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    agosto 18th, 2010blogpalcoalternativocone-sul, posts por autor: Andréia, posts por autor: Carol, raio-x

    [por Andréia Martins e Carol Cunha]

    No palco do Finlandia, a tradicional a rivalidade entre Brasil e Argentina sai de cena para dar espaço a um baile eletro-acústico que mistura ritmos tão distintos como tango, bossa nova e baião.

    Essa é a proposta do duo formado pelo argentino Mauricio Candussi e pelo brasileiro Raphael Evangelista: explorar novas possibilidades de fusão entre ritmos tradicionais e elementos contemporâneos. O duo mostra a que veio nas performances, quando mescla batidas eletrônicas ao vivo (Live P.A)  a  instrumentos acústicos, como o violoncelo, piano e acordeão.

    O Finlandia não se encaixa muito em gêneros, é música em movimento, com uma inconfundível pegada latina. Deve ser ouvido como um set, criado a partir de uma colagem de sensações: às vezes uma saudade indefinida quando surgem solos de violoncelo e piano, quebrada com batidas dançantes de cumbia ou house, que põe o povo para mexer o esqueleto na pista – ou na milonga.

    “Muitas de nossas canções são melancólicas, não que sejam tristes. Finlândia [o país] nos remete a este tipo de imagem. Além disso, na Finlandia (país) tocam tango… um tango muito especial e melancólico que se aproxima muito a nossas canções. Portanto, podemos dizer que há uma afinidade estética”, diz Maurício ao Palco Alternativo ao explicar a escolha do nome do duo.

    Tango na Finlândia? Pois é, neste país nórdico o tango foi reinventado com o tempero local e tornou-se um gênero muito popular -mas isso é uma outra história.

    O Finlandia (a dupla) se conheceu há uns dois anos, quando cada um se dedicava a projetos musicais diferentes. Maurício (piano e acordeão) já foi integrante de uma banda argentina bem conhecida dos brasileiros, o Los Cocineros. Raphael foi cellista da Orquestra Filarmônica de São Paulo e tocou com músicos latinos como o cubano Pedro Bandera e o peruano Fernando Elias.

    Depois de participarem dos mesmos festivais e viajarem juntos, o argentino apresentou seu projeto de música instrumental ao brasileiro. Estava formada a parceria que renderia o disco “Nandhara”, o primeiro do Finlandia.

    Para lançar o disco, o duo caiu na estrada em uma longa turnê que inclui cerca de 30 shows passando pela América do Sul, incluindo Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Bolívia e Peru. Uma viagem que promete novas memórias sonoras.

    “Estamos muito contentes. Aprendendo muito de cada cidade que passamos, dividindo o palco com músicos locais e incorporando muita música de diversos lugares”, conta Maurício. Durante os shows, o duo acredita na interação com músicos locais. “É uma maneira de vincular-nos com o lugar através da música, e também aprender”, diz.

    No Brasil, já passaram por São Paulo (SP) e tem shows marcados em cidades tão distantes como a alagoana Arapirica e Cuiabá (MT). Em setembro, o duo volta a São Paulo para encerrar a turnê.

    Da raiz aos sintetizadores, um medida equilibrada

    O duo em Buenos Aires, no VeraVera Teatro

    Ao ouvir o Finlandia, nota-se que a criação é bem dividida entre os elementos mais tradicionais da música argentina e os da música brasileira, uma troca sob medida.

    “Essa busca sem fórmula pré-definida em mesclar o clássico ao contemporâneo é um atrativo muito forte na música atual. Mas creio que para que o trabalho tenha um conteúdo sincero e valioso, faz-se necessária a fusão de ritmos e culturas que tenham sido vivenciados pelos músicos. Afinal é bem mais fácil você compor em um ambiente musical que escutou por toda a vida”, diz Raphael.

    Para Maurício, essa mistura é resultado do “tempo”, da evolução da música. “É uma maneira de apresenta-los [estilos tradicionais] ao novo público, mas também é o resultado do caminhar do tempo, da incorporação de novos instrumentos, de novas tecnologias, de novas formas de vincular-se ao tradicional. Nossa ideia é tocar também gêneros menos ‘para exportação’, como ritmos pouco difundidos fora de nossos países, como a milonga ou o baião”, comenta ele.

