançar.
Banda
A banda é recente. Começou em 2007, mas a atual formação está na ativa desde janeiro de 2008: Gaspa no baixo, o vocalista Ricardo Alpendre, Cunha (guitarrista) e Alê (baterista).E qual é a do Black Sheep? “A princípio, o grupo se propôs a tocar covers de Elvis Presley, Eddie Cochran, Buddy Holly, Gene Vincent, Johnny Burnnet e alguns revivals dos anos 80, temos algumas composições e pretendemos trabalhá-las em um futuro próximo”, contou Gaspa.
Sobre o gênero – o rockabilly, que marca o início do rock, anos 50 e 60, época das garotas de saias de bolinhas e garotos usando jaquetas de couro – Gaspa acredita que, por mais que novas bandas não demonstrem terem sido influenciadas pelo estilo, não quer dizer que ele esteja esquecido.
“Esse gênero sempre andou pelo underground, tem um público fiel. No Brasil, a sua proporção é bem menor que em outros países. Acho que o rockabilly influencia as bandas, consciente ou inconscientemente. Não tem como esquecer de onde o rock surgiu, seria pura ignorância”, diz ele.
O lado divertido do rock, explorado por ícones do rockabilly em penteados, roupas e performance, esse sim parece ter perdido um pouco o espaço. “Acho que rock tem um pouco de tudo isso, é diversão e atitude com um pouco de ingenuidade nas letras. Penso que o rock em geral ficou um tanto complexo pro meu gosto. It´s only Rock and Roll…”, comenta Gaspa.
Quem quiser conferir o som da banda, basta acessar a página do Black Sheep Rules no My Space ou ainda melhor, assistir a banda ao vivo. O próximo show rola no dia 5 de junho no The Clock, às 20 horas, em São Paulo. A casa é especializada no gênero, por isso, aproveite para ir a caráter.
“Ira está nas mãos de Deus”
O fato de ter tocado por quase 30 anos na mesma banda não tirou o gosto de Gaspa por outros estilos. “Sempre toquei com vários grupos e várias pessoas. O Ira! me tirou um pouco isso, gosto de buscar diferentes projetos e aceito bem novos desafios”.
Prova disso é que antes do rockabilly, a aposta de Gaspa foi a surf music, em seu primeiro disco solo. “A surf music está um pouco ligada ao rockabilly. Gosto do som dos anos 50 e 60. Tenho vontade de gravar um projeto com minhas músicas tocadas no formato acústico, agora que redescobri o baixo acústico, minha verdadeira paixão”.
Sobre o Ira!, pouco a dizer, principalmente porque agora uma volta parece cada vez mais algo improvável. “O futuro a Deus pertence”, diz Gaspa, que por acompanhado Nasi em sua turnê solo, diz que apesar da separação, “metade do Ira! ainda vive!”.
Tags: Black Sheep Rules, Gaspa, Ira! -


