“Máfia da Mortadela” reúne bandas de blues nacionais e divulga o gênero no país do samba

[Por Natasha Ramos]

O músico Roberto 'Terremoto", mentor do CD "Máfia da Mortadela"

Roberto “Terremoto”, como é conhecido na cena blues de São Paulo e de outras regiões do país, é vocalista e guitarrista das bandas Bimbolls Brothers e Castigo Elétrico; tem um blog, no qual publica novidades da cena blues e entrevistas com músicos do gênero; e é mentor da coletânea de blues nacional Máfia da Mortadela, lançado em agosto deste ano.

A ideia de reunir bandas de blues nacionais e gravar uma coletânea do gênero em português surgiu durante uma conversa entre Roberto e a cantora Brisa Rusmel —que abre o disco com a faixa “Cruel é o seu chapéu”. “Falávamos da necessidade de divulgar o blues nacional. Assim, quando surgiu a oportunidade de fazer a coletânea, agarramos”, conta Roberto ao Palco Alternativo.

Confira a entrevista com o bluesman:

Palco Alternativo: Fale um pouco sobre o que é o projeto Máfia da Mortadela.
Roberto:
A Máfia é a união de amigos músicos de bandas de blues, que tem como objetivo principal a divulgação do estilo. Como a maioria de nós não vê a música como uma competição, ajudamos uns aos outros a conseguir espaços para tocar, dividir o palco e a divulgar os trabalhos das bandas.

PA: Qual foi o critério para a escolha das bandas? A escolha por bandas com vocal feminino foi proposital?
Roberto:
Criei apenas três regras: a primeira era que a composição fosse própria, a segunda, que a letra fosse em português e a última era que a qualidade da gravação fosse profissional.

As bandas com vocal feminino são comuns no blues nacional. Não foi proposital, mas foi de grande importância, pois assim temos um retrato da nossa cena. Tirando o fato que a Anna [Carla, da banda Bandanna Blues], a Brisa [Rusmel] e a Angélica [Girotto, da banda Have Maercy] são umas das 10 melhores vozes do nosso Blues, isso eu posso afirmar, pois sou um amante do blues brasileiro e já escutei muitas bandas.

PA: Você conhecia os integrantes de todas as bandas ou somente o trabalho delas?
Roberto:
Eu conhecia a maioria dos músicos, e garanto para você que já havia tocado com 80% deles. Como todos sabem, o Blues tem a tradição de canjas em shows, e uma canja nada mais é do que uma participação especial de um convidado no show.

A única banda que eu não conhecia era a Distintivo Blue. Recebi o material da banda e simplesmente adorei, e por conseqüência, eles fazem parte deste trabalho.

Capa do disco "Máfia da Mortadela"

PA: Como têm sido os shows de divulgação do trabalho?
Roberto:
O show de divulgação em São Paulo foi incrível, tivemos a casa lotada do início ao fim. Mas a divulgação não se resume aos shows, pois cada banda está divulgando o CD em seus próprios shows. O que está me surpreendendo é que estamos sendo procurados pela mídia em geral, para falar do projeto. Para você ter uma idéia, fui até Fortaleza para dar entrevista em duas rádios.

PA: O show de lançamento do disco foi no dia 1º de agosto no TonTon Jazz. Como foi conciliar as bandas no palco?
Roberto:
Tivemos sete bandas se apresentando, e apesar dessa quantidade grande, o show rolou muito bem. Semanas antes, combinamos que cada banda teria 25 minutos de show e não haveria troca de equipamentos, apenas as guitarras e baixos, e tudo deu certo. Como a amizade entre os músicos é grande, ninguém estourou tempo e o intervalo de uma banda para outra era muito rápido.

Entre os intervalos, colocamos como “mestre de cerimônia” o Carlos “Banha Blues” Rodolfo [idealizador do projeto Blues pela Vida], que além de ser meu amigo é uma pessoa muito divertida, e com isso o publico não se dispersou e a casa ficou cheia do início ao fim.

PA: Fale sobre a sua divulgação do álbum Máfia da Mortadela em outros estados. Você disse que foi à Fortaleza…
Roberto:
Em Fortaleza participei de dois programas dedicados ao Blues. No dia 19 de agosto, estive na Rádio Universitária, no programa Encontro com o Blues, este dia foi muito bacana, pois levei alguns CDs para sortear e quando o locutor deu o telefone da rádio, para que os ouvintes ligassem, o aparelho começou tocar que nem louco, era uma ligação atrás da outra. Fiquei muito feliz com aquilo, pois isso prova que o Blues tem público fora de São Paulo.

Em 20 de agosto, fui ao programa Ablusando, na FM Assembléia. Neste programa o mais bacana foi o bate-papo com o apresentador Robério Lessa. Falamos muito das vantagens de se fazer letras em português. Ele tem a mesma opinião que a minha, que o blues ganhará mais público quando as bandas cantarem canções em português, assim como o Rock dos anos 80.

PA: Vocês levaram cerca de três meses para concretizar o projeto. Fale um pouco do processo de gravação. Como foi reunir as bandas no estúdio? Todo mundo se conhecia?
Roberto:
Apenas a Bimbolls Brothers e a Have Mercy gravaram no mesmo estúdio e nos mesmos dias. Isso ocorreu pois o Frank [Hoenen, guitarrista] e o Edu [Gomes, baixista], fazem parte das mesmas bandas [Bimbolls Brothers e Have Mercy]. E com isso ganhamos tempo e dinheiro para executar as gravações.

Aproveitamos a ajuda da  Angélica [Girotto], que é vocal da Have Mercy, para fazer os vocais de apoio nas músicas da Bimbolls Brothers. Não restringi a gravação das músicas apenas em um estúdio, deixei a critério de cada banda escolher o estúdio.

Tomei essa decisão por dois motivos, um deles é que não lucrei com a produção do CD, e não queria dar margem para ninguém dizer que escolhi um estúdio e estava ganhando algo com isso. Minha intenção é divulgar o Blues e não ganhar com esse projeto. O outro motivo é o fato de ter duas bandas de fora de São Paulo, isso iria inviabilizar as gravações.

PA: Você pretende continuar com o projeto? Lançar um segundo CD?
Roberto:
Sim, o sucesso deste trabalho me motivou a dar continuidade a ele. Não sei qual vai ser a periodicidade, mas com certeza o segundo deve sair em 2011. Aprendi muito com a produção deste primeiro, vi onde posso melhorar e acredito que o próximo será ainda melhor de o primeiro.

PA: E as suas outras bandas,  a Castigo Elétrico e Bimbolls Brothers?
Roberto:
A Castigo Elétrico estava adormecida, mas a vontade mútua de se reunir nos incentivou a voltar e retomamos os trabalhos, o que inclui a filmagem de um clipe para a música “Devolve a minha sorte”, que está sendo produzido pelo Edu Gaspar. A Bimbolls Broters está na estrada há algum tempo e gravamos dois sons para o CD da Máfia da Mortadela.

Referência: http://terremotoblues.blogspot.com/

Fique de olho no Palco! Em breve, sortearemos CDs “Máfia da Mortadela” para nossos leitores assíduos.

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