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    novembro 19th, 2009blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, raio-x

    [por Andréia Martins]

    Quem ouve os versos ora doce, ora engraçados, entrevistas e apresentações, não entende porque André Paixão tem o apelido de Nervoso. Mas é nesse misto de calmaria e nervosismo – ainda não identificado – que o batera, fã de Roberto Carlos, o rei, e que já tocou em bandas como Beach Lizards, Autoramas, Acabou La Tequila, Matanza, entre outros, resolveu deixar um pouco de lado as baquetas para assumir o posto de frontman de sua própria banda, Nervoso e os Calmantes.

    Em 2004, ele já havia lançado um disco próprio, Saudades das Minhas Lembranças. Um disco raro, com cópias limitadas e que hoje é objeto de colecionadores da cena alternativa.

    Cinco anos depois, mais experiência na bagagem, ele reaparece com um novo álbum, Nervoso e os Calmantes, de costuras muito bem feitas e acompanhado de bons amigos – Alê de Morais (guitarra e vocal), Wagner Vallin (guitarra e vocal), Kiko Ramos (baixo e vocal) e Sérgio Martin (bateria, programações e vocal) – e da família.

    No disco, músicas refletindo a personalidade da banda e a longa estrad de Nervoso, outras sobre o universo masculino, como em Kit Homem – para quem ainda não identificou ele se resume a ex-mulher, filhos e  dívidas – e até um cover de ninguém menos do que Ronnie Von, Máquina Voadora.

    Por e-mail, ele respondeu algumas perguntas sobre o novo trabalho. Confira!

    Palco Alternativo – Bom, primeiro por que a demora em gravar um novo disco, já que “Saudades das Minhas Lembranças” saiu em 2004?
    Nervoso – A demora foi justamente para lançar o disco, pois o gravamos em 2007, um ano após lançar o disco de remixes pela revista Outra Coisa. Além disso, o disco é fruto de uma parceria com a turma do estúdio Soma, ou seja, muita gente envolvida, muitas ideias. Pra completar, a fábrica que prensou o disco atrasou a entrega. Ou seja, fabricar CDs em esquema independente com baixa tiragem hoje em dia é a maior roubada. Tô pensando muito em vinil depois disso…

    PA - O que você enxerga nesse disco, em relação ao outro ele traz uma variedade de estilos, elementos?
    N – A banda está mais cascuda, os arranjos mais transparentes, o som mais rico, com elementos percussivos e algumas roubadas digitais, combinadas com equipamento análógico (uma mesa Neve broadcast 5104, entre outros periféricos).

    PA – Ele traz participações bem especiais, como Bernardo Vilhena, Nina Becker, Stephane San Juan, entre outros. Foi difícil reunir essa galera?
    N – Moleza! São todos amigos e paticipantes.

    PA – Você já tocou em outras bandas, está na estrada faz tempo. Como está vendo o fazer música hoje, esse acesso mais fácil, ferramentas disponíveis não só pra quem tem uma grana ou uma gravadora por trás?
    N – Justamente por ter ficado mais fácil, cresce a necessidade de filtragem por parte do consumidor, assim como surge uma cobrança criativa maior em cima do artista. Fazer boa musica acaba virando um detalhe, quando se tem boas ideias para chamar a atenção. Eu me irrito um pouco com isso, mas ai resolvo pegar meu violão para continuar fazendo o que gosto: música que considero boa.

    PA – Li que esse novo trabalho tem uma autodefinição: tropicalismo cinematográfico contemporâneo? Você pode traduzir isso?
    N – Na verdade, trata-se de um rótulo. Os jornalistas não adoram rótulos? Pois então: aí está um rótulo que faz menção a algumas de nossas referências: cinema e tropicalismo.

    PA – Se fosse escrever um livro de memórias, quais seriam os três momentos mais inesquecíveis desses anos na estrada?
    N – Vixe… deixa pensar… o nascimento do meu filho, sem duvidas, é um deles e tem muito a ver com esses anos de estrada, tocar bateria na praça da apoteose antes dos Sex Pistols (o show rolou em 1996, no Riol) foi bem inesquecível também, ter conhecido e conversado com o Roberto Carlos, além de ter entregue uma música que fiz em sua homenagem, também foi arrepiante.

