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    agosto 17th, 2009blogpalcoalternativodisco clássico, posts por autor: Andréia

     

    cash

    [por Andréia Martins]

    “Hello, I’m Johnny Cash”. Com essa frase, em 13 de janeiro de 1968, Johnny Cash dava início a uma gravação histórica: o disco ao vivo Johnny Cash At Folsom Prison. Poderia ser apenas mais um disco ao vivo, gravado em um show comum, no qual a plateia vai até o artista. Não no caso de Cash.

    Talvez a parte mais incrível desta história seja a sensibilidade de Cash, que em vez de esperar pela sua plateia, foi até ela na prisão Folsom Prison. Mas antes de falarmos daquela noite, é bom lembrar como essa prisão entrou na vida de Cash.

    Nos anos 60, enquanto servia a Força Aérea, Johnny Cash assistiu Inside The Walls of Folsom Prison, filme de 1951 sobre a famosa prisão e, inspirado no filme, compôs o clássico Folsom Prison Blues. Lançada em dezembro de 1955, a canção estourou e, em 1966, Cash apresentou a música na prisão de Folsom.

    Apesar dos inúmeros problemas que teve, principalmente com drogas, Cash passou pouco tempo preso. Na verdade, apenas uma noite. Mas os presos se identificavam cada vez mais com as canções daquele cowboy fora da lei, o que foi uma surpresa para ele.

    Por isso, ele voltou ao local em janeiro de 1968, contra a vontade da gravadora Columbia que achava a ideia inovadora demais para o conservadorismo norte-americano, para, dessa vez, gravar um disco, com o qual recuperou a popularidade, recuperando seu papel de trovador e tornando-se uma espécie de advogado dos prisioneiros.

    “Eu não fui até lá pensando que seria uma cruzada. (…) Apenas não acho que as cadeias funcionam… Nada de bom nunca saiu de uma prisão”, sentenciava Cash.  

    Folsom Prison, o disco

    Johnny Cash-Folsom Prison O disco Johnny Cash At Folsom Prison começa com a clássica Folsom Prison Blues, que fala das advertências de sua mãe para ser sempre um bom garoto, e outros detalhes, como o trem passando, a ausência do sol, a indignação de viver enjaulado enquanto ricos bebem café e fumam seus charutos. Um dos versos mais famosos da canção é: But I shot a man in Reno / Just to watch him die”.

    Na sequência, outros hits de prisão, Busted, Dark as the Dungeon, na qual depois do oitavo verso, Cash ouve risadas e solta o seguinte comentário: “Uh huh sem risdas durante esta canção, por favor, está sendo gravado. Vocês não sabem que estamos gravando isto?”, e ainda I Still Miss Someone, sobre a carência afetiva dos encarcerados, Cocaine Blues, sobre a qual não é preciso falar muito e 25 Minutes to GO, sobre os minutos finais de um condenado à morte.

    Dentre as 19 canções do disco, além das citadas acima, outras três merecem destaque. Uma delas é Jackson, na qual Cash chama sua companheira, dentro e fora dos palcos, June Carter, para um dueto. Vocês podem imaginar o alvoroço criado pela presença de uma mulher – e diga-se de passagem, uma bela mulher – na Folsom Prison.

    I Got Stripes talvez seja a música mais celebrada em todo o disco. Isso porque entre os seus versos, Cash canta “I got stripes around my shoulder”, frase que fazia os presos assoviarem, aplaudirem e gritarem. A euforia tinha razão de ser: um grande cantor estava ali dizendo que entendia tudo o que eles estavam vivendo e que, na verdade, era como eles.

     Os 15 minutos de fama de Glen Sherley

    Para coroar o respeito do cantor para com sua plateia, Cash encerra o disco com uma canção feita por um dos prisioneiros da Folsom.

    Preso por assalto a mão armada, Glen Sherley teve sua canção, Greystone Chapel, sobre a capela da prisão, interpretada de surpresa por Cash no show. Antes de interpretá-la, Cash estende a mão ao detento, que estava sentado na primeira fileira, e o apresenta com o autor da música.

    A música havia sido apresentada a Cash e sua banda, a Tennessee Three Marshall Grant, pelo reverendo Gresset, um grande amigo do cantor e que atuava com os presos da Folsom Prison. Depois do show, Cash e June se compadeceram do sonho de Sherley de tornar-se cantor.

