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junho 11th, 2011entrevista, posts por autor: Andréia, raio-xO Labirinto é assim: uma banda que mistura experiências e sensações em suas linhas melódicas e já é, sem dúvida, um candidato a entrar nas famosas listas de melhores do ano[por Andréia Martins]
2011 já é sem dúvida um ano que vai marcar a banda paulistana de post-rock Labirinto – sinta-se à vontade para defini-la de outro modo. Há oito anos na estrada, a banda que se define como um grupo instrumental e experimental está provando agora o doce gostinho de cair nas graças do público e da crítica.Boas críticas em revistas e sites nacionais e gringos, shows indo bem, público comentando bastante sobre a banda nas redes sociais e a primeira turnê internacional — que acontece no exato momento.Formado por Erick Cruxen (guitarra), Muriel Curi (bateria), Daniel Fanta (guitarra), Eddu Ferreira (baixo), Pedro Rizzi (guitarra), Bruno Pietoso (lapsteel e sintetizadores), Alê Amaral (bateria), Ana Miguez (violoncelo) e Moema Lima (violino), o Labirinto surge em 2003 e começa a trabalhar na composição musical instrumental, priorizando as exaltações emotivas variadas que a música percorre ao longo dos múltiplos caminhos estéticos, ideais e interpretativos.O grande filão da banda — até agora — é o disco Anatema (2010). São seis faixas, coladas uma nas outras, umas mais densas, outras mais pesadas, mas com guitarras sempre afiadas, cujas construções melódicas permitem um misto de sensações, depende da imagem criada por cada ouvinte durante a viagem sonora.Muriel bateu um papo com o Palco, por e-mail, antes de arrumar as malas rumo à turnê internacional. Confira:Palco Alternativo – Primeiro, queria saber onde e como tudo começou.Labirinto - As primeiras ideias e projetos sobre a banda surgiram em 2003, mas nosso primeiro EP foi lançado em 2005, ano em que nos estruturamos, realmente, como um grupo instrumental e experimental. Desde que começamos a tocar com o Labirinto, há quase 8 anos, fizemos as primeiras composições pensando em não ter vocal e em usarmos instrumentos não comuns em bandas de rock; mas foi ao longo da existência do Labirinto, experimentando formas de compor, instrumentos e formações diferentes, que chegamos à um som que nos agradasse. Consideramos que o primeiro lançamento, no qual conseguimos apresentar nossas ideias musicais de uma maneira mais fiel àquilo que imaginávamos, foi com o EP Etéreo, lançado apenas um ano antes do Anatema.A banda sempre foi assim, generosa, no número de integrantes?Labirinto – A ideia sempre foi experimentar e brincar com timbres, texturas, dinâmicas e sonoridades diversificadas. Para isso, buscamos utilizar diversas ferramentas e instrumentos em nossas composições, e em apresentações ao vivo eventualmente convidamos um músico para juntar-se a nós. O limite é o tamanho do palco! (risos)Anatema é um disco muito conceitual, bem amarrado. Vocês já estão pensando no segundo trabalho, no que vai dar base a essa nova criação, especialmente agora que você estão com a novas experiências na bagagem?Labirinto – Engendramos o Anátema em cima de uma narrativa, que balizou todo o processo de criação do disco. Conceitualmente, o segundo disco será uma continuação. Contudo, ele terá novos elementos, sonoridades e instrumentos. Já temos uma parte dele pensado e composto. Em breve, após as turnês e shows, começaremos a “trabalhá-lo”.Aliás, o que significa Anatema?Labirinto – Excomunhão, maldição, mácula. O conceito do disco de “eterno retorno” engloba todas essas definições. Tentamos tornar esta ideia mais nítida por meio da relação proposta entre as músicas e as ilustrações impressas no LP e no CD.
Por que vocês terminaram a mixagem do disco Anatema em Chicago?Labirinto – Resolvemos mixar em Chicago com o Greg Norman, no Electrical Áudio, pois ele já fizera trabalhos muito interessantes com bandas gringas, que possuem sonoridades próximas a do Labirinto, como Pelican e Russian Circles.; além da sua própria forma de “trabalhar”, que coincidia com toda proposta e fomentação do disco. Mandamos um material da pré-produção do Anatema para ele, que apreciou e topou a empreitada. Depois masterizamos com o Bob Weston, também em Chicago. Adoramos o resultado de ambos os processos.O disco vem acompanhando de um trabalho gráfico bem interessante, nos shows vocês fazem projeções. Queria saber se para você a ideia de fazer música sempre esteve atrelada a essa coisa de unir outras formas de arte. Sempre funcionou assim?Labirinto – É como se a experiência fosse mais completa… Buscamos relacionar nossas composições com outras formas de expressão cultural, como cinema, fotografia, literatura. Tentamos construir músicas imagéticas, onde as pessoas possam ser envolvidas por diferentes formas e signos de percepção. As ilustrações do disco associam-se com as músicas correspondentes, que representam fragmentos da narrativa de Anatema. Tentamos levar esse conceito pra nossas apresentações também.
