• scissors
    fevereiro 2nd, 2012blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia
    Foto de Fred Jordão

    Chico Science, em 1993

    (por Andréia Martins)

    No ritmo, samba-maracatu-. No texto, letras pontiagudas. Este era Chico Science, que no dia 2 de fevereiro de 1997, morreu aos 31 anos, depois de bater seu Fiat Uno na divisa de Recife e Olinda.

    Felizmente Chico teve tempo de mostrar a que veio na música, junto com sua turma de Recife: Fred 04, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e outros artistas que tentaram – e ainda tentam – fazer da música uma arte criativa, útil, rica em conteúdo e ritmos.

    Chico levou a mistura manguebeat – embolada, maracatu  e rock – de Recife para o eixo Rio-SP, sendo um dos maiores representantes do Manguebeat, último movimento marcante da música brasileira, com direito até a manifesto, o “Caranguejos com Cérebro”, escrito pelo jornalista Fred 04, e símbolo, uma antena parabólica colocada na lama.

    Pode parecer estranho, mas o que mais me chamava a atenção na Nação Zumbi era a guitarra. Riffs, dedilhados, o groove, o ritmo ora acelerado ora cadênciado disputa o espaço com a batucada, sempre pensei na guitarra de Lucio Maia como uma colcha de retalhos da sonoridade dos mangueboys, costurando tudo numa coisa só. A guitarra de Lucio é mistura, caos e transformação.

    Fome, problemas urbanos, pobreza em Recife eram alguns dos assuntos que criaram a estética do mangue e que eram frequentes em suas músicas. O próprio manguebeat era um reflexo do caos do sistema e proprunha a ordem pelo caminho da desordem.

    O objetivo da turma manguebeat era um só: como o mangue era o ecossistema biologicamente mais rico do planeta, eles queriam criar uma cena tão diversificada quanto a vida no mangue. E conseguiram, tanto que contaminaram aristas de outras áreas como a literatura e o cinema, e ajudaram a transformar Recife num pólo cultural.

    O sucesso veio em 1993, quando ele fez uma rápida turnê do disco “Da Lama ao Caos” por São Paulo e Belo Horizonte. Bastou para que a mídia começasse a prestar atenção naquele rapaz baixinho, sempre usando roupas coloridas, chapéu e óculos, acompanhado da trupe da Nação Zumbi. Produzido por Liminha, o disco projetou a banda no cenário nacional com músicas como A Cidade, A Praieira e Da Lama ao Caos.

    Em 1995 eles lançam “Aforciberdelia”, um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos, com a mistura do maracatu com a eletrônica. Além de uma mega turnê nacional, a repercussão do disco foi tanta que pintaram convites para shows no exterior e até David Byrne – fã confesso da música brasileira e salvador da pátria de alguns artistas daqui, vide Tom Zé – manifestou interesse em lançá-los lá fora. Mas acabou brecado pela gravadora do grupo no Brasil.

    Desentendimentos à parte, o disco já vendeu até hoje mais de 190 mil cópias. Além de Chico e Nação, o disco conta com as participações especiais de Gilberto Gil e de Marcelo D2. Um dos melhores momentos é a releitura de Maracatu Atômico, de Jorge Mautner, e as autorais Manguetown, Macô, Criança de Domingo e outras.

    Com a morte de Chico, como acontece em todas as bandas que perdem sua principal figura, a Nação Zumbi ficou com um futuro incerto. Poderia tentar seguir o mesmo caminho ou dar um tempo, mudar o rumo. Ficaram com a primeira opção com algumas mudanças naturais e Jorge Du Peixe nos vocais. Responsa encarada com sucesso.

