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outubro 24th, 2009notasLer as 131 páginas de programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo não é das tarefas mais gostosas. Pensando em facilitar a vida de quem gosta de música e, neste caso, de filmes sobre música, o Palco Alternativo separou boas pedidas relacionadas ao universo musical.
E nunca é demais lembrar: a programação é de responsabilidade da organização do festival e está sujeita a alterações. O que você ler abaixo é o que consta no site da Mostra. Se algo for alterado, provavelmente será avisado antes.
Anote aí e boa sessão:
A ÁRVORE DA MÚSICA
Longa sobre o pau-brasil, madeira encontrada apenas no Brasil e que tornou-se vital para o som dos violinos e outros instrumentos de corda. Desde os tempos de Mozart, há 250 anos, quando foi utilizado pela primeira vez, músicos e fabricantes de instrumento de todo o mundo ainda não descobriram uma madeira de qualidade comparável que pudesse substitui-lo. Já pensou que o futuro da música erudita depende da preservação dessa madeira?Diretor: Otávio Juliano / Ano: 2009 / País: Brasil / Duração: 78 min.
25/10 19:10 Unibanco Arteplex 4
02/11 16:00 Cinema da Vila
03/11 14:00 MISACONTECEU EM WOODSTOCK
Será que a missão de Woodstock era apenas celebrar a liberdade, a música? Bom, nesse filme, Ang Lee conta como o festival salvou um hotel, o El Monaco, que ficava próximo a White Lake, local do festival. Acredite…Diretor: Ang Lee / Ano: 2009 / País: EUA / Duração: 110 min.
24/10 00:00 Unibanco Arteplex 2
25/10 22:50 CineSesc
26/10 19:30 HSBC Belas Artes 2
01/11 21:30 Cinemark – Shopping Cidade JardimQUEM VOCÊ AMA
Os irmãos imigrantes Leonard e Phil Chess administram um ferro-velho em Chicago na década de 40. Nas horas livres, Leonard é atraído pela cena noturna de Chicago, onde os músicos de blues do sul dos EUA exibem seus trabalhos. Empolgado com a música, Leonard convence Phil a investir as economias que possuíam para abrir o próprio clube. Em pouco tempo, lançam artistas como Muddy Waters em disco. A lista logo cresce, com Leonard lançando outros mestres como Willie Dixon, Chuck Berry, Little Walter e Howlin` Wolf e Etta James.
Diretor: Jerry Zaks / Ano de produção: 2008 / País: EUA / Duração: 90 min.
27/10 21:20 Unibanco Arteplex 4
28/10 18:00 Centro Cultural São Paulo
29/10 14:30 Unibanco Arteplex 3
31/10 16:30 HSBC Belas Artes 2ALL TOMORROW’S PARTIES
Festival com uma banda só? Existiu. O tema do longa é o festival de música alternativa All Tomorrow`s Parties, uma combinação improvável de música alternativa, minigolfe e chalés, organizado por uma única banda ou artista. O filme usa material gravado pelos próprios músicos e fãs em diversos formatos para contar a história do evento, capturando o espírito livre de um universo musical alternativo.Diretor: All Tomorrow´s People, Jonathan Caouette / Ano de produção: 2009 / País: Reino Unido / Duração: 82 min.
29/10 21:40 Unibanco Arteplex 5
30/10 19:30 Cine Olido
02/11 17:40 Cine Bombril Sala 2
04/11 18:00 Centro Cultural São PauloA TODO VOLUME
The Edge (U2), Jimmy Page (Led Zeppelin) e Jack White (The White Stripes) compartilhar suas histórias entre si e com o público. Eles contam como desenvolveram o som e o estilo de tocar os instrumentos favoritos, explicam seus estilos, os motivos que os levam a compor, e mostram suas novas músicas. Para quem é fã do U2, vai conhecer o colégio onde a banda se formou, com um tour guiado por Edge.Diretor: Davis Guggenheim / Ano de produção: 2009 / País: EUA / Duração: 100 min.
24/10 18:10 Reserva Cultural Sala 1
25/10 20:30 Cinemateca – sala Petrobras
27/10 00:00 Cine Bombril Sala 1
28/10 21:30 HSBC Belas Artes 2
29/10 21:00 HSBC Belas Artes 2
30/10 18:40 Unibanco Arteplex 1CONTINUAÇÃO
Continuação do que você já conhece de Lenine: o músico, o compositor, o criador. Lenine recorre a suas primeiras experiências com música para falar das incertezas que a era dos downloads (e do vinil) trouxe ao seu trabalho.Diretor: Rodrigo Pinto / Ano de produção: 2009 / País: Brasil / Duração: 71 min.
24/10 19:40 Unibanco Arteplex 2
25/10 14:00 Cine Bombril Sala 2
26/10 13:00 Unibanco Arteplex 3MAMONAS PRA SEMPRE (O DOC)
