O pop suburbano do Les Pops

Trio estreia com a velha e boa ironia carioca e ar retrô
[por Andréia Martins]
Eles são pops, são “cool” e também são …. trintões. Esse é o trio, 2/3 carioca e 1/3 campineiro, Les Pops, que acaba de lançar o disco de estréia Quero ser cool?, já com ar de banda “querida”.
O disco é uma tiração de sarro com a onda “moderninha”, traz músicas recheadas de versos irônicos, unindo o rock ao brega, referências aos Beatles e ao rei Roberto, à cultura pop, além de mostrar a boa química entre os integrantes Rodrigo Bittencourt (voz e guitarra), Daniel Lopes (guitarraxo) e Thiago Antunes (voz, ukelele e banjo), há apenas um ano tocando juntos.
“Tudo foi rápido porque eu já tenho um estúdio, onde trabalho com pulicidade. Por isso quando decidimos gravar, já tínhamos local, onde gravar, mixar”, disse Daniel em entrevista por telefone ao Palco Alternativo.
Rodrigo e Daniel já eram amigos de longa data, cariocas da gema, um de Bangu e o outro do Méier. Já conheciam Thiago de vista, de outros festivais, até que ele apareceu com a ideia: “vamos montar uma banda?”.
Daniel conta que a ideia pareceu estranha, apesar de ser uma vontade antiga de todos, montar numa banda.
“Já somos trintões sabe… Cada um já vez tanta coisa na vida, trabalhos com cinema, literatura, todos temos discos solo. Tudo soou muito estranho”, diz o “guitarraxista”. Mas a vontade de ser cool foi maior.
“Nos demos muito bem no estúdio. A junção da personalidade de cada um foi ótima, temos idéias com denominadores comuns”, diz Daniel.
Quanto às sacadas das letras, Daniel diz que não foi algo intencionado. “Ninguém sabia o que ia ser”, conta, “simplesmente as letras saíram assim”.
Daniel diz que em algumas entrevistas foi mal interpretado sobre a escolha do nome do disco. Não é uma crítica, “Quero ser cool” fala justamente da vontade de todos – ninguém escapa – de serem aceitos, de serem bacanas.
“Nós não somos da zona sul [do Rio] e crescemos longe de bairros como Ipanema, Leblon, ponto principal dos descolados, a gente trabalha e estudava ao mesmo tempo. Claro que depois na escola, nos bares, começamos a encontrar o pessoal intelectual, os mais moderninhos”, diz. Estrangeiros dessa cena, foram logo contagiados. “E todos querem ser modernos, é um movimento constante, uma onda coletiva e ninguém está fora”, diz.
Capa de "Quero ser cool"; o disco traz agradecimentos a Gilles Deleuze, ao papa Gregório 8, a Charles Darwin e Charles Chaplin, ao Saci Pererê e Curupira
Talvez a idade e experiência com trabalhos anteriores tenha deixado o trio menos ansioso e ajudado no resultado: um disco redondo, sem excesso, pop – há um que de Léo Jaime, Leoni no ar – rock e brega, com versos rasgados de paixão como “tudo que eu queria agora era ela em casa de meia e calcinha“, na música “Salto Agulha”, ou achando lindo “o esmalte dos pés para descascar”, em “Esmalte”.
Outras boas são “Aluguel em Abbey Road”, um rockão setentista de letra iconoclasta, a balada “Quero ser cool”, com direito a piano de bar e poeminha em francês, e a mais séria do disco, “Batalha Naval”, o lado b do disco.
Em “Delay”, a banda põe a musicalidade à prova e passa no teste unindo rock, ao acordeon, repente, guitarra e bateria.
Com um disco repleto de cores e texturas, a banda já surge com tudo para estar na lista de melhores do ano.
Nada de formação tradicional
E para ser cool é preciso ser diferente… No quesito formação, o trio atendeu direitinho o requisito. Sem baixista e baterista, o jeito foi convidar um velho amigo, Rafael Rapreto (do Brasov e do Sayoa, para assumir as baquetas. Faltava o baixo.
“A gente até chegou a marcar um ensaio com uma baixista, mas ela não apareceu no primeiro ensaio, nem no segundo. Aí resolvi tocar. Liguei a pedaleira e fiz um som mais grave. Daí pensei: ‘achei o meu lugar na banda’”, diz Daniel brincando.

Para ouvir: http://www.myspace.com/lespops


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