    O brasileiro ainda destaca a dramaticidade e intensidade da música argentina. “Adoro ritmos tradicionais de qualquer país. Gosto muito da dramaticidade dos temas, tanto nas letras quanto nas melodias. O próprio tango, com a carga melancólica é um ritmo que me identifico muito. Creio que essa preocupação com o sentimento é um ponto que me atrai na música argentina”, conta.

    Gravado em São Paulo e Córdoba (Argentina), o disco mostra bem a fusão de ideias, ritmos e culturas da qual falam os músicos. Todas as músicas são autorais, exceto “Buenos Aires Hora Certo”, releitura de Astor Piazzolla

    O disco Nandhara (Baritone Records) pode ser baixado gratuitamente no site do Finlandia. Abaixo,  um aperitivo do duo:

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    julho 6th, 2010blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, posts por autor: Carol, raio-x

    [por Andréia Martins e Carol Cunha]

    A chuvinha fina cai lá fora, e olhando pela janela, penso que é nessas horas que o som do Rosie and Me se torna ainda mais necessário.  Com o play do som,  refaço o roteiro dos tempos de adolescente, com aquilo que era essencial: uma calças jeans surrada, o tênis com cadarços soltos, a vontade de tocar um instrumento, a mão que toca o vento no carro, a catarse dos primeiros beijos e um inevitável coração solitário. A música dos  curitibanos do Rosie and Me canta o que todo mundo já sentiu em algum momento ou outro da estrada. Um frescor de algo ingênuo com trilha sonora acústica.

    O charmoso som brazuca do Rosie and Me utiliza o bom e velho violão como instrumento principal, com pitadas de banjo, Ukulele e flauta para criar uma atmosfera calma e introspectiva. Tudo isso cantado em inglês. Seria folk?

    “Nosso som é mais voltado para uma nova escola, que, de folk mesmo, tem só a levada”, conta Rosanne Machado, a vocalista, compositora e frontwoman da banda ao Palco Alternativo. Com influências do twee/pop, a música do Rosie and Me surge na simplicidade, e nem por isso é menos gostosa de se ouvir.

    Nas letras, pensamentos musicados sobre relacionamentos, decepções e crescimento, “o que permite que nosso público se identifique com as experiências nelas descritas”, completa a cantora. Rosanne é a voz delicada que canta as histórias do Rosie and Me. Além dela, a banda conta com Guilherme Miranda (baixo), Tiago Barbosa (bateria/percussão), Thomas (guitarra) e Wildson (violão/vocal).

    O início

    Em 2006, Rosanne morava em Curitiba e com o amigo Alex, que morava no Rio de Janeiro, costumava trocar músicas na internet como quem troca cartas. Ela cuidava das bases de violão e enviava para Alex gravar os vocais. “No começo não havia uma banda formada, as músicas eram gravadas no computador, à distância e sem compromisso. Quando ele se mudou para Curitiba, tivemos a chance de convidar alguns amigos pra tocar e investir um pouco mais no projeto”, conta Rosanne.

    O nome da banda surgiu por acaso: as primeiras demos, bem no estilo made in home, não tinham nome e acabavam sendo gravadas como “rosieandme.mp3″. Depois de lançar as primeiras demos na internet, Rosanne passou uma temporada fora do Brasil. Enquanto isso as músicas que estavam na rede eram descobertas pelos internautas. A “banda” que até então não existia oficialmente começou a reparar que cada vez mais gente ouvia e comentava suas músicas em sites como o Last.Fm, MySpace e onde mais elas estivessem disponíveis.

    “Por meio de divulgação própria e indicações entre as pessoas, o número de ouvintes foi aumentando. As pessoas deixavam recados pra gente, perguntando quando lançaríamos um CD ou faríamos mais apresentações ao vivo”, diz  a cantora e compositora. Nao demorou muito para blogs e sites especializados escreverem sobre a banda. No exterior, algumas músicas chegaram a ser tocadas em rádios, mesmo com a qualidade low-fi das primeiras gravações.”Como o retorno do público foi muito bom, resolvemos investir na nossa música e tentar fazer algo mais sólido”, diz Rosanne.

    EP Bird and Whale

    Em 2010, mais ou menos quatro anos depois que as músicas começaram a viajar pela rota Curitiba-Rio e Rio-Curitiba, o Rosie and Me lançou seu primeiro EP, Bird and Whale.