Em menos de 10 meses, a banda Mamonas Assassinas saiu do anonimato para um dos maiores fenômenos da música brasileira. Irreverentes, inteligentes, sarcásticos e criativos, o grupo arrebatou o Brasil e, em pouco mais de seis meses, vendeu dois milhões de cópias de discos. Material inédito e depoimentos de parentes, amigos, produtores e músicos recontam a trajetória do grupo, os desafios, a ascensão e o trágico acidente aéreo que matou todos os seus integrantes em 1996.
Diretor: Claudio Kahns / Ano de produção: 2009 / País: Brasil / Duração: 90 min.
26/10 12:00 Reserva Cultural Sala 1
O PODER DO SOUL
Que tal ver, em um palco em Zaire, James Brown, BB King, Bill Withers e Celia Cruz? Praticamente um culto ao soul. O filme traz cenas de um evento de três noites em Zaire, o festival Zaire’74, em 1974. Organizado por Hugh Masekela e Stewart Levine, o festival rolou no mesmo dia e hora em que Muhammad Ali e George Foreman disputavam o peso pesado mundial. Você saberia qual dos dois escolher?
Diretor: Jeffrey Levy-Hinte / Ano de produção: 2009 / País: EUA / Duração: 92 min.
25/10 16:10 Unibanco Arteplex 1
27/10 18:00 Unibanco Arteplex 3
28/10 13:30 CineSesc
30/10 22:00 Unibanco Arteplex 4
31/10 21:50 Espaço Unibanco Pompéia 2HAVANYORK
Nos mais diversos bairros de Havana e Nova York, as reflexões de músicos das duas cidades sobre suas raízes, da evolução dos instrumentos de percussão aos fundamentos do hip hop. O discurso rebelde e contestatório convida a refletir sobre a contracultura e outras realidades paralelas que surgem em todos os sistemas políticos.
Diretor: Luciano Larobina / Ano de produção: 2009 / País: México / Duração: 90 min.
24/10 20:00 Unibanco Arteplex 5
25/10 20:00 Centro Cultural São Paulo
26/10 14:00 Unibanco Arteplex 4
28/10 14:00 Unibanco Arteplex 1ROCK BRASILEIRO – HISTÓRIA EM IMAGENS
Se na Mostra passada o rock brasileiro marcou presença com um documentário contando a história dos Titãs, dessa vez o gênero volta em peso com um filme que conta a trajetória do rock brasileiro dos anos 50 até o presente, com depoimentos de cantores como Roberto Carlos, Ronnie Cord e Tony Campello, e de grupos como Secos & Molhados, Mutantes, Blitz!, Paralamas do Sucesso, Titãs e Ultraje a Rigor.
Diretor: Bernardo Palmeiro / Ano de produção: 2009 / País: Brasil / Duração: 67 min.
30/10 21:20 Espaço Unibanco Augusta 3
01/11 15:40 Cinema da Vila
03/11 12:00 Reserva Cultural Sala 1TOM ZÉ ASTRONAUTA LIBERTADO
Ele já foi tema de documentário em outra Mostra e no ano passado assinou o desenho da edição 32. Tom Zé já está virando figura carimbada e fundamental na Mostra Internacional. Nessa edição, ele volta em um documentário feito a partir de uma Oficina de Experimentação Musical ministrada pelo músico em Astúrias, na Espanha, o filme faz uma retrospectiva de seus achados musicais e de sua contínua experimentação musical desenvolvida desde os anos 1970. Por meio de arquivos históricos e mostrando sua passagem por diferentes palcos do Brasil e da Europa e pelo estúdio de gravação, o filme lança luz sobre a original metodologia – nada convencional – de criação do artista.Diretor: Ígor Iglesias González / Ano de produção: 2009 / País: Espanha / Duração: 90 min.
24/10 19:20 CineSesc
27/10 19:50 Cinema da Vila
30/10 21:10 Espaço Unibanco Pompéia 10
31/10 12:00 Cine Bombril Sala 1UM INSTANTE PRECISO
Retrato íntimo e sereno do músico Jorge Drexler durante oito dias de turnê pela Catalunha, em novembro de 2007. Um testemunho do processo criativo do músico nos bastidores, acompanhando a preparação meticulosa do artista e sua equipe antes de entrar no palco e a generosidade ao compartilhar o palco com outros músicos. Para quem gosta de Moska, Lenine, Drexler é um prato cheio e fundamental…Diretor: Manuel Huerga / Ano de produção: 2008 / País: Espanha / Duração: 95 min.
24/10 16:30 Espaço Unibanco Pompéia 2
Tags: 33ª mostra de cinema, ang lee, documentário tom zé, woodstock
26/10 21:20 Espaço Unibanco Pompéia 10
04/11 19:30 Unibanco Arteplex 4 -
outubro 19th, 2009posts por autor: Natasha, série música para se ver[por Natasha Ramos]
Com mais de quatro décadas de carreira, são dele, o fotógrafo rock’n’roll, imagens clássicas de ícones da música, como John Lennon, Sid Vicious e Rolling Stones

