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outubro 29th, 2011matérias especiais, posts por autor: Andréia[por Andréia Martins]
Matt Adams é um tipo curioso. Este californiano é a mente por trás do The Blank Tapes e não à toa, muitas vezes é chamado de uma “máquina da música”. Tudo porque ele já lançou mais de 100 músicas nos sete anos de carreira da banda – que tem seis discos na bagagem e muitos quilômetros rodados em tours pelo mundo todo -, sem contar que, na hora de gravar, é ele quem cuida de todos os instrumentos.
“Eu estou sempre pensando em música, trabalhando em duas ou três ao mesmo tempo. É para isso que minha cabeça funciona”, disse ele em entrevista exclusiva ao Palco Alternativo, pouco antes de estrear sua turnê 2011 no Brasil, mais precisamente em São Paulo, na Casa do Mancha.
Pacato, sempre com seu bloquinho de anotações a tira colo, Matt é natural de Orange County no ensolarado Estado americano da Califórnia, e depois se mudou para São Francisco – o que ele mais costa lá? As cores. Começou o Blank Tapes em 2003, quando lançou seu disco de estreia, o excelente Country Western Honky Tonk Sallon Blues, pura essência do folk americano, mas com ares praianos.
A turnê ainda faz parte do último trabalho da banda, Home Away From Home, de 2010. Um disco diferente dos anteriores, tanto na sonoridade quanto no formato; com 10 músicas, é seu disco mais enxuto já que ele costuma lançar álbuns com mais de 15 faixas.
“A mudança foi que… bem, primeiro eu queria lançar este trabalho em vinil, o que permite em média 40 minutos de música. Como a gravadora também queria um disco curto, quis que ele tivesse um conceito e fosse focado em determinados estilo e sonoridade”, disse Matt. “Já escrevi muitas coisas gentis, alegres e otimistas. Agora eu estou tentando expressar esse lado mais escuro, mais grave. Eu sempre tive este álbum em mim”.
Escrito em uma van – enquanto ele cruzava cidades para se apresentar -, o resultado foi um disco mais elétrico e com composições mais despojadas comparado com os trabalhos anteriores. Aliás, enquanto ele compunha os primeiros versos de “Drivin’ Out Of My Mind”, ao volante, ele literamente saiu da pista e foi parado por policiais. O que ele respondeu que estava fazendo? Provavelmente, “drivin’ out of my mind”.
The Blank Tapes – We Can Do What We Want To by playwhitenoise
O modo de gravar não surpreende em se tratando de Matt. Já há um tempo ele trocou os grandes estúdios por um gravador de fitas cassetes mais simples, onde ele consegue gravar oito músicas e conta com recursos mínimos, aderindo ao “lo-fi way of recording”.
“Quando eu comecei a gravar minhas músicas, com 16, 17 aos, usava ferramentas digitais como todo mundo. Mas chegou um momento que aquele excesso de possibilidades me fazia perder o foco. Você fica refazendo a música… para sempre. Era demais para mim”, conta.
Para ele, a possibilidade de gravar em seu quarto, em uma van ou mesmo na garagem, deixa a música mais real, com a “sujeira necessária”. “O lance é saber do que a música realmente precisa. Gosto dos limites que esse formato impões, onde tenho que ser mais criativo”.
Ao longo dos anos, Matt diz ter se tornado um músico e compositor melhor. “A maior mudança é que me tornei um cantor melhor, e as letras melhoraram. Antes mesmo do Blank Tapes, fico constrangido com as coisas que escrevi”, diz ele rindo. “Não sabia o que eu queria dizer naquela época… Não tenho certeza se sei ainda hoje”.
Revirando o baú de Matt Adams
Country Western Honky Tonk Saloon Blues foi lançado de maneira independente e imediatamente começou a atrair a atenção da imprensa californiana. Influenciado por artistas como Leonard Cohen e Velvet Underground, o Blank Tapes passou a integrar a crescente cena do som de raízes americanas que ecoava com artistas contemporâneos como, por exemplo, Lambchop e Ryan Adams.O disco traz letras falando de aventuras com amigos, amores [I’m Lookin For Love, uma história engraçada de um cara enganado por uma mulher casada e que resume seu problema em uma frase: “estou procurando o amor na cidade errada”] e a eterna busca do seu lugar no mundo [Over the Mountain, com ares melancólicos], com direito a doses de psicodelia [herdada da influência do hard rock] e de humor ora aqui, ora acolá. Como ele diz na faixa “Mama Showed Me Love”: “Mamãe nunca me falou sobre as corporações / Mamãe nunca me disse o que realmente havia lá fora / Muitas vezes me senti confuso e não conseguia me mexer”.