    Johnny Cash intercedeu para que Sherley conseguisse a liberdade e o levou para a estrada. Além de música, fizeram diversas denúncias sobre o sistema prisional norte-americano. Mas devido a problemas com drogas e a incapacidade de se ressocializar levaram o ex-detento ao suicídio em 1978.

    Para quem quiser saber mais sobre esse disco mítico, além de ouvir o disco, vale conferir o documentário Johnny Cash at Folsom Prison, de Bestor Cram. Como não há imagens sobre o show, apenas fotos, e o relato é composto de entrevistas de quem participou da gravação do disco.

    “Se Johnny tivesse dito ‘vamos fugir daqui’, os detentos o teriam seguido”, afirmou o fotógrafo Jim Marshall, responsável por todas as imagens do show que aparecem na tela. Rosanne, filha de Cash, diz no filme que foi justamente este momento na prisão de Folsom, apesar de toda a carga negativa que uma prisão pode ter, que Cash se tornou quem realmente era.

    E se At Folsom Prison é mesmo a obra que fez de Johnny Cash quem ele realmente era, não há necessidade de justificar a importância deste disco, para ele e para os homens que tiveram, ainda que por algumas horas, um dia inesquecível entre as paredes da Folsom Prison.

    Disco: Johnny Cash At Folsom Prison – Live

    Ano: 1968

    Gravadora: Columbia Records

    Faixas: 1- Folsom Prison Blues / 2- Busted / 3- Dark as the Dungeon / 4- I Still Miss Someone / 5- Cocaine Blues / 6- 25 Minutes to Go / 7- Orange Blossom Special / 8- The Long Black Veil / 9- Send a Picture of Mother / 10- The Wall / 11- Dirty Old Egg Sucking Dog / 12- Flushed from the Bathroom of Your Heart / 13- Joe Bean / 14- Jackson / 15- Give My Love to Rose / 16- I Got Stripes / 17- The Legend of John Henry’s Hammer / 18- Green, Green Grass of Home / 19- Greystone Chapel

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    agosto 14th, 2009blogpalcoalternativoSem categoria

    cartola

    [Colaboração para o Palco Alternativo]

    Em 11 outubro de 1908, nascia um dos mais geniais compositores brasileiros, Agenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola.

    Este carioca poderia ter seu nome escrito na história da música mundial se tivesse nascido em outro país, e se isso fosse verdade, não teria sido um sambista. Como sabemos, a memória do nosso povo é muito curta e aposto que 90% da nossa população nem sabe quem foi esse mestre.

    Sim, apesar de ser um sambista, sua vida se confunde com muitos bluseiros. Ele trabalhava como pedreiro e foi onde herdou seu apelido, pois para proteger seus cabelos do cimento, usava um chapéu coco.

    Neste período, se tornou amigo de Carlos Cachaça, responsável por lhe apresentar a vida malandra do morro e o samba. Assim, junto com mais alguns amigos, fundaram a Estação Primeira de Mangueira.

    Não sei exatamente o período de sua vida que foi dado como morto, pois se afastou do samba, do morro e dos amigos. Em 1957, o jornalista Stanislau Ponte Preta o encontrou e iniciou um trabalho de divulgação, dando origem aos quatro discos de sua vida.

    Mas o que me faz escrever deste mestre aqui no Blog, são as coisas da vida que fazem parte das letras de suas músicas.

    Claro que quando falamos em Cartola, já lembramos de As Rosas não falam e o Mundo é um Moinho, e apesar dessas poesias maravilhosas, existem muitas outras obras que poderiam ser grandes letras de Blues.

    Um exemplo é a Amor Proibido, que fala de uma paixão pela mulher de um amigo, uma outra obra é Cordas de Aço, onde ele descreve o violão como se o instrumento fosse um corpo de mulher.

    Uma das mais lindas é a Peito Vazio, uma letra feita em um momento que só um homem sofrendo por amor poderia ter escrito.

