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agosto 31st, 2010por trás das capas, posts por autor: AndréiaDisco: Sticky Fingers – Rolling Stones
Ano: 1971
Designer: Craig Braun
Conceito e Imagem: Andy WarholO que uma calça jeans apertada pode esconder? No caso dos Rolling Stones, a resposta seria um boom de hits como Brown Sugar, Wild Horses, Sister Morphin, Dead Roses, entre outros. Ao menos, isso é o que a capa do nono disco de estúdio da banda, Sticky Fingers, nos sugere.
Lançado em 1971, o disco traz uma capa ousada – indecente, para muitos, especialmente para as mães e pais dos adolescentes norte-americanos nos anos 70 -, assinada por ninguém menos do que Andy Wharol. Essa história começou quando Jagger e Wharol se encontraram em uma festa em Nova York e o artista pop sugeriu a Jagger que a capa do próximo disco da banda tivesse um zíper.
Com o aval do roqueiro, Wharol criou uma embalagem diferente para o vinil – uns diriam até interativa - que combinasse com a ousadia da banda. O resultado foi uma capa com um zíper de verdade, que se aberto, dava espaço a uma cueca de algodão.
O problema é que no manuseio do dia a dia, as lojas reclamaram que o “abir o zíper” acabava arranhando os discos. A solução para amenizar os estragos – e não jogar fora a criatividade do ícone pop – foi abrir mais o zíper, que foi para no meio da capa.
A foto da capa sempre teve uma áurea misteriosa. De quem era a virilha, escondendo uma protuberância logo ali à direita? Para muitos, era o próprio Mick Jagger. Negativo. O modelo é Joe Dallesandro, um dos preferidos de Wharol, e foi fotografado por Billy Name. O designer da capa, Craig Braun, costumava brincar com Wharol. “Eu sei que você fez o cara brincar com o p**** antes de fotografar”.
O álbum, que serviu de inspiração para a capa de Like a Prayer (1989), de Madonna, também traz, pela primeira vez, o ‘tongue and lip design’, desenhado por John Pasche. Baseada na boca – nada pequena – de mr. Jagger, a ilustração se tornaria símbolo-chave dos Stones.Entre os achados na web, está uma carta de Mick Jagger dando as coordenadas a Wharol sobre a capa do disco. Alguns diriam que é o briefing perfeito. Sobre o final do segundo parágrafo da simpática carta, fica a pergunta: qual tera sido a resposta de Wharol?
A carta original está exposta no “The Warhol Museum” em Pittsburg (EUA).
Tags: andy wharol, rolling stones -
agosto 27th, 2010posts por autor: Andréia, raio-x[por Andréia Martins]
Para ler ouvindo:
Deixe a bateria acelerar. Depois, acrescente o baixo pulsando. Embale tudo com riffs contagiantes, daqueles que fazem até os mais introspectivos baterem o pé, soltarem os ombros e arriscarem tímidos passos. Se quiser soltar uns gritinhos, feel free.
Aí, chame como quiser. Dance punk, disco punk, dance rock, electro punk, pós punk. Independente da classificação, o The Name vai fazer você dançar com bateria, baixo e riffs pulsantes, num clima oitentista, fazendo valer a máxima de que o rock é, acima de tudo, pura diversão.
“Achamos que essa época foi uma época muito rica de lançamentos. O final dos 70s e a década seguinte vieram com muitas propostas de som que iam de encontro com o que estava acontecendo com as massas. Depois do punk, veio muita mistura dessa atitude com outros movimentos, como A Certain Ratio, Liquid Liquid, ESG, Talking Heads, Associates, Joy Division e New Order e por aí vai. Achamos que essa riqueza das misturas faz com que tudo ainda soe muito atual e exista sempre um interesse em reviver algumas coisas”, diz a banda ao Palco Alternativo.
