A performance dadaísta do On Fillmore

De volta ao Brasil, o duo norte-americano apresentou seu mais recente trabalho, “Extended Vacation”, recheado de experimentações sonoras


On Fillmore durante a apresentação de sábado (7), no Sesc Pompeia, em SP. Foto: Natasha Ramos

[Por Natasha Ramos]

Formado pelo baterista Glenn Kotche (Wilco) e pelo baixista Darin Gray (colaborador de Jim O’Rourke, Kevin Drumm, Rob Mazurek, entre outros), o duo On Fillmore subiu ao palco do SESC Pompéia, na última sexta e sábado (6 e 7 de dezembro), para apresentar seu quarto trabalho, intitulado Extended Vacation. Nele, a dupla amplia seu território de música experimental, ao mesmo tempo em que elabora um registro mais acessível ao grande público.

A performance da dupla é baseada na utilização de diversos instrumentos acústicos, como vibrafone, piano e gongo chinês, além de baixo e bateria, construindo paisagens sonoras exóticas.

Na apresentação realizada na capital paulista, as músicas pareciam estar sendo construídas ali na hora, como uma receita de bolo que você sabe fazer, mas vai aos poucos experimentando: uma pitada de vibrafone, uma pitada de baixo acústico, outra de sopro em algo que parecia uma mangueira, um rufar suave na caixa da bateria…

A banda entregou em cerca de uma hora de quinze de show uma experiência muito mais sensorial do que meramente sonora. Cheio de caras e bocas, Gray protagonizava cada música, seguido de Kotche, como coadjuvante na percussão, que volta e meia parecia estar em outra sintonia batucando de forma descompassada com seu companheiro de palco.

Captação e edição: Rodrigo Pinder

Histórico

Formado em 2000, após tocarem juntos com o músico americano Jim O’Rourke, o duo de contra-baixo acústico e percussão, On Fillmore, cria músicas fora do comum, que incorporam diversos elementos pouco usuais às gravações.

O primeiro trabalho deles foi um álbum de edição limitada que combinava sessões de improviso acompanhadas por um registro de composições individuais. No entanto, seu primeiro disco completo —um LP homônimo lançado pela Quakebasket, em 2001— consistiu em elaborações de estruturas musicais empenhadas em refletir uma nova espécie de minimalismo elástico.

O álbum seguinte, Sleep With Fishes, de 2004, contou apenas com a combinação de sons metálicos e cordas, sobrepostos a camadas de gravações ao ar livre, captando os ambientes que cercam suas respectivas casas em Chicago e St. Louis. O resultado foi uma atmosfera formada por hinos e canções de ninar em formato experimental.

Este álbum proporcionou a eles a primeira turnê pelos Estados Unidos, incluindo um show especial colaborativo com o projeto brasuca Domenico+2 no Museu de Artes Contemporânea de Chicago. Em abril de 2005, eles vieram ao Brasil, onde se apresentaram no Festival Perc Pan, tocaram com músicos locais durante alguns shows, e encabeçaram um workshop na Universidade Federal da Bahia.

Desde então, o longo trecho entre Brasil e Estados Unidos e seus outros projetos (Jim O’Rourke, Wilco e trabalhos solos) têm limitado o tempo de criação da dupla, mas, mesmo assim, Darin e Glenn arrumaram tempo para gravar as trilhas sonoras do perturbador documentário “S & Man” e do filme “Blood Red Earth”, ambos do cineasta nova iorquino J.T. Petty.

Veja as fotos do show:


O duo On Fillmore durante apresentação em São Paulo. Foto: Natasha Ramos


O baterista Glenn Kotche durante apresentação de sábado. Foto: Natasha Ramos


O performático baixista baixista Darin Gray. Fotos: Natasha Ramos


Glenn Kotche tocando bateria, à esquerda, e vibrafone, à direita. Fotos: Natasha Ramos


Gray assume o violão e Kotche volta para as baquetas. Foto: Natasha Ramos


Gray no violão. Foto: Natasha Ramos


Gray sorrindo para a câmera. Foto: Natasha Ramos


Glenn na bateria, rodeado de uma parafernália pouco comum, que incluía um gongo chinês. Foto: Natasha Ramos


Multifacetado, Gray, dessa vez, assume o piano. Foto: Natasha Ramos


Voltando ao contra-baixo, Gray sopra uma espécie de mangueira que produz um som oriental. Foto: Natasha Ramos


Glenn na bateria. Foto: Natasha Ramos


Expressivo, Gray “interpretava” as músicas. Foto: Natasha Ramos


Glenn levanta do banquinho da bateria e toca semi de pé seu outro vibrafone. Foto: Natasha Ramos


Foto: Natasha Ramos

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