    Hoje, artistas como Otto, Mombojó, Mundo Livre S/A, China, Lirinha, Karina Buhr, mantém a cena do Recife aquecida, e de certa forma, mantém vivo o que Chico Science começou. Longa vida ao mangueboy.
    Tags: , ,
  • scissors
    janeiro 3rd, 2012blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia
    Divulgação

    O produtor Eduardo BiD


  • [por Andréia Martins]
  • Há 15 anos, o produtor Eduardo BiD colocava seu nome na lista dos mais importantes produtores musicais do Brasil ao produzir, com Chico Science e a Nação Zumbi, um dos mais célebres discos da música brasileira, Afrociberdelia.

    De lá pra cá, BiD foi do manguebeat ao reggae, do samba ao soul, fundou a big band Funk Como Le Gusta e transitou pelos mais diversos ritmos da música brasileira, mas sempre trazendo em seu trabalho, seja como instrumentista, compositor, arranjador ou produtor, uma característica em comum: a mistura do velho e do novo. É o que ele repete em sua mais nova produção, Bambas Dois, um CD book que mistura ritmos, vibes e artistas do Brasil e da Jamaica.

    “Nessa mistura, não estou inventando algo novo. Jimmy Cliff já fez isso quando, em 1969, veio ao Brasil gravar com a banda de Wilson Simonal, Dominguinhos também já mostrou sua relação com a Jamaica, assim como o Gilberto Gil já homenageou o próprio Bob Marley. O que eu fiz foi ir mais fundo nessa mistura”, diz o BiD em entrevista. O disco vem cheio de novidades, com fotos e um livro com textos inéditos, entre poesias e a saga da gravação do trabalho.

    Em 2005, Bid produz seu primeiro álbum solo, Bambas & Biritas vol. 1, reunindo a velha guarda do soul brasileiro e nomes do hip-hop, num resultado muito bem recebido pelo público. Bambas Dois é, até certo ponto, uma continuidade.

    O disco reúne nomes como Luiz Melodia, Dominguinhos, Chico César, as cantoras Karina Buhr, Céu, o baixista Bi Ribeiro (Paralamas do Sucesso), Siba, Dada Yute, integrantes da Nação Zumbi – como o guitarrista Lucio Maia –, entre outros brasileiros, com a nata da música contemporânea da Jamaica: Sizzla Kalonji, Kymani Marley, I Wayne, Jesse Royal, Queen Ifrica, The Heptones, Tony Rebel, U-Roy e Luciano, só para citar alguns. Todos se misturam e se dividem entre instrumentos e vocais nas 14 faixas do disco – 13 inéditas e uma versão mais reggae de Something, clássico dos Beatles.

    A já citada mistura de gerações também é um ponto alto do disco. “Nessa mistura do velho e do novo, eu acho que rola uma troca super honesta dos dois lados. Os mais velhos emprestam a sua quilometragem e, ao mesmo tempo, os novos permitem que os mais velhos se atualizem”, diz BiD.

    Divulgação

    O disco Bambas Dois

    O resultado são encontros primorosos. Temos Chico César e Jah Marcus em “Little Johnny”, cheia de groove, o xote “Brasil (Little Sunday)”, com e Ky-mani Marley e Dominguinhos, o dueto de U-Roy e a percussão de Papete em “Children of the Future”, e Karina Buhr, que tem participação dupla, primeiro em “Lehá Doddi”, com a rabeca de Siba e o Dub de Oku Onuora, e depois com Jesse Royal em “World Cry”, onde, segundo BiD, Karina empresta “seu canto de lavadeira”.

    Um desejo de BiD era ter Gilberto Gil no CD. “Gostaria muito de ter o Gil nesse disco, até porque ele já homenageou o Bob Marley e tinha tudo a ver. Ele topou, achou a ideia interessante, mas a agenda impediu”.

    Foi num passeio de barco…

    Curioso é pensar que o acaso tem boa parte da “culpa” pela realização desse disco. BiD teve o estalo para esse trabalho durante um passeio de barco pelo mar caribenho, em janeiro de 2010. “Fui acompanhar a gravação de um amigo na Jamaica e, durante um passeio de barco para mergulhar, coloquei uma música do disco Francisco, Forró y Frevo, do Chico César, e o piloto começou a cantar. Na hora, pensei: é isso, vou fazer um disco assim”, lembra.