Formada em 2006, em Sorocaba, pelos publicitários Andy (vocal/guitarra), Molinari (baixo) e Alves (bateria), até janeiro de 2007, a banda se dedicava a duas coisas: compor e gravar. No mesmo ano lançaram o primeiro EP, “Gone”. Dois anos depois, em 2009, o lançamento do EP Assonance, trazendo as faixas “Mary Did Again”, “Tenant”, “Assonance” e as irresistíveis “Come Out Tonite” e “Can You Dance, Boy?”, mostrou que a banda não vinha para brincadeira.
De lá pra cá, e com mais um compacto na bagagem, o vinil “Can You Dance Boy/Let The Things Go”, a banda conquistou palcos e pistas que vão de São Paulo a Tocantins, e já está colecionando boas histórias, para usar em futuras biografias. “Tocamos em muitas cidades que não conhecíamos e estamos mega felizes com a reação do público. Na estrada sempre têm coisas engraçadas acontecendo. Seja um pneu furado, uma bebedeira além da conta ou acordar o fotógrafo de vários jeitos diferentes durante a viagem”.
O vinil “Can You Dance Boy/Let The Things Go” saiu em 2010, pelo selo Vigilantes, com uma faixa título arrebatadora para o fãs do gênero.
“Let the things go” nem precisava de um videoclipe tão divertido para pegar, a música por sí só já era candidata a hit. Com um clipe simples, apostando na criatividade, pegou. “A gente já tinha intenção de fazer um vídeo mais divertido, onde coisas aconteciam e atrapalhavam a gente enquanto tocávamos. Aí a produtora colocou isso no papel, com ovos, água, vento, soco e tudo mais”, conta o trio.
Apostar no formato vinil foi um jeito de realizar um antigo desejo. “Acho que como filhos da década de 80, o vinil fez parte da nossa vida por um longo espaço de tempo. A galera tem comprado até mais do que esperávamos, já estamos no terceiro lote de discos”, contam. Apesar dos EPs, a banda ainda não se diz pronta para lançar um disco completo, o que deve acontecer no início de 2011.
A opção por cantar em inglês faz parte de uma ideia de música sem fronteiras. “Sempre quisemos que nosso som fosse não geográfico, algo que pudesse ser ouvido em qualquer parte do mundo, sem um rótulo de ser daqui ou dali. A gente cresceu ouvindo coisas gringas e nossas influências vêm basicamente todas de fora do país Foi até que natural que a gente partisse para composições em inglês”, diz a banda.
Pé no chão e planejamento
Apesar do clima festa, rock’n'roll e diversão, os passos do The Name são bem planejados pelos próprios integrantes. “A a gente sempre partiu de um plano. Vamos fazer isso para chegar naquilo, vamos lançar dessa forma por conta disso, vamos organizar tal coisa para gerar essa outra, entende?”. O plano da banda é tocar sempre, fazer turnês e autopromover essas ações. “Só esse ano fizemos três turnês, uma delas fora do país e estamos partindo pra quarta jornada”, conta o The Name ao blog.
“Hoje em dia a banda ganha dinheiro com três coisas: shows, merchandising e sincronização. Com uma agenda extensa, você vende muito merchandising e ganha dinheiro com os shows. Em uma turnê, você minimiza os gastos com um plano de deslocamento e coisas do tipo. Então a gente planeja essas ações e realmente fazemos de tudo para que elas sejam executadas. É meio que trazer o futuro para o presente mesmo”.
Esse ano, a banda já deu um giro pela América do Norte, tocando nos festivais South By Southwest e Canadian Music Week. O que serviu para dar boas perspectivas sobre o que pode acontecer na cena independente brasileira.
“A cena lá fora é praticamente autossustentável. Hoje, conseguimos realizar turnês com trinta shows pelo sul e sudeste, mais vinte ou trinta shows pelo centro-oeste, mais vários pelo nordeste. Mesmo assim, ainda não existe uma sustentabilidade pra cena como um todo. Lá uma banda pequena passa meses em turnê, tem uma van e equipamentos bons. As casas pagam razoavelmente bem e vende-se muito merchandising. Em algum pequeno espaço de tempo já estaremos igual ou até melhores. E por que não?”.