    PA – Vocês fizeram até um minidocumentário mostrando as gravações do disco. Sempre quis fazer isso?
    N – Sempre. Adoro bastidores, making of, cameras, estudio, tecnologia e interação criativa. Temos um material gigantesco com imagens das gravacoes. Muita coisa ficou de fora desse making of que pretendo disponibilizar em breve.

    PA – Esse disco, ouvindo, tem um clima muito forte de “feito entre amigos, família”. Essa era a vibe no estúdio e quando você montou a banda?
    N – Certamente. A participação dos produtores foi intensa e irmã, além disso, tivemos visitas de muitos amigos e músicos, o que só colaborou com o aumento da bagunça.

    Um dos destaques do disco é a música Eu que não estou mais aqui, cujo clipe foi dirigido pela atriz Guta Stresser – a Bebel da Grande Família . Cheio de referências dos espetáculos de mágica do século 19, o vídeo gerou uma exposição legal da banda.  O vídeo é quase um curta-metragem e traz um figurino caprichado:

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    novembro 10th, 2009blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, série música para se ver

    [por Andréia Martins]

    red hotEm 1992, os meninos do Red Hot Chili Peppers foram capa da revista Rolling Stone em trajes… ou melhor, sem traje algum. Irreverentes, foram fotografados nus, no auge do sucesso do disco Blood Sugar Sex Magik. O autor da foto foi o texano Mark Seliger, mais um fotógrafo que tem seu nome na história do rock e que, de tanto registrar figuras e momentos marcantes da música, acabou rendendo-se a ela. Mas vamos ao início, onde tudo começou.

    Seliger pegou gosto pelas imagens ainda adolescente, em Houston. Na faculdade, começou a trabalhar como assistente de outros fotógrafos. Cansado da mesmice do trabalho, decidiu encarar Nova York, a cidade onde, certamente, muito mais estaria acontecendo.  “Decidi que, se queria mesmo saber como as pessoas trabalhavam e entender o que era o mundo da fotografia editorial, tinha de me mudar para Nova York”, diz.

    A sorte parece ter decidido acompanhá-lo. Ao chegar em Manhattan, logo arrumou um emprego de assistente de fotografia, no qual ficou por dois anos. Depois, trabalhou na revista Manhattan Inc., onde conseguiu visibilidade para um voo maior: a revista Rolling Stone.

    Foram mais de 90 capas em 10 anos na revista, ícone da cultura pop dos anos 90. Tudo e todos que foram notícia no mundo das artes passaram por ela, e grande parte disso foi registrada pelas lentes de Seliger.

    De lá pra cá, já são 23 anos de carreira e uma extensa lista de artistas fotografados como Metallica, White Stripes, Paul McCartney, Chuck Berry, Ray Charles, Diana Krall, Snoop Dog, Gilberto Gil, Ozzy Osbourne, Bono, Kurt Cobain, Courtney Love, B.B. King, Bob Dylan, Eric Clapton, Bruce Springsteen, Sheryl Crown, Eddie Vedder, Tom Waits, entre tantos outros.

    tom waits

    O "balé" de Tom Waits

    Com um vasto material, contando um pouco da história de gêneros como o hip hop, o rock, blues e country, Seliger reuniu todas as suas fotos no livro, que ele veio lançar no Brasil em agosto desse ano: Mark Seliger – The Music Book. “O livro é uma boa biblioteca do meu trabalho. Mergulhei nos arquivos de anos de música que retratei e selecionei aquelas fotos que tinham um tom histórico e icônico, tendo como referência todas as sessões que fiz”, afirma. “O processo me trouxe grandes memórias e serviu como uma redescoberta da fotografia para mim”, comenta ele sobre o livro.

    Entre suas fotos históricas estão a de Johnny Cash, com o violão nas costas, e o close de Kurt Cobain, tirado poucas semanas antes da morte do líder do Nirvana, em abril de 1994. “É um peso que todo mundo carrega nas costas. Como alguém podia estar tão triste?”, diz ele sobre o momento pelo qual passava Cobain.

    cash_mark

    Cash, clicado em 1992

    kurt cobain

    Retrato de Kurt Cobain

    “Tento conceitualizar as fotos que vou fazer. Eu escolho um estilista, um cabelereiro e maquiador, encontro um local e pesquiso sobre o artista. Tenho muitas ideias. Umas simples outras bem complicadas”, diz o fotógrafo sobre como pensa e executa seus trabalhos.