    [Roberto “Terremoto” é bluesman, guitarrista e vocalista das bandas Bimbolls Brothers e Castigo Elétrico (com a qual já participou da coluna Raio-x do Palco Alternativo), e autor do blog especializado em blues TerremotoBlues.blogspot.com]

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    agosto 11th, 2009blogpalcoalternativoentrevista, posts por autor: Natasha
    Elisa, Corina e Lia
    Elisa, Corina e Lia

    [Por Natasha Ramos]

    Com apenas 21, 18 e 16 anos, respectivamente, as irmãs Corina (flauta), Lia (violão de sete cordas) e Elisa (bandolim), ao lado do pai Eduardo (pandeiro), formam o conjunto de música instrumental Choro das Três.

    Vindas de Porto Feliz (interior de São Paulo), as meninas chamam a atenção do público por onde passam e vêm difundindo sua música de raiz, com ênfase no choro da velha guarda, há cinco anos.

    O Choro das Três leva na bagagem o álbum de estreia Meu Brasil Brasileiro (lançado em 2008, pela Som Livre), que mescla faixas autorais com músicas de grandes nomes do gênero, como Ernesto Nazareth (“Brejeiro”), Zequinha de Abreu (“Tico Tico no Fubá”), Pixinguinha  (“Carinhoso”) e Ary Barroso (“Aquarela do Brasil”).

    Em entrevista ao Palco Alternativo, as meninas contaram de onde surgiu a paixão pela música, como se deu a escolha do choro e quais os artistas que elas indicam. Confira!

    Como é a cena musical de Porto Feliz, em relação ao chorinho?

    Corina: É inexistente. Somos o único grupo de choro da cidade. Em Porto Feliz, tinha um coral —a partir desse coral que eu comecei a tocar—, ministrado por um professor voluntário, Marco Leite, na minha escola, e tem a Escola Municipal de Música, que foi onde começamos a estudar música. Mas dizer que lá tem shows, teatro, não tem. É uma cidade muito pequena.

    De onde surgiu o gosto pela música?

    Corina: Meu pai é apaixonado por música, passa o dia inteiro com o rádio ligado. A gente sempre teve muita música à disposição, CDs de todos os tipos, desde jazz à rock, bossa nova, música clássica… Ele sempre gostou muito e acabou passando essa paixão pela música para a gente.

    Por que vocês escolheram o chorinho?

    Corina: Na verdade, a gente não sabe muito bem por quê. Eu era pequena, tinha 8 anos, e no meio desse monte de CDs, meu pai tinha só um de choro, do Altamiro Carrilho. Eu achei esse disco e só queria ouvi-lo. Fiquei encantada. Aí, a gente começou a vir para São Paulo, nas rodas de choro. E eu comecei a tocar flauta por causa desse disco do Altamiro Carrilho. Foi um gênero que me encantou.

    A gente sempre diz como é engraçado o fato de uma criança de 8 anos ter gostado de um gênero que não é comum. Costumamos dizer que é só você dar oportunidade para as pessoas conhecerem, ouvirem, que sempre vai ter gente interessada. Ninguém pode gostar do que não conhece.

    Como as coisas começaram a acontecer para vocês, quando começaram a fazer mais shows?

    Corina: Há uns quatro ou cinco anos, começamos a receber convite de TV de gente querendo assistir aos nossos shows, de gente querendo contratar… Em 2008, a gente lançou o CD pela Som Livre e, graças a Deus, estamos fazendo bastante apresentações.

    Em outra ocasião, a Elisa havia dito que fazer música é fácil, o difícil é dar um nome às composições. É verdade isso? Vocês compõem muito?

    Elisa: Mais ou menos. Se você tem um tema e faz a música com esse tema, é fácil escolher um nome. É mais difícil quando você cria alguma música sem um motivo exato. Aí, às vezes, eu não sei qual nome dar.

    Corina: Às vezes não. Tem umas dez músicas sem nome lá em casa.

    Elisa: Eu fico com medo de colocar um nome e depois me arrepender.

    Vocês começaram com outro nome, Balaio de Gato. O que as levou a mudá-lo?

    Corina: Descobrimos que já havia uma banda de forró do Nordeste com esse nome registrado.

    O que na opinião de vocês destaca o choro dos demais estilos musicais?

    Corina: O choro é uma música difícil tecnicamente. É a música clássica brasileira, mas é mais livre, espontânea e tem elementos da música popular.

    Dessa nova leva de artistas do chorinho quais vocês indicam?

    Corina: O Yamandu Costa, Luciana Rabelo, Zé barbeiro, tem vários.

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