Os álbuns preferidos do Palco Alternativo lançados em 2020

Por Lucas Lima e Natasha Ramos

Mais um ano que se vai e, diante a tantas adversidades, os bons discos ainda continuaram a ser lançados. Todos já sabem, 2020 não foi fácil, mas a música sempre esteve presente e nos acalentou nos momentos mais difíceis. Selecionamos os álbuns que mais gostamos lançados em 2020. Não é uma lista de melhores do ano e, sim, uma seleção com alguns dos nossos preferidos. 

Confira: 

Vivendo do Ócio – Vivendo do Ócio

A banda Vivendo do Ócio nos mostrou porque é uma das mais importantes bandas do cenário independente. Com um disco homônimo cheio de energia, atitude, diversidade e líricas riquíssimas a banda não teve medo de se arriscar. E veja bem, este foi o primeiro álbum da banda em cinco anos; o antecessor é “Selva Mundo”, de 2015. 

Amanda Magalhães – Fragma

O disco de estreia de Amanda Magalhães não tinha como ser melhor. Em um misto de soul e samba, a artista se equilibra em cantar sobre angústias comuns do ser humano ao mesmo tempo em que valoriza o amor como sentimento primoroso. É um registro tropical, que soa leve em sonoridade e ainda traz parcerias luxuosas, como Seu Jorge e Liniker. 

Leo Middea – Vicentina

Se você curte MPB, com certeza vai gostar desse disco de Leo Middea. Um álbum com letras muito bem estruturadas, onde na voz de Leo é possível sentir a melancolia porém também a alegria. Há na estética do disco algo que particularmente gosto muito, que é a intervenção de vozes femininas nos coros, algo já muito explorado na história de nossa música, porém nunca esgotável. 

Rashid – Tão Real

“Tão Real” é um disco que começou a ser divulgado no ano passado, porém só lançado em formato de álbum neste ano de 2020. Podemos dizer que ele é um retrato mais intimista de Rashid, onde as angústias, os desabafos, os amores e, claro, as críticas do cantor são as pautas. Tudo isso recheado com o boom bap, o trap, R&B e também música pop com o hit “Pipa Voada”. Rashid nunca tinha saído tanto da “casca” quanto neste registro. 

Priscilla Tossan – Iceberg

Confesso que o som de Priscila Tossan foi uma das boas surpresas que me apareceram neste ano. Um registro existencial, de esperança, onde a cantora ecoa sua voz tão singular em poesias tão tocantes. Como ela mesmo diz na faixa de abertura, “Vida”, “O dia é feito para recomeçar” e, com essa mensagem, que recomecemos em 2021. 

Soccer Mommy – Color Theory

O segundo disco da Soccer Mommy, nome artístico de Sophia Allisson, cantora e compositora nascida em Nashville, no Tenessee (EUA), é profundo e imprevisível. Em contraste com seu som mais alegre de outrora, o clima neste disco é mais sombrio. A doença terminal de sua mãe e sua própria luta contra a depressão surgem em sua música neste álbum como um relato impiedoso e não sentimental de sobrevivência. Considerado um dos 50 melhores discos lançados em 2020 pela Pitchfork, “Color Theory” é comparado pela revista estadunidense ao disco de 2015 do maravilhoso Sufjan Stevens: “Carrie & Lowell”, que recebeu à época a nota 9.3 da Pitchfork, uma das notas mais altas avaliadas pelo site. 


Fleet Foxes – Shore


Em seu quarto álbum, o cantor e compositor Robin Pecknold refina e aprimora o som folk-rock indie característico do Fleet Foxes, elaborando outro álbum musicalmente aventureiro que aquece o coração graciosamente. Este álbum também está no top 50 melhores álbuns de 2020, e recebeu uma nota muito boa da Pitchfork, 8.3, recebendo o título de Melhor Novo Álbum (Best New Album). Não que isso seja novidade para o grupo de Seattle, que, dos seis discos avaliados pelo site estadunidense, cinco deles receberam este label. É uma das poucas bandas surgidas nos anos 00 que se mantiveram musicalmente relevantes ao longo dos anos.


The Strokes – The New Abnormal


Por falar em bandas dos anos 00, bem… a Strokes foi formada em 1998, mas o ápice dela foi na década seguinte, com álbuns como o de estreia, Is This It (2001) e Room on Fire (2003). O líder da banda Julian Casablancas anunciou, no momento que o relógio deu meia-noite na virada da década, no show da banda da véspera de ano novo realizado em 31 de dezembro passado no Brooklyn, que os nova-iorquinos iriam voltar este ano com tudo. Depois de um período de sete anos (!) sem lançar nada, eis que surge  “The New Abnormal”, o sexto disco da banda, que não está entre os 50 melhores da Pitchfork, mas está na nossa lista porque, algumas músicas neste álbum lembram a fase boa dos Strokes, a exemplo de “Bad Decisions”. Vai na fé, só ignorar os falsetes do Julian.


Fiona Apple – Fetch The Bolt Cutters

Podemos dizer que as frustrações causadas por esse ano maluco de 2020 são sintetizadas nesta produção caseira e muito bem feita de Fiona Apple. A cantora chegou com tudo depois de um hiato de oito anos sem discos de inéditas. Em “Fetch The Bolt Cutters” ela vira a mesa e passa a real para o ouvinte. Um registro cru, sincero e sofisticado. 


Dua Lipa – Future Nostalgia

Finalizamos esta lista com o que foi o “norvana” de 2020, ou seja, uniu todas as tribos. Em “Future Nostalgia” Dua Lipa deixou de ser lida como uma artista que faz música apenas para jovens e adolescentes e caiu nas graças de críticos, ouvintes de outros estilos e continuou com sua base de fãs. O registro é uma espécie de revival dos anos 80, porém não é só mais um disco com referências oitentistas. “Future Nostalgia” foi uma válvula de escape com canções deliciosas, feitas para justamente estourar o som das caixas e colocar quem é que seja para dançar. 

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