Nos embalos da dance music

Foto: Guilherme Ávila
O trio mineiro Spooler

[por Andréia Martins]

Entre as afinidades intelectuais e musicais nos corredores de uma universidade em Belo Horizonte em 2008. Começava assim a história do Spooler, ou melhor, a parceria entre os estudantes de jornalismo Gustavo Matos [bateria+ DM5] e David Dines [vocal + guitarra + teclados + programação].

Desse encontro, o resultado foi um rock dançante e descompromissado, com influências que trazem ecos da new wave, do pós-punk, da música eletrônica e, nas palavras da própria banda, “do que há de pior na disco music, jornais baratos & a trilha sonora do Flashdance”.

Confissões feitas e sem culpa, a dupla, que já se conhecia de outros palcos, descobriram uma vontade comum de montar uma banda com um estilo mais dançante e pop. “Sem qualquer pretensão, alugamos um estúdio de ensaio por duas horas e já saímos de lá com ‘Valentina’. Mais outros dois ensaios e tínhamos composto todas as músicas do primeiro EP”, conta David em entrevista ao Palco Alternativo.

A boa recepção do público mineiro ao primeiro EP (“Spooler”, 2009, com 6 faixas) fez com que a banda levasse o projeto adiante.

A primeira amostra do próximo trabalho do Spooler [também um EP de 4 faixas, antes do disco oficial], “Discoteca”, já está disponível no MySpace da banda e dá pistas de que o disco será feito para a pista.

“Algo que sempre gostamos e queríamos trazer pro nosso som é a influência da disco music, o que muitos consideram nefasto, kitsch, de mau gosto, mas no fundo todo mundo gosta, ainda que secretamente. É um “guilty pleasure” (rs). A nova fornada de músicas está saindo muito com essa cara. E já estamos compondo e gravando outras mais, que queremos compilar em um disco daqui a algum tempo”, diz David.

De 2009 pra cá, a banda, até então um duo, decidiu expandir. “Foi a maturidade do som e a forma com que as novas músicas estavam sendo compostas. Vimos que era necessário um elemento coringa com a gente no palco, que pudesse nos ajudar com vários instrumentos conforme os arranjos: baixo, teclados, guitarra, percussão… Acabamos chamando o Salomão Terra também pelo fator amizade, assim como a vontade conjunta de fazer o projeto crescer e dar certo”, conta David.

A entrada de um terceiro elemento deu mais personalidade à banda. “A pulsação faz toda a diferença no lado dançante da banda. A versatilidade dele também ajuda bastante no palco – tanto que ficamos trocando de instrumento durante todo o show”, diz o músico.

As letras – entre o inglês e o português, dependendo do que a sonoridade da música pede – falam de situações e emoções comuns a todos.

“Parte das letras é realidade própria, parte é a tentativa de se colocar no lugar do próximo e discutir situações específicas, desejos e necessidades. Nas letras, há o lance do estranhamento e da observação participativa, que são coisas inerentes ao jornalismo. As mulheres, claro, são fonte constante de inspiração (rs). ‘Valentina’ e ‘Isadora’ existiram, mas não como algumas pessoas pensam que viveram. O interessante mesmo é embaralhar as cartas, misturar a realidade próxima com a história e a ficção”, diz David.

O Spooler vai na contramão da maioria dos artistas mineiros que assistimos despontar tanto na cena independente quando no mainstream. Diferentes, mas não minoria.

“A cena mineira é variada. Tem uma movimentação bem bacana no hip hop, a MPB está sempre ali presente e o rock ‘n roll também. Há uma insurgência recente de bandas de caráter mais experimental, tentando quebrar um certo tradicionalismo ainda arraigado. No cenário rock, há poucas bandas que fogem do esquema guitarra-baixo-bateria, mas isso está sendo combatido por artistas novos”, comenta David, que deixa clara o objetivo do trio: fazer o pessoal se divertir.

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