Hidrocor toca músicas confortáveis como calça de moletom

[Por Natasha Ramos]

Músicas confortáveis como calça de moletom ou mistura de power pop e folk  com uma pitada lúdica que alegra o coração. Os responsáveis por esse som são Marcelo Perdido (vocal e violão) e Rodrigo Caldas (bateria), que, juntos, formam a Hidrocor.

Marcelo Perdido e Rodrigo Caldas formam a Hidrocor

A dupla leva na bagagem o CD de estreia, “Edifício Bambi”, com letras bem construídas que abordam o cotidiano da vida de um jovem adulto. Segundo o  músico Tatá Aeroplano,  “é um disco pra cima, que também tem momentos melancólicos e irônicos”.

Interessado em conhecer mais sobre o trabalho da dupla, o Palco Alternativo foi atrás dos integrantes para falar de suas influências, suas canções, seus anseios, sua história, seus projetos. E o resultado você lê na entrevista a seguir.

PALCO ALTERNATIVO: Como surgiu a Hidrocor?
(RODRIGO CALDAS) O Perdido já me conhecia de me ver tocar com o Bazar Pamplona. Ele ia nos shows e começamos a ficar amigos. Um dia ele me contou que tinha umas letras e queria fazer uma dupla. Eu topei e só depois fui ver onde estava me metendo. Em 2009, começamos a fazer as músicas, logo depois o Perdido já estava fazendo vídeos.

PA: Quais as influências da Hidrocor? Percebi alguma semelhança nas músicas (não sei se pode-se chamar assim) ingênuas da banda The Boy Least Likely To…
(MARCELO PERDIDO) Eu amo The Boy Least Likely To. Foi o Tatá Aeroplano quem me mostrou a banda e eu amei. Até por isso costumo dizer que nossas influências são as bandas de agora, pois elas já ecooam tudo o que gostamos: Tiê, Tulipa, Jeneci, Apanhador Só, Lulina, Cerébro Eletrônico, Mallu Magalhães, Thiago Petit, Lulina… Toda essa galera já faz uma música misturando coisas que gostamos muito. Eu gosto de Claudinho e Buchecha, gosto de Blitz!, o Caldas se amarra em Elvis, Johnny Cash.

A gente gosta de filmes de zumbi, de ir no parque. Como fazemos as músicas juntos, elas saem com todos esses ingredientes, tipo fazer uma receita de bolo, só que você usa tudo o que tem na geladeira!

PA: As letras das músicas são muito boas! Principalmente “Ma Cherie”, uma alfinetada de leve nas bandas que cantam em francês, que é algo que não acontece somente nas bandas de MPB, mas de rock também. De onde vem a inspiração para escrever as letras?
(MARCELO PERDIDO) As letras vêm das experiências que eu vivo, ou escuto de alguém que viveu, ou invento. E, na verdade, elas começam com situações super específicas, como “Ma Cherie”, que veio da sonoridade de ‘cheri’ e ‘ri’.Também de lembrar de uma “caloura” que vi junto com minha mulher na TV, cantando com um francês sofrível e da gente comentar: “Poxa! podia começar a cantar bem em português primeiro, né?!”.

Às vezes, as músicas nascem de coisas muito banais, como “Miojo”, que fala sobre estar num jantar romântico em que você vai cozinhar um miojo. Eu nunca vivi isso exatamente, mas eu acho que representa a minha geração “Jovens Adultos” de alguma maneira.

PA: Por que Hidrocor?
(RODRIGO CALDAS) “Hidrocor” vem daquelas canetinhas que você usa para desenhar, eu gosto de desenhar com hidrocor desde o colégio. Acho que tem um lance de ser algo que nos acompanha desde a infância.

PA: Vocês lançaram recentemente o CD de estreia, Edifício Bambi, pela Capitão Monga Records, produzido por Felipe Parra. Por favor, comentem este nome do disco; alguém por acaso torce para o São Paulo (risos)?
(RODRIGO CALDAS) Não tem nada a ver com futebol, na verdade nem de São Paulo a gente é. Marcelo é do Rio e eu sou de Belém, só moramos aqui. Eu demorei para saber que as outras torcidas chamam os São Paulinos de “Bambis”, também não tem nenhuma relação com a Disney.

O Marcelo Perdido morou durante anos em um prédio que realmente se chamava Edifício Bambi, ele fica na Rua Leoncio de Carvalho, a rua do Itaú Cultural, em São Paulo.

Capa do disco "Edifício Bambi"

Se o arquiteto/engenheiro teve a coragem de nomear um prédio assim, a gente também teve para colocar esse nome no disco, acho curioso o nome. E no Edifício Bambi as músicas surgiram, a banda nasceu, foi uma homenagem ao prédio. O Marcelo Perdido torce para o Botafogo e eu para o Paysandu.

PA: O release da banda foi escrito pelo Tatá Aeroplano. Qual a relação de vocês com o Tatá? Já participaram de outros projetos juntos?
(MARCELO PERDIDO) Primeiro de admiração, eu amo o Cérebro Eletrônico uma das bandas do Tatá. Um dia recebemos o convite do MIS para criar uma música em 3 horas, durante a virada Cultural de 2009. Nasceu lá a música Urso Bipolar, em uma versão demo, mas adoramos conhecer pessoalmente e trabalhar com o Tatá. Na hora de gravar o CD “Edifício Bambi”, o chamei para dividir os vocais. Eu sempre tento ter o Tatá por perto, pois acho ele um cara incrível e inquieto como eu. Espero fazer mais coisas com ele, sei que ele está para lançar seu primeiro CD solo, quem sabe não fazemos algo juntos!

PA:  O disco tem participação da cantora Lulina. Vocês sã amigos de longa data? Como foi o convite para ela participar do disco?
(MARCELO PERDIDO) Eu conheço a Lulina há bastante tempo, comecei como fã, indo em shows. Mas, por causa dos amigos em comum nos tornamos amigos também. No começo da Hidrocor, o Léo Monstro (parceiro da Lulina) tocava com a gente. E, por causa dele, ela viu alguns shows da Hidrocor. Eu lembro que depois de um show nosso, ela veio me falar que tinha gostado da música “a música do miojo”. Foi assim que a convidei para cantar em “Miojo”. Acho a Lulina, assim como o Tatá, uma ótima contadora de histórias, me amarro nela!

PA: Quais os próximos planos? Já preparam um segundo disco?
(RODRIGO CALDAS) Trabalhar bastante esse primeiro CD, mostrar para o máximo de pessoas nossa música, e para isso queremos fazer muitos shows, muitos clipes e muito TUDO. O Perdido escreve muita coisa, ele já tem na cabeça dele as próximas 14 músicas que seriam nosso segundo CD, devemos começar a ensaiá-las, compor os arranjos e etc. bem em breve. Mas CD novo tem de ser depois do meio de 2013, já avisei para ele segurar a ansiedade! ::

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