Na faixa “Where Am I Now”, a sensação de deslocamento é latente, e Matt canta: “Sou um turista em minha casa” e “Vai doer andar na ponta dos pés”. Já em “Walking” e “Floating Away”, Matt canta seus destenperos e, no final, não se cansa de repetir “It’s all up to me”. Quase sempre é.
Landfair (2005), segundo disco, traz a banda usando mais guitarras. O formato elétrico só seria mais explorado pela banda em discos mais adiante. Dois anos depois, Matt lançou Friends & Favorites. Um disco melancólico, reflexivo só com covers. Destaques para a delicada “Queen of Valencia”, em parceria com Lauren Cobb, a obscura e bonita “Belly Dancer”, com Kathryn Jensen, “Oceans of Blue” e o folkmantra “Firefly”, com Matt McCluer e Kathryn Jensen.
Em Daydreams, também lançado em 2007, Matt deixa um pouco de lado o violão e volta a apostar nas guitarras, produzindo um disco de rock bem alternativo com riffs e faixas longos – ao todo, são 26 músicas. Talvez seja seu disco com composições próprias mais “sólidas” desde o debut em 2003 e, sem dúvida, um de seus melhores trabalhos.
Em 2008, Matt conta que percebeu que entre parcerias e jam sessions estava tocando em umas 15 bandas. Ele decidiu então que o melhor era juntar todas essas músicas em um álbum. Daí nasceu Universal Western Attractions, um disco com sonoridade diversa – hippie, podemos dizer -, que mostra bem a riqueza do baú musical de Matt.
Agora é esperar as próximas surpresas da caixinha musical de Matt Adams. Para este ano, ele disse que pretende lanar um disco em formato digital. Já para 2012, devem sair dois ou três discos. “Músicas não faltam. Quero colocá-las todas para fora”.
Tags: matt adams; the blank tapes; folk; califórnia; lo-fi -
setembro 13th, 2011matérias especiais, posts por autor: NatashaProjeto de música eletrônica do baterista Iggor Cavalera e Laima Leyton tocará no Rock in Rio
[Por Natasha Ramos]
O projeto de música eletrônica Mixhell, formado pelo ex-Sepultura e atual baterista da Cavalera Conspiracy, Iggor Cavalera, e por sua esposa Laima Leyton, começou de forma despretensiosa, em meados de 2004. Aos poucos, o trabalho atrás das pick-ups foi ganhando força no cenário nacional e internacional. As performances mesclam live e DJset, assemelhando-se aos ritmos brasileiros pela sonoridade que contagia e faz as pessoas se mexerem.
“O Mixhell aconteceu naturalmente de minha vontade de pesquisar músicas diferentes e buscar novos desafios. Apesar de ser um estilo diferente, esse projeto dá sequência a todas as minhas pesquisas musicais, assim como com o Sepultura em que, constantemente, buscava referências no Hip Hop, na música indígena, entre outros”, explica Iggor Cavalera ao Almanaque.
A partir de 2007, eles começaram a ser convidados para tocar em turnês pela Europa, América do Norte, Ásia e América do Sul. “Começamos com a intenção de discotecar e nos divertir nas festas de amigos. Aos poucos os convites para turnês e remixes foram surgindo e fomos levando cada vez mais a sério”, conta Iggor.
A dupla, então, iniciou produções próprias e, para os trabalhos de estúdio, contam, desde 2006, com a participação do produtor Max Blum. Em 2009, a Mixhell lançou seu CD début, homônimo, com um mix de músicas próprias e de outros artistas da cena eletrônica mundial. “Este é um CD exclusivo no Brasil, o que nos deixa muito felizes por termos tido a oportunidade de fazê-lo. O que mais gostamos nele é que as músicas são atemporais”, conta Iggor.
A maioria das faixas são produções próprias ou remixadas por eles, ou que remixaram para um amigo (como o Houratron) ou para uma gravadora (caso do remix do From Monument to Masse, do selo Dim Mak, do DJ Steve Aoki). Há também remixes de músicas de Maluca e Diplo (“Il Tigeraso”), Crookers, NASA e outros.