Produzidas em 2009 pelo artista paulistano João Ruas, as seis ilustrações que fazem parte do álbum foram criadas de acordo com a história desenvolvida pelo guitarrista Erick Cruxen para Anatema. Norteadas pelos fantásticos mundos dos jogos de RPG, mitologia antiga e conceitos de psicologia, as imagens ilustram os conceitos e os momentos da história, cada uma representando uma música do álbum
Você estão de malas prontas para uma turnê internacional, certo? Onde vão tocar e será a primeira vez?Labirinto – Fomos convidados a tocar no festival North by Northeast (NXNE) em Toronto/Canadá, que acontecerá daqui a menos de um mês. Aproveitamos, e antecipamos a turnê que faríamos em setembro. Ainda estamos confirmando outras datas, mas já temos apresentações confirmadas em algumas cidades pela costa leste dos EUA, como Nova York e Baltimore, além de Chicago, Urbana e Detroit. Estamos muito ansiosos, mas muito felizes e satisfeitos por podermos realizar essa tour.Li boas resenhas do disco de vocês em sites gringos… Essa boa repercussão lá fora foi inesperada ou vocês também trabalharam nessa divulgação lá fora?Labirinto – Sempre mantivemos contato com um pessoal do exterior. Em nossas redes sociais nos relacionamos com pessoas de diversas partes do mundo. Ficamos, realmente, surpresos com a repercussão que o Anatema obteve, permitindo-nos conhecer mais gente, bandas e festivais ao redor do mundo.Na volta dos EUA, já tem algum grande show a vista?Labirinto – Temos algumas datas sendo confirmadas. Dia 4 de agosto tocaremos em Sorocaba no Asteroid, e até o mês de setembro devemos tocar em Curitiba e em São Paulo, na Serralheria. Disponibilizaremos todas as informações em nossa mídias sociais e no informativo que enviamos mensalmente: www.labirinto.mus.br, www.twitter.com/labirintomusic e www.facebook.com/labirintoband.Tags: anatema, labirinto -
abril 20th, 2011entrevista, posts por autor: Natasha[por Natasha Ramos]
Em seu 12º e mais recente livro, intitulado DJ – Canções para Tocar no Inferno (editora Barcarolla), o dramaturgo Mário Bortolotto escolheu o universo musical para compor seus 25 contos inspirados em canções, que vão de surf-ballads, passando por clássicos do rock, pérolas do blues, algumas já anunciadas nos títulos, outras apenas insinuadas em textos mergulhados na cultura Beatnik.
Os contos são recheados de mulheres, brigas e sexo, tudo isso regado a muito álcool e com pitadas do humor ácido de Bortolotto. No playlist literário de “DJ…”, clássicos como “Stand By Me”, de autoria de Darrel Mansfield, Jerry Leiber, Mike Stoller e Ben E. King; “Another Sleepless Night”, gravada por Neil Sedaka; “Swing On Down”, de Donavon Frankenreiter; “I Drink Alone”, de George Thorogood; “Jealous Guy”, clássico de John Lennon; “Knockin’ on Heaven’s Door”, criação de Bob Dylan; “I Don’t Need no Doctor”, de Ray Charles e “Given the Dog a Bone”, do AC/DC.
Conhecido por suas obras no teatro e nas livrarias, Bortolotto também alimenta, desde 2004, seu blog Atire no Dramaturgo –cujos textos foram reunidos em livro homônimo, lançado em 2006–, além de escrever artigos para jornais como a Folha de S. Paulo. Como se não bastasse, ele ainda encontra tempo para ser vocalista e compositor de duas bandas: Saco de Ratos Blues e Tempo Instável.
O Palco conversou com Bortolotto para saber um pouco mais sobre seu novo livro, suas bandas e como ele consegue conciliar todas essas atividades. Confira o papo rápido com o escritor, ator, diretor, dramaturgo, vocalista e compositor!
Palco Alternativo: Como surgiu a ideia de escrever contos inspiradas em canções de rock e blues no livro “DJ – Canções para tocar no inferno”?