    São 5 faixas que mostram bem a personalidade da banda. “O nome do EP vem de quando eu estava fora do país. Bird and Whale é o nome da última faixa do EP, que fala sobre as incertezas e dificuldades dos relacionamentos à distância. O nome foi sugestão de uma amiga de Wisconsin, durante uma aula de literatura que falava sobre uma fábula chamada The Sparrow and the Sea. E a idéia da música é justamente contar uma história”, diz.

    Enquanto os integrantes do Rosie and Me se dividem entre a música e outras profissões, os planos da banda são investir em festivais nacionais e esperar convites Brasil afora.

    “Em Curitiba mesmo, não somos muito conhecidos, então nosso plano é investir em alguns festivais nacionais e dar continuidade a novas gravações. Tocar no exterior ainda é um sonho. Não temos muita experiência com isso de marcar shows, geralmente esperamos por um convite ou a abertura de algum edital. Mas, com certeza, São Paulo está no topo da lista das cidades em que queremos tocar mais vezes, tanto pela qualidade do público, como pela diversidade de lugares que abrem espaço para bandas novas”, diz Rosanne.

    No momento a banda segue sem Alex, que precisou interromper a participação na banda para se dedicar aos estudos. Da formação antiga, continuam o Guilherme (baixo) e o Tiago (bateria), além dos novatos Thomas (guitarra) e o Wildson (violão/vocal).

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    fevereiro 11th, 2010blogpalcoalternativoentrevista, posts por autor: Carol, raio-x
     
     
     

     

    A cantora Ellen Oléria

     

    [por Carolina Cunha]

    “Basalto que emana dos meus poros… a minha consciência é pedra neste instante”. Não por acaso esses versos saem da voz da brasiliense Ellen Oléria. A ciência classifica o basalto como uma rocha vulcânica, negra, dura e resistente, mas que forma vazamentos extensos. Um efeito parecido com o que Ellen provoca quando solta sua voz, com forte presença de palco. Uma pedrada elegante, que flui em busca da boa música.

    Compositora e violonista, Ellen não é nova na cena e está na linha de frente das cantoras da capital federal. Faz música brasileira, com nuances de jazz e black music. Mas é sua voz, marcante e versátil, que brilha forte neste basalto sonoro.

    Em alguns momentos, Ellen solta o vozeirão em frases galgadas na levada do hip hop ou num ritmo suingado – pura energia. Em outros, a ginga dá espaço para uma delicadeza, com melodias que chamam atenção. O segredo desta força, Ellen revela na lata: “Paixão”.

    Tudo isso pode ser conferido em Peça, primeiro disco da cantora, lançado em 2009. O disco reúne um repertório acumulado em mais de dez anos de estrada e conta com a companhia de um quarteto competente: Rodrigo Bezerra (guitarra), Paula Zimbres (baixo), Célio Maciel (bateria) e Felipe Viegas (teclado).

    Do Chaparral a GOG

    “Conhece a carne fraca? Eu sou do tipo carne dura”, reverbera Ellen e sua consciência negra na música Testando, um de seus hits. Ellen canta muitas identidades e experiências: mulher, negra, lésbica. Sua arte também é um meio para o engajamento e reflexão, com letras tão românticas quanto sociais.

    Como muitas periferias brasileiras, o Chaparral, no Distrito Federal, é um lugar violento e um pouco esquecido. Ali, num lugar que forma “pedras duras”, Ellen passou toda a sua infância e adolescência. Escutou o forró e o baião do pai sanfoneiro, cantou num coro de igreja batista, arranhou sozinha os primeiros acordes de violão e tomou gosto pelo rap.

    Formada em artes cênicas pela UNB, Ellen encarou a música como profissão bem cedo, aos 17 anos. Chegou a participar de algumas bandas até seguir voo solo. Hoje é dona uma carreira sólida e tem um público cativo que lota seus shows.

     O salto para a visibilidade do trabalho de Ellen contou com a força do maior trovador do rap made in Brasília: GOG. A parceria duradoura começou em 2006, quando a cantora participou da faixa Carta à mãe África, do disco Aviso às gerações. Hoje, a dupla frequentemente realiza shows juntos. GOG também participou do disco de Ellen e, com ele, ela se conectou definitivamente ao universo do hip hop. “Eu sou também fruto da transformação do hip hop nas periferias do Brasil”, revela.

