Cantora japonesa com alma brasileira

O Palco Alternativo entrevistou a cantora japonesa Tsubasa Imamura, conhecida por suas versões de canções da MPB

[Por Rafael Gushiken]

É comum encontrar cantores e cantoras que se arriscam no inglês, quando esta não é sua língua nativa. Agora, difícil é encontrar cantores internacionais que se arriscam a interpretar músicas brasileiras. São poucos e, geralmente, quando o fazem, escolhem algum sucesso da bossa nova, exemplos como Brigitte Bardot, o duo Everything But the Girl e a banda Cibo Matto que regravaram clássicos de Tom, Vinícius e Carlos Lyra. Da MPB, a cantora Björk chegou a regravar uma versão de “Travessia” com o próprio Milton Nascimento em estúdio, mas é um caso mais isolado.

Show de Tsubasa Imamura em São Paulo, no Centro Cultural, em São Paulo. Foto: Rafael Gushiken

Integrando esse time de artistas internacionais que regravaram sucessos brasileiros, está a japonesa Tsubasa Imamura, de 27 anos. Ela não tem um nome de peso como os citados anteriormente, porém ela surpreende, justamente por ter regravado uma quantidade maior e de diversos estilos musicais do Brasil, desde o rock de Raul Seixas e Legião Urbana à MPB de Caetano, Marisa Monte e até da Sandy em fase solo. Além disso, Tsubasa também faz composições em português depois que começou a estudar a nossa língua, tendo como primeiro trabalho, a música em ritmo de baladinha pop intitulada de “Singular”.

Em seu canal no YouTube que a deixou mais famosa, principalmente por aqui, estão todos os videoclipes das versões que ela adaptou com algumas partes nas músicas cantadas em japonês e até com arranjos de instrumentos tipicamente orientais, ou seja, ela tenta inserir um pouco da cultura japonesa nesses covers. Seu último trabalho de cover gravado especialmente para o canal dela, é uma versão de “Te Devoro” de Djavan, que contou com a presença do próprio filho do cantor nessa gravação, o também músico Max Viana.

>> Confira a lista completa dos covers de músicas brasileiras por Tsubasa Imamura, clique aqui.

O Palco Alternativo esteve no show de Tsubasa em São Paulo na sua recente turnê pelo Brasil, e ela nos concedeu uma entrevista exclusiva juntamente com o seu produtor musical, Robert Regonati, o brasileiro responsável pela idealização das gravações, produções, parcerias e da consolidação da carreira da cantora, confira!

Show de Tsubasa Imamura em São Paulo, no Centro Cultural, em São Paulo. Foto: Rafael Gushiken

Palco Alternativo: Por que você se interessou em gravar músicas brasileiras?
Tsubasa I.: Eu já ouvia músicas brasileiras desde que comecei a tocar violão, e a ideia de cantá-las surgiu quando eu comecei a me apresentar aqui no Brasil, a partir de 2009 nesses festivais temáticos japoneses (Tanabata Matsuri, Festival do Japão e etc) que ocorriam sempre no mês de julho, ou seja, vinha para cá uma vez por ano e achava a espera longa para a volta no ano seguinte. Então, para encurtar essa distância enquanto estava no Japão e manter um elo de comunicação com os meus fãs brasileiros que fui adquirindo a cada ano que me apresentava por aqui, resolvi criar o meu canal no YouTube e comecei a publicar as minhas versões covers.

PA: Algum dos autores das músicas originais, chegaram a ver esses vídeos das versões covers publicados no seu canal do YouTube?
Tsubasa I.: Todos os artistas viram a sua respectiva música gravada por mim e deixaram registrados os seus elogios no espaço de comentários do vídeo, com a exceção de Caetano (ainda!), do qual regravei “Sozinho”.

Robert R.: A primeira artista a se manifestar foi a Sandy, que compartilhou a versão de “Pés Cansados” nos perfis pessoais dela, de Facebook e Twitter, declarando: “Amei, demais!”, e até a mãe dela também chegou a comentar do vídeo: “Muito fofo, legal mesmo”. Depois foi a vez da Paula Toller, do Kid Abelha, também compartilhou a versão de “Amanhã é 23” nos perfis pessoais dela, de Facebook e Twitter, mencionando em inglês: “Stylish girl”, e não bastando isso, ela mesma começou a divulgar esse vídeo da versão da Tsubasa. Em seguida, foi a vez do Humberto Gessinger que compartilhou em seu perfil pessoal do Facebook, a versão de “Pra Ser Sincero” dos Engenheiros e comentou: “Algumas coisas ainda me emocionam”, pois ele estava em uma fase muito down devido à relevância que as pessoas fazem dele somente pela carreira dos Engenheiros e não da fase solo, o qual ele está empenhado atualmente.

