Rosie and Me: música para dias de sol e noites ao redor da fogueira

[por Andréia Martins e Carol Cunha]

A chuvinha fina cai lá fora, e olhando pela janela, penso que é nessas horas que o som do Rosie and Me se torna ainda mais necessário.  Com o play do som,  refaço o roteiro dos tempos de adolescente, com aquilo que era essencial: uma calças jeans surrada, o tênis com cadarços soltos, a vontade de tocar um instrumento, a mão que toca o vento no carro, a catarse dos primeiros beijos e um inevitável coração solitário. A música dos  curitibanos do Rosie and Me canta o que todo mundo já sentiu em algum momento ou outro da estrada. Um frescor de algo ingênuo com trilha sonora acústica.

O charmoso som brazuca do Rosie and Me utiliza o bom e velho violão como instrumento principal, com pitadas de banjo, Ukulele e flauta para criar uma atmosfera calma e introspectiva. Tudo isso cantado em inglês. Seria folk?

“Nosso som é mais voltado para uma nova escola, que, de folk mesmo, tem só a levada”, conta Rosanne Machado, a vocalista, compositora e frontwoman da banda ao Palco Alternativo. Com influências do twee/pop, a música do Rosie and Me surge na simplicidade, e nem por isso é menos gostosa de se ouvir.

Nas letras, pensamentos musicados sobre relacionamentos, decepções e crescimento, “o que permite que nosso público se identifique com as experiências nelas descritas”, completa a cantora. Rosanne é a voz delicada que canta as histórias do Rosie and Me. Além dela, a banda conta com Guilherme Miranda (baixo), Tiago Barbosa (bateria/percussão), Thomas (guitarra) e Wildson (violão/vocal).

O início

Em 2006, Rosanne morava em Curitiba e com o amigo Alex, que morava no Rio de Janeiro, costumava trocar músicas na internet como quem troca cartas. Ela cuidava das bases de violão e enviava para Alex gravar os vocais. “No começo não havia uma banda formada, as músicas eram gravadas no computador, à distância e sem compromisso. Quando ele se mudou para Curitiba, tivemos a chance de convidar alguns amigos pra tocar e investir um pouco mais no projeto”, conta Rosanne.

O nome da banda surgiu por acaso: as primeiras demos, bem no estilo made in home, não tinham nome e acabavam sendo gravadas como “rosieandme.mp3”. Depois de lançar as primeiras demos na internet, Rosanne passou uma temporada fora do Brasil. Enquanto isso as músicas que estavam na rede eram descobertas pelos internautas. A “banda” que até então não existia oficialmente começou a reparar que cada vez mais gente ouvia e comentava suas músicas em sites como o Last.Fm, MySpace e onde mais elas estivessem disponíveis.

“Por meio de divulgação própria e indicações entre as pessoas, o número de ouvintes foi aumentando. As pessoas deixavam recados pra gente, perguntando quando lançaríamos um CD ou faríamos mais apresentações ao vivo”, diz  a cantora e compositora. Nao demorou muito para blogs e sites especializados escreverem sobre a banda. No exterior, algumas músicas chegaram a ser tocadas em rádios, mesmo com a qualidade low-fi das primeiras gravações.”Como o retorno do público foi muito bom, resolvemos investir na nossa música e tentar fazer algo mais sólido”, diz Rosanne.

EP Bird and Whale

Em 2010, mais ou menos quatro anos depois que as músicas começaram a viajar pela rota Curitiba-Rio e Rio-Curitiba, o Rosie and Me lançou seu primeiro EP, Bird and Whale.

São 5 faixas que mostram bem a personalidade da banda. “O nome do EP vem de quando eu estava fora do país. Bird and Whale é o nome da última faixa do EP, que fala sobre as incertezas e dificuldades dos relacionamentos à distância. O nome foi sugestão de uma amiga de Wisconsin, durante uma aula de literatura que falava sobre uma fábula chamada The Sparrow and the Sea. E a idéia da música é justamente contar uma história”, diz.

Enquanto os integrantes do Rosie and Me se dividem entre a música e outras profissões, os planos da banda são investir em festivais nacionais e esperar convites Brasil afora.

“Em Curitiba mesmo, não somos muito conhecidos, então nosso plano é investir em alguns festivais nacionais e dar continuidade a novas gravações. Tocar no exterior ainda é um sonho. Não temos muita experiência com isso de marcar shows, geralmente esperamos por um convite ou a abertura de algum edital. Mas, com certeza, São Paulo está no topo da lista das cidades em que queremos tocar mais vezes, tanto pela qualidade do público, como pela diversidade de lugares que abrem espaço para bandas novas”, diz Rosanne.

No momento a banda segue sem Alex, que precisou interromper a participação na banda para se dedicar aos estudos. Da formação antiga, continuam o Guilherme (baixo) e o Tiago (bateria), além dos novatos Thomas (guitarra) e o Wildson (violão/vocal).

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