    Batemos um papo com a cantora sobre  música independente, parcerias e inspirações. Leia abaixo.

    O disco Peça mistura muitos gêneros musicais e estilos. Como você se define como cantora?

    Canto música brasileira. Isso já abre tantas possibilidades que eu adoro dizer isso. Entre afoxés, forrós, carimbos, todos os tipos imagináveis de sambas, choros, bossas, maxixes, emboladas, repentes, bregas, tecnobregas, marabaixos, xotes, toadas, eu estarei por aí. Sem esquecer o que a gente aprendeu de bom com a diáspora africana nas Américas e no Caribe como salsa, a cumbia, o merengue, o jazz, o funk, o rock, o hip hop. Resumindo, sou uma cantora curiosa.

    Fale um pouco do seu repertório, como é seu processo criativo?

    Meu repertório autoral se conecta muito com meu cotidiano. As poetas que moram em volta de mim (a sabedoria da minha mãe, por exemplo, coisas que ela aprendeu com a mãe dela), ou as mais distantes que se mostram nos livros ou em suas canções. As bandas, cantoras/es, instrumentistas, letristas isso tudo acaba dando caminho pras levadas que faço no violão também. Às vezes escrevo alguma coisa que fica guardada um tempo e um dia, esse verso se encaixa na levada que surgiu sem letra. Fico tão fissurada compondo que quando termina o dia parece que corri uma maratona.

    Você lançou um cd independente. Como foi colocar a mão na massa, sem o apoio de uma gravadora ou produtores?

    Ainda tem sido. Gravamos o disco. Agora precisamos fazer ele circular. Antes disso, foi muito suor e bateção de cabeça pra compor, pra arranjar e pra pagar as contas. Mas sempre contamos com apoio de muitas maneiras. Muita gente comprou esse projeto, entre músicos, equipe técnica, a minha produtora que se dedica mais a cada edital, compositores parceiros. E vamos ver até onde as pernas aguentam chegar. A música não precisa de CNPJ pra ser. Ela existe independente disso, fala por ela mesma. Então vamos fazer música, legal. Mas vamos aprender a fazer negócios também. 

    Você disponibilizou todo o disco para download gratuito na internet. Como enxerga a questão dos direitos autorais? 

    Popularidade nunca atrapalhou artistas. O desejo de ter sua música conhecida é partilhado pela categoria. E durante algum tempo tivemos caminhos restritos pra isso. A internet surge num momento interessante pra nós artistas já que potencializa o acesso a uma nova (ou antiga…) via de difusão. Não é necessário ser milionário pra o seu som tocar fora do Brasil. Basta um clique.

    Você acha que esse tipo de distribuição pode ser prejudicial ao artista?

    Muita gente se assusta com as redefinições da indústria fonográfica.  Acho que é um direito meu como artista disponibilizar minha produção gratuitamente, continuando o ciclo. Mas foi preciso recorrer a estratégias mais adequadas à realidade do mercado fonográfico que não abre as suas portas pra tod@s democraticamente. A gratuidade foi um caminho pra uma gestão sustentável.

    Vimos você no show do Gog, da Mostra Cultural da Cooperifa, em São Paulo. Comente sobre a parceria com o GOG e a sua relação com o movimento hip-hop.

    Aprendi a ouvir rap com meu irmão Dadá. Conheci discos do GOG assim. Tive a felicidade de receber um convite pra gravar a faixa Carta à mãe África. Aprendi a respeitar o movimento hip hop. Vi a revolução que o hip hop traz pras periferias dentro da minha própria casa. Muitas vezes fomos salvas por atitudes cantadas ao som daquele pancadão. O GOG é um padrinho. Um grande amigo. Me deu motivação pra acreditar na influencia rap do meu som. Porque por muito tempo não cantei os raps que eu escrevia. Até entender que o hip hop me acolheu de fato. Isso é pra dar orgulho, mas também muita responsabilidade porque represento essa casa.

    Você é uma das poucas cantoras da MPB que se assume publicamente como lésbica.

    Quando ouço a palavra “assumir” sempre penso em criança levando bronca de mãe depois de mentir sobre uma travessura: “Assume! Foi você que quebrou!”. Não assumi ser lésbica nesse sentido de tomar a carga. Só sou lésbica. Eu existo de muitas formas. Mulher, negra, escorpiana, cantora… lésbica é uma das muitas formas que me identificam.

