Luis Aranha entre xotes, sambas e rocks

[Por Andréia Martins]

Como acontece na maioria das vezes, a música entrou na vida do paulistano Luis Aranha quado ele ainda era pequeno, escutando as músicas que os pais ouviam em seus discos de vinil e fitas K7. No som, tocava Chico Buarque, Djavan, Elis Regina, Jacob do Bandolim e vários outros. As viagens também rendiam boas experiências sonoras.

Ele também se lembra do porta-luvas do carro cheio de fitas. “Quando a gente ia viajar ficava ouvindo música durante todo o trajeto e daí as paisagens do caminho iam ganhando uma trilha sonora ‘ao vivo’ e eu ficava viajando (risos)”. Na adolescência, veio o rock e a vontade de aprender a tocar guitarra. Acabou ganhando um violão da mãe, era mais barato, e desde então não parou de tocar.

Do gosto pela guitarra ao violão vieram as primeiras composições, a faculdade de música na Unicamp, as aulas, algumas apresentações na rua e os trabalhos com o teatro, área pela qual ele enveredou bem e já conquistou o prêmio Myriam Muniz da Funarte 2006/2007 e uma indicação ao Prêmio Shell 2011/2012 pela direção musical do espetáculo “Marulho: O Caminho do Rio”, seu segundo trabalho como diretor musical.

“Nos discos e para o teatro as músicas nascem da mesma forma. Livros, poemas, cenas, filmes, sensações, coisas que eu vivo, que eu vejo, que me contam, tudo isso vai se depositando em mim até que num momento mais diletante vem um tema que deflagra o início de uma nova música”, conta.

O EP de 2011 veio para segurar a onda –e a ansiedade — de ver suas músicas gravadas com mais qualidade, enquanto esperava a aprovação de um edital para a gravação de um disco completo. Aprovado o projeto, Luis inclui as músicas do EP no álbum.

Agora, depois de se dedicar a diferentes áreas desse universo, ele lança finalmente seu primeiro álbum, Onde Bate Sol, com 11 composições que, embora apontem uma preferência pela MPB, não deixam de fora pitadas roqueiras que um dia fizeram a cabeça do garoto, como na música “Mistura Fina”, onde um ouvido mais sensível percebe uma versão abrasileirada para o riff de “Smoke on the Water”, do Deep Purple.

A sonoridade diversa é uma característica muito presente no disco. Luis diz que não fica olhando procedências e que se permite “ser tocado pela beleza”. “Guimarães Rosa tem uma frase linda sobre isso: ‘Coração mistura amores… Tudo cabe’. Acho que sintetiza bem o que eu acredito”, conta ele ao Palco Alternativo.

O nome Onde Bate o Sol é materializado no disco na forma como as canções se apresentam, como se viessem de uma vibração para outra, mais ensolarada.

“A primeira parte [do disco] é um prólogo para apresentar minhas referências, e daí misturo samba com riff de guitarra, tem uma valsa, um rock rural. Depois dessa ‘intro’ o disco escurece no meio mesmo. Fica mais denso, fala de coisas mais dolorosas e depois vai se iluminando, procurando um lugar onde bate sol. Enquanto escolhia as músicas que iria gravar, eu pensava na coerência entre as faixas e apareceu essa ideia de ciclo na cabeça, das coisas que precisam terminar pra deixar espaço para outras novas aparecerem”, conta Luis.

A música que dá nome ao disco, “Onde Bate Sol”, fala sobre uma cidade muitas vezes cinza, rodeada por muros, com seus faróis e o corre-corre. Animada com riffs e distorção, traz uma boa levada pop rock. “Sempre tem um jeito, um caminho, um lugar”, canta Luis na música. O clipe da faixa, lançado em 2012, funciona como bom carro-chefe do disco.

Já as faixas “Teu Tempo”, ”Acalanto” e “O Amanhã” – uma delicada canção, na voz e no violão dedilhado, que ganha o reforço discreto de violinos– são como se fossem uma peça de diferentes fases do amor: a primeira, pede que ele venha a seu tempo; a segunda, canta a vontade de se perder; e a terceira, relembra a necessidade do respirar do amor.

“Eu imagino essas três músicas como movimentos de uma suíte. Elas foram compostas com um grande intervalo de tempo entre uma e outra, mas como todas dizem respeito a momentos diferentes do amor, resolvi juntá-las sob essa perspectiva. Elas são independentes entre si, mas também se relacionam por causa do tema. Resolvi juntar as peças pra gerar um sentido mais amplo de passagem de tempo”, explica Luis.

Agora, ele se dedica em peso aos shows de divulgação do trabalho. O próximo e dia 24, às 13h30, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Para acompanhar as datas e outras novidades, é só acessar a Fanpage do músico.

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