    A ideia ficou na cabeça e BiD decidiu mandar bala. Voltou à Jamaica tempos depois com o produtor Gustah, que também assina a produção do disco, levando 13 composições. Chegando lá, encontrou-se com 13 representantes da cena musical jamaicana.

    Cada um compôs a letra da música que cantou, muitas vezes em parceria com os brasileiros. “É evidente o parentesco dos ritmos jamaicanos e nordestinos, mas a junção deles resultou numa terceira coisa que não é reggae nem forró. As músicas renasceram”, conta BiD.

    “Quando cheguei lá, os jamaicanos ficaram meio desconfiados, pensando ‘quem são esses brancos chegando?’, mas, assim que falei que era do Brasil, eles lembraram do Ronaldinho. E depois, ao mostrar o som, eles percebiam que o projeto era algo diferente”, conta ele.

    [Matéria publicada no Saraiva Conteúdo]

    Tags: ,
  • scissors
    novembro 26th, 2011blogpalcoalternativocone-sul, posts por autor: Andréia

      [por Andréia Martins]

      À primeira vista, elas parecem tudo, menos um trio de tango. Quando reparamos em seus instrumentos – violino, violão e piano -, a impressão é a mesma. Mas basta a primeira nota para você entender que o Las Rositas é sim um grupo de tango, mas com algo diferente.

      O trio formado por Cecilia Palma (violão), Gabriela Palma (violino) e Ana Belén Disandro (piano), o trio natural de Córdoba faz parte dessa nova geração de artistas argentinos que abraçou um gênero antigo e tradicional da terrinha para apresentá-lo a um novo público, em novas versões e interpretações. As performances – Ana, sempre sorridente, comanda o duelo de cortas entre Cecília e Gabriela – renderam a elas o apelido de “revolucionárias do tango” pela imprensa argentina.

      “É o encanto do tango que faz com que esse gênero sobreviva ao tempo. E ainda há algo mágico, que atrai tantas gerações, não apenas na Argentina, mas em todo o mundo. O tango tem melancolia, alegria, é sutil, uma força que tem um pouco de tudo. O tango é muito humano, e isso o faz transcendental”, diz Ana Belén ao Palco Alternativo.

      O grupo esteve recentemente no Brasil para uma turnê que passou por São Paulo capital e algumas cidades do interior. Essa não foi a primeira vez do trio por aqui. Aliás o Brasil já está virando uma segunda casa para a garotas.

      O trabalho das meninas mistura composições próprias e releituras “misturando o ancestral com o pop e o eletrônico”, diz Ana. Sobre o apelido de “revolucionárias”, ela diz que é “um bom elogio”. “Na verdade buscamos isso todos os dias. Misturar o tradicional com novos estilos e instrumentos é o que faz de nosso trabalho chamativo e desafiador”.

      Entre os autores que ganham novas versões nas mãos do trio estão nomes como Carlos Gardel, Astor Piazzolla, Osvaldo Pugliese e Rosita Melo, autora de um dos mais famosos tangos argentinos, “Desde el Alma” e que inspirou o nome Las Rositas.

      “Rosita é um nome muito representativo da mulher argentina. Pode ser a mulher que canta tango ou mesmo a lavadeira. Além disso, tem a ideia perfeita do que queremos transmitir”, diz a pianista.

      Conhecida a história do nome, passemos para a de como tudo começou, parte na qual o Brasil tem papel importante.

      “Em 2007 viemos fazer um curso de música clássica e nos apresentamos com uma orquestra de Córdoba. Nas reuniões e ensaios as pessoas dos outros países viviam nos pedindo para tocarmos um tango. Então começamos, primeiro com Piazzolla, e desde então nunca mais abandonamos o tango”.

