Aperte o play e caia na pista com o The Name

[por Andréia Martins]

Para ler ouvindo:

Deixe a bateria acelerar. Depois, acrescente o baixo pulsando. Embale tudo com riffs contagiantes, daqueles que fazem até os mais introspectivos baterem o pé, soltarem os ombros e arriscarem tímidos passos. Se quiser soltar uns gritinhos, feel free.

Aí, chame como quiser. Dance punk, disco punk, dance rock, electro punk, pós punk. Independente da classificação, o The Name vai fazer você dançar com bateria, baixo e riffs pulsantes, num clima oitentista, fazendo valer a máxima de que o rock é, acima de tudo, pura diversão.

“Achamos que essa época foi uma época muito rica de lançamentos. O final dos 70s e a década seguinte vieram com muitas propostas de som que iam de encontro com o que estava acontecendo com as massas. Depois do punk, veio muita mistura dessa atitude com outros movimentos, como A Certain Ratio, Liquid Liquid, ESG, Talking Heads, Associates, Joy Division e New Order e por aí vai. Achamos que essa riqueza das misturas faz com que tudo ainda soe muito atual e exista sempre um interesse em reviver algumas coisas”, diz a banda ao Palco Alternativo.

Formada em 2006, em Sorocaba, pelos publicitários Andy (vocal/guitarra), Molinari (baixo) e Alves (bateria), até janeiro de 2007, a banda se dedicava a duas coisas: compor e gravar. No mesmo ano lançaram o primeiro EP, “Gone”. Dois anos depois, em 2009, o lançamento do EP Assonance, trazendo as faixas “Mary Did Again”, “Tenant”, “Assonance” e as irresistíveis “Come Out Tonite” e “Can You Dance, Boy?”, mostrou que a banda não vinha para brincadeira.

De lá pra cá, e com mais um compacto na bagagem, o vinil “Can You Dance Boy/Let The Things Go”, a banda conquistou palcos e pistas que vão de São Paulo a Tocantins, e já está colecionando boas histórias, para usar em futuras biografias. “Tocamos em muitas cidades que não conhecíamos e estamos mega felizes com a reação do público. Na estrada sempre têm coisas engraçadas acontecendo. Seja um pneu furado, uma bebedeira além da conta ou acordar o fotógrafo de vários jeitos diferentes durante a viagem”.

O vinil “Can You Dance Boy/Let The Things Go” saiu em 2010, pelo selo Vigilantes, com uma faixa título arrebatadora para o fãs do gênero.

“Let the things go” nem precisava de um videoclipe tão divertido para pegar, a música por sí só já era candidata a hit. Com um clipe simples, apostando na criatividade, pegou. “A gente já tinha intenção de fazer um vídeo mais divertido, onde coisas aconteciam e atrapalhavam a gente enquanto tocávamos. Aí a produtora colocou isso no papel, com ovos, água, vento, soco e tudo mais”, conta o trio.

Capa do vinil "Can You Dance, Boy?”, feito pelo ilustrador americano Chad Walker

Apostar no formato vinil foi um jeito de realizar um antigo desejo. “Acho que como filhos da década de 80, o vinil fez parte da nossa vida por um longo espaço de tempo. A galera tem comprado até mais do que esperávamos, já estamos no terceiro lote de discos”, contam. Apesar dos EPs, a banda ainda não se diz pronta para lançar um disco completo, o que deve acontecer no início de 2011.

A opção por cantar em inglês faz parte de uma ideia de música sem fronteiras. “Sempre quisemos que nosso som fosse não geográfico, algo que pudesse ser ouvido em qualquer parte do mundo, sem um rótulo de ser daqui ou dali. A gente cresceu ouvindo coisas gringas e nossas influências vêm basicamente todas de fora do país Foi até que natural que a gente partisse para composições em inglês”, diz a banda.

Pé no chão e planejamento

Apesar do clima festa, rock’n’roll e diversão, os passos do The Name são bem planejados pelos próprios integrantes. “A a gente sempre partiu de um plano. Vamos fazer isso para chegar naquilo, vamos lançar dessa forma por conta disso, vamos organizar tal coisa para gerar essa outra, entende?”. O plano da banda é  tocar sempre, fazer turnês e autopromover essas ações. “Só esse ano fizemos três turnês, uma delas fora do país e estamos partindo pra quarta jornada”, conta o The Name ao blog.

“Hoje em dia a banda ganha dinheiro com três coisas: shows, merchandising e sincronização. Com uma agenda extensa, você vende muito merchandising e ganha dinheiro com os shows. Em uma turnê, você minimiza os gastos com um plano de deslocamento e coisas do tipo. Então a gente planeja essas ações e realmente fazemos de tudo para que elas sejam executadas. É meio que trazer o futuro para o presente mesmo”.

Esse ano, a banda já deu um giro pela América do Norte, tocando nos festivais South By Southwest e Canadian Music Week. O que serviu para dar boas perspectivas sobre o que pode acontecer na cena independente brasileira.

“A cena lá fora é praticamente autossustentável. Hoje, conseguimos realizar turnês com trinta shows pelo sul e sudeste, mais vinte ou trinta shows pelo centro-oeste, mais vários pelo nordeste. Mesmo assim, ainda não existe uma sustentabilidade pra cena como um todo. Lá uma banda pequena passa meses em turnê, tem uma van e equipamentos bons. As casas pagam razoavelmente bem e vende-se muito merchandising. Em algum pequeno espaço de tempo já estaremos igual ou até melhores. E por que não?”.

Site oficial: http://www.thenamemusic.com/

Ouça o The Name no My Space

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