A Mixhell já tem um segundo álbum em vista, em fase de composição e edição que deve ser lançado pelo selo Boys Noize na Alemanha, em 2012.
“O mais bacana da música eletrônica é a troca, é poder refazer, remixar algo que alguém já fez. Isso acontece constantemente, acho que raramente uma track é feita sem a participação de outro músico. Mesmo antes de lançar as músicas, os DJs já as tocam ao vivo para experimentar. Isso é bem diferente do rock”, conta Iggor.
Depois de sua recente turnê pela Europa, onde eles tocaram nos festivais Paredes de Coura, em Portugal, e Mystery Land, na Holanda, a dupla é uma das atrações do Rock in Rio. Iggor já participou de outras edições do festival carioca, com a banda Sepultura, e da edição espanhola do Rock in Rio, com a Mixhell, dividindo o palco com o Boys Noize.
“Desta vez, vamos fazer algo muito especial, que será um show dividido com o Buraka Som Sistema, de Portugal/Angola, e vamos fazer versões de nossas músicas exclusivas para esse show”, diz.
*Publicado originalmente por Natasha Ramos no site Saraiva Conteúdo.
Tags: iggor cavalera, laima leyton, mix hell, rock in rio -
maio 20th, 2011matérias especiais, posts por autor: Andréia[por Andréia Martins]
Se você é desses que curte ilustrações, já deve ter visto as cores vibrantes dos desenhos de Joshua Williams, que também responde pelos nomes Takun Williams e Technodrome1, por aí.
As ilustrações desse americano nascido em Jersey e que hoje mora no Brooklyn, em Nova York, já rodaram blogs e sites gringos e nacionais, com destaque para os desenhos das “celebridades” do mundo da música, como Lady Gaga, Kayne West, Pharrell, M.I.A., Chris Brown, entre inúmeros outros nomes da cultura pop. Na lista de figuras já desenhadas por Takun, até Bin Laden já ganhou traços mais coloridos1.
Williams começou a desenhar inspirado nos desenhos animados que via na televisão, especialmente as tartarugas ninjas. O gosto pela arte, de certa forma, é de família. O pai, arquiteto, também fazia pinturas a óleo, o que despertou o interesse do garoto por artes plásticas. Além disso, o irmão é escritor.
“Acho que está no sangue da família mexer com a criatividade”, disse Takun em entrevista exclusiva por e-mail ao Palco Alternativo.
Desenhando para ele mesmo, começou a perceber que podia ganhar a vida com suas ilustrações. “Percebi que as pessoas estavam prestando atenção nos meus desenhos e pagando por eles”, disse.
Aos 20 e poucos anos, Williams diz que se inspira no mundo pop porque esse é o universo que ele cresceu acompanhando.
“Isso é o que moldou minha personalidade. Adoro aquele filme, The Cable Guy¸com Jim Carey, porque acho que seu personagem tem aquilo que define a minha geração: garotos que cresceram muito influenciados pela TV e pelos filmes. Por isso, o universo pop parece óbvio para mim. Se eu quero fazer arte, tenho que fazer com algo que não seja difícil tirar inspiração”, disse ele.
Nesse sentido, a música e seus astros pop produzidos em massa ganham bastante espaço em seu trabalho.
“Minha relação com a música é essencial no meu trabalho. Preciso de música para viver. Às vezes ouço as mesmas músicas repetidamente, porque isso facilita a minha concentração no trabalho. Música me dá energia, conforto e uma melhor vibração ao meu trabalho, tudo que eu preciso para criar”.
Entre os artistas da música que já desenhou, Takun diz não ter recebido nenhum comentário sobre a obra. “Faço meus desenhos para o público e para mim, não me importo com os comentários”, diz ele.
Takun já fez trabalhos para Pharrell Williams e a arte da capa do álbum “Midnight Express”, de Jay Wrecka, mas uma de suas vontades é trabalhar com Kayne West.
Sobre as chamas que costumam envolver os personagens de suas ilustrações, ele diz que “isso pode ter diferentes significados”.
“Às vezes é só pelo desenho mesmo, como se precisasse de algo para deixar a ilustração mais legal. Ou significar que a pessoa está pegando fogo, é ‘quente’ para mim. Pode ser, ainda, para destacar uma aura que eles possuem naturalmente, motivo pelo qual são estrelas”, diz.