Mário Bortolotto: Eu escrevi um primeiro conto para uma revista. A história de uma garota que é violentada e começa a cantar chorando a música “Stand By me”. Usei o nome da música como nome do conto e a partir daí sempre que tinha que escrever algum conto pensava em algum nome de música. Já tinha a ideia de reunir esses contos depois num livro que eu chamaria de “DJ”.PA: Como foi escolher essas músicas? Você pensava na música e escrevia baseada nela ou o contrário, escrevia o conto e pensava em uma música que se adequasse a ele?
MB: Teve os dois jeitos. Às vezes a música vinha na minha cabeça e eu escrevia o conto a partir dela. E, às vezes, escrevia o conto e ficava pensando qual nome de música eu poderia usar.PA: Ao ler o livro, percebi em sua narrativa uma forte influência do Bukwoski. Você gosta dos escritores chamados “malditos”? Além, do Buk, quais outros autores lhe inspiram?
MB: Eu gosto dos escritores que chamam de “malditos” sim. Além do velho Buk, poderia citar Kerouac, Carver, David Goodis, Chandler, Jorge Cardoso, Reinaldo Moraes, Hunter Thompson. Tem uma porrada de escritores que eu gosto.PA: A maioria dos (se não todos) contos é escrita em primeira pessoa. Os contos são meramente ficcionais ou tem algo de autobriográfico neles?
MB: Como diz o meu amigo [o escritor] Reinaldo Moraes, geralmente é tudo “conficção”.PA: Além de escrever (este é o seu 12º livro, certo?) você também é diretor de teatro e toca em duas bandas: Saco de Ratos Blues e Tempo Instável. Como você consegue conciliar todas essas atividades?
MB: Gosto de fazer tudo isso. Então encontro um tempo pra fazer. É simples.PA: Fale um pouco sobre as suas bandas: Quando foram formadas? Você é vocalista e compositor das duas? Qual a sua relação com elas: é mais um hobby ou dá pra ganhar dinheiro tocando? Quais são as suas influências musicais?
Tags: canções para tocar no inferno, dj, mário bortolotto, Natasha Ramos, saco de ratos, tempo instável
MB: Eu tive várias pequenas bandas em Londrina. Gravei um CD lá com a banda “Ked´s” que é o “Cachorros gostam de Bourbon”. É um CD cult. Aqui em São Paulo sou vocalista e compositor de duas bandas, a “Tempo Instável” e a “Saco de Ratos”. Ainda não ganhei dinheiro com elas, mas a gente leva a sério. A “Saco de Ratos” está gravando o segundo CD que vai ser duplo. Minhas influências musicais vão do blues ao rock principalmente, mas eu ouço de tudo (menos música sertaneja e axé). -
abril 5th, 2011entrevista, posts por autor: NatashaShow do lançamento de Only Music Now será no Inferno Club
[Natasha Ramos] A banda brasileira-formada-em-Londres The Salad Maker é daquelas que “lembra tudo, mas não se parece com nada”. Há quem os classifique como música cosmopolita moderna; ou, como um dos integrantes disse “é uma salada”.
Formada por Renato Vanzella (vocais e guitarra), Thiago Romano (baixo e backing vocals), Denis Viegas (guitarra e backing vocals) e Ricardo Pandorf (bateria), o grupo lança seu terceiro CD, intitulado It’s Only Music Now, pelo selo Pisces, nesta sexta-feira (8/4), no Inferno Club (casa de shows na rua Augusta, 501), Neste dia, tocam também as bandas Ecos Falsos e Vespas Mandarinas.
Em entrevista ao Palco Alternativo, o quarteto falou sobre a trajetória da banda, suas influências, seu novo trabalho, o que acham do atual cenário de bandas independentes e sobre os planos para este ano. Confira na íntegra o bate-papo com os caras.
Palco Alternativo: Quando foi formada a banda?
Vanzella: Em 2008. Oficialmente. Na verdade a idéia surgiu em 2007, eu e um amigo meu fomos pra Londres com a idéia de viver da música. Mas até a gente se estabelecer na cidade, arrumar um emprego, ganhar dinheiro, levou quase um ano. Encontramos um baterista lá que, coincidentemente, foi um bicho meu na faculdade. Assim montamos a banda, que iniciou como um trio.
PA: Qual foi o primeiro show da banda?
Vanzella: Tem um espaço em Londres, chamado Roundhouse (http://www.roundhouse.org.uk/), é tipo uma ONG, estúdio para as bandas ensaiarem e tudo muito barato e espaço para shows. Nós fomos convidados pelos organizadores de eventos para tocar neste lugar, em 2008.
PA: Do trio, quando começou até agora, a banda passou por muitas formações?
