Entrevista: Milo Greene

A banda californiana Milo Greene

[Por Andréia Martins]

Nem só de rock e punk rock vive o estado americano da Califórnia quando o assunto é música. O ano de 2012 jogou os holofotes em um novo nome que sacudiu a cena local e, com isso, rapidamente foi nomeada uma das revelações do ano. Estamos falando do Milo Greene.

O quinteto de Los Angeles — formado por Robbie Arnett, Graham Fink, Andrew Heringer, Curtis Marrero e Marlana Sheetz — despontou em 2012 após o lançamento do álbum homônimo Milo Greene, que levou a banda a programas como o do apresentador David Letterman e a tocar em festivais como o Lollapaloza, entre outros. Antes do disco, a banda foi convidada a abrir alguns shows do Civil War, sendo essa sua primeira experiência na estrada.

No palco, os integrantes se revezam nos instrumentos, violão, teclado, banjo, guitarra, baixo, e nos vocais. Apenas Curtis tem seu lugar definido: é o homem das baquetas. O quinteto se define como uma “cinematic pop band”, pois fazem música pop e gostam de cinema. Simples assim.

O disco traz 13 faixas que, embora busquem um som diversificado, são coesas e bem amarradas como cenas de um longa-metragem. Essa ideia inspirou todo o disco e fez com que a banda produzisse um filme, dirigido por Chad Huff, tendo as músicas como trilha. O vídeo, intitulado Moddison, nome de uma das faixas do álbum, foi lançado em outubro de 2012.

As imagens ajudam a compor a vibração do álbum, marcado pelos riffs melódicos –e hipnotizantes em certos momentos–das guitarras acústicas, os vocais alternados e harmônicos e a reverberação do tambor, e destacam a beleza dos cenários onde o disco foi gravado, sendo um reflexo direto da força criativa por trás das músicas.

O Palco Alternativo conversou com Andrew Heringer, um dos integrantes do Milo, para saber mais sobre a banda, que deve ter um ano agitado agora pelos lados europeus, já que o disco saiu no final de janeiro no Reino Unido.

Vocês compõem uma nova cena de bandas da Califórnia o lado de nomes como Best Coast, Foster the People, Haim, entre outras. No entanto, o som do Mile Greene difere bastante do que estamos acostumados e ouvir dessas bandas. Vocês têm essa impressão?

-> Los Angeles tem sido uma rampa de lançamento para uma incrível variedade de artistas, então é difícil definir o som das bandas antigas e clássicas, mas nós sentimos, de fato, que estamos separados do que está acontecendo aqui e agora em Los Angeles.

Andrew Heringer

Qual a história por trás do nome Milo Greene?

-> Robbie e eu morávamos juntos no colégio, tocando em bandas diferentes o tempo todo. Para soarmos mais profissionais do que éramos, criamos um empresário imaginário, Milo Greene, para representar as bandas por e-mail e marcar shows. O nome da banda é um tributo e este homem fictício por tudo o que ele fez por nós em todos esses anos.

Sobre o disco, a gravação foi literalmente uma viagem?

-> Tínhamos nosso próprio equipamento móvel de gravação então quando chegou a hora de escrever e gravar o disco nós fizemos questão de ir para a casa das nossas famílias e amigos nas mais remotas áreas da Califórnia para buscar inspiração. De fato, acabamos em um estúdio de verdade, o Bear Creek, em Woodinville (WA), para adicionar os toques finais. O disco é uma combinação de seis diferentes sessões de gravação que foram reunidas das mais variadas formas que você pode imaginar.

1957 foi o primeiro single do disco. O que a música tem de tão especial?

-> Eu acho que essa música nos escolheu. Às vezes, uma música só ressoa. 1957 sempre teve algo a mais para nós.

Desde o lançamento do disco, quando foi que caiu a ficha do sucesso da banda?

-> Com o público nos festivais. Os meses de outubro e novembro do ano passado, por exemplo, foram muito especiais. Fomos atrações principais em vários festivais e viajamos durante quase todo o ano e foi impressionante ver a plateia aumentar a cada apresentação. Nós já estivemos em outras bandas e sabemos como é difícil encher uma sala do outro lado do país, então não levamos isso na brincadeira.

Sendo a única mulher do grupo, Marlana obviamente está no comando da banda? Essa classificação de todos os integrantes se revezando nos instrumentos equilibra a banda?

-> Marlana está absolutamente no controle de tudo, claro. Quanto a um ter mais atenção que o outro, isso não passou pelas nossas cabeças, apenas mantemos o foco para criar a melhor música possível, como um coletivo.

O que você pode nos dizer da cena independente de Los Angeles?

-> Ouçam Superhumanoids. “Too Young For Love” é minha aposta. [OUÇA ABAIXO]

E sobre música brasileira?

-> Conheço Tom Jobim e a música dele sempre me cativa. Gostaríamos muito de tocar no Brasil. Vamos fazer acontecer!

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