Ver seu trabalho sendo repassado de site em site não incomoda Takun. Segundo ele, isso não tem atrapalhado as vendas, pois as pessoas “veem na internet, mas querem a coisa real”. O ponto positivo é que seu trabalho pode rodar o mundo, enquanto ele mesmo não o faz [embora diga que o Brasil está nos seus planos].
“Posto meus desenhos na Internet para todos que têm olhos verem. E o retorno, especialmente em Nova York, é ótimo. Mas eu não tenho como saber até onde meu trabalho chega, isso também é ótimo”, conta.
A criação, para Takun, não é vista como um “processo”, uma rotina. “A única parte que funciona como um processo, para mim, é lembrar da ideia”, brinca. “Agora que eu finalmente tenho um iPhone, posso anotá-las no bloco de anotações e me lembrar no outro dia”.
Apesar de já ter sido comparado com Andy Warhol, talvez pela influência do mundo pop em seu trabalho, entre as diferentes referências de Williams – ele mesmo cita Basquiat, Warhol, Egon Sheile, Gustav Klimt, Matisse, Pollack, Picasso e Mr. Brainwash –, os cartoons têm um lugar especial.
“A maioria das minhas influências é mais contemporânea, como Frank Miller e o Sin City, Jim Lee e os X-men, e os quadrinhos”.
Com a popularidade em alta, no caminho para alcançar as estrelas desenhadas por ele, suas ilustrações variam de US$ 100 a US$5 mil. Todos os desenhos são feitos com o que ele chama de “super” Mac, em seu apartamento no Brooklyn.
“Meu gato costuma passear pela casa e ver os desenhos, mas fora isso, sou só eu e as baratas”, brinca.
Mais ilustrações de Takun – ou Technodrome1 – em: technodrome1.tumblr.com
Tags: basquiat, design, ilustração, joshua williams, takun williams, technodrome1 -
abril 27th, 2011matérias especiais, posts por autor: Andréia[por Andréia Martins]
Sabe aquele Lanny? Para a maioria das pessoas a quem você fizer essa pergunta, o mais provável é ouvir: “Lanny quem?”.
Pois bem. É com essa resposta que o filme “Sabe aquele Lanny?” pretende acabar — ou pelo menos, diminuir o número de pessoas para quem Lanny é apenas “eu já ouvi esse nome antes”.
O filme de Carolina Calanca — filha de Luiz Calanca, ele mesmo, o dono da famosa Baratos Afins — e Juliana Fumero é talvez o grande presente do festival In-Edit para o público, festival que começa nesta quinta (28) e vai até o dia 8 de maio, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Pronto desde 2002, o documentário de curta metragem integra a mostra “Personalidades” e vem preencher uma lacuna na memória de muitos e fazer uma merecida homenagem a um dos maiores guitarristas da música popular brasileira.
Considerado nas décadas de 60 e 70 o “Jimi Hendrix brasileiro”, Lanny Gordin é para mim, hoje, o nosso Neil Young.
Deixou marcas nos discos de Gal Costa, Jards Macalé, Gilberto Gil e Caetano Veloso, no auge da Tropicália, e tentou deixar antigas marcas de um passado que reúne drogas, depressão e internações de lado, para retornar aos palcos, onde ele continua com sua guitarra em punho ao longo da última década.
Marcelo Andrade, diretor do Festival de Documentário Musical In-Edit Brasil 2011, disse em entrevista à Rádio Cultura na terça (26) que já estava cobrando o filme da amiga há anos. Pronto. Chegou a hora.
Para deixar a festa ainda melhor, uma das sessões de exibição contará com uma performance ao vivo de Lanny.
Homenageados
Esse ano o In-Edit homenageia dois ícones do cinema: Carlos Saura e sua paixão por tangos, flamencos e fados, e o estilo “roots” do documentarista do improviso, Albert Maysles.
Do rock ao clássico, a afinidade de Maysles com o universo musical é comprovada em filme como “Gimme Shelter”, um clássico polêmico do rockumentary sobre a turnê norte-americana dos Rolling Stones, em 1969. Em sua filmografia “musical” também estão Beatles, Wynton Marsalis, Leonard Bernstein, Vladimir Horowitz, Ozawa, Mstislav Rostropovich entre tantos outros.