Site oficial: http://www.thenamemusic.com/
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Tags: pos punk, the name -
agosto 21st, 2010disco clássico, posts por autor: Natasha[Por Natasha Ramos]
Todo segundo álbum carrega uma responsabilidade enorme, uma vez que é a partir dele que se define se a banda ou artista veio para ficar ou não. E Siamsese Dream (1993) foi fundamental para o Smashing Pumpkins nesse momento crucial, em que a banda enfrentava problemas com drogas e álcool e conflitos internos.
Para começar, o mentor dos Pumpkings, Billy Corgan, estava passando por uma depressão profunda, conseqüência de uma infância conturbada —seus pais se separaram quando ele tinha 3 anos, e ele, seu irmão mais novo, Rick, e seu pai foram morar com sua madrasta que, freqüentemente, o agredia físico e emocionalmente. A pressão da nova gravadora, Virgin Records, para que o segundo disco superasse o bem-recebido Gish (1991) também não ajudava muito no processo criativo.
Além disso, o baterista Jimmy Chamberlon enfrentava problemas com drogas e álcool, o que fez com que eles optassem por gravar o álbum em um estúdio na Geórgia, longe de Chicago, pois assim Chamberlon teria maior dificuldade para alimentar seu vício.
O guitarrista James Iha e a baixista D’arcy Wretzky se desentendiam constantemente e não se mostravam tão comprometidos com o disco quanto Corgan esperava. Diz-se que ele tocou a maioria dos instrumentos sozinho, boato que ele confirmou mais tarde em entrevista.
Para completar, o perfeccionismo do líder do grupo fez com que as sessões de gravação do álbum durassem cerca de 16 horas diárias, o que levou a banda à exaustão e os fez depositar toda a sua esperança em Siamese Dream.
Caso fracassassem, o futuro da banda estaria ameaçado. Mas, felizmente, o disco além de projetar a banda e estabelecer seu lugar no cenário do rock’n'roll daquela época, gerou clássicos memoráveis.
Corgan confronta fantasmas do passado em “Disarm” (seus pais) e “Spaceboy” (seu meio-irmão portador de deficiência) e abre feridas em “Soma” (esta conta com a participação de Mike Mills do R.E.M.). Além dessas, “Cherub Rock” e “Today” marcariam definitivamente o cenário do rock da década de 90.
O disco estreou no top 10 da norte-americana Billboard e as vendas ultrapassaram as quatro milhões de cópias em três anos. Apesar dos números, muitos críticos argumentaram que Siamese Dream é bom mas que Mellon Collie and the Infinite Sadness —o disco duplo que se seguiu em 1995— é genial. Mas, vale lembrar que sem Siamese Dream, provavelmente o terceiro disco não viria.
Sem contar que foi com esse disco que a banda conseguiu a primeira nomeação para o Grammy Awards, nas categorias “Best Alternative Music Album” e “Best Hard Rock Performance with Vocal”, em 1994.
Ao lado de Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, dentre outras, a Smashing Pumpkins ajudou a definir a cena musical da década de 90. E foi a partir de Siamese Dream que a banda provou seu valor e ajudou a moldar o que seria o rock alternativo.
Assista ao clipe “Disarm”:
Tags: disco clássico, siamese dream, smashing pumpinks -
agosto 18th, 2010cone-sul, posts por autor: Andréia, posts por autor: Carol, raio-x[por Andréia Martins e Carol Cunha]
No palco do Finlandia, a tradicional a rivalidade entre Brasil e Argentina sai de cena para dar espaço a um baile eletro-acústico que mistura ritmos tão distintos como tango, bossa nova e baião.