      Para 2012 elas preparam um novo disco. “Será inovador e terá clássicos de tango gravados em formato acústico, outros com bases eletrônicas e também composições próprias”, revela. Com relação ao eletrônico, Ana diz que é diferente do que se vê, “um tipo de tango eletrônico up”. É esperar para ver.

      Tags: , ,
    1. scissors
      outubro 29th, 2011blogpalcoalternativomatérias especiais, posts por autor: Andréia

      Divulgação-Site Oficial

      Matt Adams

      [por Andréia Martins]

      Matt Adams é um tipo curioso. Este californiano é a mente por trás do The Blank Tapes e não à toa, muitas vezes é chamado de uma “máquina da música”. Tudo porque ele já lançou mais de 100 músicas nos sete anos de carreira da banda – que tem seis discos na bagagem e muitos quilômetros rodados em tours pelo mundo todo -, sem contar que, na hora de gravar, é ele quem cuida de todos os instrumentos.

      “Eu estou sempre pensando em música, trabalhando em duas ou três ao mesmo tempo. É para isso que minha cabeça funciona”, disse ele em entrevista exclusiva ao Palco Alternativo, pouco antes de estrear sua turnê 2011 no Brasil, mais precisamente em São Paulo, na Casa do Mancha.

      Pacato, sempre com seu bloquinho de anotações a tira colo, Matt é natural de Orange County no ensolarado Estado americano da Califórnia, e depois se mudou para São Francisco – o que ele mais costa lá? As cores. Começou o Blank Tapes em 2003, quando lançou seu disco de estreia, o excelente Country Western Honky Tonk Sallon Blues, pura essência do folk americano, mas com ares praianos.

      A turnê ainda faz parte do último trabalho da banda, Home Away From Home, de 2010. Um disco diferente dos anteriores, tanto na sonoridade quanto no formato; com 10 músicas, é seu disco mais enxuto já que ele costuma lançar álbuns com mais de 15 faixas.

      “A mudança foi que… bem, primeiro eu queria lançar este trabalho em vinil, o que permite em média 40 minutos de música. Como a gravadora também queria um disco curto, quis que ele tivesse um conceito e fosse focado em determinados estilo e sonoridade”, disse Matt. “Já escrevi muitas coisas gentis, alegres e otimistas. Agora eu estou tentando expressar esse lado mais escuro, mais grave. Eu sempre tive este álbum em mim”.

      Capa do vinil de Home Away From Home

      Escrito em uma van – enquanto ele cruzava cidades para se apresentar -, o resultado foi um disco mais elétrico e com composições mais despojadas comparado com os trabalhos anteriores. Aliás, enquanto ele compunha os primeiros versos de “Drivin’ Out Of My Mind”, ao volante, ele literamente saiu da pista e foi parado por policiais. O que ele respondeu que estava fazendo? Provavelmente, “drivin’ out of my mind”.

      The Blank Tapes – We Can Do What We Want To by playwhitenoise

      O modo de gravar não surpreende em se tratando de Matt. Já há um tempo ele trocou os grandes estúdios por um gravador de fitas cassetes mais simples, onde ele consegue gravar oito músicas e conta com recursos mínimos, aderindo ao “lo-fi way of recording”.

      “Quando eu comecei a gravar minhas músicas, com 16, 17 aos, usava ferramentas digitais como todo mundo. Mas chegou um momento que aquele excesso de possibilidades me fazia perder o foco. Você fica refazendo a música… para sempre. Era demais para mim”, conta.

      Para ele, a possibilidade de gravar em seu quarto, em uma van ou mesmo na garagem, deixa a música mais real, com a “sujeira necessária”. “O lance é saber do que a música realmente precisa. Gosto dos limites que esse formato impões, onde tenho que ser mais criativo”.