    “Eu tento conhecer um pouco sobre a pessoa antes de ir à sessão de fotos. Eu também tento observar o que ela faz quando está parada na minha frente. Quando essas pessoas entram com amigos no estúdio e ainda estão conversando, eu posso pegar um gesto, um movimento ou algo qe eles estejam fazendo que me levam à fotografia”.

    metalica

    A banda Metallica

    Rusty Truck: Seliger assume o microfone

    Hoje, Seliger assina fotos para as revistas Vanity Fair, GQ e Vogue italiana. Aos 50 anos, ainda vive e trabalha em Manhattan, no bairro do West Village e, há poucos anos, resolveu explorar um outro lado seu: o de cantor e compositor.

    banda rusty

    Seliger, de azul, com sua banda

    Seliger sempre tocou violão e gostou de cantar. Lembra que no seu bar mitzvah, ganhou uma guitarra e desde então passou a tocar, começando com as músicas e Cat Stevens. Mais velho, inspirações não faltaram para que o fotógrafo decidisse entrar na música, saindo de trás da câmera, para ser o frontman da banda Rusty Truck.

    Segundo ele, a música como atividade profissional aconteceu meio sem querer. A brincadeira deu certo. Começou a ser chamado para programas, turnês, festivais, e a banda já tem dois discos lançados: Broken Promises, de 2003, que ganhou elogios dos críticos do seu antigo local de trabalho, a Rolling Stone, e Luck’s Changing Lanes, de 2008.

    O CD tem colaborações de nomes como Willie Nelson, Lenny Kravitz, Sheryl Crow e Jakob Dylan. As canções são todas de autoria de Seliger, a maioria inspirada em sua infância e adolescência, com uma pegada mais country do que rock.

    Com experiência na produção de videoclipes – ele já produziu vídeos dos amigos Lenny Kravitz, para quem também fotografou um álbum exclusivo, Elvis Costello, entre outros – ele aproveitou para fazer alguns vídeos da sua própria banda. Um dos destaques é o vídeo da música So Long, Farewell, que reúne vídeos caseiros de Seliger ainda criança.

    Mesmo depois de tanto tempo de carreira e uma nova empreitada pela frente, Seliger ainda diz ter uma lista de fotos para fazer, como Prince, Madonna e Michael Jackson, pessoas que ele lamenta ainda não ter clicado. E é bom ele correr contra o tempo, pois as oportunidades podem acabar quando menos se espera. Que o diga o rei do pop…

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    novembro 2nd, 2009blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, raio-x

     

    BABILAQUES

    Babilaques: derrubando os muros de Berlim da arte

    [por Andréia Martins]

    Pegue uma pitada de poesia, duas colheradas de distorção nas batidas sonoras e uma dose de irreverência sessentista nos sentidos. Bata tudo no liquidificador e prepare-se para conhecer os Babilaques.

    O banda cruzou o caminho do Palco Alternativo assim, por acaso, na madrugada da última Virada Cultural, em São Paulo, na Casa das Rosas. Naquele dia, os Babilaques – Axé Silva (guitarra), Cacá (voz) e Gabriel Ruman (violão e baixo), além dos músicos convidados Remi Chatain (sopros, vibrafone, baixo e percussão), Gustavo Galo (voz e violão) e Fran Landim (percussão e voz) – faziam sua estreia.

    “Fazer nossa estréia na Casa das Rosas culmina com a ideia central que Os Babilaques desejam: nossa proposta é desenvolver um projeto cultural. Fundir poesia e música e brotar dessa junção algo chamado canção é uma das vertentes que desejamos mostrar”, diz Axé.

    Mix de gerações

    Uma das coisas que mais chama atenção na banda é a diferença de gerações entre os integrantes, algo curioso, mas que parece ser justamente o flavour dos Babilaques.

    CARVALHO

    Axé e Carvalho

    “Sou oswaldiano: só me interessa o que não é meu. É a diferença que me traz o que eu não tenho. Tenho tédio da redundância, da mesmice, do tudo igual: chega de chocar de novo o mesmo velho ovo. Quero algo de novo sob o sol: quero a diferença! Sou pós-tropicalista: curto a estética da mistura, adoro conjugar os contrários. Sou blakiano  – saca aquele poeta visionário inglês que influenciou os Doors? – sem os contrários não há progresso. No mesmo caldeirão, a gente cozinha diferentes idades e estilos. A gente bate tudo no liquidificador”, diz Carvalho, ou Cacá.

