• scissors
    abril 20th, 2010blogpalcoalternativoposts por autor: Natasha, show

    Jonathan Richman durante apresentação no SESC Pompeia. Foto: Natasha Ramos

    [Natasha Ramos]  Jonathan Richman, cantor e guitarrista norte-americano, fundador da extinta Modern Lovers, veio pela primeira vez à América do Sul para tocar para um público de moderninhos na noite de quinta-feira (15/4), na choperia do SESC Pompeia.

    O músico underground, que influenciou nomes como o ex-líder do Velvet Underground Lou Reed, Brian Eno, Joey Ramone, David Bowie, Elvis Costello, Clash e Sex Pistols, acompanhado de seu violão e seu único companheiro de banda, o baterista Tommy Larkins, reuniu admiradores moderninhos que, ao final da apresentação, dançavam sem parar.

    Inevitável comentar o gingado e carisma de Richman que cativou a todos os presentes. No começo ele arriscou algumas palavras em português, mas logo depois, falando em inglês, disse que não sabia falar muito bem a língua tupiniquim, apesar de falar outras como espanhol, itaniano, francês…

    Destaque para as músicas “Pablo Picasso”, “Old World”, a maravilhosa “Because her beauty is raw and wild” e a animada “I Was Dancing in the Lesbian Bar”, com direito a dancinhas e “Legals” de Richman e palmas da galera que acompanhava a batida da música.

    Perto do final da apresentação, os rapazes com suas camisas xadrez e bigodes dançavam animadamente bem na frente do palco. Jonathan, então, termina a musica, faz menção de sair, mas o público clama por pelo menos mais uma música. O baterista já havia saído, e Jonathan se vê tendo de ir, mas demonstrando vontade de permanecer e atender ao pedido de seus fãs. É então que ele, sem violão, sem bateria, nem cowbells, nem instrumento algum, cantarola uma música em italiano como um trovador moderno e se despede elegantemente com um “Arrivederci!”.

    Histórico

    Em 1970, Jonathan formou a The Modern Lovers, uma banda que marcou a história do gênero nos anos 70 sob a influência do Velvet Underground, e da qual saíram os membros do Talking Heads e The Cars.

    Em 1979, Richman começou carreira solo e embarcou em estilos sonoros mais próximos do folk country a partir de uma ótica new wave. Com mais de 20 CDs lançados, ele nunca parou de compor e de fazer apresentações em todo o mundo.

    Ao longo da carreira Richman foi além da formação de banda e concentrou-se nas letras, além de reduzir a instrumentação de suas canções para tocar com o acompanhamento macio de uma bateria. Sua obsessão pela simplicidade acústica o torna um dos artistas mais raros do universo musical.

    Em 1994, lançou um álbum totalmente em castelhano: “Te vas a emocionar”, repleto de canções mexicanas, espanholas e equatorianas, entre outras, que o influenciaram de maneira marcante. Ele também compôs em italiano e francês.

    Amigo e colaborador de Lou Reed, adorado pelos Ramones e idolatrado pelos irmãos e cineastas Farrelly, que o incluíram no filme “Something About Mary”, Jonathan deixou o palco, deixando saudade em seus admiradores.

    Jonathan Richman e o baterista Tommy Larkins. Foto: Natasha RamosFoto: Natasha Ramos

    Foto: Natasha Ramos

    Jonathan tocando cowbell. Foto: Natasha Ramos

    Tags:
  • scissors
    abril 12th, 2010blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, raio-x

    [por Andréia Martins]

    Quarto negro. Pode ser qualquer coisa. Em uma rápida busca no Google, você vai descobrir que pode ser desde nome de música de Amado Batista ou Leandro e Leonardo até um simples quarto sem luz.

    Por aqui, estamos falando mesmo é da banda Quarto Negro, formada por Eduardo Praça (vocal, guitarra e piano, ex-Ludovic), Fabio Brazil (baixo e voz), Thiago Klein (piano) e Diogo Menichelli (bateria). O nome não surgiu de nenhuma das influências acima ou de um apagão, como conta Praça.

    “O nome surgiu de um documentário que assisti sobre a vida do Johnny Cash, do qual, em um capítulo da sua carreira, tomado por sentimentos extra-naturais, ele acabou por pintar um quarto de hotel inteiro de preto, movéis, parede, tudo. Aquilo me deixou tão interessado que surgiu a ideia. Às vezes, enxergam isso como uma manifestação depressiva ou algo do tipo, mas sempre me identifico com a expressão de liberdade e espontaniedade do caso”.

    Se dependesse do som, dificilmente você diria que o Quarto Negro é uma banda brasileira. Nitidamente influenciados pelo jazz, blues e melancolia – mas sem soar deprê -, a banda surgiu em 2007 e, depois de dois EPs, é dela um dos discos nacionais mais esperados de 2010.

