Homenagem ou plágio?

[Por Natasha Ramos]

Define-se por plágio o ato de assinar ou apresentar uma obraintelectualde qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, etc) contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original.

Conceitos à parte, fato é que depois de  séculos de produção cultural toda nova obra que surge acaba sendo uma cópia de uma cópia de uma cópia. Há incontáveis casos que já deram pano pra manga, tanto de artistas brasileiros quanto estrangeiros que se “inpiraram” em outros músicos para criar suas próprias canções.

Um caso famoso é aquele que envolve o cantor Jorge Ben, e o escocês Rod Stewart. Em 1978, o roqueiro britânico usou a “frase” “Tê-tetere-teretetê”, da música “Taj Mahal”, no refrão de sua “Do Ya Think I’m Sexy?”.

Jorge Ben já estava encaminhando um processo contra Stewart quando o escocês, com a música polêmica, chegou ao primeiro lugar das paradas inglesas. Mas, eis que, rapidamente, Stewart cedeu os lucros da faixa ao Unicef em um show beneficente na sede da ONU, em Nova York. E a história ficou por isso mesmo.

Assim como há gringos bebendo da fonte tupiniquim, há muitos artistas e bandas brasileiras que também deixam claras em suas canções quais são suas “inspirações” musicais. Tem o caso do plágio (assumido) do Legião Urbana para cima da letra do duo inglês Soft Cell. “Take your hands off me/ I don’t belong to you”, que Marc Almond canta em “Say Hello Wave Goodbye”. Renato Russo disse que se “inspirou” mesmo nas palavras do Soft Cell para mandar o “Tire suas mãos de mim/ eu não pertenço a você”, o começo da música “Será”, sucesso do primeiro álbum da banda brasiliense. Russo confirma ainda que o hit “Que País É Esse?” é, também, parente próxima de “I Don’t Care”, dos Ramones.

Mas, deixando de lado essas canções que apenas “lembram” outras. Queremos mesmo é falar daquelas versões brasileiras para músicas estrangeiras: cópias que, de tão descaradas, só podem ser homenagens às músicas originais.

Está tudo igual: arranjo, jeito de cantar… O que não é igual é a letra. Sim! Porque nós adaptamos à nossa sonoridade latina muitas das canções anglófonas. Saca só a lista que a gente preparou!

“16 Tons” X “16 Toneladas”

Essa é uma das mais emblemáticas: Um dos grandes sucessos do sambista Noriel Vilela, a canção “Dezesseis Toneladas”, é uma versão para o português de um clássico norte-americano do pop-country-folk dos anos 1940, “Sixteen Tons“, de Ernie Ford e Merle Travis. Em 1955, Tennessee Ernie Ford fez uma versão que atingiu o topo da parada na Billboard, com mais outra versão de Frankie Laine lançada apenas no Reino Unido. A banda paulistaFunk Como Le Gusta regravou a versão de Vilela, tentando até mesmo reproduzir sua voz grave, no álbum Roda de Funk.

“My Cherie Amour”: Ronnie Von X Stevie Wonder

“My Cherie Amour” é uma canção de 1969 do cantor e compositor Stevie Wonder. Nesta versão do nosso querido Ronnie Von, o rapaz nem se deu ao trabalho de trocar o nome da música. É sem dúvida uma homenagem a um dos maiores ícones da soul music.

“Querem o meu sangue” X “The Harder They Come”

“The Harder They Come”, do cantor jamaicano Jimmy Cliff, é a trilha sonora do filme de mesmo nome, lançado em 1972, sobre Ivanhoé “Ivan” Martin (Jimmy Cliff), um pobre cidadão do interior que vai tentar alcançar sucesso musical na capital Kingston e acaba se tornando um criminoso procurado pela polícia local. Por aqui, a música ganhou a homenagem de Nando Reis, à época, no Titãs, com “Querem meu sangue”.

“Passageiro” X “The Passanger”

Versão tupiniquim, gravada em 1991 pela banda Capital Inicial, da música do avô do punk Iggy Pop, lançada no disco Lust for Life, de 1977.

“Astronauta de Mármore” X “Starman”

Quem não se lembra dessa música, clássico do final dos anos 80, da banda Nenhum de Nós? Versão para a música “Starman”, do David Bowie, lançada no álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972). Dispensa comentários.

“Não Quero Mais Andar na Contramão” X “No No Song”

A música “No No Song”, do compositor Hoyt Axton e David Jackson -que ganhou diversas versões, inclusive uma do ex-Beatle Ringo Starr- conta a história de um ex-viciado recuperado que recebe propostas para comprar diversas drogas. A versão do camaleão do rock brasuca, Raul Seixas, manteve a temática da música, adaptando as drogas mencionadas na original para a cultura brasileira.

“Desamarre o meu coração” X “Unchain my Heart”

“Unchain My Heart”, canção escrita por Bobby Sharp (1924-2013) e gravada em 1961 por Ray Charles e em 1963 por Trini Lopez e, depois, por muitos outros. Aqui, no Brasil, a canção ganhou a homenagem do nosso rei Roberto Carlos, em sua época áurea.

“Pintada de Preto” X “Paint it Black”

“Paint It, Black” é uma das mais famosas músicas da banda inglesa The Rolling Stones, parte do álbum Aftermath, de 1966. Foi regravada por outros músicos, em várias versões. Essa, da banda Os Baobás, da década de 1960, é tão ruim, tão ruim, que é boa.

“Não te esquecerei” X “Califórnia Dreaming”

A “California Dreamin'”, canção muito conhecida do grupo norte-americano The Mamas & the Papas, lançada em 1965, expressa, originalmente, a nostalgia e saudade do calor da Califórnia durante um inverno particularmente frio. Na versão tropical, interpretada por Renato e seus Blue Caps, uma das bandas da Jovem Guarda, sua temática acaba sendo meramente romântica.

“Changes”: Seu Jorge X David Bowie

Até o Seu Jorge entrou na brincadeira e fez sua versão em português para a música “Changes” do camaleão do rock, lançada no álbum Hunky Dory (1971).

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