    Misturar gerações significa misturar influências e experiências. Cacá e Axé compartilham histórias, sejam dos 20 anos de profissão como professores de cursos pré-vestibulares ou da caminhada com o PT apoiando “um Lula ainda de esquerda”, nas palavras de Cacá, até o nascer do rock oitentista com a Blitz, Barão, Legião e outros.

    Já Gabriel é ex-aluno de Cacá. “Com ele construo outra história,  saco novos comportamentos da geração dele, sinto outra vibe”, conta Cacá, que já descobriu que a gente envelhece mesmo é na mente e não no corpo:

    “Às vezes com 20 você tem mais a dizer do que o cara com 40. Às vezes com 20 é um caretão. Lembro do Rogério Duarte, guru dos tropicalistas, dizendo em seu livro Tropicaos que falta muita chama nestes jovens velhos. A garotada tem pressa,  procura o mesmo que os pais, como na música Como nossos pais. Vieram ao mundo para repetir, não para criar. Jovem sem ousadia é velho, pô!”.

    Para Gabriel, a ideia é a mesma: “Há diferenças claras no perfil de cada um. Cada um traz novas referências, novo material.  Sintonia e identidade. As relações não têm porque se limitar a congruências etárias. Somos todos diferentes, mas essencialmente convergentes”.

    O início

    Os Babilaques nasceram num encontro entre amigos, numa tarde de sol à beira da piscina. Cacá mostrou alguns de seus poemas, Gabriel pegou o violão e começou a tocar ‘algo’ que tinha inventando nas férias e que não saía da cabeça. “Me deixava obcecado-atormentado-fascinado (algo bem simples do ponto de vista musical, nada demais)”, diz ele. Mau, outro amigo, disse: ‘continua tocando! Não para!’. “Aí nasceu nossa primeira composição, Desoriente-me”, conta Gabriel.

    O nome

    O nome foi inspirado na palavra criada por Waly Salomão para dar nome à sua proposta artística, um nome livre de definições, ideias e sentidos. “É um nome que abole a fronteira entre os gêneros: os babilaques de Waly não eram foto, pintura, caligrafia, poesia, mas tudo ao mesmo tempo agora. Tudo a ver com a nossa ideia de derrubar os muros de Berlim das artes…”, diz Cacá.

    Poesia que nasce música, música que nasce poesia ou pororoca que vira canção?

    Entre uma poesia musicada e outras que já cantavam silenciosamente no papel, Cacá não se diz compositor, apenas letrista. Até parece coisa fácil. “Não consigo dar vida sozinho às letras que escrevo. Dependo dos meus parceiros, como extensões de mim. Quando minhas letras encontram as melodias que eles criam, viram uma pororoca chamada canção”, diz.

    “Quando escrevo, procuro ouvir o ruído das letras no papel, a música das palavras no texto. É um ouvir meio de surdo: ouvir no silêncio da página, perceber o ritmo e a cadência dos versos” completa ele.

    gabriel

    Gabriel: "Ouvivemos (ouvimos, vivemos e vemos) a música, ou nada!"

    “Às vezes se juntam materiais inteiros, às vezes se juntam meia-letra com meia-música, outras vezes surge a música ou a letra no momento, não possuímos padrões”, diz Gabriel, que vai pela percepção, ao se deixar sentir e levar pelo que cada música pede da melodia. “Ultimamente, cada vez mais viemos compreendendo melhor o que significa uma canção. A canção em si tem sua própria linguagem. Palavra e música devem conversar”.

    Para ouvir os sons babilaquianos

    Todo o mês, em uma quarta-feira, a Casa da Rosa torna-se palco da Revista Cultural, um projeto que une artes com um tema específico, funcionando como uma Revista ao vivo. E quem está lá: os Babilaques.

    “Nesse projeto realizamos um bate-papo com o público e convidados especiais. Alinhavando isso tudo estão nossas canções e outras que estejam ligadas ao tema central da apresentação”, explica Axé. Para novembro e dezembro os temas serão Edgar Alan Poe e Natal, respectivamente.

    Fora isso, o site – www.babilaques.com.br – deve ficar pronto em breve e em novembro, a banda começa a gravar músicas para disponibilizar no MySpace. Aliás, por lá você já ouve uma canção: “Sabor com Flavour”.

    Para mais do flavour babilaquiano, você pode assistir a alguns vídeos gravados na Virada Cultural e sentir um gostinho desse mix de poesia, música, performance, convergência, transferência, palavras, versos, rimas …

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