    Os motivos são simples: uma sonoridade cheia de personalidade e mais denso, combinando guitarras, piano, metais e letras que falam de relacionamenos, perdas, e por aí vai, e Praça que, ex-integrante do Ludovic, já tem uma legião de fãs prestando atenção nos seus próximos passos.

    Inicialmente, o Quarto Negro era uma banda de um homem só (Praça). Uma temporada ao lado de Klein em Nova York começou a dar novos rumos à banda. Na sequência, um convite irrecusável de um amigo, cineasta, para compor uma música tema – Zoroastro – e, tempos depois, o Quarto Negro já não era uma banda de um homem só.

    “Nunca foi opção iniciar e tocar as coisas por conta própria. Em determinado momento, artísticamente, essa me pareceu a solução mais viável, mas não tardou pra perceber que a soma de pessoas só enriqueceria as coisas. Hoje em dia, posso dizer que tenho como companheiros, pessoas especiais e muito agregadoras. Seguramente, devo muito desse momento ao Thiago, Fabio e Diogo”, conta Praça em entrevista ao Palco Alternativo.

    Toda a busca por algo novo e mudança do passado com o Ludovic, precisou de um tempo para Eduardo assumir outro projeto, o que as temporadas em NY e San Telmo, em Buenos Aires, ajudaram bastante. Nas palavras do próprio Praça, não era algo que faltava, mas que estava mal assimilado:

    “Na verdade, acho que tinham coisas até demais. Os novos ares, serviram mais pra me desvincular, do que pra agregar, por incrível que isso soe. As pessoas se apegam muito ao fato da idéia de fugir buscando novas coisas pra si, quando na verdade, você precisa mesmo é de um tempo pra desfazer o nó todo que estava feito” , conta ele, sem deixar de lado toda a bagagem do Ludovic.

    “Devo muito, talvez quase tudo, ao anos que passei com o Ludovic. Se existiram pessoas que me ajudaram e me formaram, como músico e compositor, foram eles. Não me canso de mencionar, que as coisas aconteceriam de forma muito mais devagar sem essa experiência musical e espiritual”.

    Fora do Brasil

    Além de vigor, a temporada no exterior trouxe novas experiências para a banda. “O fato de estar lá com o rosto aberto de forma tão contundente nos colocou em um patamar acima, definitivamente. Embora toda a barreira linguística e aspectos culturais terem movido menos do que eu imaginava, o fato de estar entregue há algo que apenas você acredita e entende, mexe mais com as pessoas do que qualquer interpretação fictícia do que você gostaria de ser”, diz Eduardo sobre os shows nos EUA.

    A identificação do público talvez deva-se ao fato de que a música do Quarto Negro tem algo do rock alternativo feito lá fora, mais do que influências brasileiras. Ouvindo, a sensação que se tem é de que a música soa perfeita par a fog londrina ou para os dias nublados de Sampa.

    “Não chega a ser algo que a gente discorde plenamente, mas não sei até que ponto nos vemos influenciados por algum clima que não nos pertence, seja lá londrino, porteño ou algo do tipo. Desde que me juntei aos meninos, sempre esperamos essa recepção de público/imprensa apontando a melancolia, mas nunca foi algo que procuramos ou que realmente acreditávamos, as coisas surgiram de forma natural e involuntária”, diz Praça.

    EPs e próximos passos

    Deposi do EP Zoroastro, uma das músicas mas impactantes do grupo, o Quarto Negro recrutou um time de peso para o EP seguinte,  Bom dia lua:  Chuck Hipolitho e Kevin Nix.

    Praça conta que a parceria com Chuck já estava programada mas as agendas adiaram um pouco o encontro, que só foi acontecer no final de 2009. Com relação ao Kevin, “o Fabio, quando morou nos Estados Unidos, fez uma amizade, que por ironia e sorte do destino, dias antes da masterização no Brasil, nos levou aos engenheiros do estúdio em que o Big Star costumava trabalhar em Memphis. O contato foi rápido e produtivo”.

    Uma das diferenças entre os EPs é a presença do piano de Thiago, que ganhou mais destaque nas canções no segundo EP, aumentando, de certa forma, o tom melancólico das canções.

    Quanto ao próximo disco, Eduardo não dá muitos detalhes, mas por algumas entrevistas que tem dado, pode-se imaginar que os meninos pretendem dar um passo à frente, a exemplo do que fizeram nos dois EPs.

    “Estamos em processo de composição. Pra ser sincero, esse assunto é tratado com muita ansiedade e expectativa. Estamos transbordando pra ter esse disco em mãos. Não temos os maiores detalhes do mundo pra dar, mas podemos adiantar que ele sai ainda em 2010, e que a gravação não deve ser feita no Brasil”.

    Para ouvir, acesse: http://www.myspace.com/quartonegro.

