Barro se une com artista visual para reflexão além da superfície no clipe de “Antimusa”

Faixa, lançada em 2018 no álbum “Somos”, ganhou interpretação de Rafaela Amorim

Por Lucas Lima

Para alguns assuntos, meias-palavras não bastam. Para outros, a arte, e como sempre ela, é suficiente para nos trazer reflexões para observarmos as entrelinhas de nossa sociedade. Assim é o videoclipe de “Antimusa”, canção lançada por Barro no álbum Somos (2018) e que ganhou agora interpretação pela artista Rafaela Amorim (Braba) em registro audiovisual. Embora a poesia seja ecoada na voz de Barro, compositor da faixa, a canção nos traz a questão do conceito de musa, que desde sempre foi definido por olhares masculinos e sobre como as mulheres são presas a um papel pré determinado.

“A música aborda esse universo dos encontros e do feminino. A letra tem um diálogo sobre esses lugares da alteridade, da mulher e do encontro. A faixa surge pensando sobre esses arranjos sociais, o lugar de fala de cada um. De certa maneira somos seres gregários, coletivos e precisamos enfrentar os nossos novos desafios, que passa pela forma como olhamos o outro e como estabelecemos nossa relação com ele. Nesse caso, a música fala sobre uma troca romântica de como podemos desconstruir esses enquadramentos sociais e julgamentos e botando uma esperança e ‘fé nos encontros’ como um lugar possível de empatia, respeito e reconstrução das relações”, revela Barro.

“Quando Barro me chamou pra fazer esse projeto eu passei a escutar incessantemente a música e tentar sentir o que ela me dizia. Para mim, a música fala muito sobre um encontro, um lugar de paixão que se abre para entender e aceitar a personagem (mulher) como ela é. Quando ele canta: ‘Desejo insana, nas águas naturais’ existe não só uma liberdade pra ser, como um desejo de que se expanda e seja livre, que seja natural. Vejo a personagem como uma mulher intensa. No clipe, resolvi mostrar que esse encontro pode ser um encontro consigo mesma se autodescobrindo. Abordar o tema de autoconhecimento e libertação dos estereótipos”, conta a diretora, criadora e protagonista do clipe Rafaela Amorim, da Braba.

Toda a produção foi feita à distância e gravado na vertical, formato ideal para as mídias móveis, afinal o celular é o principal meio para consumir música e vídeo hoje em dia.

“Particularmente, eu sou fascinado por esse campo da proporção da tela e como isso determinou vários momentos, evoluções e até novas tecnologias no cinema. Acho engraçado que a escolha de janela do vídeo já cria uma estética nova e também comunica no visual. Queria ter feito algo legal pensando nesse vídeo vertical para o IGTV, e ainda não tinha conseguido fazer algo mais elaborado, só agora foi possível. Eu também gosto muito do vídeo vertical e acho que ele traz uma proximidade diferente e um recorte interessante”, explica Barro.

“O clipe de ‘Antimusa’ é essencialmente um projeto em conjunto multiartístico. Já estava no desejo que eu e Rafa realizássemos algum projeto juntos. Com a chegada da pandemia essa vontade foi adiada no primeiro momento. Mas, logo no início do isolamento, Rafa foi conseguindo desenvolver trabalhos visuais dentro da dinâmica de confinamento. O próprio trabalho dela já tem uma dimensão de ser um desenvolvimento ali individual, testando, experimentando, quase como se fosse um artesanato. Dito isso, vi que seria possível fazer esse projeto mesmo na situação de isolamento. Os meus clipes sempre são projetos que se baseiam no encontro artístico. Eu entro com a música e ela com a estética visual. Como já tinha uma admiração grande pelo que ela desenvolvia de experimentos visuais, dei a ela total liberdade para fazer o que ela tinha pensado e sentido com a música”, finaliza o cantor. 

Confira o vídeo: 

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