Bob Gruen recebe o prêmio de “Imagens Clássicas”por seus anos fotografando momentos históricos do rock’n’roll, durante cerimônia de premiação em Londres da revista Mojo, em 2004
Não é preciso dizer que Bob é um grande fã de música, em especial de rock. E, como todo bom fã de música, sua paixão começou cedo. Mas antes mesmo de ele pensar em assistir a seu primeiro show, o novaiorquino teve contato com algoq ue se tornaria sua profissão e o uniria definitivamente a sua grande paixão.
“Fotografia era o hobby de minha mãe. Quando eu era bem pequeno ela me levou para sua câmara escura, onde revelava suas fotos. E quando eu tinha oito anos, meus pais me deram um presente, a minha primeira câmera. E eu venho tirando fotos desde então. Quando estava no colegial eu fiquei amigo de alguns artistas e, depois desse tempo na escola, comecei a morar com uma banda de rock e fiz as fotos para eles enviarem a uma gravadora. A gravadora gostou do meu trabalho e fui fazendo uma sessão atrás da outra”, disse Bob durante sua passagem ao Brasil, em 2007, para a abertura de sua exposição “Rockers”.
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Bob e Supla
Considerado o fotógrafo oficial da família Lennon entre 1970 e 1980, a ideia inicial da exposição, que surgiu do encontro de Bob e Supla na Big Apple (NY), era abordar a vida de Lennon, já que o fotógrafo havia acabado de lançar o livro John Lennon The New York Years. Porém, ao ver a gama de imagens registradas ao longo dos anos sobre diversos músicos, esta proposta foi ampliada e o foco da exposição caiu sobre a obra de Bob Gruen.
“Conheci John e Yoko em 1971, pouco depois de eles terem se mudado para Nova York. Éramos amigos e vizinhos e, por nove anos, fui seu fotógrafo pessoal quando eles precisavam de fotos para publicidade ou para a capa de algum álbum ou para sua família”, conta Bob no livro homônimo à exposição.
Bob não se considera um fotojornalista, já que não se limita a registrar os fatos, mas sempre gostou de dividir seus sentimentos durante uma sessão de fotografia. “Tento, com as minhas fotos, mostrar um pouco da paixão, um pouco do meu ‘feeling’ por trás do que aconteceu”, conta.
Na hora certa, no lugar certo
Se Cartier-Bresson é o fotógrafo do “instante decisivo”, pode-se dizer que Bob Gruen é o fotógrafo da “hora certa, no lugar certo”. Vivendo no estilo do rock, Gruen ficou amigo de muitos músicos que encontrou e pôde fotografá-los em ambientes casuais. Muitas das bandas com as quais trabalhou não eram famosas quando as conheceu. Assim, ele pôde registrar seus momentos iniciais.
“A primeira banda que vi tocar em um teatro foram os Rolling Stones, em 1964, na Academia de Música de Nova York. Imediatamente me tornei fã eterno. Pelo estilo, atitude e musicalidade. Eles são o grupo que todo mundo venera”, conta.
Durante suas mais de quatro décadas de trabalho, Bob-enciclopédia-do-rock-Gruen acompanhou desde o nascimento do punk, passando pelo auge do Led Zeppelin, até os últimos anos de Elvis Presley.