Vanzella: Passou por várias formações até chegar a esta. Porque lá, em Londres, a gente fazia questão de tocar só com brasileiro, pela facilidade da língua e comunicação. Só que brasileiro é imigrante, passageiro. Por conta disso, mudou muito a formação. Por volta de outubro de 2009, virei para o Amauri e contei da minha ideia de fazer uma turnê independente no Brasil. O Amauri topou, porém não veio para o Brasil, somente eu, e dessa formação atual somente o Romano participou da turnê no lugar do Amauri. Depois da turnê, voltei para Londres e, em março de 2010, vim para o Brasil e convidei os atuais integrantes, pois já nos conhecíamos há bastante tempo, tínhamos bandas diferentes na cena de bandas independentes do ABC.PA: Você disse que foi para Londres para viver de musica. Deu certo?
Vanzella: Deu. Não da minha música, mas eu vivia de música. Eu era musico de rua, tocava em alguns bares. Inclusive o segundo EP, o nome dele era de um bar que eu tocava quase toda sexta-feira, o Howl at the Moon.
PA: Por que vocês optaram por cantar em inglês? Foi uma escolha natural pelo fato de você estar lá fora…?
Vanzella: Eu sempre tive facilidade para compor em inglês. Aí o pessoal topou continuar cantar em inglês no Brasil.
PA: Tem muita banda que começa cantando em inglês e depois opta por português… Vocês pensam em cantar em português, ou não?
Denis Viegas: A gente pensa sim, mas não tem prazo para isso. A gente está primeiro de afirmando como banda, esse é o segundo CD que a gente está lançando agora, o Only Music Now, no dia 8 de abril…
Vanzella: Parar de compor em inglês a gente não vai, acho que o português só vai agregar, é só mais uma ferramenta artística que se tem. Com o português, é possível passar uma outra visão diferente do inglês. E além disso, dá pra mesclar as duas línguas, como por exemplo o Boom Boom Kids [banda argentina], que faz isso com o espanhol e eu acho que fica muito legal. O Little Joy faz isso com o português…
PA: Como se deu a escolha do nome? Vocês não são vegetarianos, né?
(risos) Vanzella: Não, não. Era um lugar que eu trabalhava em Londres, um salad bar, e o meu cargo lá era o salad maker.
PA: Quais são as suas influências musicais?
Vanzella: sou fanático por Rancid, sempre fui, adoro todas as músicas deles, adoro principalmente o vocalista o Tim Armstrong, sou muito fissurado também por rock`n`roll da metade dos anos 50, começo dos 60, como Buddy Holly, Neil Richard foi quem me influenciou bastante para cantar rasgado, também gosto de rhythm and blues…
Denis: Gosto desde rock antigo dos anos 50, hardcore californiano, MPB, jazz…
Romano: Eu gosto muito de Los Hermanos, para simbolizar uma banda nacional e de internacional atual, eu gosto muito do John Mayer, que é mais pop, gosto bastante de Elvis, Mark Knopfler, Go Jimmy GO…
Pandor: eu tive minhas fases. Quando eu era bem moleque eu gostava só de metal. Aí você vai crescendo, abrindo a cabeça, ouvindo mais coisas. Hoje, do som mais pesado, eu curto um Slayer e Metallica. Do som mais antigo, eu curto uns anos 80, desde um Duran Duran até um The Clash; de nacional, Cazuza. De todos os tempos, nacional, é o Paralamas do Sucesso. De hardcore, seria o Dead Fish.
PA: Como vocês classificam o som de vocês? Eu sei que, com tantas influências, isso é bem difícil, mas…
Vanzella: Classificaram a gente como música cosmopolita moderna (risos). [Falando sério agora] É um… rock`n`roll dançante.
PA: Mais genérico impossível…
Vanzella: É uma salada, pronto. Lembra tudo, mas não parece com nada.
PA: Vocês têm dois EPs, o We Are The Salad Maker (2009) e o Howl at the Moon (2010), e agora, dia 8, vocês vão lançar o CD Only Music Now…Na verdade este também é um EP, mas a gente está chamando de álbum porque se você fala EP, as pessoas pensam que é uma demo e não é. A gente fez a maior “produça”, investimos muito dinheiro, contratamos um produtor musical para ver as nossas composições, dar umas dicas, contratamos músicos para complementar todo o projeto, escolhemos músicas a dedo, com muito cuidado. Então falar que é um EP para o cara achar que é uma demo é muito menosprezar. Não é um álbum porque não tem dez, doze faixas. Então não sei o que é… De repente, um disco, um CD.