    É difícil ter esta atitude na música?

    É difícil ter essa atitude sim. A música só retrata o que trazemos de bagagem. Porque a profecia está sujeita ao profeta. Os caras podem tranquilamente subir no palco e falar que essa música foi feita pra mulher que eles amam. E não tem medo de sofrer represálias. Eu também amo. E canto os meus amores. Infelizmente, muita gente me odeia por quem eu amo. Paradoxal. Mas verdadeiro. Que bom que não estou sozinha. Porque afinal, somos incontáveis nessa rede de solidariedade. Solidariedade é mais importante.

    Em uma entrevista para o jornal Correio Brasiliense, você disse que cantava a história de uma mulher negra, criada no Chaparral e lésbica. Você já sofreu algum tipo de preconceito e se vê como um modelo de resistência?

    Já sofri vários processos discriminatórios. De várias ordens. Mas ser modelo de resistência só quando todas nós formos. Quando reconhecermos que a Dona Maria que lava a minha roupa é tão importante quanto o meretíssimo juiz. Minha irmã é modelo de resistência. Minha mãe. Minha avó foi. Minha vizinha. Minhas primas. E essas incontáveis sobreviventes.

    Sua carreira em Brasília parece consolidada. Você tem planos de turnê em outros estados como Rio, São Paulo? 

    Temos muitos planos. Pouca grana. Mas temos, como diria Nina Simone, nossas mãos, nossos pés, nossa cabeça. Vamos dar um jeito e certamente vamos tocar por esse Brasil. Além de trabalhar por aqui, estamos abertas pra convites. (rs) Leve Ellen Oléria para o seu evento!

    Quais são os planos para os próximos meses?

    Tenho parado muito pra escrever. Temos o DVD todo captado e estamos correndo atrás de grana pra concluir o projeto. Espero que possamos lançar o DVD até agosto desse ano.Mais depressa devem sair alguns clipes. Vamos trabalhar o disco “Peça” até que ele comece a andar sozinho.E vamos que vamos que o som não pode parar! Salve moçada! Axé!

    Para ouvir acesse: My Space ou o Site Oficial de Ellen Oléria.

    Contato para shows: (61) 9901- 0099 ou suelenecouto@hotmail.com

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    outubro 1st, 2009blogpalcoalternativoposts por autor: Carol, série música para se ver

     

    HO

    Annie Leibovitz: a primeira dama da fotografia do rock e das celebridades

    [por Carol Cunha]

    John_Lennon_YokoJohn Lennon estava nu e agarrado a uma Yoko Ono vestida de preto. O maior astro dos Beatles naquela época posava de olhos fechados e parecia vulnerável. Lennon olhou para a Polaroid e comentou: “Esse é o nosso relacionamento”. Horas depois, ele seria baleado e morto em frente ao edifício Dakota, em Nova York.

    Clicada em 1980, a última foto de John Lennon foi imortalizada em uma capa histórica da revista Rolling Stones, esgotada nas bancas em poucos dias. Em 2005, a Sociedade Americana dos Editores de Revistas (ASME) considerou a capa a mais importante dos últimos 40 anos. Por trás das lentes, estava a fotógrafa americana Annie Leibovitz.

    Nascida em 1949, Annie começou sua carreira profissional aos 20 anos na Rolling Stones, na época, uma publicação recém-lançada em São Francisco que cobria a cultura do rock and roll. Morando no epicentro da contracultura hippie, Annie estava no lugar certo, na hora certa.

    Estudante do San Francisco Art Institute, ela tinha um pequeno portfólio de fotografias que impressionou os editores da revista: um retrato do poeta beatnik Allan Ginsberg, tirado numa manifestação contra a guerra, e fotos de Israel, fruto da temporada que viveu num kibutz. Sua habilidade com a câmera fez com que ela conquistasse rapidamente o seu espaço. Em 1973, com apenas 23 anos, já era chefe de fotografia da publicação.