Essa é a proposta do duo formado pelo argentino Mauricio Candussi e pelo brasileiro Raphael Evangelista: explorar novas possibilidades de fusão entre ritmos tradicionais e elementos contemporâneos. O duo mostra a que veio nas performances, quando mescla batidas eletrônicas ao vivo (Live P.A) a instrumentos acústicos, como o violoncelo, piano e acordeão.
O Finlandia não se encaixa muito em gêneros, é música em movimento, com uma inconfundível pegada latina. Deve ser ouvido como um set, criado a partir de uma colagem de sensações: às vezes uma saudade indefinida quando surgem solos de violoncelo e piano, quebrada com batidas dançantes de cumbia ou house, que põe o povo para mexer o esqueleto na pista – ou na milonga.
“Muitas de nossas canções são melancólicas, não que sejam tristes. Finlândia [o país] nos remete a este tipo de imagem. Além disso, na Finlandia (país) tocam tango… um tango muito especial e melancólico que se aproxima muito a nossas canções. Portanto, podemos dizer que há uma afinidade estética”, diz Maurício ao Palco Alternativo ao explicar a escolha do nome do duo.
Tango na Finlândia? Pois é, neste país nórdico o tango foi reinventado com o tempero local e tornou-se um gênero muito popular -mas isso é uma outra história.
O Finlandia (a dupla) se conheceu há uns dois anos, quando cada um se dedicava a projetos musicais diferentes. Maurício (piano e acordeão) já foi integrante de uma banda argentina bem conhecida dos brasileiros, o Los Cocineros. Raphael foi cellista da Orquestra Filarmônica de São Paulo e tocou com músicos latinos como o cubano Pedro Bandera e o peruano Fernando Elias.
Depois de participarem dos mesmos festivais e viajarem juntos, o argentino apresentou seu projeto de música instrumental ao brasileiro. Estava formada a parceria que renderia o disco “Nandhara”, o primeiro do Finlandia.
Para lançar o disco, o duo caiu na estrada em uma longa turnê que inclui cerca de 30 shows passando pela América do Sul, incluindo Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Bolívia e Peru. Uma viagem que promete novas memórias sonoras.
“Estamos muito contentes. Aprendendo muito de cada cidade que passamos, dividindo o palco com músicos locais e incorporando muita música de diversos lugares”, conta Maurício. Durante os shows, o duo acredita na interação com músicos locais. “É uma maneira de vincular-nos com o lugar através da música, e também aprender”, diz.
No Brasil, já passaram por São Paulo (SP) e tem shows marcados em cidades tão distantes como a alagoana Arapirica e Cuiabá (MT). Em setembro, o duo volta a São Paulo para encerrar a turnê.
Da raiz aos sintetizadores, um medida equilibrada
Ao ouvir o Finlandia, nota-se que a criação é bem dividida entre os elementos mais tradicionais da música argentina e os da música brasileira, uma troca sob medida.
“Essa busca sem fórmula pré-definida em mesclar o clássico ao contemporâneo é um atrativo muito forte na música atual. Mas creio que para que o trabalho tenha um conteúdo sincero e valioso, faz-se necessária a fusão de ritmos e culturas que tenham sido vivenciados pelos músicos. Afinal é bem mais fácil você compor em um ambiente musical que escutou por toda a vida”, diz Raphael.
Para Maurício, essa mistura é resultado do “tempo”, da evolução da música. “É uma maneira de apresenta-los [estilos tradicionais] ao novo público, mas também é o resultado do caminhar do tempo, da incorporação de novos instrumentos, de novas tecnologias, de novas formas de vincular-se ao tradicional. Nossa ideia é tocar também gêneros menos ‘para exportação’, como ritmos pouco difundidos fora de nossos países, como a milonga ou o baião”, comenta ele.
O brasileiro ainda destaca a dramaticidade e intensidade da música argentina. “Adoro ritmos tradicionais de qualquer país. Gosto muito da dramaticidade dos temas, tanto nas letras quanto nas melodias. O próprio tango, com a carga melancólica é um ritmo que me identifico muito. Creio que essa preocupação com o sentimento é um ponto que me atrai na música argentina”, conta.