“Ele foi um pioneiro dessa linguagem ‘uma câmera na mão’, do acaso como roteirista. El acompanhou a primeira turnê dos Beatles, o show dos Stones que acabou em tragédia com a segurança dos Hells Angels, depois, nos aons 70 e 80 ele entrou de cabeça na música clássica. Ele é pioneiro do cinema direto e também registrou momentos históricos da música, o que foi fundamental para trazê-lo”, disse Marcelo na entrevista.
Maysles dará uma aula magna na sexta-feira, dia 6, no MIS, em São Paulo, onde vai contar um pouco da sua história e dos trabalhos feitos.
O argentino Carlos Saura também não precisa de credenciais para ser homenageado. Sua maneira particular de trazer o universo da música para o cinema encheu os olhos da crítica e do público e rendeu nominações ao Oscar e prêmios em Cannes entre outros festivais Música espanhola popular e erudita, canção urbana portuguesa e o tango argentino são alguns dos gêneros abordados no cinema musical do diretor.
“Os tangos, fados e flamencos que ele aborda e as músicas urbanas que tem um certo conflito entre a tradição e a modernidade. No caso do flamenco e do fado você tem nomes ancestrais e no tango, hoje uma nova geração que engloba novos ritmos ao gênero”, diz Marcelo sobre os gêneros musicais que habitam o universo de Saura.
Filmes
O festival chega à sua terceira edição como gente grande. Uma boa pedida entre os gringos é “Who killed Nancy”, de Alan G. Parker (Reino Unido, 2009). O filme aborda a já conhecida história de amor e ódio do baixista do Sex Pistols, Sid Vicious, com a namorada Nancy Spungen.
A lenda diz que Vicious teria matado a namorada. Verdade ou mentira? É isso que o documentário tenta descobrir analisando todas as versões e teorias conspiratórias de um dos casos mais emblemáticos da história do punk.
Baseando-se em uma linha do tempo, o filme contrasta o depoimento de quem estava no Hotel Chelsea naqueles dias e a determinação da polícia em acabar logo com o caso de um pop star entregue às drogas.
Há também a história de sucesso da “Island Records” [Keep on running: 50 years of Island Records], que já lançou nomes como Bob Marley, U2, Grace Jones e Cat Stevens, entre outros, e um documentário sobre o “inquietante” Brian Eno [Another green world], já definido por muitos como o “guru intelectual do rock”.
A Mostra Brasileira também tem opções para todos os gostos. Samba, hip hop, rock, com direito novas exibições de filmes lançados recentemente como “Titãs – A vida até parece uma festa”, “Cartola – Música para os olhos”, o imperdível “Doces Bárbaros” e “O Homem que engarrafava nuvens”.
Programe-se: http://in-edit-brasil.com/2011/
Tags: Albert Maysles, carlos saura, cinema, in-edit 2011, lanny gordin -
março 9th, 2011matérias especiais, posts por autor: Andréia
Os autores do “Quadrinhos Rasos” falam sobre o projeto que mistura música e HQs[por Andréia Martins]
Belo Horizonte, uma mesa de bar. Conversa vai, conversa vem, os então conhecidos Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, entre umas e outras, descobriram que tinham um gosto em comum: os quadrinhos. De um papo do qual os dois não sabem dizer muitos detalhes, há uns seis anos, eles se lembram apenas de ter marcado uma nova conversa, em outro bar, claro, para desenrolar sobre o tema.
“A partir daí passamos os anos seguintes conversando bastante sobre quadrinhos e eventualmente produzindo. O ‘Quadrinhos Rasos’ surgiu da necessidade de pôr em prática tudo que discutíamos e principalmente treinar nossa capacidade de produzir dentro de prazos definidos”, diz a dupla em entrevista por e-mail ao Palco Alternativo.
Desde então, a dupla vem publicando suas tiras versadas – ou seriam versos em tiras? – no site Quadrinhos Rasos, lançado oficialmente em 8 de setembro de 2010. O grande barato desse trabalho de Damasceno e Garrocho é que seus quadrinhos se baseiam em versos de músicas. Para cada tira, um verso. E nos traços de Duda e Lipão, as músicas ganham diferentes contornos, contextos e climas.
