Em novo álbum, Mahmundi mostra que é possível ter fome de viver mesmo em um mundo doente

“Mundo Novo” é o título do terceiro disco da cantora

Mahmundi. Foto: Rui Mendes.

Por Lucas Lima*

Embora o terceiro álbum de Mahmundi tenha sido fomentado tempos antes da pandemia que assombra não só o nosso país, mas também o planeta, Mundo Novo nos traz reflexões sobre à quantas anda a humanidade, em especial na questão de convivência contínua com o próximo. Para isso, em meio a sonoridades diversas, que vai desde o pop calcado em estética oitentista até desdobramentos do jazz e do reggae, Mahmundi nutre a narrativa com questões de autoconhecimento, evoluções pessoais, busca pela felicidade e o tempo, que para cada um é diferente.

Em suma, o novo registro da artista traz, assim como a própria diz, a ideia de que é possível ter fome de viver em um mundo doente. Entre tantas desigualdades e tragédias, os dias coloridos permanecem, ainda que em pequenas coisas.

Mais, no quesito técnico, Mundo Novo é o álbum mais coletivo de Mahmundi. Além da sonoridade gerida em sua maioria com base no coletivo, o registro apresenta também letras de outros autores. A introdução (que é a faixa-título) tem assinatura de Paulo Nazareth, assim como “Convívio”, música romântica que nos diz que o que somos é resultado de uma série de aprendizados sendo estes vindo de outras pessoas.

Já “Coração na Escuridão” é uma parceria de Jorge Mautner e Dadi, que embora não seja inédita (já tinha sido gravada por Dadi com Caetano Veloso em 2005) coube perfeitamente no roteiro do disco.

Mahmundi ainda se junta com Castello Branco em “Nós de Fronte”, faixa com requintes de bossa nova (e de onde vem a frase “Fome de Viver em Um Mundo Doente”) e termina com a positivista “Vai”, que, em suma, traz a mensagem de que, mesmo que as coisas estejam ruins, o sol ainda vai brilhar; levante-se, sorria e não desista.

Diante de tantas depressões que assombram a nossa vida, é difícil agregar-se de um discurso tão pra cima. Ainda assim, o Mundo Novo de Mahmundi não extingue o que há de errado, pelo contrário, o registro é um retrato que tudo isso existe e provavelmente sempre vai existir, mas a vida é uma jornada e “ser humano é ser plural”.

Mundo Novo, Mahmundi

Lançamento: 2020
Selo: Universal Music
Faixas:
1) Mundo Novo – Intro
2) Nova TV
3) Convívio
4) No Coração Da Escuridão
5) Nós De Fronte
6) Sem Medo
7) Vai

*Lucas Lima é jornalista formado pela FAPCOM, de São Paulo, e trabalha na área cultural desde 2016, quando fundou o site Eufonia Brasileira. Já colaborou com sites como Tenho Mais Discos Que Amigos e Whiplash e tem trabalhado sem seu primeiro livro, uma biografia da banda As Mercenárias. É o novo colunista e parceiro do Palco Alternativo, estreando sua coluna semanal hoje, com esta matéria. 

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