O ‘Mana’ de Luiz Gabriel Lopes

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O músico mineiro Luiz Gabriel Lopes lança “Mana”, seu terceiro disco solo, em show em BH

[Por João Dias, de Belo Horizonte]

Depois de alguns meses de financiamento coletivo, Luiz Gabriel Lopes fez nessa quarta-feira (11) o show oficial de estreia de Mana, seu terceiro disco solo. Bem conhecido pela seus outros projetos musicais, o Graveola e o trio TiãoDuá, o cantor e compositor mineiro, mostra a que veio.

O disco foi gravado com um bando de amigos e parceiros musicais – O Cangaço Lírico – composto por Téo Nicácio (baixo e voz), Mateus Bahiense (bateria) e Daniel Pantoja (Flautas). Músicos de peso que também evocam o as frequências necessárias para que se atingisse a simplicidade e a beleza desse disco.

LGL não é um artista em busca de consensos. Sua guitarra elétrica soa forte em alguns momentos, contrapondo com a leveza da flauta doce – que harmoniza delicadamente com seu timbre de voz. Erra quem diz que é um disco de MPB. Erra quem diz que não é. É um disco de brasilidades, bem pé no chão, que revelam as diversas influências que mixam a cabeça do artista e que revelam um grande potencial criador. Maduramente, soube unir melodias e poesias para criar um som com sua identidade. De certa forma, está inscrito em música e versos o resultado das andanças pelo Brasil e pela América do Sul de um ser que traz e vivencia o desapego mundano e o insere em sua vertente criacional.

O show possui energia, e o carisma da banda faz da apresentação uma experiência bem delicada e especial. A iluminação também elevou esse papel ao acertar em escolhas simples, valorizando a dualidade de cores intensas e suaves, trazendo calma e intensidade à apresentação. O Público, mesmo em véspera de feriado, compareceu e deixou claro conhecer o músico e suas canções.

No palco, LGL convidou dois outros artistas para cantar com ele algumas canções. Laura Catarina, filha do cantor e compositor Vander Lee, fez em duo uma versão intimista de Pro Sol Sair, música do disco Fazedor de Rios (2015) e Quiléia, música do novo disco. Menos conhecido do público mineiro, o outro convidado foi François Muleka, musico de Florianópolis, dono de uma voz possante e envolvente que deixou boa parte da plateia surpresa e admirada com a intensidade e entrega com que se expressa no palco. Se não conhece, vale a pena um google.

Com o novo disco, LGL se confirma como um dos mais importantes músicos da nova safra da cena musical de Minas Gerais. Mana aponta seu amadurecimento e mostra que a música ainda possui vertentes, diversidades, e direções que sua peregrinação reflexiva e libertadora conseguiu reinventar.

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