A ideia, eles contam, surgiu de uma piada enquanto eles conversaram sobre quais quadrinhos poderiam produzir. Nas palavras dos próprios:
“Por motivos obscuros, eu estava com a música Milla na cabeça – aquela do Netinho, que todo mundo na beira dos 30 dançou nas brincas e matinês dos anos 90 – e estávamos pensando sobre como poderíamos fazer quadrinhos semanalmente, foi quando o Lipão disse: ‘a gente faz quadrinhos a partir de músicas’”, lembra Eduardo Damasceno.
“Pois é, o Duda achou a ideia interessante o bastante, e me passou a música da Legião Urbana. O combinado era fazer para a semana seguinte, e a gente publicar juntos. Lembro que fiz uma página em minutos lá em casa, muito, mas muito feia. E o Duda fez aquela primeira página linda. Só assim que eu saquei que o negócio era mais sério”, conta Luís Felipe.
As tiras
Marvin (Titãs), Equalize (Pitty), Step by Step (New Kids On The Block), Strong Enough (Cher). Essas são algumas das últimas tiras publicadas no site e mostram que não há exclusão de estilos musicais para servir de temas às tiras. Mas como todo trabalho precisa de alguma disciplina ou regra, a dupla criou as suas. Como eles dizem, “algumas maleáveis, outras nem tanto”.
Entre essas regras, a principal é que um escolhe a música do outro. “Isso cria situações interessantes. Geralmente procuramos músicas que achamos difíceis e engraçadas, mas quando nos sentimos mais benevolentes escolhemos músicas que achamos que combinam com o estilo narrativo do outro”, contam.
Outras regras importantes são a de que há um dia certo para a publicação das tiras – “Mas um dia certo vale por dois dias”, diz a dupla -, a cada seis páginas de músicas nacionais são feitas duas internacionais – “O Duda odeia fazer as músicas internacionais, isso deixa tudo mais divertido”, diz Luís Felipe – e a de que a página não pode retratar o que a música diz, se é uma música sobre relacionamentos amorosos os quadrinhos não podem fazer referência a isso e assim por diante.
Para fazer as tiras, cada um tem o seu método. Enquanto Eduardo prefere finalizar uma ideia para depois ver se vale ou não, Luís Felipe passa por quatro, cinco páginas antes de escolher a definitiva.
“Geralmente tenho uma tarde na semana pra fazer a página, atualmente às quintas-feiras. Não consigo pensar muito sem desenhar, então começo a rabiscar e a história sai disso em algum momento. Gosto de fazer as idéias até o fim… então finalizo páginas inteiras e vejo que a ideia era uma porcaria, descarto tudo e faço outra. Isso já aconteceu mais de uma vez, mas como o tempo é cada vez mais escasso fui aprendendo a ser mais objetivo”, diz Eduardo.
“Normalmente, no momento que o Duda me passa a minha música, começo a ter ideias de páginas. Passo por umas quatro ou cinco antes de decidir a final, o que não impede de mudar tudo na última hora. Mas o desenho mesmo, na maioria das vezes, é feito numa madrugada”, conta Luís Felipe.
Além de dividirem as páginas – Eduardo fica com as ímpares, Luís com as pares – há outro jeito diferenciar as tiras de cada um.
“Eu tenho uma grande dificuldade em escrever histórias que não terminam com tragédia ou gente morrendo. Não sei o porquê. Acho que deve ser pelo fato das músicas que peguei não falarem sobre morte, e na tentativa de fugir da letra, sempre volto a algum tipo de morte para os pobres personagens da página. Sério, é bem difícil não matar eles”, diz Luís.
Vivendo de quadrinhos
Entre versos e tiras, Damasceno – professor de artes visuais, ilustrador e produtor editorial freelancer – e Luís Felipe – formado em História, acredite, e autor da tira “Bufas Danadas”, que ele promete recuperar – vão se dividindo entre o projeto pessoal e os demais compromissos profissionais.
Aproveitando o bom momento dos quadrinhos, a parceria parece ser prioridade para os dois, que vão levando o projeto unindo bom humor, criatividade e ironia – essa quando se trata de escolher a música do outro.
“Já participamos de concursos de quadrinho, já enviamos projetos para editoras nacionais e internacionais e, brincadeiras a parte, sabemos que é possível viver disso, mas estamos aprendendo como”.
Tags: música, quadrinhos, quadrinhos rasos