Quando a objetiva de Gruen focou o Led Zeppelin pela primeira vez, a banda já tocava para enormes platéias e já tinha seu próprio avião, 1973
Vários artistas já posaram ou foram flagrados por suas lentes fotográficas

Rolling Stones, Nova York, 1972

Sex Pistols 'sorrindo', 1977

Sid Vicious, em San Antônio (EUA), 1978

John Lennon, Nova York, 1974

John Lennon e Yoko Ono, NYC, 1972

Bob Dylan, Nova York, 1974

The Clash, Boston, 1979

“Vestidos para matar”, Kiss, NYC, 1974

David Bowie - Luvas de Boxe, 1974
Mas o trabalho de Bob, hoje com 64 anos, não se limita ao passado. Por onde passa, sua câmera está sempre a postos para captar novidades do mundo da música. Um bom canal para conferir e acompanhar seu trabalho é seu site oficial: www.bobgruen.com .
Fotos: Rockers, Bob Gruen
Tags: bob gruen, fotografos do rock, rockers -
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outubro 16th, 2009posts por autor: Andréia, raio-x
[por Andréia Martins]
Como o próprio nome sugere, o que você vai ouvir – e ver – com o Toró Instrumental é uma chuvarada sonora, destilada por onde a banda perambula na noite paulistana, em casas como o Inferno, Bar B, Sarajevo, Syndikat entre outros.
Formada no ABC Paulista, a banda traz uma diversidade musical facilmente explicada pela variedade de influências e experiências acumuladas por cada um dos quatro integrantes: Daniel Carrera (trombone), Felipe Maia (bateria, e que tabém toca no Júpiter Maçã e com Edgar Scandurra), Ricardo Mingard (percussão), Caio Duarte (baixista) e Marcelo Laguna (teclado).
E é com essa formação baixo, teclado, bateria e trombone – não falta uma guitarra por aí? eles garantem que nem sentem falta! – que essa banda do ABC vem conquistando cada vez mais ouvintes dispostos a ouvir algo novo, criativo e que supere expectativas.
O resultado é um som que pode soar diferente a cada apresentação, reunindo elementos da música brasileira a outras produzidas em outros cantos, um jazz-tropical onde eles exploram elementos do samba, baião afro-beat, funk, jazz e ritmos folclóricos brasileiros.
“Ser uma banda original de som particular hoje em dia tem contado muito. Tocamos o que criamos, o que gostamos e o que queremos. Talvez isso seja um grande aliado. Ainda mais quando a cena a cada dia fica mais competitiva e mais restrita é preciso tocar o que realmente ‘sai de dentro’ naturalmente”, comenta Carrera sobre a boa fama da banda na capital paulista.
O gosto pelo improviso, vindo do jazz, também contribui para essa pegada libertária da Toró, num cenário onde cada vez mais bandas investem num tipo de recriação do jazz. “O jazz é um estilo de música das mais libertárias, o que dá inumeras possibilidades de complementações e experimentações. Não acreditamos que seja a bola da vez, pois o jazz sempre sobrevive num pequeno cenário, às vezes até muito elitizado, mais sobrevive pois sua riqueza é incontestável e seus caminhos são infinitos”, diz Carrera ao Palco Alternativo.
Primeiro disco à caminho
Criada em 2007, a Toró está gravando o seu primeiro álbum e, para isso, escolheu o formato que mais valoriza a banda: ao vivo. “Esse primeiro álbum será basicamente o que tocamos nas noites de 2008/2009 nos clubes de Sampa. Algumas delas já tocávamos desde o ínicio do projeto e outros temas como Perdido e a dançante Eletron entraram para o repertório logo em seguida. Nessa gravação não escolhemos um estúdio de gravação apenas e mesclamos com algumas gravações ao vivo, pois acreditamos que ao vivo a Toró tem resultado bem satisfatório e não gostaríamos de perder essa pegada do show”, diz o trombonista.
A proposta diferenciada também mostra uma visão de que a música pode ser algo além de um mero produto cultural, servindo também de estímulo público e social.
“A própria valorização da cultura brasileira é importante e precisa ser valorizada. O que seria de todos sem nossas raízes por mais que elas estejam sendo direta ou indiretamente abafadas por uma midia que a cada dia globaliza mais e mais? Muitas pessoas que apreciam a boa música brasileira, acreditam que ela se extinguiu no inicio da década de 80 buscamos resgatá-la naturalmente e complementá-la com outras influências de forma instrumental”.
ABC em ebulição
Natural do ABC Paulista, a Toró é um dos carros-chefe de uma coletânea que reúne o que a região tem produzido de melhor na música: o Projeto ABC do Som, do Cidadão do Mundo com patrocínio da Petrobrás.
O projeto vai lançar três coletâneas divididas nas categorias Rock ( já lançada) Música Instrumental e MPB & Outros Grooves em CD e distribuir em 18 estados do Brasil. Para quem se interessar, o disco também estará disponível para download gratuito no site www.cidadaodomundo.org.br.