      Ao longo dos anos, Matt diz ter se tornado um músico e compositor melhor. “A maior mudança é que me tornei um cantor melhor, e as letras melhoraram. Antes mesmo do Blank Tapes, fico constrangido com as coisas que escrevi”, diz ele rindo. “Não sabia o que eu queria dizer naquela época… Não tenho certeza se sei ainda hoje”.

      Revirando o baú de Matt Adams 

      Country Western Honky Tonk Saloon Blues foi lançado de maneira independente e imediatamente começou a atrair a atenção da imprensa californiana. Influenciado por artistas como Leonard Cohen e Velvet Underground, o Blank Tapes passou a integrar a crescente cena do som de raízes americanas que ecoava com artistas contemporâneos como, por exemplo, Lambchop e Ryan Adams.

      O disco traz letras falando de aventuras com amigos, amores [I’m Lookin For Love, uma história engraçada de um cara enganado por uma mulher casada e que resume seu problema em uma frase: “estou procurando o amor na cidade errada”] e a eterna busca do seu lugar no mundo [Over the Mountain, com ares melancólicos], com direito a doses de psicodelia [herdada da influência do hard rock] e de humor ora aqui, ora acolá. Como ele diz na faixa “Mama Showed Me Love”: “Mamãe nunca me falou sobre as corporações / Mamãe nunca me disse o que realmente havia lá fora / Muitas vezes me senti confuso e não conseguia me mexer”.

      Na faixa “Where Am I Now”, a sensação de deslocamento é latente, e Matt canta: “Sou um turista em minha casa” e “Vai doer andar na ponta dos pés”. Já em “Walking” e “Floating Away”, Matt canta seus destenperos e, no final, não se cansa de repetir “It’s all up to me”. Quase sempre é.

       Landfair (2005), segundo disco, traz a banda usando mais guitarras. O formato elétrico só seria mais explorado pela banda em discos mais adiante. Dois anos depois, Matt lançou Friends & Favorites. Um disco melancólico, reflexivo só com covers. Destaques para a delicada “Queen of Valencia”, em parceria com Lauren Cobb, a obscura e bonita “Belly Dancer”, com Kathryn Jensen, “Oceans of Blue” e o folkmantra “Firefly”, com Matt McCluer e Kathryn Jensen.

      Em Daydreams, também lançado em 2007, Matt deixa um pouco de lado o violão e volta a apostar nas guitarras, produzindo um disco de rock bem alternativo com riffs e faixas longos – ao todo, são 26 músicas. Talvez seja seu disco com composições próprias mais “sólidas” desde o debut em 2003 e, sem dúvida, um de seus melhores trabalhos.

      A foto oficial da banda de um homem só

      Em 2008, Matt conta que percebeu que entre parcerias e jam sessions estava tocando em umas 15 bandas. Ele decidiu então que o melhor era juntar todas essas músicas em um álbum. Daí nasceu Universal Western Attractions, um disco com sonoridade diversa – hippie, podemos dizer -, que mostra bem a riqueza do baú musical de Matt.

      Agora é esperar as próximas surpresas da caixinha musical de Matt Adams. Para este ano, ele disse que pretende lanar um disco em formato digital. Já para 2012, devem sair dois ou três discos. “Músicas não faltam. Quero colocá-las todas para fora”.

      Tags:
    2. scissors
      outubro 9th, 2011blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, raio-x

      Desde 2007 um grupo de amigos se reúne num sotão, em Curitiba,
      para se divertir, fazer barulho e, o melhor, criar canções. Este é o Subburbia
      Foto: Estella Flores

      O quarteto curitibano Subburbia

    3. [Por Andréia Martins]
    4. A palavra trabalho não está no vocabulário do quarteto que hoje forma a banda Subburbia. Ensaiar, marcar shows e toda a correira que montar uma banda dá não é vista como trabalho pelo grupo curitibano. A música funciona como uma desculpa para a reunião entre amigos e horas de diversão.