    Like a Rolling Stone

    Annie foi uma das primeiras mulheres a exercer o fotojornalismo e trabalhou na Rolling Stone durante dez anos. Ela imprimiu seu trabalho em 142 capas, ajudando a moldar a identidade da revista e o imaginário de uma época. Neste período fotografou praticamente todos os artistas em ascensão como Bob Dylan, The Clash, Diana Ross e Bob Marley, apenas para citar alguns.

    patticoverAnnie apresenta muitos estilos ao longo de sua carreira, mas o que nunca mudou foi sua capacidade de testar novas ideias. Em alguns cliques, buscava se conectar com a essência da personalidade do artista. Quando disseram que Patti Smith seria matéria de capa em 1978, Annie não hesitou em jogar fogo num barril e posicionar a cantora em frente a uma grande labareda.  Tudo para transmitir a energia e força que ela via na cantora. Ideias simples também valiam, como pintar de azul o rosto dos Blues Brothers e fotografar Alice Cooper com uma cobra enrolada no pescoço. Em outros momentos, seus retratos refletiam um humor afiado e personagens em situações surreais.

    Uma de suas experiências mais marcantes foi em 1975, quando foi para a estrada com os Rolling Stones para documentar a turnê de seis meses da banda de rock mais popular daquele tempo. A lendária viagem testou os limites de Annie com a rotina de drogas e baladas, mas ela também produziu fotos reveladoras e intimistas de Keith Richards e Mick Jagger dançando e cantando no palco, afinando instrumentos ou chapados nos corredores dos hotéis.

    "Parecia que, para mim, o show era o lugar menos interessante de se fotografar um músico. Eu estava interessada em como as coisas foram feitas. Eu gostava dos ensaios, quartos de hotéis, qualquer lugar menos o palco”. (Annie)

    "Parecia que, para mim, o show era o lugar menos interessante de se fotografar um músico. Eu estava interessada em como as coisas foram feitas. Eu gostava dos ensaios, quartos de hotéis, qualquer lugar menos o palco”. (Annie)

    A turnê rendeu uma amizade com o grupo para a vida inteira e um vício: a cocaína, que ela só conseguiu largar após se internar em uma clínica. Em uma entrevista para a Vanity Fair, ela declarou que demorou cinco anos para apagar as marcas daquela turnê. “As pessoas sempre falam sobre a alma do fotografado, mas o fotógrafo tem uma alma, também. E eu quase a perdi”.

    Em 1983, Leibo aceitou trabalhar para a revista Vanity Fair e começou a fotografar celebridades e editoriais de moda. Também fez fotos para a Vogue e campanhas publicitárias. Com total liberdade criativa, foi responsável pela idealização de cenários fantásticos e caros, mas que rendiam cliques memoráveis. São famosos os editorais com a atriz Kirsten Dunst no palácio de Versailles encarnando o papel de Maria Antonieta, Whoopi Goldberg numa banheira de leite ou Betty Mindlin mergulhada em rosas vermelhas. A editora de moda da Vogue, Anna Wintour declarou em uma entrevista que o investimento valia a pena, já que “ela te dá uma imagem como ninguém mais pode conseguir”.

    As raízes da música americana

    Em 2003, Annie Leibovitz lançou o livro Annie Leibovitz: American Music, um projeto pessoal que pretendia refletir a riqueza sonora norte-americana. No livro, ela conta que seguiu o desejo de retornar ao seu tema original com um olhar mais maduro. Durante 1999 e 2001, percorreu lugares sagrados da música como o Delta do Mississipi, Texas e Nova Orleans, para documentar ícones do blues, jazz, country, folk, rap e o rock. As fotografias, com luz natural, valorizam e capturam a simplicidade dos músicos em seu cotidiano e comunidades, dentro de suas casas e ranchos, cantando em igrejas e clubes de jazz, gravando em estúdios ou dirigindo carros.

    Estão lá: Johnny Cash and June Carter,Tom Waits, Dj Shadow, B.B. King, Beck, Brian Wilson, Iggy Pop, John Frusciante, Johnnie Billington, Lou Reed, Laurie Anderson, Michael Stipe, Norah Jones, Patti Smith, Ryan Adams, The Roots, The White Stripes e Willie Nelson.

    "Eu estava dirigindo no Delta e sabia que todo ano em seu aniversário, B.B. King voltava a Indianola e tocava lá. Estávamos perto de Indianola e ele estava tocando no Clube Ebony. O clube era tão pequeno, eu estava praticamente sentada em seu colo. Foi incrível sentar neste pequeno clube e ver este homem tocar”.

