Bailindie da Saudade: onde os “indies velhos” -e os novos- se encontram

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Festa mensal é ponto de encontro para quem sentia falta dos redutos alternativos

[Por Natasha Ramos e Sara Puerta]

Sabe aquele culto à cultura de uma geração anterior, que acontece mais ou menos a cada 20 anos? Pois é! Beirando o ano 2020, as bandas e as baladas alternativas dos anos 90 e 00 estão sendo reverenciadas.

E assim, um dos períodos mais efervescentes da noite paulistana tem o seu tributo, com o “Bailindie da Saudade”, uma festa que tem acontecido mensalmente, e está acalentando os corações dos “indies velhos”, e, ao mesmo tempo, atraindo um público jovem, que até então nem imaginava uma festa onde performances de air guitar e danças introspectivas são muito bem-vindas.

A festa foi idealizada por Dina Cardoso – ex-proprietária do icônico Café Elétrico, fechado em 2012, e depois do Lebowski, ambos na Barra funda – e Plinio Cesar Batista, reconhecido por suas discotecagens de guitar bands dos anos 80, em clubes como o Armagedon,  Sub Club do Columbia, Retrô e em muitas outras casas, que foram fechando ao longo do tempo, e deixando órfãos quem curte esse som.

“Em conversas brincávamos sobre fazer uma festa para ‘velhos’, pra gente que não sai há dez anos, porque não se atrai pelas novas baladas com o pessoal de vinte anos, ou teve filho e não tem com quem deixá-lo ou está cansado mesmo (rs)”, conta Dina.

O Bailindie chega a sua 10ª edição, neste sábado (13), e consegue atrair em média 500 pessoas por festa. Com quase um ano de existência – a primeira aconteceu em março de 2017 -, a festa foi ganhando algumas marcas registradas, como as maracas para acompanhar o som e as tatuagens de chiclete em forma de coração.

tatuagem chiclete

“Acho que o timing foi o que fez a festa dar certo. Talvez um ano atrás não ia rolar o mesmo. Estamos em um momento de nos reconhecer como os velhos, resgatar os anos 90. Mas não posso garantir com certeza que seja isso que faça lotar os bailes”, acrescenta.

Qual festa faz você sair de casa?

O Palco Alternativo foi conferir o Bailindie #9 e aproveitar para encontrar velhos camaradas, de outros tempos. E é nesse clima que a festa acontece: uma reunião de amigos despretensiosa, de pessoas que se conhecem dos tempos passados e se (re)encontram  todo mês.

O Baile é totalmente dedicado ao som das bandas indie, com as pérolas dos anos 80/90 e início dos anos 00.  Em uma noite, é possível ouvir de Pavement a Ride, passando por Wilco, Superchunck, Spoon, Ash e “one-hit wonders” do indie, como “You & Me Song”, do Wannadies, e a “I’m not gonna teach your boyfriend how to dance”, do Black Kids, sem contar faixas de Guided By Voices e Sonic Youth que não podem faltar!

Quem esperaria escutar “Leave Them All Behind“, do Ride, ou  “The Only one I know” , do Charlatans, numa festa hoje em dia?

Mas, apesar de o Bailindie ter um público predominantemente com 30 anos ou mais, e tocarem sons de duas, três décadas atrás, eles não são contra a renovação musical. O que existe é uma certa nostalgia em como os apreciadores do indie se encontravam e se relacionavam com a música nas décadas passadas.

“Tem muita coisa boa acontecendo hoje em dia, é só estarmos atentos e curiosos. Nos anos 90, não tínhamos internet e a garimpagem de bandas e artista legais não era das coisas mais fáceis e baratas, mas era uma atividade prazerosa. Conhecíamos uma banda como My Bloody Valentine e íamos a fundo descobrir tudo sobre ela, suas ligações, bandas similares ou filmes que eles estavam na trilha sonora. Talvez essa seja a causa de idolatrarmos tanto os artistas daquela época. Confesso que faço isso ainda com as bandas mais novas, mas sei que, mesmo com toda a facilidade dos tempos de hoje, a maioria das pessoas  prefere receber dicas mastigadas, vão curtindo até receberem novas dicas tempos depois e o que era bom ontem já não será tão legal hoje”, reflete Plínio.

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Frequentador do Bailindie da Saudade, Afonso Canutto

Para ele, o Bailindie é um momento de encontros: de pessoas que se conheceram em tempos passados e não se viam há tempos, de novos amigos e de novas gerações. “Vejo casais que se conheceram naquela época e hoje levam seus filhos para festa, ou o cara de 40 anos que leva a sobrinha, que nunca tinha ouvido essas músicas tocarem em uma festa”, comenta Plínio. “Vejo muitas pessoas se conhecendo e se tornando amigas, algo que era bem comum nos anos noventa, mas não sentia essa sintonia em tempos mais recentes”, acrescenta.

E assim, usando uma expressão “xóvem”: segue o baile, que, mês que vem, ganha uma versão de  festa de rua durante o  carnaval: o “Bloquindie”, que deve tocar na região do baixo Augusta. A folia alternativa ainda poderá contar com apresentação da banda Early Morning Sky, que já tocou em edições anteriores do baile.

“É um bloco, mas não vamos sair do lugar, como os outros, porque somos indie!”, brinca Dina.

TOP FIVE BAILIDINE DA SAUDADE

O que não pode faltar no baile!

Plinio Cesar Batista

1) Guided by Voices – Bulldog Skin

2) Afghan Whigs – Debonair

3) Beat Happening – Bewitched

4) My Bloody Valentine – Off Your Face

5) Teenage Fanclub – About You

Dina Cardoso

Beat Happening – Hot Chocolat Boy

Flaming Lips – Race for the prize

Guided by voices – Bulldog Skin (Guided By Voices é um consenso entre os Djs e para o Palco também!)

Wilco – Heavy Metal Drummer

Belle and Sebastian – Like Dylan in the Movies

Ouça a Playlist do  #Bailindie da Saudade no Spotfy!

Acompanhe a página do Bailindie!

Bailindie da Saudade #10 

Quando: Sábado,  13 de Janeiro, 23h
Onde: Clube V.U. (Rua Lavradio, 559)
Quanto: R$ 10 entrada ou R$ 50 consumação.

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