Novo disco deve sair até o final do ano, diz vocal do Plastique Noir

[Natasha Ramos]

Há sete anos saía do forno a demo “Offering”, marcando o começo oficial da banda cearense de pós-punk gótico Plastique Noir, uma das maiores representantes do gênero no Brasil. A banda, que leva na bagagem dois álbuns oficiais “Dead Pop”, que saiu pela Pisces em 2008, e o “Affects”, lançado pela Wave Records, em 2011, passou por mudanças na formação ao longo dos anos e, hoje, conta com Airton S., na voz e programações, Danyel Fernandes, na guitarra, e Deivyson Teixeira, no baixo.

“Eu e Danyel (que nessa época era baixista) somos da primeira formação, que contava ainda com o Márcio Mäzela na guitarra e Max Bernardo nos synths”, explica Ayrton em entrevista ao Palco Alternativo. Na entrevista a seguir, o frontman da Plastique Noir conta sobre sua história, sobre como foi participar pela terceira vez do Woodgothic, um dos principais festivais do gênero no país, e diz que novo disco deve sair até o fim do ano!

Palco Alternativo: Como vocês se conheceram e por que resolveram montar uma banda?
Ayrton S.: Eu e Márcio éramos colegas de universidade e já vínhamos pensando em formar uma banda nesse estilo. Já conhecíamos o Danyel por conta de outras bandas que cada um de nós tínhamos na época, ele já era rato velho da cena. O primeiríssimo ensaio já contava com esse trio e o Max apareceu um ou dois ensaios depois. Ultimamente, tenho feito questão de destacar isso em entrevistas que é pra derrubar um boato falacioso que tem rolado de que, da formação original, só resta eu, o que agravaria a saída do Márcio de uma parada que aconteceu apenas comigo. Acontece que o Danyel foi tão essencial na gênese quanto eu e o Márcio, assim como o próprio Max também deu sua contribuição inestimável para a primeira “cara” da banda.

PA: Como é montar uma banda de pós punk gótico (um som pouco comum no Brasil) em Fortaleza? Tem público? Vocês enfrentaram muitos obstáculos?
A.S.: Tem público sim, sempre teve e ele tanto aumenta como se renova. A gente trava um contato muito próximo e estreito com a galera, então, sempre percebemos as caras novas quando elas aparecem. Os obstáculos são os de sempre: falta de lugar com estrutura razoável pra tocar, monopólio das atenções por parte de outros segmentos musicais etc.

Show da Plastique Noir no Woodgothic 2013. Foto: Natasha Ramos

PA: Quais os fatos marcantes na trajetória da banda?
A.S.: Putz, inúmeros. São 2 discos oficiais lançados que alcançaram um bom sucesso no estilo, tocamos em quase todo o país, algumas vezes em festivais pra milhares de pessoas, repercussão em mídias especializadas na gringa, etc. Claro que também houve episódios que marcaram negativamente, como a partida do nosso amigo Max para o outro plano, assim como a saída do Márcio também, que não foi uma coisa legal.

PA: O som de vocês parece ter bastante de Joy Division. Quais são as suas influências musicais?
A.S.:
Escutamos de tudo. Do black metal do Burzum à guitarrada lambadeira do Aldo Sena, do jazz do Miles Davis ao samba melancólico do Cartola. No meio disso, claro que tem a matriz gótica tradicional dos 70s/80s, é difícil apontar influências específicas, a gente curte muito Cure, Joy Division, Xymox… A gente extrai muita ideia de filmes, sejam clássicos ou da vanguarda atual, literatura, cultura pop, episódios históricos do séc. XX ou no noticiário de ontem.

PA: Vocês já tiveram a chance de tocar/abrir shows de bandas que vocês admiram?
A.S.:
Fizemos algumas aberturas interessantes… Estivemos com o Afrika Bambaataa no Abril Pro Rock de 2010 e foi muito foda encontrar pessoalmente tão lendária figura. Um dos meus maiores arrependimentos foi não ter simplesmente lembrado de tirar uma foto com o negão, tendo a porra de uma câmera na mochila. Abrimos também para o Frozen Autumn, o que nos rendeu convite da banda para integrar seu disco-tributo oficial de 20 anos.