    "Eu estava dirigindo no Delta e sabia que todo ano em seu aniversário, B.B. King voltava a Indianola e tocava lá. Estávamos perto de Indianola e ele estava tocando no Clube Ebony. O clube era tão pequeno, eu estava praticamente sentada em seu colo. Foi incrível sentar neste pequeno clube e ver este homem tocar”.

    “Esta banda é um duo. Vê-los tocar uma música juntos é como assistir a uma dança ou um romance. Eu peguei o alvo de um material que sobrou da Vogue, eu estava sentada no estúdio, tentando pensar, eu não sabia como fotografar os White Stripes".

    “Esta banda é um duo. Vê-los tocar uma música juntos é como assistir a uma dança ou um romance. Eu peguei o alvo de um material que sobrou da Vogue, eu estava sentada no estúdio, tentando pensar, eu não sabia como fotografar os White Stripes".

     

    Iggy Pop, Miami, Florida, 2000 – “Ele apareceu na porta sem camisa e e disse que não queria ser fotografado sem blusa, mas ele nunca a colocava. O seu corpo é um mapa do caminho de uma viagem difícil”.

    Iggy Pop, Miami, Florida, 2000 – “Ele apareceu na porta sem camisa e e disse que não queria ser fotografado sem blusa, mas ele nunca a colocava. O seu corpo é um mapa do caminho de uma viagem difícil”.

    O foco das lentes de Annie tem um segredo. Ela não ficou famosa por clicar as maiores celebridades americanas, pelo equipamento que usa ou pelas produções com verba astronômica,e sim pelo olhar clínico e sincero pelas pessoas. Sua vasta e polêmica produção fotográfica já foi exposta em dezenas de galerias e museus de arte.

    Hoje, com 40 anos de carreira, Annie Leibovitz é um dos maiores nomes da fotografia mundial, uma cronista visual de seu tempo, com lugar garantido na história da cultura pop.

    Para quem quiser saber mais sobre Annie, além do livro citado vale a pena assistir ao documentário: Annie Leibovitz -A vida através das lentes (Annie Leibovitz: Life Through a Lens, 2006).

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    setembro 15th, 2009blogpalcoalternativoposts por autor: Carol, raio-x

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    A mineira Roberta Campos desponta no cenário musical com som intimista e autoral

    [por Carolina Cunha]

    2008. Roberta Campos acabara de sair de uma reunião que mudaria a sua vida. O assunto? A chance de emplacar uma música numa rádio de São Paulo. “Vamos tocar sua música”, disse o diretor da rádio Nova Brasil FM.

    A canção era Varrendo a lua, do seu disco de estreia Para aquelas perguntas tortas. Recheado por 14 baladas que flertam com o folk e a MPB, chamou a atenção de gente como Marcelo Camelo, que declarou à Rolling Stones: “É para gente como Leandro Tavares ou Roberta Campos cantar que eu componho”.

    “Eu fiquei muito surpresa e feliz. O Marcelo é um cara que admiro muito e um dos meus maiores ídolos, por um momento eu não acreditava que estava lendo aquilo. Mas isso foi um dos acontecimentos ligados a ele. Antes disso, ele chegou a ver um vídeo meu no YouTube cantando a canção dele, Doce Solidão, entrou em contato comigo para que eu fosse num show dele aqui em São Paulo e quis me conhecer, foi fantástico. Tudo isso é fantástico”, diz Roberta.

    cdPara produzir o disco, a mineira adotou radicalmente o lema “faça você mesmo”. Gravou tudo na sala de seu apartamento, em São Paulo, em meio ao barulho dos carros. A fabricação caseira fez Roberta aprender sobre programas de edição de computador e sobre a arte de se virar sozinha. “Foi muito trabalhoso, afundei nas pesquisas do Google”, diz ela rindo.

    Além do som, ela também fez os desenhos e chegou a cortar o papel do encarte do CD. Resultado final: um disco simples, cheio de graça, repleto de melodias embaladas por uma delicadeza acústica no formato voz e violão.

    A música no rádio abriu as portas que Roberta precisava. “Me deu mais força e me fez acreditar ainda mais no que faço. Consegui tocar mais e as pessoas passaram a me conhecer. Sempre que me apresento em algum lugar e toco Varrendo a Lua vejo as pessoas se manifestando, cantando junto, é demais”.

