Disco Clássico :: Velvet Underground & Nico

Velvet Underground, Andy Wahrol e Nico

[Por Natasha Ramos]

Apesar de não ter atingido sucesso de vendas no ano em que foi lançado (1967), o álbum de estreia da banda de Lou Reed, Velvet Underground & Nico, é um clássico que quebrou tabus ao abordar temas até então intocados pelo universo musical. O álbum também ganhou notoriedade por suas experimentações sonoras, e influenciou vários artistas como Iggy Pop, David Bowie, Joy Division e até Nirvana.

O disco foi gravado com a primeira formação do Velvet -Lou, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker-, ao lado da modelo alemã Nico, que assumiu os vocais em “Femme Fatale”, “All Tomorrow’s Parties”, “Sunday Morning” e “I’ll BeYour Mirror”, graças à insistência do produtor e mentor do grupo, Andy Warhol.

Lou Reed se inspirou em nomes da literatura beatnik, como William Burroughs e Allen Ginsberg, para escrever as letras de suas músicas que, baseadas em sua sabedoria de ruas, abordavam o meio underground marginalizado. Dentre os temas recorrentes estavam uso de drogas (como “Heroin” e “I’m Waiting for My Man”), prostitutas (“There She Goes Again”) e sadomasoquismo (“Venus in Furs”). Mas, o Velvet também sabia fazer canções encantadoras como “Sunday Morning” (repare no tilintar da caixa de música logo no começo). “All Tomorrow Parties” era a música favorita de Warhol por ser um retrato da elite e dos fracassados que passavam pela sede da Factory, seu estúdio de arte em Nova York.

Para a sonoridade inovadora, John Cale experimentou afinações diferentes. Ele tocava seu instrumento com cordas de violão e bandolim e, quando soava muito alto, ele dizia que o som se assemelhava ao motor de um avião. Reed criou a afinação “Ostrich”, que consiste em todas as cordas da guitarra, ou violão, estarem afinadas na mesma nota. Tal método foi utilizado nas canções “Venus in Furs” e “Heroin”. O som arranha, tem pouca nitidez –o que se explica pelo fato de ter sido praticamente gravado numa única sessão de oito horas de duração, por cerca de U$ 2 mil.

O álbum foi banido das rádios de NY por conta da objetividade com que tratava de sexo e drogas, e as outras estações no resto dos Estados Unidos simplesmente os ignoraram. Os críticos da época também não deram muita importância ao álbum, e praticamente ninguém comprou o disco.

Mas, como Brian Eno comentou uma vez, quem comprou acabou montando uma banda. Grupos como Joy Division, Talking Heads e Television devem muito ao aguçado minimalismo do Velvet. O rosnar de Lou inspirou um bando de vocalistas punk, enquanto os delírios sonoros do grupo foram revisitados por bandas como Jesus and Mary Chain, que também se apropriou do visual couro-preto-e-óculos-escuros.

Somente décadas depois, o álbum viria a receber a louvação dos críticos e sua importância finalmente reconhecida. Poucos discos conseguiram fazer um contraponto sombrio ao otimismo vigente na Costa Oeste dos Estados Unidos nos anos 60 como este. E talvez por isso, tenha sido tão importante por retratar tendências comportamentais de parte daquela geração.

Velvet Undergound & Nico Faixas: 1) Sunday Morning / 2) I’m Waiting For My Man/ 3) Femme Fatale / 4) Venus in Furs / 5) Run Run Run / 6) All Tomorrow’s Parties / 7) Heroin / 8) There She Goes Again / 9) I’ll Be Your Mirror / 10) The Black Angel’s Death Song / 11) European Son

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