      Como a própria banda diz, a ideia “é se encontrar e falar sobre assuntos diferentes que vão da cultura pop atual a ícones como Lynch, Cronenberg, Warhol e Basquiat. Feito uma gangue, andam juntos e se veem todo dia, mesmo que não tenham ensaio”. “A gente tenta ganhar dinheiro encontrando os amigos e fazendo barulho”, diz E1000 (voz). Além dele, completam o quarteto Penny (voz e gui­tarra), Vir (bate­ria) e Ernani (sinths e baixo).

      Para a barulheira, nada de estúdio, garagem ou sala de casa. O QG da banda é o sótão do sebo que pertence a E1000, já há quase uma década, localizado no bairro de Água Verde, em Curitiba. “É no sotão do sebo que a gente produz 90% do nosso material. Toda música que é minha (a Penny também compõe), tem alguma citação a ver com a literatura”, diz ele. Na faixa Stevie Nicks, por exemplo, quem prestar atenção vai encontrar o Oscar Wilde entre os versos, na frase “You’re My Favorite Female Dorian”.

      Na estrada desde 2007, a formação atual da banda é recente. Ernani está desde 2009 enquanto as gurias, como diz E1000, entraram na banda este ano. Curiosamente, o entrosamento já é total. “Entramos numa sintonia única (resultado de horas bebendo e ouvindo Smashing Pumpkins e Prince), e em consequência passaram a prestar atenção na gente”, diz o vocalista.

      A-Side – Bullets by subburbia

      B-side – Stevie Nicks by subburbia

      O trabalho do quarteto é baseado em EPs e singles, uma opção da banda. “Por enquanto acho que os singles estão fazendo o seu papel, mas com certeza vai chegar a hora de gravar um disco e, quando ele sair, quero ter certeza que será realmente relevante”, comenta E1000.

      O primeiro EP, chamado Subburbia, foi lançado em junho de 2008 e traz 4 faixas: Out of drugs, Soul Sister [música sobre a frustração de E1000 por não conseguir escrever como Sam Cooke, Stevie Wonder e Prince, este, ao que tudo indica, é uma figura presenete no espírito da banda], 9,10 once again!, e Jesus Express. Depois veio o EP John D. Rockefeller. Além da faixa original, UR Here, traz dois remixes: um produzido pelo DJ Kurc e outro pela Jo Mistinguett, produtora da faixa original.

      O single mais recente, Bullets – lançado em setembro deste ano e cujo lado B é a faixa Stevie Nicks -, produzido por Eduardo Ramos, reforça a pegada dançante da banda, misturando grunge, new-wave e disco. A combinação é bombásticas nas apresentações ao vivo do grupo, cujo destaque vai para a performance de E1000. “Me vejo meio Bez do Happy Mondays… Mas acho que as pessoas gostam do nosso show porque a gente se diverte”, diz ele.

      Capa de Estella Flores

      O quinto elemento

      A designer Estelle Flores é o que se pode chamar de quinto elemento do Subburbia. Mas E1000 tem uma definição muito mais cool para ela: “é o nosso Andy Warhol de saias”. Cartazes, flyers, fotos e até o figurino despretensioso da banda têm direção de arte de Estelle.

      “Ela está sempre com a gente e , como é uma das melhores ilustradoras do Brasil, foi natural que toda produção visual como foto, video, capa dos singles fosse feita por ela. Ela passa a banda pra uma outra linguagem, é o nosso Andy Warhol de saias, a quinta integrantes.

      Agora, a banda anda se dedicando exclusivamente à música, o que pode indicar que em breve um disco completo da banda estará pronto para rodar por aí.

      Para ver, seguir e ouvir:

      http://www.myspace.com/subburbia

      http://www.twitter.com/subburbia

      http://subburbia.tumblr.com/

      http://soundcloud.com/subburbia

      http://www.flickr.com/subburbia

      http://www.tramavirtual.com.br/subburbia

      Tags: , ,
    5. « Older Entries