    Para lançar o disco, Roberta criou também um selo, o Xaxim Music, tudo para deixar o trabalho mais profissional. No momento, lançar outros artistas ainda não está nos planos. “Mas quem sabe no futuro”…

    O início

    Roberta nasceu em Caetanópolis, terra natal da cantora Clara Nunes, e morou em Paraopeba, com a avó. Deu os primeiros passos na música ainda adolescente e nunca mais perdeu a vontade de compor e viver de música.

    “Eu sempre gostei muito de cantar e chamava as minhas amigas e minhas irmãs pra cantar, era minha brincadeira preferida. Daí, passei a perceber que conseguia fazer aquilo melhor que elas. Para comprovar isso, um dia ouvi minha vó dizer que eu sabia. Daí acreditei”, conta ela ao Palco Alternativo.

    Aos 12 anos fez uma versão para a música On My Own, de Nikka Costa. Depois vieram suas primeiras composições.

    Um coração na mão, o violão na outra

    As composições iam brotando com energia e ela seguia com suas apresentações em bares locais. Até o dia em que decidiu vir a São Paulo para o show de Alanis Morissette. Ela não só viu o show como conheceu um paulistano e se apaixonou. Uma daquelas viradas do destino. Os dois namoraram à distância, casaram-se e Roberta fez as malas para viver na metrópole. Isso há 5 anos.

    “Foi bastante complicado por não conhecer ninguém, deixar a família pra trás, amigos… Nesses cinco anos fiz muitos amigos, conheci São Paulo e descobri o quanto esse lugar me faz bem. Levei minha música por aí e continuo levando e buscando cada vez mais e mais coisas boas, e fazer ainda mais parte de São Paulo”, relembra Roberta.

    Nem precisou de muito tempo para despontar na cena musical da cidade. Generosa com o público, não tem pressa de acontecer. Roberta está com a agenda cheia e toca onde for chamada.

    Os anos em São Paulo não tiraram seu jeito bem mineiro de ser, preservado e evidente em suas apresentações. Ao vivo, é duas em uma: a garota tímida do interior de Minas, que se esconde sob a boina e os óculos, mas que em minutos, se transforma em outra, mais forte acompanhada de uma dupla de peso, sua voz e seu violão.

    Próximos passos

    O segundo disco tem previsão de sair até o final do ano pela Deck Disc. Dessa vez ela vai ganhar banda e uma produção afiada, mas o difícil mesmo será a escolha do repertório, já que ela mandou mais de 100 músicas para a gravadora.

    Se as músicas vão seguir a fórmula do primeiro disco, com letras e melodias românticas e leves, ela ainda não revela. “A música flui. Tudo acontece muito naturalmente, é o que sinto naquele momento, é complicado responder sobre a atitude, porque sinto tudo muito inconscientemente”.

    MySpace: www.myspace.com/robertacampos

    Jogo rápido

    Seu estilo: “Acho que não da pra definir, às vezes penso nisso e não chego a nenhuma conclusão. Acabei fazendo um mix de tudo e jogando nas minhas canções”.

    Sua música mais especial:De Janeiro á Janeiro, porque a fiz para o meu namorado, hoje meu marido! Essa música foi a coisa mais verdadeira e cheia de sentimentos que fiz até então”.

    Quem tem chamado sua atenção: “Dandy, um poeta cantador, como ele mesmo se apresenta. É fantástico como ele é autêntico, e como sua música tem sentimento e amor”.

    Você e seu violão são inseparáveis? “Somos sim! Costumo dizer que meu violão é parte do meu corpo, sem ele parece faltar um braço. Não consigo passar um só dia sem dedilhar e cantar uma notinha que seja”.

    Quando não está cantando ou compondo: “Adoro assistir filmes, ouvir música, bandas e cantores novos, ir a shows, andar pela Paulista sem compromisso, horário. Ler, ver vídeos na internet, sair e conversar com amigos, ficar jogada no sofá sonhando sem limites”. (risos)

    A melhor resposta para aquelas perguntas tortas: “O meu amor”.

    [Carolina Cunha - Brasiliense e neo-paulistana, é formada em publicidade pela ESPM e atualmente estuda jornalismo na PUC. Trabalha com comunicação, alimenta-se de batidas sonoras e acha que música boa é aquela que dá vontade de apertar o play - mais de uma vez]

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