Logo que lançamos a versão de “Maluco Beleza”, a filha do Raul, Vivi Seixas, ficou super empolgada e nos contatou para realizar uma parceria com a Tsubasa no Rio, já estamos agilizando isso. Depois lançamos a versão de “Codinome Beija-Flor” e a mãe do Cazuza, Lucinha Araújo, através da fanpage da Fundação Viva Cazuza, declarou total apoio para que a Tsubasa faça mais versões das músicas do filho dela. E recentemente, lançamos a versão de “Te Devoro” com a participação especial do filho do Djavan, o Max Viana, que é amigo pessoal da gente, e até rolou uma aparição da Tsubasa com ele no canal de TV por assinatura, Multishow.

Show de Tsubasa Imamura no Centro Cultural Hiroshima, em São Paulo. Foto: Rafael Gushiken

PA: Sobre a relação de vocês dois, como se conheceram e como surgiu essa parceria?
Tsubasa I.: Antes de ser cantora profissional, eu toquei em várias bandas mas não me dei bem em nenhuma delas, então resolvi seguir como cantora solo tocando em vários clubes e casas de show em Tóquio e região.

Robert R.: (continuando a fala dela) Até ela vir tocar na minha casa de show que eu tenho lá em Tóquio e foi assim que nos conhecemos. Após várias conversas de prováveis projetos, finalmente decidimos trabalhar juntos.

Tsubasa Imamjura e seu produtor musical, Robert Regonati. Foto: Rafael Gushiken

P.A.: Dessa parceira, o que foi realizado, quantos álbuns foram produzidos e lançados?
Robert R.: Foram lançados três álbuns e um DVD, o primeiro foi lançado em 2009, intitulado “Ame no yoruni” (Numa noite chuvosa). Depois, a Tsubasa recebeu um convite de uma gravadora major japonesa, Pony Canyon, para gravar covers de J-Pop (Japanese Pop Music) no estilo dela, voz e violão basicamente, e esse álbum, “Tayou no Suna Makura” (Travesseiro de areia do Sol) teve grande aceitação no mercado, o que rendeu participações dela em festivais de música no Japão e outros países, incluindo o Brasil. Em 2010, ela lançou um DVD ao vivo que foi gravado no teatro da cidade natal dela no Japão, e contou com músicos americanos, o mais conhecido é o Kim Deschamps (ex-Cowboy Junkies), é ele que está no vídeo do cover de “Maluco Beleza”, no qual fez a gravação com ela. E o último álbum, lançado em 2012, é o “How to Fly”, com músicas originais.

Tsubasa Imamura e Robert Regonati no momento da entrevista. Foto: Rafael Gushiken/Renan Nunes

PA: Nesse último álbum, How to Fly, na faixa “Maby Lady” tem uma participação do Robert cantando com ela em ritmo de samba, gostaria que vocês comentassem sobre o processo de composição e gravação dela.
Robert R.: A história dessa música é que no início só existia metade dela, e não tinha a intenção de ser um samba e sim um estilo bem lento como ela já costuma cantar, e a música é sobre uma menina que reclama de um cara que não entende nada o que ela quer (risos). Como havíamos gravado o álbum todo no Texas (EUA), eu a sugeri de gravarmos uma faixa no Brasil, já que ela vem todo ano para cá. Consegui contatar um outro produtor que fez a co-produção dessa faixa trazendo músicos brasileiros para a gravação, aí veio o samba. Também inseri a voz masculina na música para compor um diálogo, que seria o tal cara respondendo para ela: “você que não me entende!” (mais risos).

Agradecimentos: Robert Regonati (Colormark Music), Akira Saito (Centro Cultural Hiroshima) e Renan Nunes.

> Canal YouTube Tsubasa Imamura Brasil: http://www.youtube.com/cantoratsubasa

> Fanpage Facebook Tsubasa Imamura Brasil: https://www.facebook.com/cantoratsubasa

> Para escutar a música Maby Lady, clique aqui!

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