Vanzella:
PA: Falem um pouco mais desse trabalho. Vai ser lançado de forma independente?
Romano: Não. Vai ser lançado pelo selo Pisces. Nós gravamos no estúdio Tribal, com o Julio Meira, que é o nosso produtor (trabalhou com o Tihuana, fez direção de voz do Fiuk).
PA: São só músicas novas?
São cinco músicas inéditas.
PA: Vocês costumam participar de festivais?
Romano: Tocamos recentemente no Grito Rock, [festival realizado em várias cidades do Brasil] mas fora este nós não tocamos muito em festivais porque a gente não paga para tocar. Os convites que recebemos não foram viáveis, era muito investimento. A gente não nega por estrelismo, mas por condição mesmo. Tocamos no Grito Rock de Santo André, porque nós somos de São Bernardo, era viável.
PA: E casas de show?
Vanzella: Em São Paulo, tocamos no Berlim, Hangar, Casa do Mancha, Outs, Studio SP, Sattva e vamos tocar agora dia 8 de abril no Inferno. Boom Bar, em Campo Grande. Rock and Drinks, no Rio. Voodoo Bar em Campinas.
A turnê pelo Brasil, no começo de 2010, passou por Bauru, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Assis, Urupês, São Paulo, São Bernardo… Tudo na base dos contatos.
PA: Eu vi que vocês tem uns vídeos no Youtube, tem até um clipe oficial o “Bigger Than This”. Foi gravado na Avanhandava?
Sim, uma parte foi gravada lá e a outra parte foi gravada num bar em São Bernardo. A edição foi feita por um amigo nosso que trabalha na Band. Quem gravou foi o nosso fotógrafo, Caio Paifer (Hori, Fiuk), a gente também trabalha com um videomaker, Edgard Ishikawa, que tem uma empresa chamada Coleta 1994, trabalha com artistas como o rapper Emecida.
PA: Você tem uma rede de amigos colaborativos, hein!
Denis: Nossa bastante, economiza muita grana.
PA: Vocês falaram que dividem o tempo da banda com trabalho. O que vocês fazem?
Romano: Eu fazia engenharia até semana passada, tranquei porque já está chegando num nível que não está mais dando para conciliar, mas ainda trabalho na área.
Denis: Eu faço uns freelances de publicidade.
Vanzella: Acabei de entrar na área de construção civil. Me formei em publicidade e propaganda, trabalhei um tempo na área, mas percebi que não era pra mim.
Pandor: eu e minha esposa temos uma marca de roupa, a Elephant. Está até na etiqueta da capinha do CD Howl at the Moon, somos nós que produzimos. E atualmente, estamos trabalhando numa estamparia.
PA: O que vocês acham no cenário atual de bandas independentes no Brasil?
Vanzella: Fizeram essa pergunta pra banda em dezembro eu já vou responder algo totalmente contrário do que eu disse na época. Eu acho que é uma indústria que explora o trabalho das bandas independentes, é muito desorganizado, muita falta de profissionalismo, o pessoal lê muito pouco.
Denis: as casas de show exploram porque tem bandas que abrem as pernas…
Vanzella: É muito difícil fazer uma negociação com uma casa, é muito cansativo, falta profissionalismo. Acho que é um monte de gente que gosta de som e quer ganhar um dinheiro com isso, mas não sabe como trabalhar, nem nunca leu muito. Mas, eu ainda sou otimista, esse cenário melhorou bastante e ainda tende a melhorar.
PA: Quais são os planos neste ano, além de lançar o CD?
Vanzella: Ao contrário do que qualquer banda faria a gente vai tocar pouco, porque a ideia é descobrir os lugares onde as pessoas trabalham direito, onde você vai poder voltar, ganhar seu dinheiro, sem ser explorado. E como a gente sabe, não existem muitos desses lugares no Brasil. O lance vai ser meio investigativo. Então vai ser essa a ideia: fazer menos shows, mas fazer mais shows certos.
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dezembro 15th, 2010cultura pop, entrevistaPeça passeia pelos dilemas amorosos dos 20 e poucos anos, destacando seu melhor elemento: as trilhas que embalam as dores de amor
[por Andréia Martins]
Quantas vezes você já sofreu por amor? Ou quantas vezes você já sofreu, colocou o pé na jaca, a cara na sarjeta, ou como quer que você chame a tal fossa? Se tem uma coisa que a gente sabe – na verdade são duas as certezas universais – é que cedo ou tarde, vamos todos sofrer por amor. E se for para sofrer, que as lágrimas sejam embaladas por uma boa trilha sonora.