O objetivo é estimular a produção musical do ABC paulista, dando maior projeção aos artistas e músicos locais, potencializando a cadeia produtiva da música independente e mostrando toda a diversidade musical que há por lá.
“Estão nos dando destaque nessa coletânea e ficamos muito gratos, pois é uma ideia bem bacana. O ABC paulista sempre foi uma região muito fértil para a arte em geral, berço de bons músicos e ficamos orgulhosos de participar dessa cena. A gravação da música da coletânea no caso Simetria foi bastante interessante pois nunca tinhamos gravado algo com transmição on-line pela internet e ficamos bastante satisfeitos tanto com a novidade como com o resultado da gravação, que será lançada agora no dia 24/10″, conta Carrera.
Além deles, integram o cast instrumental da coletânea Otis Trio, Lavanderia, Bufalo, Mama Cadela, entre outras, que estão colhendo os bons frutos da música instrumental, que aos poucos, vem conquistando seu espaço entre as vozes. Para Daniel, o gênero vive um bom momento, mas ainda dá para fazer mais.
“Também percebemos esse bom momento da música instrumental, mesmo com espaço ainda bastante restrito e a valorização também. Percebo que o Toró inconscientemente foi assumindo uma postura um tanto quanto vanguardista, mais de qualquer forma sentimos extrema necessidade de expandir o campo de atuação e visibilidade, pois acreditamos nessa maré instrumental e sabemos que a Toró tem plena condição de fazer parte dela”.
Tags: instrumental, toró instrumental -
outubro 6th, 2009posts por autor: Andréia, raio-x
Gabriel, Fabiano e Gustavo, o Trio Quintina: um trio que vale por uma orquestra
[por Andréia Martins]
Foi entre uma entrevista e outra que o Trio Quintina cruzou o caminho do Palco Alternativo e, de cara, chamou atenção. O trio, formado em Curitiba, em 1997, por Fabiano Silveira (violão 7 cordas e voz) e os irmãos Gabriel (flauta, sax, clarinete, bateria, percussão e voz) e Gustavo Schwartz (guitarra, cavaquinho, percussão e vocais) faz – e espalha – música popular brasileira com uma qualidade musical bem acima da média.
Quintina é um termo musical usado para designar a divisão de cinco notas em um tempo, algo bem incomum quando o que mais se tem são tradicionais divisões pares na música. Da teoria para a prática, como o nome sugere, o Trio Quintina torna-se 5 em 3: cinco instrumentos – violão, guitarra, flauta, percussão e voz – tocados pelos três músicos curitibanos. Agora, no novo disco, Quintina Orquestra Trio, foram necessários 17 instrumentos.Pura multiplicidade.
Os três são músicos estudados. Pela formação musical, passaram pelo rock, pesquisa e estudo da MPB, em toda a abrangência de ritmos que esse termo engloba, com ênfase no choro e samba, além de muita teoria e técnica instrumental.
O resultado não foi uma música com excesso de técnica e pouca emoção ou sensibilidade. Disso tudo, saiu uma mistura rítmica e de influências somada a instrumentos como flauta, guitarra, pandeiro, violão, cavaquinho que remetem a estilos diferentes e aparecem combinados de forma certeira.
Apesar de serem três, ao ouvir, temos a impressão de que se trata de uma big band. Isso porque eles gostam de experimentar e multiplicar instrumentos, seja entre eles ou com uma galera amiga tocando junto.
“A ideia desde o início era manter a formação de trio para facilitar o trabalho em termos de infraestrurtura, agenda para ensaios, cachê e etc. Porém, o nosso próprio nome já define a característica básica do trio de se multiplicar através de mudanças na instrumentação. Essa multiplicação foi levada ao ponto mais neste último CD, onde algumas faixas necessitariam de 17 músicos para executar o arranjo original”, conta Gabriel em entrevista ao Palco.
Quintina Orquestra Trio
Gabriel se refere ao recém-lançado disco Quintina Orquestra Trio, um trabalho que, mesmo depois de mais de 10 anos na estrada e com cinco discos gravados, traz uma bela novidade: a inclusão da bateria nos arranjos.
“Esse é um disco onde assumimos mais nossa influência roqueira nos riffs da guitarra e na bateria. É a primeira vez que incluímos a bateria nos arranjos, nossos CDs anteriores eram mais intimistas e com formações menores. Também é a primeira vez que utilizamos os sopros em naipe, o que caracteriza este som mais orquestral, como uma pequena big band”, diz Gabriel.
O disco traz também um sucesso do primeiro álbum, gravado há 11 anos: a canção Balão Azul. Segundo Gabriel, o plano era dar uma nova roupagem e deixar a música novamente ao alcance do público, já que o primeiro disco – A Caixinha Mágica – não foi muito divulgado.
