Disco clássico: Born in the USA, o boom de Bruce

[por Andréia Martins]

Em 1984, ano em que lançou Born in the USA, musicalmente, Bruce Springsteen já não precisava provar nada para os norte-americanos.

O disco era o sétimo da carreira deste cantor e compositor de rocks com influências do country e do folk, em uma lista que incluía Born to Run, de  1975, e mais tarde na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, e Darkness on the Edge of Town, considerado um dos discos clássicos do cantor.

Mas é Born in the USA o seu disco de maior sucesso popular, com mais de 18 milhões de cópias vendidas pelo mundo todo e um símbolo de uma época dourada para o rock americano. Gravado com a The E Band Street, o álbum traz hits como Born In The USA, Glory Days, Glory Days, Working on the Highway (um rock meio anos 50), e Dancing In The Dark, aquela que a gente costuma ouvir em uma ou outra baladinha indie, em clima de garagem. Sem dúvida, é a faixa ‘classe A’ do disco.

As letras falam sobre relacionamentos, amores, frustrações, lembranças de infância. Bruce é uma espécie de porta-voz dos trabalhadores, muitas vezes citados em suas canções, e daqueles à margem no País mais rico do mundo.

Apesar do tom ufanista, Born in the USA, não é – e nunca foi – um hino norte-americano. Nela, Bruce fala de como sentia como “um cachorro que apanhou demais”, e viva na sobra da Guerra do Vietnã e era “enviado para uma terra estrangeira/ para matar o homem amarelo”. A letra fala bastante dos problemas que os soldados enfrentaram ao retornar da guerra.

Na época, Ronald Reagan usou a música em sua campanha de reeleição à Presidência dos EUA; não que tivesse sido da vontade de Bruce. Resultado: um desgaste, e hoje o hit quase nunca entre em seus set lists.

O disco segue falando de garotas, política, marginais e lembranças. Em Glory Days, com aquele tecladinho que lembra maioria das trilhas sonoras dos anos 80 (ou da sessão da tarde), fala sobre um cara com seus 30 e pouco anos, que relembra os dias gloriosos do passado.

No Surrender também flerta com o tema da guerra, mas só entrou no disco por insistência de Steven Van Zandt, guitarrista da banda na época. My Hometown também tem um ar mais político, falando de problemas econômicos e raciais, curiosamente, os mesmos que Bruce viveu em sua cidade natal, em Nova Jersey.

Há também a romântica – e sensual – I’m on fire – na primeira vez que Bruce usou um sintetizador -, a dançante Cover Me – que era para ter parado na voz de Donna Summer, mas Jon Landau, produtor do cantor, mudou de ideia; uma das melhores faixas do disco  – e a melancólica Downbound Train, sobre perdas (“I had a job, I had a girl…”, canta The Boss nos primeiros versos).

Mesmo com o tom ufanista de Born in the USA,  o grande boom desse álbum é  Dancing in the Dark. Última música a entrar no disco e primeiro hit do disco. No videoclipe, dirigido por Brian de Palma, reparem em quem faz o papel da fã de Brunce. Anos depois ela faria um enorme sucesso na série Friends.

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