Gravado em São Paulo e Córdoba (Argentina), o disco mostra bem a fusão de ideias, ritmos e culturas da qual falam os músicos. Todas as músicas são autorais, exceto “Buenos Aires Hora Certo”, releitura de Astor Piazzolla
O disco Nandhara (Baritone Records) pode ser baixado gratuitamente no site do Finlandia. Abaixo, um aperitivo do duo:
Tags: bossa, buenos aires, finlandia, los cocineros, tangoOuça o Finlandia
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agosto 13th, 2010posts por autor: Andréia, raio-x[por Andréia Martins]
Lá pelo final dos anos 90, Ribeirão Preto, a tal califórnia brasileira, viveu um razoável boom de bandas próprias. Você tinha diversas opções na cidade. Podia escolher o Paulistânia Rock Bar, o Estação do Estudante, o Bronze, ou consultar a programação de bares como Georgia ou os palcos do Sesc e do Teatro de Arena. Ah, quantos festivais a céu aberto…
Entre festivais e shows em bares, uma ou outra banda da cidade despontava, e não só tocando covers, mas com trabalhos autorais. Por isso, hoje, nesse boom da cena independente, penso que Ribeirão poderia ter um espaço maior na cena, mas proliferaram os covers, e as opções pelas chamadas bandas com música própria foram ficando cada vez mais escassas. Eis que…
Formada há pouco mais de três anos por Matheus Scavazzini (guitarra, teclado, voz), Tadeu Alves (guitarra, voz), Rafael Dorado (guitarra), Rodrigo Melo (contra-baixo) e Neto Calciolari (bateria), a Dom Amaro é uma dessas novas bandas da chamada linha “autoral”.
A história começou em meados de 2007. Depois do chamado encontro cósmico – aquele em que os integrantes, já amigos, descobrem interesses em comum, como montar uma banda de rock – a banda começou a se reunir frequentemente até que, em 2009, Rodrigo entrou para o grupo e o Dom Amaro nasceu.
“No nosso primeiro show, que fizemos no Groselha Fuzz, demos muita sorte, abrimos para os Pullovers, uma banda com mais de 10 anos de estrada e bastante respeitada. Foi uma bela experiência para os inexperientes”, conta.
Além de Ribeirão Preto, Araraquara é outro palco frequente da banda, que tocou por lá no festival Grito Rock 2010. “Foi nossa primeira experiência fora com um público diferente, atmosfera diferente, enfim, foi um teste para os nervos”.
Quanto ao nome, o quinteto diz não ter nada a ver com a Amaro Barbearia, ponto famoso no centro de Ribeirão. “O nome surgiu da ideia de dar uma ‘cara’ ao gosto amargo, que é comum entre nós, o amargo que a vida deixa em nossa língua. E alguns integrantes da banda pensaram também na ideia de um senhor. Uma espécie de personagem que representasse a banda toda”.Volume 1
A UNAERP, universidade da cidade, foi mais que palco de encontro da banda. Foi lá que o Dom Amaro se ajeitou para gravar o primeiro disco, usando o estúdio e os instrumentos disponíveis. “Acabou virando nossa casa, a maioria das músicas do Volume 1 foram compostas naquele estúdio”, conta a banda.
“Foi difícil, primeira vez no estúdio. Todo processo foi feito em uma semana, ou seja, a gente quase morava com o produtor. Passávamos as tardes no estúdio gravando 11 músicas. Foi cansativo mas divertido”.
Cena no interior
“A cena atual da cidade em relação à musica não é das mais satisfatórias para bandas com som próprio. Tem muita banda cover, o que é legal, porém o espaço para bandas com repertorio próprio é muito escasso. O que nos impressiona é fato de Ribeirão Preto ser uma das maiores cidades do interior paulista e não dar o devido incentivo à musica independente”, diz a banda.