Show da Plastique Noir no Woodgothic 2013. Foto: Natasha Ramos

PA: Quais bandas vocês consideram essenciais para o surgimento da Plastique Noir?
A.S.:
Aí vai de cada um. Meu irmão mais velho me doutrinou muito no pós-punk não exatamente gótico dos 80s, quando dividíamos quarto, daí se escutava muito A-ha, U2, Police… Danyel e Deivy são irmãos com pouca diferença de idade, então arrisco dizer que o consumo musical deles sempre caminhou meio que junto. Sei que sempre escutaram Cure, Joy Division e uma parte daquela escola noise do fim dos 80s/90s, tipo Jesus and Mary Chain, Sonic Youth, etc. O pai deles era roqueirão clássico, então devem ter escutado muito Sabbath e Zeppelin por tabela. Eu também tive uns tipos assim na família e entre os amigos de infância e adolescência também. Acho que esse foi o nosso caminho…

PA: Teve alguma banda no festival que vocês quiseram assistir ao show, como fãs?
A.S.
: A gente queria ter visto muito mais coisas, como Segundo Inverno e o próprio Escarlatina, mas infelizmente tivemos que ficar pouco na cidade. Deu tempo de conferir nossos amigos do Blue Butterfly e Signo XIII, bandas que realmente admiramos. Descobrimos também o Drei Hexen, do Espírito Santo, que foi uma puta surpresa boa.

PA: Recentemente, vocês tocaram no festival Woodgothic, em São Thomé das Letras (MG). O que vocês acharam do festival?
A.S.:
Foi a terceira vez que tocamos lá: estivemos na primeira edição, acho que depois na segunda e agora de novo nesta última. Sempre muito massa tocar no WGSTL. Rever amigos, fazer novos, estender um pouco nosso alcance junto ao público gringo que sempre comparece. A cidade é demais e a camaradagem e esforço do Escarlatina Obsessiva, que é a banda que organiza, não têm preço.

Na esquerda, Deivyson Teixeira, no baixo. Na direita, Airton S., no vocal. Fotos: Natasha Ramos

PA: Quais outros lugares marcantes você já tocaram?
A.S.:
Já fizemos o Nordeste e Centro-Oeste inteiros, boa parte do Sudeste nas principais capitais, tipo Rio e Sampa inúmeras vezes mais o interior, e algumas cidades do Norte, como Manaus, Palmas e Macapá. Ficou faltando o Sul.

PA: Há outras bandas brasileiras na vertente do gothic post punk que devem ser citadas?
A.S.:
São muitas, o cenário tá sempre fervendo. Admiramos muito o Elegia, Escarlatina Obsessiva, Scarlet Leaves, Blue Butterfly, Segundo Inverno, Drei Hexen, Signo XIII, Modus Operandi, Latromodem, Das Projekt, Pecadores, 3 Cold Men etc. Algumas extintas como o Luiza Fria, 5 Generais e Arte no Escuro também costumavam ser muito boas.

PA: Quais os planos para o futuro?
A.S.:
Recentemente, estivemos viajando. Fomos pra São Paulo mais uma vez, em seguida para o Woodgothic, em Minas, e neste mês de agosto estaremos de volta à Recife, não tocamos lá desde o Abril Pro Rock de 2010, vai ser muito bom. Estivemos ainda preparando um show acústico, formato que nunca havíamos tentado antes. Foi muito foda, no teatro da Livraria Cultura, aberto ao público e com convidados no piano e percussão. A princípio fiquei meio tenso e deslocado com o formato, mas no decorrer fiquei surpreso com o quanto nos sentimos à vontade em rearranjar nossas composições e o retorno do público foi excelente. Vamos repetir isso outras vezes.

Estou terminando de compor um disco de synthpop com um caro amigo de uma conhecida banda nacional, não dá pra falar muito porque o cara quer discrição. Paralelo a isso, o Danyel segue por aí com suas bandas de grindcore e black metal, Facada e Monge, e o Deivyson está reformando sua antiga banda Marie Poppins, que teve uma bela história na cena local. O foco depois de Recife será entrar em estúdio e começar a preparar o terceiro disco do Plastique Noir. Temos em torno de 20 músicas novas e um prazo até dezembro pra concluir, porque a Wave quer lançar em março de 2014. Depois disso, vejamos o que acontece.

One thought on “Novo disco deve sair até o final do ano, diz vocal do Plastique Noir

  1. Meu filho é super fã desta banda me pediu um disco autografado. Como faço para conseguir? Estou em fortaleza e não sei como conseguir.

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