#JáOuviu? | Tagore

Por Cledinilson Blaide | Com edição e palpites de Sara Puerta

Era 8 de julho de 2017, Festival Contra Pedal acontecendo pela primeira vez em São Paulo no Centro Cultural São Paulo. Tal Festival é muito conhecido no Uruguai, direto de Montevideo, traz os maiores expoentes da cultura latino americana. Outro objetivo do Festival é apresentar as novas tendências de música latina, contemplando artistas cuja trajetória é marcada por linhas conceituais únicas.

Tenho interesse pela cena independente, resolvi estar presente no Festival pois amigos da Banda Cuscobayo, da minha cidade natal Caxias do Sul – RGS, estaria participando.

Eis a minha surpresa, entra no palco para participar da apresentação junto a banda Cuscobayo um tal Tagore, pensei: que maluco é esse? que visual excêntrico, de pé descalço, dançando, se expressando de forma peculiar, que presença de palco!

Após o Show, como eu conhecia o pessoal da Cuscobayo, eu tive a oportunidade de conhecer o Tagore e um pouco mais sobre seu jeito único. Em uma conversa muito descontraída, soube que o tal era de origem pernambucana e morava em Recife. Tá aí! Pensei.. Pernambuco tem uma cena musical diferenciada e muito forte em novas criações.

Bom, a apresentação me chamou tanto a atenção que logo nos primeiros minutos em meu sofá em casa entrei no Youtube e veio então a primeira música do álbum Pineal: MUDO…Simplesmente encantadora a musicalidade! Foi o que pensei… A sonoridade psicodélica, me interesso bastante por esse estilo de rock, meio Beatles, meio Cream “Eric Clapton”, Hendrix, Pink Floyd, que vibe alucinante! Imersivo! Diferente de tudo que já ouvi.

Faz sentido o álbum se chamar Pineal, alusão à glândula do mesmo nome que tem a função de regular os ciclos vitais como o Sono; tá explicado porque gosto tanto de ouvir o álbum quando chego do trabalho: sempre me faz relaxar.

Nesse meio tempo, ouvi o primeiro álbum Mundo a Vapor, totalmente diferente do Pineal, regionalista, udigrudi, outra pegada… Mergulhei em busca de mais informações sobre as raízes e influências da banda, muito interessante. É fato, foi o álbum que mais escutei nos últimos anos, fora do comercial, fora da rotulagem musical imposta “goela abaixo”. É importante para mim música que provoque os sentidos, que seja criativa, e Tagore é exatamente isso e muito mais.

Tagore

Quem: Tagore Suassuna – fundador ( voz, guitarra e violão), Caramurú Baumgartner (percussão e voz), Júlio Castilho (baixo, guitarra e teclados – substituindo temporariamente Diego Dorneles), Alexandre Barros (bateria) e João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados).

De onde vem: Recife (PE)

O que já fizeram: Lançaram dois álbuns: o primeiro em 2014, chamado Movido a vapor, que traz muito mais elementos regionais e o segundo, Pineal, em 2016. Andam pelo mundo – e pelo país – participando de shows e grande festivais. Tagore acabou de tocar no festival South by Southwest 2018, neste mês de março e, nesse sábado (24), toca no hypado festival Lollapalooza, em São Paulo.

Quem vai gostar:  Aí está mais um exemplar para mostrar que a brasilidade dá as mãos para a psicodelia numa boa e com ótimos resultados. Lembra (muito!) Tame Impala, mas sem aquele hype todo em cima e com algo muito original. Se resta alguma dúvida da fonte do Tagore, ouça a faixa “Apocalipse Jeans”, em alusão ao Apocalipse Dreams, do Tame Impala. Diria que Tagore é prima de primeiro grau da Boogarins (banda de Goiânia que é aclamada internacionalmente), e as duas por, sua vez, são netas do Mutantes, que fez – e faz- o mundo inteiro se dobrar à nossa psicodelia.

Por que ouvir: Nos dois álbuns, rola uma expectativa para saber qual vai ser a da música seguinte, por conta da qualidade sonora. E costuma ser surpreendente. É para ouvir do início ao fim e aplaudindo. Além disso, é bom prestar atenção nas letras também, que são bastante poéticas: “O mar é gigante / E não para e não pensa / Em sumir ou secar / Coisas são tão caras, mas andar / É ter a terra como amiga” ( Mar Alado)

Por onde Começar: Escute pela ordem inversa: comece pelo segundo disco, o Pineal, e depois o primeiro, Movido a vapor. Os dois trabalhos tem sonoridades e influências bastante diferentes. Passando de uma música com influências regionais e do udigrudi à uma “mpb” – música psicodélica brasileira, que tem tudo para ser aplaudida nos festivais alternativos do mundo todo.

Segundo Tagore Suassuna, a banda é um projeto em constante mutação, viagem, aparentemente sem volta.

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