E é justamente esse o ponto principal da peça “Música para cortar os pulsos”, dirigida por Rafael Gomes – o mesmo de “O Tapa na Pantera”.
A peça apresenta os universos particulares de três jovens em torno dos 20 anos: Isabela (Mayara Constantino), Ricardo (Victor Mendes) e Felipe (Kauê Telloli). Com estrutura de monólogos intercalados – ou um mosaico de histórias recolhidas ao longo dos 20 e poucos anos do diretor -, a tríade vai pouco a pouco desfolhando seus sentimentos íntimos, anseios, frustrações, dúvidas.
Para interagir com o púlico, a peça criou um blog, o Músicas para cortar os pulsos, onde são postadas informações sober a peça e várias músicas que se enquadram na categoria, além de receber sugestões dos internautas.
Rafael bateu um papo com o Palco Alternativo sobre a produção e se confessou “um músico frustrado”. “Mas a música, até por ser essa arte de compreensão mais abstrata e instintiva, tem um poder imenso de comoção que não me larga (e nem acho que jamais largará). Então eu vou sendo ‘músico’ através dos filmes, das peças, dos textos e até mesmo dos shows que dirijo”, disse ele.
Confira a entrevista:
Primeiro como a história começou a ganhar corpo? Você foi juntando histórias e momentos que você e amigos já vivenciaram, como foi essa construção?
Exatamente por aí. Eu tinha um sentimento, uma vontade de criar personagens e situações que extravasassem um pouco essa pulsação intensa e derramada que as músicas causam em nós, ou para as quais são sempre trilha sonora em nossas vidas. Esses momentos de descaminhos, encontros, perdas, romantismo e paixão. Daí a dramaturgia foi se erguendo como um mosaico de histórias recolhidas ao longo dos meus vinte e tantos anos, dividida em três personagens que estão em momentos muitos particulares e distintos dentro do furacão do sentimento amoroso.A escolha do repertório deve ter tomado um certo tempo, imagino, pois o que não faltam são músicas para cortar os pulsos. Como foi feita essa seleção?
Ouvimos muitas músicas, pelo menos três por dia durante os dois meses de ensaio. A seleção daquelas que acabaram na peça aconteceu de forma orgânica – como se elas se ‘colassem’ sem esforço a determinadas cenas, momentos e sentimentos. Mas até hoje eu sofro com as muitas que ficaram de fora. Houve também o caso de recorrer a canções que inspiraram a escrita do texto, ou mesmo que fossem diretamente citadas na narrativa, que tivessem função diegética no espetáculo.Você tem o seu top 3 de músicas para cortar os pulsos?
Muito, muito difícil escolher três. Mas eu não seria fiel ao próprio conceito de “música para cortar os pulsos” se não apontasse uma dita ‘brega’ como, por exemplo, “Evidências”, de Chitãozinho e Xororó. “There Is A Light That Never Goes Out”, dos Smiths, me deixa imediatamente melancólico. E “Três da Madrugada”, de Carlos Pinto e Torquato Neto, na voz de Gal Costa, é também destruidora (tá, não aguento e tenho que dizer que “Sua Estupidez”, de Roberto Carlos, é também muito difícil).A peça é jovem não apenas na linguagem, mas nas referências e na experiência. Você acha que há pouca produção com bom conteúdo para esse público, ou que mostre mis momentos e experiência vivenciados especialmente nos nossos 20 poucos anos?
Eu tenho certeza que há pouca produção, porque eu sou um espectador ávido de teatro há pelo menos 10 anos e sempre senti falta de obras que me retratassem de mais de perto. E quando as há, quase sempre são textos importados, alguns até bons e bem montados, mas nos quais sempre perdura uma sensação de deslocamento, uma consciência contínua de que aquilo ali é ‘teatro’ antes de ser a exposição de uma realidade próxima – minha noção é a de que o ‘espetáculo’, nesses casos, acaba vindo antes da experiência (não sei se me faço entender). O que eu queria era fazer uma peça em que o sentimento, o espelho, a identificação e a comoção viessem primeiro, e só depois o público lembrasse que é teatro.Rafael também tem outro projeto bem legal, o “Música de Bolso”, um projeto audiovisual que faz música para ver e vídeos para ouvir. Clique e espie só
Pelos seus trabalhos anteriores, esse público de 20 e poucos anos parece te interessar muito. Algum motivo especial ou trata-se de uma identifiação natural com esse público, pela idade?
