“A irmandade entre as bandas é essencial, é assim que se faz rock’n’roll”, diz Clemente

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Em entrevista, Clemente fala sobre a nova geração de bandas da cena independente brasileira, e de seus atuais projetos que inclui um livro em parceria com o escritor Marcelo Rubens Paiva

[Por Natasha Ramos e Rafael Gushiken]

Clemente Tadeu Nascimento, paulistano da zona norte, o famoso líder e vocalista da Inocentes, umas das clássicas bandas do punk brasileiro, completou 35 anos de trajetória na cena independente este ano.

O Palco Alternativo em parceria com o São Paulo da Garoa, realizou uma entrevista exclusiva com ele, que esteve no lançamento do documentário “Somos Fãs de Nós Mesmos” da HBB ocorrido em junho deste ano.

O documentário  revela momentos da turnê A Hearts Bleed Blue (HBB) x DoSol 2015. Dirigido por Tinho Sousa, o curta capta a participação das bandas independentes Medulla, Magüerbes, Water Rats e Mundo Alto em uma trajetória de shows pelo nordeste.

Palco Alternativo e SP da Garoa: Como experiente por estar há mais de 30 anos na música independente, o que acha dessa nova cena, geração?
Clemente:
 Cara, eu acho bem legal, e o mais engraçado é que eu já conheço essa geração há ‘200 anos’ (risos). Ou seja, eu já vinha acompanhando há um tempo, é uma nova cena, mas pra mim é uma cena velha, porque conheço eles todos desde ‘pivetes’ (mais risos).

E agora eles estão amadurecendo e começando a produzir suas próprias coisas, pois antes eles tinham bandas e aspiravam aquele mega sucesso, e sendo que não, eles não precisam disso, perceberam que podem se manter no alternativo e serem legais.

P.A. e SPdaGaroa: A gente aprende com o tempo a se desapegar de certas coisas, não é?
C: É que assim, quanto mais espontânea a coisa, mas legal fica, e foi o que vimos aqui hoje durante essa exibição do filme, entendeu? Eles estão todos relaxados e fazendo música.

P.A. e SPdaGaroa: Outra coisa legal é essa irmandade, a união entre as bandas como mostra o doc, e você, como a “voz da experiência”, acha importante isso também?
C: Essa irmandade é essencial, pois é assim que se faz rock’n’roll, e, ainda mais quando se faz rock’n’roll alternativo, e é como o Haroldo (Magüerbes) fala: ‘Nós somos fãs de nós mesmos’, porque você tem uma banda e é fã de outra [dessa mesma cena].

E fazendo uma relação com a minha época (anos 80) quando a gente era alternativo, o cara da Plebe tocava no Inocentes e o cara do Inocentes também tocava na Plebe, e essa troca que era muito legal, pois essa irmandade que fez a nossa cena crescer.

P.A. e SPdaGaroa: E o que você tá fazendo atualmente?
C: Tô com a Plebe Rude e também com o Inocentes. Lancei meu disco solo (pela HBB) e tenho o meu livro que está para lançar, ‘Meninos em Fúria’ que eu escrevi junto com o Marcelo Rubens Paiva.

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O disco “Antes Que Seja Tarde” citado faz parte do projeto solo do cantor intitulado de “Clemente e A Fantástica Banda Sem Nome”. E o livro que escreveu junto com o escritor Marcelo Rubens Paiva foi lançado no dia 30 de setembro pela editora Alfaguara/Objetiva. “Meninos em Fúria” é um romance com relatos reais das experiências de ambos diante da cena musical, social e política nos anos 70 e 80.

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