Outra regravação, dessa vez uma releitura de Tom Jobim, Água de Beber. A escolha, entre tantas opções e caminhos a seguir, deu-se pela canção estar dentro da proposta do disco.
“O arranjo de Água de Beber já existia e traz na sua essência os elementos que citei acima – riffs de guitarra e bateria com influencia de rock. É um grande transformação para um clássico da bossa nova! Acho que isso é muito importante numa releitura. Na verdade, o disco veio sendo concebido através desses elementos e trouxemos isso também para os arranjos das músicas autorais”.
Outras releituras bem-sucedidas foram gravadas pelo trio em um disco duplo ao vivo, em 2001, chamado Ao Vivo Puro. No final desse mesmo ano, o trio encarou o desafio de sair em uma turnê itinerante mambembe passando por Uruguai, Chile e Argentina. Depois, foi a vez de encarar a Europa e tocar em lugares como Espanha, França, Holanda, Suíça e Itália. Por lá, venderam todos os CDs que levaram, conquistando um novo público.
Quem morar ou estiver por perto de Curitiba pode assistir ao Trio Quintina num domingo qualquer, no Empório São Francisco, onde eles têm lugar cativo e tocam desde 1998, ou seja, desde o início. “No inicio éramos a única banda de música brasileira, hoje em dia já tem várias. É um lugar onde as pessoas vão pra dançar e curtir o show da banda de cada dia. Tem uma boa estrutura de som e luz, o que realmente faz com que a banda esteja em destaque”, lembra Gabriel.
Quem está longe pode baixar algumas canções no site oficial do trio ou ouvir no MySpace. Para quem gosta de longos e suaves solos de guitarra, vai a dica de uma das melhores canções do Trio: Belo Horizonte, do disco Pára-Dias de Chuva, 2004. Eles são de Curitiba mas a música é essa mesmo…
Tags: trio quintina -
outubro 1st, 2009posts por autor: Carol, série música para se ver
Annie Leibovitz: a primeira dama da fotografia do rock e das celebridades
[por Carol Cunha]
John Lennon estava nu e agarrado a uma Yoko Ono vestida de preto. O maior astro dos Beatles naquela época posava de olhos fechados e parecia vulnerável. Lennon olhou para a Polaroid e comentou: “Esse é o nosso relacionamento”. Horas depois, ele seria baleado e morto em frente ao edifício Dakota, em Nova York.Clicada em 1980, a última foto de John Lennon foi imortalizada em uma capa histórica da revista Rolling Stones, esgotada nas bancas em poucos dias. Em 2005, a Sociedade Americana dos Editores de Revistas (ASME) considerou a capa a mais importante dos últimos 40 anos. Por trás das lentes, estava a fotógrafa americana Annie Leibovitz.
Nascida em 1949, Annie começou sua carreira profissional aos 20 anos na Rolling Stones, na época, uma publicação recém-lançada em São Francisco que cobria a cultura do rock and roll. Morando no epicentro da contracultura hippie, Annie estava no lugar certo, na hora certa.
Estudante do San Francisco Art Institute, ela tinha um pequeno portfólio de fotografias que impressionou os editores da revista: um retrato do poeta beatnik Allan Ginsberg, tirado numa manifestação contra a guerra, e fotos de Israel, fruto da temporada que viveu num kibutz. Sua habilidade com a câmera fez com que ela conquistasse rapidamente o seu espaço. Em 1973, com apenas 23 anos, já era chefe de fotografia da publicação.
Like a Rolling Stone
Annie foi uma das primeiras mulheres a exercer o fotojornalismo e trabalhou na Rolling Stone durante dez anos. Ela imprimiu seu trabalho em 142 capas, ajudando a moldar a identidade da revista e o imaginário de uma época. Neste período fotografou praticamente todos os artistas em ascensão como Bob Dylan, The Clash, Diana Ross e Bob Marley, apenas para citar alguns.
Annie apresenta muitos estilos ao longo de sua carreira, mas o que nunca mudou foi sua capacidade de testar novas ideias. Em alguns cliques, buscava se conectar com a essência da personalidade do artista. Quando disseram que Patti Smith seria matéria de capa em 1978, Annie não hesitou em jogar fogo num barril e posicionar a cantora em frente a uma grande labareda. Tudo para transmitir a energia e força que ela via na cantora. Ideias simples também valiam, como pintar de azul o rosto dos Blues Brothers e fotografar Alice Cooper com uma cobra enrolada no pescoço. Em outros momentos, seus retratos refletiam um humor afiado e personagens em situações surreais.Uma de suas experiências mais marcantes foi em 1975, quando foi para a estrada com os Rolling Stones para documentar a turnê de seis meses da banda de rock mais popular daquele tempo. A lendária viagem testou os limites de Annie com a rotina de drogas e baladas, mas ela também produziu fotos reveladoras e intimistas de Keith Richards e Mick Jagger dançando e cantando no palco, afinando instrumentos ou chapados nos corredores dos hotéis.