Acho que é pela idade, por me sentir mais confortável em falar de algo que já vivi ou esteja vivendo. Este é um terreno que eu sinto pisar com mais segurança.É engraçado que mesmo quando há rompimento e términos, a gente pode descobrir boas músicas, mesmo que elas sejam para cortar pulsos e se derreter em lágrimas. E depois que passa, você acaba virando fã da banda… Já aconteceu com você?
Muito. Aliás, é bastante comum que nós gostemos de uma música justamente porque ela nos faz sofrer, não é? Quem nunca colocou uma música querendo deliberadamente chorar ao ouvi-la? Porque é como se a música fizesse uma purgação daquela dor, ali a gente cria uma pequena catarse emocional que vai corroendo para limpar, para lavar e ir curando. Não é assim? Ou também, quando já parou um pouco de doer, a gente volta a ouvir a música para rememorar a dor que já não arde, mas cuja lembrança nos faz vivos.A peça traz uma sensação de que estamos revivendo alguns momentos, não tem aquela coisa de mensagem, “moral da história”, enfim, minhas impressões. Pela receptividade do público [a peça está super bem falada na rede], você está satisfeito com o resultado?
A peça não tem nenhuma pretensão de dar recado nem de “ensinar” o que quer que seja. Nós só estamos tentando ser muito honestos e compartilhar (essa, aliás, é a palavra de ordem, desde a forma como abrimos o processo em blog e Twitter, passando pelas canções que nós sempre pedimos para que nos mandassem). Porque dói menos sofrer acompanhado. Porque a gente precisa de outros corações para costurar os nossos. E, principalmente, porque a alegria precisa ser dividida. Nando Reis diz em uma música (para cortar os pulsos) que “tornar o amor real é expulsá-lo de você pra que ele possa ser de alguém”. É isso. Nós estamos expulsando sentimentos de nós para que eles possam ser da plateia. E a receptividade das pessoas tem sido de um envolvimento e de uma entrega muito grandes, como sempre quisemos, mas não exatamente poderíamos esperar. Estamos, portanto, todos imensamente satisfeitos com o resultado.Li que essa peça vai virar um longa em 2011. É verdade? Algo de novo na trama ou a ideia será a mesma?
É verdade. Mas a trama em si deve sofrer várias alterações. Ainda estou estudando se fico com os três personagens ou me foco mais em um deles. O que certamente será transposto para a tela é essa intensidade dos sentimentos que vem com trilha sonora (e as músicas, claro!).Você é formado em Cinema mas dá pra perceber que a música tem uma grande influência no seu trabalho… Você também é músico?
Eu não toco em nenhuma banda e acho que sou um músico frustrado. Brinco com o violão, mas não sei nada formal sobre música. Mas a música, até por ser essa arte de uma compreensão mais abstrata e instintiva, tem um poder imenso de comoção, que não me larga (e nem acho que jamais largará). Então eu vou sendo ‘músico’ através dos filmes, das peças, dos textos e até mesmo dos shows que dirijo. -
setembro 23rd, 2010entrevista[por Andréia Martins]
Eles não usam roupas coloridas, óculos maiores que o rosto, tênis trocados ou calças justas. E nem precisam. Em vez disso, pense em uma bateria de criança, um baixo-guitara, guitarras red neck e letras cantadas em portunhol. Tudo isso numa mistura de punk rock, bolero, música latina e MPB mexicana. Ou algo perto disso.
O Los Pirata, banda natural de São Paulo, formada por Paco Garcia (guitarra), Jesús Sanchez (Fender VI) e Loco Sosa (bateria de brinquedo), é uma das mais e divertidas da cena alternativa. Na estrada desde 2002 e com dois discos na bagagem – entre eles o espirituoso La-Re-vuelta, de 2006, com versões pitorescas de Fire (Jimi Hendrix) e Blackbird (Beatles) – o trio acaba de lançar seu terceiro disco, Les Show.
O disco é resultado de duas semanas atravessando quatro estados norte-americanos (Califórnia, Arizona, Novo México e Texas). “Cidades pequenas do velho-oeste, paisagens desérticas, luzes estranhas no céu e conversas em bares de beira de estrada”, como eles mesmo dizem, serviram de inspiração para o álbum.
Por e-mail o trio – que continua não se levando muito a sério – bateu um papo com o Palco Alternativo sobre o novo trabalho:
Palco Alternativo – Les Show foi gravado num clima roadtrip. O que isso trouxe de diferente em relação aos álbuns anteriores?
Los Pirata - Tínhamos um prazo para compor as canções e conceber o disco. Isso ajudou na maneira de pensar a coisa toda. Deu um ritmo para o disco. Tínhamos um cronograma e concordamos em cumpri-lo.
