Lirinha em versão distorcida

Divulgação
O cantor e compositor Lirinha

[por Andréia Martins]

A notícia do fim do Cordel do Fogo Encantado, banda que durou mais de dez anos e conquistou o público no rastro do manguebeat, pegou muita gente de surpresa, há mais ou menos um ano e meio. A primeira impressão era que, bem, ficávamos mais uma vez sem uma boa banda. Parece que nessas horas a gente nunca pensa que coisas melhores, diferentes e até mais interessantes podem surgir do fim.

Após o final da banda, Lirinha foi experimentar outras artes, outras dores e trocar experiências com outros artistas. Participou de filmes – O Último Romance de Balzac (2010), de Geraldo Sarno, e O Transeunte (2011), de Eryk Rocha – e lançou o livro Mercadorias e Futuro, mesmo nome de sua peça que teve uma turnê de sucesso em 2009.

Agora, ele ressurge com sua música em Lira, seu novo disco. E para quem ainda está com saudades do Cordel, uma ‘boa’ notícia: o novo trabalho de Lirinha vai totalmente na contramão da música de sua antiga banda.

O disco já está disponível no site do cantor e será lançado oficialmente em 1º de outubro. Gravado metade em Recife, no estúdio Casona, e a outra metade em São Paulo, no YB, o disco tem produção de Pupillo, da Nação Zumbi.

As primeiras quatro-faixas – além de indicarem que se trata de um disco sobre a dor, de sua construção, destruição e reconstrução, pois há muita referências a perda e ao vazio – usam bem as guitarras e pedais. Há um quê de samba ali – “Noite Fria” -, algo mais regional ali, mas ao final, são as guitarras que constroem a sonoridade de Lira. Que o diga “Eletrônica”, que traz um verso dos bons onde Lirinha canta “eu sou feito de distorção e mau contato”.

“Adebayor” é outro destaque, com direito à participação de Lula Côrtes, que pouco antes de morrer, em fevereiro deste ano, gravou seu tricórdio (cítara marroquina) na faixa. Ainda participam do álbum Bactéria, do Mundo Livre S/A, Neilton, da Devotos, Otto e Ângela Ro Ro (os dois reunidos em peso na faixa “Valete”), Fernando Catatau e Maestro Forró.

A turnê do disco já tem algumas datas confirmadas: 1º de outubro em Natal (RN); dia 5 em Araraquara (SP); dia 8 na Cidade do México, para um recital solo; dia 16 em Sorocaba (SP), e nos dias 27 e 28 em São Paulo.

Os mais de 10 anos à frente do Cordel renderam três discos: Cordel do Fogo Encantado (2000), O Palhaço do Circo Sem Futuro (2002) e Transfiguração (2006). Em outubro de 2005, a banda ainda lançou o DVD MTV Apresenta: Cordel do Fogo Encantado. Agora, Lirinha abre um novo ciclo, carregando boas recordações do que ficou para trás e com muito a dizer. Como ele mesmo diz: “Caminhei pra dentro da minha própria música procurando a paz. E eu não quero mais guardar silêncio”.

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