"Parecia que, para mim, o show era o lugar menos interessante de se fotografar um músico. Eu estava interessada em como as coisas foram feitas. Eu gostava dos ensaios, quartos de hotéis, qualquer lugar menos o palco”. (Annie)
A turnê rendeu uma amizade com o grupo para a vida inteira e um vício: a cocaína, que ela só conseguiu largar após se internar em uma clínica. Em uma entrevista para a Vanity Fair, ela declarou que demorou cinco anos para apagar as marcas daquela turnê. “As pessoas sempre falam sobre a alma do fotografado, mas o fotógrafo tem uma alma, também. E eu quase a perdi”.
Em 1983, Leibo aceitou trabalhar para a revista Vanity Fair e começou a fotografar celebridades e editoriais de moda. Também fez fotos para a Vogue e campanhas publicitárias. Com total liberdade criativa, foi responsável pela idealização de cenários fantásticos e caros, mas que rendiam cliques memoráveis. São famosos os editorais com a atriz Kirsten Dunst no palácio de Versailles encarnando o papel de Maria Antonieta, Whoopi Goldberg numa banheira de leite ou Betty Mindlin mergulhada em rosas vermelhas. A editora de moda da Vogue, Anna Wintour declarou em uma entrevista que o investimento valia a pena, já que “ela te dá uma imagem como ninguém mais pode conseguir”.
As raízes da música americana
Em 2003, Annie Leibovitz lançou o livro Annie Leibovitz: American Music, um projeto pessoal que pretendia refletir a riqueza sonora norte-americana. No livro, ela conta que seguiu o desejo de retornar ao seu tema original com um olhar mais maduro. Durante 1999 e 2001, percorreu lugares sagrados da música como o Delta do Mississipi, Texas e Nova Orleans, para documentar ícones do blues, jazz, country, folk, rap e o rock. As fotografias, com luz natural, valorizam e capturam a simplicidade dos músicos em seu cotidiano e comunidades, dentro de suas casas e ranchos, cantando em igrejas e clubes de jazz, gravando em estúdios ou dirigindo carros.
Estão lá: Johnny Cash and June Carter,Tom Waits, Dj Shadow, B.B. King, Beck, Brian Wilson, Iggy Pop, John Frusciante, Johnnie Billington, Lou Reed, Laurie Anderson, Michael Stipe, Norah Jones, Patti Smith, Ryan Adams, The Roots, The White Stripes e Willie Nelson.

