Músicas brasileiras contra o Fascismo

Imagem de post da página Headbanger Antifa 3.0 no Facebook

Protestos contra o fascismo têm tomado as ruas do Brasil inspirados pela revolta popular nos Estados Unidos depois da morte de George Floyd, homem negro assassinado por um policial branco em Minneapolis. Comandados por torcidas organizadas que se autointitulam antifascistas, esses atos, que levaram a uma comoção nas redes sociais, estão marcados para acontecerem novamente neste fim de semana (6 e 7/6).

Depois da lista das 10 músicas gringas para esmagar o fascismo, que publicamos em 2017, novamente, episódios envolvendo ódio e violência nos faz querer reunir uma nova lista, dessa vez, só com músicas brasileiras para combater o fascismo, o racismo, e todas as formas de preconceito e ignorância.

Se liga nessa lista de músicas brasileiras contra o fascismo!

Ação Direta – Artificial

Com 30 anos de história, a banda Ação Direta, formada em São Bernardo do Campo (ABC Paulista), faz um crossover de hardcore e metal e traz em suas letras temáticas que apresentam críticas sociais. O vídeo de “Artificial”, lançado em 2019, é um ataque à ascenção da extrema direita no Brasil e no mundo.

Os Replicantes – Chernobil

A banda porto-alegrense de punk rock surgiu em 1983, durante a ditadura militar, e faz uma crítica aos fascistas na música “Chernobil”, do icônico disco Histórias de Sexo e Violência (1987). Se liga nestes versos: “Velhos Fascistas só querem o poder / Velhos Fascistas não sabem governar / Velhos Fascistas gastam nosso dinheiro / Velhos Fascistas vão nos matar”. Apesar da música ter mais de 30 anos, esses versos nunca foram tão atuais, principalmente, em tempos de pandemia da Covid019… :/

Ratos de Porão – Ignorância

A banda do João Gordo foi formada em 1981, em meio à cena punk de São Paulo e também durante o período da ditadura. Na música “Ignorância”, do disco Cada dia mais sujo e agressivo, de 1987, os versos “Quanta violência / não dá pra explicar / A ignorância impera em todo lugar / … / Trogloditas armados tentam impor suas idéias / Com violência e desordem / Isso é fascismo, é uma grande palhaçada” parecem terem sido escritos para os tempos atuais.

Mukeka di Rato – Nazi Tolíces

A banda de punk rock e hardcore de Vila Velha- ES, desde sua formação em 1995, levanta bandeiras contrárias a opressão e desigualdade em letras sarcásticas e bem humoradas. No dia das eleições de 2018, o grupo postou em sua conta no Instagram “Fascista é quem prega racismo, machismo, homofobia, militarismo, punitivismo… Quem dá um murro na cara do fascista chama-se ANTIFASCISTA”, em referência ao voto de alguns fãs no candidato que se tornaria presidente do país com esses mesmos discursos preconceituosos e autoritários. “Nazi Tolíces”, do disco Gaiola (1999), tem os maravilhosos versos: “Índoles nazistas, Índoles fascistas / Destruindo a liberdade e o direito de vida!” e “Grupos de extrema direita, xenofobia, ignorância / Tolice sem causa exterminando a raça a humana”.

Devotos – Mundo Cão

O trio Devotos, de Recife, está na luta contra o fascismo há mais 30 anos. Na música “Mundo Cão”, do disco Flores com espinhos para o rei (2006), eles questionam um senso comum que acha que o racismo não existe mais. Apesar de ser de meados dos anos 2000, a música traz questionamentos bastante relevantes na atual conjuntura do país: “Não existe racismo? / Desemprego é uma ilusão? / Ladrão não é sinônimo de políticos? / Armas para todo cidadão?”.

Dead fish – Não Termina Assim

Dead fish é outra banda que já utilizou as redes sociais não apenas para manifestar sua opinião política, mas para indicar seus fãs que defendem discursos da direita estão “no lugar errado” como postou em seu twitter oficial. “Somos da esquerda, se você é da direita e cola no show, você está no lugar errado” disse ainda em 2015 um assessor da banda no site. Esse posicionamento da banda é claro e poderíamos citar várias músicas aqui, porém escolhemos essa pelo clipe com críticas claras e por estar no ótimo último disco da banda, Ponto Cego (2019).

Chico Science & Nação Zumbi – Banditismo por uma questão de classe

A banda formada no começo dos anos 1990 é conhecida por revolucionar o rock brasileiro; seu então vocalista Chico Science foi responsável, juntamente com a banda Mundo Livre S/A, de fundar o movimento manguebeat. Apesar da música “Banditismo por uma questão de classe”, do disco Da Lama ao Caos (1994), não falar diretamente do fascismo, ela faz uma clara crítica à violência policial, uma das expressões de governos fascistas, nos versos: “Em cada morro uma história diferente / Que a polícia mata gente inocente” e, neste ano, ela foi alvo de censura da polícia militar em um show no Carnaval de Recife e Olinda.

Garotos Podres – Liberdade (Onde Está?)

A clássica banda punk paulista, há 35 anos na estrada, teve um racha, em 2012, por conta de posicionamentos políticos divergentes. O baixista Sukata (Michel Stamatopoulos) e o baterista Leandro Ferreira tentaram seguir com o nome do grupo, mas com uma proposta totalmente diferente da que os Garotos Podres tinham desde a sua formação. Nas redes sociais, esses integrantes defendiam a polícia militar, a criminalização do aborto, dentre outras pautas conservadoras. Depois de brigarem na Justiça, a banda segue com o vocalista José Rodrigues Mao Júnior, o guitarrista Cacá Saffiotti e uma formação sem os desafetos, mantendo seu posicionamento contrário ao autoritarismo e à opressão a grupos minoritários. Para esta lista, trouxemos a música “Liberdade (Onde Está)”, do disco Mais podre do que nunca, de 1985, já com mais de três décadas, mas que tem muito a ver nesses tempos de manifestações antifascismo: “Onde esta a liberdade / Que eu nunca a vi / Ando pelas ruas /E tenho que dar satisfação / Aos fascistas”.

Por Natasha Ramos e Ricardo Leite

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