Eles citam incentivos existentes em cidades próximas, como Araraquara. Lá a prefeitura apóia e financia os eventos da cidade como por exemplo o Araraquara Rock, um festival dedicado às bandas com som próprio.
“Hoje as casas pensam muito em lucro e retorno com as bandas cover. Tem bandas por aí muito boas que não tem espaço e o que a gente precisa, além disso, é fomentar um público que saia de casa pra ouvir musica nova, independente. Isso é difícil e as pessoas precisam se esforçar porque vale muito a pena”, comenta o quinteto.
Atualmente, dois nomes respondem por incentivar a cena independente em Ribs city (quer dizer, Ribeirão Preto, para os menos íntimos) : o coletivo Lavoura Coletiva, que estimula o circuito de bandas locais, e o Groselha Fuzz, festival que leva a Ribeirão diversas banda da cena independente nacional.
Influências
Apesar de lembrarem bandas contemporâneas como as já citadas Los Hermanos, no jeito de cantar, e alguns riff strokianos, a banda carrega uma caixa musical com referências que vão da MPB ao samba, passando pelo rock dos anos 50, 60, 70 e 90, blues e metal.“Há alguns estilos que todos escutam e outros não, Los hermanos e Strokes são bandas que todos escutam, por exemplo, cada um com sua intensidade. Mas não podemos dizer que é nossa maior influência. Quando gravamos o nosso primeiro cd estávamos numa onda de misturar MPB e rock. Mas nosso próximo cd está ficando bem diferente (a gente acha hahaha), alguns integrantes andam flertando com blues e rock dos anos 70″, diz a banda.
Quanto ao samba, é um gênero com o qual a Dom Amaro diz apenas flertar mas a malandragem e a cadência podem ser percebidas em canções como “Brazilian People Very Good”, “Se não fosse o verão” e “Senhor da Questão” (que depois se rende ao rock). Há também as mais melancólicas e introspectivas como “Última Fé”, “O que era para sobrar”, “A Hora e a Vez” e as mais pops como “Sala de Estar”. Todas estão disponíveis no My Space da banda.
A guitarra dá o tom da levada em todas as canções e em cada canção, há variações que levam a música ora para o lado mais agitado, ora para um mais cadenciado. A mistura de influências – de estilos e sonoridade – vem da bagagem diferencidada de cada um e de como eles entraram na música. Ou melhor, de como a música entrou na vida deles.
Matheus tem como primeira lembrança em relação à música as idas com o pai aos ensaios das escolas de samba gafieiras no Rio. Rafael foi pegando gosto ao ouvir Titãs, Os Paralamas do sucesso e Legião Urbana e com a chegada da MTV, outras bandas apareceram como System of a Down e Metallica. “Vendi meu vídeo game e comprei minha primeira guitarra”, lembra ele.
Rodrigo puxou da mãe, baiana, o “gosto pela musica que envolve um bom groove, ritmos quebrados e percussivos, como o reggae e samba”. O rock, no caso dele, veio depois graças ao irmão mais velho. Ele chegou até a cantar em bandas do colégio, mas disse que ao contrário da maioria, queria tocar baixo. Neto, que cursou musicoterapia, conta que ia nas aulas de teclado mais para ouvir as histórias do professor. “Foi ai que comecei a me encantar um pouco mais com esse sonho de ser músico ter banda e tudo mais”, conta.
Já Tadeu já traz na memória uma coisa mais de raiz. “Música me remete ao programa Viola Minha Viola que eu ouvia muito quando criança. Sentado e quieto, para não atrapalhar, ouvia o programa junto ao meu pai, todo domingo”, recorda. Depois, as irmãs mais velhas apresentaram Aha, Roxette, New kids on the Block, entre outros. “Mas parei no The Who The BBC Sessions”, diz ele. “Aí descambei pro rock, fui capturado. Hoje eu já não sei o que me influencia, música é tão simples. Você ouve e canta. É só″. Ponto.
Tags: dom amaro