"Eu estava dirigindo no Delta e sabia que todo ano em seu aniversário, B.B. King voltava a Indianola e tocava lá. Estávamos perto de Indianola e ele estava tocando no Clube Ebony. O clube era tão pequeno, eu estava praticamente sentada em seu colo. Foi incrível sentar neste pequeno clube e ver este homem tocar”.

“Esta banda é um duo. Vê-los tocar uma música juntos é como assistir a uma dança ou um romance. Eu peguei o alvo de um material que sobrou da Vogue, eu estava sentada no estúdio, tentando pensar, eu não sabia como fotografar os White Stripes".

Iggy Pop, Miami, Florida, 2000 – “Ele apareceu na porta sem camisa e e disse que não queria ser fotografado sem blusa, mas ele nunca a colocava. O seu corpo é um mapa do caminho de uma viagem difícil”.
O foco das lentes de Annie tem um segredo. Ela não ficou famosa por clicar as maiores celebridades americanas, pelo equipamento que usa ou pelas produções com verba astronômica,e sim pelo olhar clínico e sincero pelas pessoas. Sua vasta e polêmica produção fotográfica já foi exposta em dezenas de galerias e museus de arte.
Hoje, com 40 anos de carreira, Annie Leibovitz é um dos maiores nomes da fotografia mundial, uma cronista visual de seu tempo, com lugar garantido na história da cultura pop.
Para quem quiser saber mais sobre Annie, além do livro citado vale a pena assistir ao documentário: Annie Leibovitz -A vida através das lentes (Annie Leibovitz: Life Through a Lens, 2006).
Tags: annie leibovitz, fotografos do rock -