PA – Li que vocês fizeram o tour à bordo de uma van apelidade de “ballena blanca”. Alguma boa história pra contar durante os trajetos e o que significa esse nome?
LP – Jung puro. O homem dentro da baleia (que era branca, claro). Nossa proteção e nossa caverna. A eterna busca interior. Daí o deserto, na sua plenitude externa, pra contrapor a loucura da experiência. Muitas histórias boas. Conversas em bares obscuros, pessoas interessantes, índios, mexicanos, cowboys, silêncio, estrelas e luzes.
PA – Se tivessem que apresentar o Les Show em uma frase, qual seria?
LP – O melhor disco do Los Pirata até agora, em 2010.
PA – Tive a impressão de que ele está mais pesado que os discos anteriores. É isso mesmo?LP - Acho que sim. Tem um peso diferente, na verdade. Os discos anteriores possuem um lance mais punk, mais rápido, se é que se mede esse tipo de coisa. Nesse tem mais guitarras e mais vozes.
PA – Sobre as músicas do disco, são mais antigas, foram compostas em algum período especial ou todas são recentes e pensadas para o disco?
LP - O disco foi todo pensado durante a viagem, mesmo que se aproveitando idéias e pequenos pedaços de canções que já existiam. O conceito todo, a cara do album foi sendo moldada durante a viagem.
PA – Qual a história por trás da música Filipino Weird?
LP – Uma babá violenta, festas na beira de uma piscina e muita tequila. Coisa séria.
PA – Muitas bandas brasileiras da cena independente têm tocado no SXSW. Uns vem com mais otimismo, por verem onde a cena norte-americana independente chegou, e outros menos, achando que aqui no Brasil algumas coisas ainda vão demorar… Em relação às duas cenas, o que vocês acharam? Como foi a experiência de participar?
LP - A experiência internacional, seja no SXSW, em tour com outros artistas ou gravando, é sempre pessoal e intransferível. Foi muito bom para o Los Pirata participar de tudo aquilo. Não é só o show que vale. Há uma interação, uma troca muito saudável entre bandas, produtores, gravadoras e afins. Acredito que a “cena independente” aqui no Brasil ainda é jovem. Ainda há muita coisa pra se fazer, pra melhorar. Estamos no caminho. Uma grande lição pra todo mundo é tocar e catar afinado, arcar com compromissos e responsabilidades, se profissionalizar. Ainda há a falácia do “não se levar a sério” no aspecto de fazer algo simplesmente ruim. Isso deve acabar com o tempo.
PA – Vocês estão na estrada com a mesma formação já há uns bons anos. Tem uma receita pra isso dar certo..rs? O fato de vocês tocarem com outras bandas e artisitas ajuda a dar uma arejada?
LP – Enquanto for divertido e verdadeiro para todos os três, está valendo. Mantemos a nossa integridade e temos liberdade pra falar coisas que, em outras bandas, poderiam ser tabus. No meu caso, sim: tocar com outros artistas e ter meu trabalho solo só contribui para que a “experiência Los Pirata” seja mais legal.
PA – Hoje a banda está inteiramente dedicada ao Los Piratas ou ainda rolam participações em outras bandas?
LP – Cada um tem a sua carreira, seus projetos. Ninguém vive da banda, financeiramente. Nunca viveu. Independentemente da questão financeira, como já comentei, possuímos mais tentáculos fora do Los Pirata. Estamos numa fase ótima, curtindo o novo disco e curtindo tocar as músicas novas. Já está de ótimo tamanho.
PA – Sobre o trabalho gravado com o Pélico como rolou o convite para Loco e Sanchez e como foi a gravação concepção do trabalho? É um Los Piratas em versão desacelerada?
LP - Pélico teve a insensatez de convidar esses caras pra tocar com ele. Eu participei de uma ou duas músicas no disco. Avisei que ele deveria chamar gente séria pra trabalhar com ele mas, parece que ele ignorou. Pélico é, junto com Rafael Castro e Estêvão Bertoni, dos meus compositores/cantores prediletos. Coisa fina.PA – Sobre a banda, desde a criação a ideia sempre foi fazer um rock irreverente, divertido e meio nonsense? Algumas faixas desse disco novo, como Marfa Lights ou Pirate’s Lullabie, mostram um lado ”diferente” da banda… é sinal de um novo caminho?
LP - Sempre tivemos um bom-humor e uma loucura rolando. Realmente existem canções diferentes no disco novo. Isso reflete a liberdade que nos permitirmos ter, pra que possamos pensar sem amarras ou receitas pré-concebidas. Liberdade, abre as asas sobre nós!









