A Catarse Coletiva da Móveis Coloniais de Acaju

[Por Natasha Ramos]

Foto: Dani Gurgel/Auditório Ibirapuera
Banda Móveis Coloniais de Acaju durante apresentação de sexta (10).

Os fãs da Móveis Coloniais de Acaju têm uma ideia do que esperar quando vão a um show da banda brasiliense. Mesmo assim, cada apresentação deles é única e inesquecível. No quesito empolgação o grupo não desaponta e, invariavelmente, o lugar se transforma numa verdadeira festa cheia de bom humor e momentos de catarse coletiva —como a roda formada pelo público na música “Copacabana”.

Na apresentação da última sexta-feira (10/2), no auditório do Ibirapuera, lugar com capacidade para 800 pessoas, a banda brasiliense demonstrou grande intimidade com o público e apresentou algumas composições inéditas. Esta foi a primeira de uma série de três shows da banda no auditório, neste fim de semana. Para cada uma das apresentações os integrantes criaram um repertório diferente.

Formada por André Gonzáles (voz), BC (guitarra), Beto Mejía (flauta transversal), Eduardo Borém (gaita cromática e teclados), Esdras Nogueira (sax barítono), Fábio Pedroza (baixo), Gabriel Coaracy (bateria), Paulo Rogério (sax tenor) e Xande Bursztyn (trombone), a Móveis abriu o show com a “Esquilo Não Samba”, de seu disco de estréia , intitulado Idem (2005).

“Somos a banda Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília. É a terceira vez que estamos aqui…”, diz o carismático vocalista André em sua camisa xadrez azul e sua calça mostarda. Alguém no fundo do palco grita: “É a quarta!”, no que André retifica-se: “É a quarta vez e estamos ansiosos para mostrar algo novo. Nós reunimos vários barulhos da Campus Party e montamos a música que vamos tocar agora.” Esta se chama “Bolo” e foi seguida de “Sem Palavras”, do segundo CD C_mpl_te (2009).

O carismático vocalista André Gonzáles. Foto: Dani Gurgel/Auditório Ibirapuera

Ponto alto da apresentação, as coreografias sincronizadas dos integrantes com o público, além de divertidas eram hilárias. Boa parte do público não se contentou em ver o show sentado nas poltronas. Antes mesmo de a banda subir ao palco, os fãs já estavam a postos na frente do palco para interagir melhor com os integrantes.

As dancinhas sincronizadas da banda. Foto: Dani Gurgel/Auditório Ibirapuera

“Agora, vamos tocar outra inédita e eu queria que vocês ajudassem com a letra, porque não tem”, diz André entre risos para introduzir “De lá até aqui”, uma das inéditas que podem fazer parte do terceiro disco da banda, ainda sem previsão de lançamento.

Sempre conversando com a platéia, o vocalista pontuava algo sobre as músicas: “Essa é uma música de amor, de fato. Todas falam de amor, na verdade, mas essa dá para entender melhor [do que se trata]”, conta o vocalista antes da “Dois Sorrisos”, composta em parceria com o cantor Leoni, em homenagem ao dia dos namorados, no ano passado.

Depois da “O Tempo”, do disco C_mpl_te (2009), o vocalista toma um gole d’água, olha para o papel do setlist grudado no chão do palco e diz: “É isso, gente, acabou”.  “Acabou nada!”, alguém grita do fundo. “Tá aqui, ‘bixo’: FIM”, emenda André.

“Nós agradecemos a vocês por estarem aqui, neste dia que bateu o record de congestionamento em São Paulo, 210 km…”, diz o flautista Beto Mejía, que pergunta, em seguida, quantas pessoas estavam no show da Móveis pela primeira vez. O intuito da pergunta era ensinar aos novatos uma coreografia de ‘ôlas’ (dessas de futebol, mesmo) sincronizadas com a banda.

Ao final, a Móveis sai do palco sob o protesto do público que pede mais uma. Em poucos minutos, a big band retorna e engata “Aluga-se-vende”, do primeiro álbum. E para finalizar com chave-de-ouro, a esperada “Copacabana”. No interlude dessa música, os integrantes e público formaram uma roda que preencheu todas as extremidades do auditório do Ibirapuera. Ao sinal do vocalista —que se encontrava no centro do local—, todos correram ao seu encontro para curtir o final da música em um semibate-cabeça.  Da galera que deixava o local ao final da apresentação, comentários como “valeu muito a pena” eram ouvidos em rostos suados e satisfeitos.

A roda formada pelo público durante a música "Copacabana". Foto: Dani Gurgel/Auditório Ibirapuera

Criada em 1998, a banda leva dois discos na bagagem – Idem (2005) e C_mpl_te (2009) –o DVD gravado no auditório do Ibirapuera—, e costuma organizar o Móveis Convida, um festival para revelar novos artistas. Também é deles o projeto Adoro Couve, CD que traz versões próprias de músicas nacionais e internacionais (“covers”), como Alegria (do Cartola), Eu me Amo (Ultraje a Rigor), Psycho Killer (Talking Heads), Enter Sandman (Metallica) e Everybody (Backstreet Boys). Todas tocadas na mistura de rock, ska e ritmos brasileiros, características do grupo.

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