    Tags: , ,
  • scissors
    abril 5th, 2010blogpalcoalternativoposts por autor: Natasha, raio-x

    [Natasha Ramos] Os paulistanos da Garotas Suecas tocam um “rock’n’roll barato total”, com forte influência musical do que fazia a turma da Jovem Guarda, na década de 60. Em 2008, eles ganharam o prêmio Aposta MTV do VMB. Foram mencionados em publicações como o New York Times, Time Out e na revista SPIN. A banda já fez quatro turnês pelos Estados Unidos e uma apresentação na Austrália. E agora, foram convidados mais uma vez para tocar no festival SXSW, no Texas. Já ouviu falar deles? Então, confira o Raio-X com a banda.

    Início em duas versões

    Tive a oportunidade de entrevistar o baterista Antônio “Nico” Paoliello duas vezes. Uma, quando ainda trabalhava no Virgula, em meados de 2008, e outra há algumas semanas. Ironicamente, ele me deu duas versões para como os integrantes se conheceram e resolveram montar a banda. O que coincide, no entanto, é o ano de formação do GS: 2005.

    “Perdido [Fernando Machado, baixo/voz] conhecia Sal [Guilherme Saldanha, voz], que conhecia Tommy [Tomaz Paoliello, guitarra e voz], que é irmão de Nico e conhecia Sesa [Sérgio Sayeg, guitarra/voz], que saiu da banda para seguir carreira militar. A Irina [Chermont, piano/teclado] ninguém conhecia, pusemos um anúncio no jornal procurando uma garota loura, sueca e que tocasse teclado. Eis que apareceu uma”, contou há cerca de dois anos.

    Já, desta vez, quando voltei a fazer a pergunta, ele respondeu: “O Perdido acabou me conhecendo numa sala de bate-papo e, por coincidência, nós dois tínhamos acabado de sair de nossas respectivas bandas. Depois de algumas semanas fazendo ensaios de “cozinha”, o perdido me apresentou o Saldanha, que veio tocar gaita em nosso projeto e, mais tarde, tornou-se o vocalista. Foi ele mesmo que nos apresentou a Irina. Quando já estávamos tocando, vimos que precisávamos de guitarras. O Sesa conhecia o Tomaz e já tinham tocado juntos. O primeiro dia em que nos encontramos foi em uma festa funk (norte americano) e lá marcamos nosso primeiro ensaio”, explicou em sua mais recente versão.

    Qual das duas versões é a correta? Não importa. O que importa são as músicas. O “rock’n’roll barato total”, como eles mesmos definem o som da banda, tem influências, entre outros, de Sly & The Family Stone, Rolling Stones, Mutantes, Gal & Os Brazões, The Meters, Curtis Mayfiled e, claro, Roberto Carlos, em sua fase dourada.

    Músicas

    A banda leva três Eps na bagagem: Hey Hey Hey são os Garotas Suecas (2006), Difícil de Domar (2007) e Dinossauros (2008). “Estamos gravando nosso primeiro disco (Long Play) para assim o ouvinte pirar no som dos Garotas Suecas por mais de cinco canções”, comenta Nico.

    [Curiosidade: A faixa ‘Não Espere Por Mim’, presente no Difícil de Domar, foi gravada nos estúdios da Trama, dentro do programa Radiola, no bloco ‘Doze horas no estúdio’.]

    Segundo Nico, as músicas mais pedidas durante os shows são “Codinome Dinamite”, “Acho que Estou me Tornando um Zumbi”, “Banho de Bucha” e “Olhos da Cara” —as duas últimas serão lançadas no disco.

    [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=CFSZWESSUH8&feature=related - Difícil de Domar]

    Shows

    Eles costumam tocar em casas de shows alternativas e em festivais de bandas independentes. Recentemente, o Garotas fez uma apresentação no SESC Vila Mariana, para um público mais familiar, que os ouvia sentados em suas poltronas.

    “É engraçado, mas para esses shows, nós temos espaço para fazer uma abordagem um pouco diferente da de shows em inferninhos e clubes (antes) enfumaçados. Podemos nos concentrar mais em timbres e dinâmicas diferentes, assim como set lists”, comenta o baterista.

    No mês de março, a banda rumou para o festival texano South by Southwest (SXSW) e se apresentou em outras cidades dos EUA. “O festival é gigante e pessoas do mundo todo vão para Austin para ouvir coisas novas, fazer contatos, etc. O público da ‘gringa’ reage de um jeito diferente, talvez por não entender a letra ou pela ginga brasileira que querendo ou não nós temos. Por isso é sempre legar ver a gringolândia balançar o esqueleto de forma nada engonçada”, conta.

    A agenda da banda e as músicas podem ser conferidas no MySpace da Garotas Suecas (www.myspace.com/garotassuecas)

    Os planos para esse ano se resumem basicamente a lançar o disco completo e sair tocando onde der. “Queremos continuar dando shows pelo Brasil e EUA e outro continente à sua escolha”.

    [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=_Bm2m4JsfS0&feature=related - Corina]

    Tags: