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outubro 9th, 2011posts por autor: Andréia, raio-x
Desde 2007 um grupo de amigos se reúne num sotão, em Curitiba,
para se divertir, fazer barulho e, o melhor, criar canções. Este é o Subburbia - [Por Andréia Martins]
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julho 5th, 2011posts por autor: Andréia, raio-x[por Andréia Martins]
O segundo disco dos acreanos do Los Porongas, O Segundo Depois do Silêncio, é um exagero. No bom sentido, é claro. Não há estilo moderninho, cabelo da moda, roupas justas, essa onda superficial que o rock adquiriu nos últimos anos. O casual, o simples, o barulho, os riffs sujos, o rock. É isso que esse quarteto do norte formado por Diogo Soares (vocal), João Eduardo (guitarras, voz, harmmond B3 e viola caipira), Jorge Anzol (bateria) e Márcio Magrão (baixo), traz neste segundo e excelente disco, além de uma sensação de desconforto causada pelo repertório inspiradíssimo.
Amores e desconforto talvez sejam o norte deste disco, o primeiro trabalho da banda desde a mudança de Rio Branco (AC) para São Paulo, que segundo Diogo, foi assim, “da noite para o dia”.
Não à toa cada uma das 12 faixas tem São Paulo pregada na alma. Para quem ouve, e especialmente vive o dia a dia dessa metrópole que sabe ser tão doce e também deixar gostos tão amargos, o disco é muito pessoal e sensível.
“Lançamos o primeiro disco numa noite no Acre, em 2007, e no dia seguinte viajamos para São Paulo sem volta marcada. Acho que o tempo que passamos aqui foi o que gerou esse [segundo] disco. As canções nasceram depois de um longo período de silêncio, entre nós mesmos, que passamos a morar juntos quando nos mudamos, com nossos fãs e com a própria cena”, conta Diogo ao Palco Alternativo em entrevista por e-mail.
Fortaleza [“no lugar de onde nunca vim/ meus amigos já não sei quem são (...) se meu lugar ainda está aqui? que amores ainda serão?”, perguntam os porongas], Cada Segundo [na parte mais cosmopolita do país, eles tentam achar seu segundo de silêncio em versos como "cada segundo uma segunda chance / quando é que a gente vai deixar cada segundo respirar") e Bem Longe (“bem longe de casa, buscando chegar / quando a cidade não conversa, necessidade é não ter pressa não”) é a trinca que abre o disco, representando a “chegada” da banda ao desconhecido, enquanto A Dois e Longo Passeio, que fecha o disco ecoando versos como “o mundo é bem mais que o seu quintal”, refletem como a banda se sente em São Paulo hoje.
Mas antes de fazer música na nova cidade, a banda precisou aprender a sobreviver em São Paulo. “Nossa voz foi nossos shows nesse período. Não foi fácil conciliar a adaptação a uma vida nova numa cidade diferente, com as opiniões de que tínhamos feito a escolha errada, de que tínhamos perdido o timing e, o pior, que o fim da banda era inevitável. A certeza de que a música sempre vence foi o que surgiu desse disco”, diz o vocalista. Daí o estranhamento e desconforto provocados pelas letras.
“Acho que estranhamento e desconforto foram bons motes pra letras do disco. Ele começa angustiado e termina esperançoso. É como se toda a agonia da mudança, da solidão, das expectativas se resolvesse quando começamos a encontrar outras pessoas que também vieram para São Paulo instigados pelo mesmo sonho de viver de arte no Brasil. Fortaleza e Bem Longe podem ser a nossa chegada e A Dois e Longo Passeio como nos sentimos em São Paulo hoje”.
A mudança de eixo também permitiu à banda uma maior troca de referências e experiências com outros artistas que circulam pela cena paulista.
“Essa mudança trouxe mais referências. Assistir mais shows, conhecer e trabalhar com muitos outros artistas foi fundamental para o nosso jeito de perceber e fazer música. Contudo, a maioria das canções nasceu como as do primeiro disco, espontaneamente, sem muito método”, diz Diogo, que se sente particularmente influenciado por nomes como Curumin, Tulipa Ruiz, Daniel Groove e Hélio Flanders, velhos conhecidos da cena paulistana.
O Segundo depois do Silêncio também traz uma banda a fim de experimentar. João toca vários outros instrumentos além da guitarra e compôs trechos fundamentais de algumas letras como em Silêncio e A Dois. Já Anzol toca percussão além de bateria e também compôs várias melodias. Grande parte das músicas, segundo Diogo, nasceu de linhas de baixo do Magrão.
O disco também traz participações de Hélio Flanders, do Vanguart, na faixa Mais Difícil, e de Carlos Eduardo Gadelha, do Jardim das Horas, que tocou violão, guitarra e propôs arranjos em diferentes faixas, como um “quinto elemento”.
“Já tínhamos vontade de fazer algo em estúdio com o Hélio há muito tempo e quando compusemos Mais Difícil percebemos que ele estava na música e não haveria outra voz que não a dele para dar a vida certa para a canção. Tanto que é ele quem abre a faixa, eu só canto bem depois”, diz Diogo.
Outra participação foi a de Dado Villa-Lobos. Em 2009 a banda gravou Sangue Novo, uma das primeiras músicas desse segundo disco a ficar pronta. Foi uma gravação teste feita ali mesmo no estúdio de Dado, o Lobo Mao, no Jardim Botânico, no Rio. E dessa tarde no estúdio veio uma daquelas “dicas preciosas” de quem já está há tempos na estrada.
“O Dado teve uma grande contribuição para a sonoridade dessa faixa e também deu a melhor dica dos últimos tempos da nossa carreira. Ele disse que se a gente tivesse uma sala bacana, bons microfones e pré-amplificadores, deveríamos gravar e foi o que a gente fez. Ao invés de alugarmos um estúdio, montamos o nosso em parceria com outros artistas amigos que moram em São Paulo, o Cambuci Roots”, conta Diogo.
Apesar de todas as possibilidades que São Paulo abriu para a banda, em alguns quesitos a capital paulista talvez nunca se torne, de forma completa, o lar doce lar dos porongas. Além da saudade “da gente de lá, do calor, dos amigos e familiares” que ficaram e de Rio Branco, diz Diogo, “Em São Paulo não é fácil achar tucupi ou farinha como a de lá”.Tags: dado vila lobos, hélio flanders, los porongas, o jardim das horas, vanguartO segundo depois do silêncio (Baritone Records) - Produzido por Carlos Eduardo Gadelha e João Eduardo. Download em http://losporongas. baritonerecords.com.br.
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junho 14th, 2011posts por autor: Natasha, raio-xEntrevistamos a dupla maranhense Criolina, formada por Luciana Simões e Alê Muniz
[Por Natasha Ramos]
A dupla Criolina, formada por Luciana Simões e Alê Muniz, “é a melhor coisa que apareceu na música do Maranhão nos últimos 20 anos”, afirma o músico e também maranhense Zeca Baleiro.
O duo, que também é um casal, se conheceu quando ambos moravam em São Paulo. Naquela época, cada um possuía outros trabalhos musicais. “Tínhamos carreiras separadas: eu tinha uma banda de reggae [Natiruts] e o Alê fazia um trabalho solo. Nós nos conhecemos em 2004, passamos alguns meses compondo juntos e formamos a dupla. Aí, aconteceu de a gente ficar junto, e o Criolina ficou mais forte”, conta Luciana.
O nome Criolina casa muito bem com a proposta musical da banda e surgiu de modo espontâneo. “A gente fez um ‘toró’ de ideias e, de repente, pintou o Criolina, que remete ao tambor de Crioula do Maranhão e tem toda essa coisa de usarmos a logomarca vintage do produto Creolina, do qual a gente removeu o ‘E’ e colocou no lugar o ‘I’”, explica Luciana.
A dupla tem dois CDs lançados: o primeiro homônimo, de 2006, e o segundo intitulado Cine Tropical, de 2010, com um projeto mais elaborado em que cada música representa um gênero cinematográfico, com a estética de filmes como Bye Bye Brasil. “No Criolina [disco] tentamos experimentar mais”, comenta Alê Muniz. “Já no segundo CD, direcionamos mais para um tema. Quando fomos fazer a seleção do repertório, percebemos como o universo do cinema era algo em que a gente poderia se achar e curtir, então resolvemos casar os dois”, acrescenta.
Para compor seus trabalhos, a dupla bebe de fontes das mais variadas, desde Erasmo Carlos, Mutantes, Beatles e Led Zeppelin, até Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Bob Marley e toda a galera da Tropicália.
Atualmente, Luciana e Alê moram no Maranhão, e sua terra natal influencia diretamente no processo de composição da dupla. “Lá o estado de espírito é diferente, nós encontramos um ambiente mais propício para compor”, diz Luciana.
Se perguntarem qual é o som do Criolina, você vai encontrar, basicamente, rock, ska, surf music, reggae, zouk, com tempero caribenho e sotaque do Maranhão.
“Alê e Luciana são dois artistas muito intuitivos e originais. Fazem uma mistura saborosa das muitas referências que têm, sem que seu som jamais soe ‘cabeça’, excessivo ou pretensioso. Fazem uma abordagem pop da música nativa maranhense de modo muito inteligente e aberto ao mundo”, diz Zeca Baleiro, que também é uma influência para a dupla.
“Achamos ele [Zeca Baleiro] genial, um poeta. Adoro o trabalho dele e acho que tem tudo a ver com o que o Criolina faz”, diz Luciana. Em maio de 2011 a dupla participou de mais uma edição do Baile do Baleiro, projeto de Zeca em que ele divide o palco com amigos, músicos e ídolos, para recriar clássicos como “Fogo e Paixão” (Wando) e “Fio Maravilha” (Jorge Ben Jor) com arranjos diferenciados.
A banda também tocou no Bailão do Ruivão, abrindo o show de Nando Reis, e já se apresentou em várias cidades do Brasil, como São Luis, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e interior. “Participamos do circuito SESC, Itaú Cultural e Virada Cultural em São Paulo”, conta Alê.
A Criolina ainda foi convidada para se apresentar na Europa, no segundo semestre de 2011. “Vamos tocar no festival Espírito Mundo, que tem duas edições, uma na França, na cidade de Celles Sur Belle, e outra na Espanha, em Santiago de Compostela. É a primeira vez que vamos tocar no exterior com a Criolina”.
:: Publicado originalmente por Natasha Ramos no site Saraiva Conteúdo.
Tags: criolina, maranhão, zeca baleiro -
junho 11th, 2011entrevista, posts por autor: Andréia, raio-xO Labirinto é assim: uma banda que mistura experiências e sensações em suas linhas melódicas e já é, sem dúvida, um candidato a entrar nas famosas listas de melhores do ano[por Andréia Martins]
2011 já é sem dúvida um ano que vai marcar a banda paulistana de post-rock Labirinto – sinta-se à vontade para defini-la de outro modo. Há oito anos na estrada, a banda que se define como um grupo instrumental e experimental está provando agora o doce gostinho de cair nas graças do público e da crítica.Boas críticas em revistas e sites nacionais e gringos, shows indo bem, público comentando bastante sobre a banda nas redes sociais e a primeira turnê internacional — que acontece no exato momento.Formado por Erick Cruxen (guitarra), Muriel Curi (bateria), Daniel Fanta (guitarra), Eddu Ferreira (baixo), Pedro Rizzi (guitarra), Bruno Pietoso (lapsteel e sintetizadores), Alê Amaral (bateria), Ana Miguez (violoncelo) e Moema Lima (violino), o Labirinto surge em 2003 e começa a trabalhar na composição musical instrumental, priorizando as exaltações emotivas variadas que a música percorre ao longo dos múltiplos caminhos estéticos, ideais e interpretativos.O grande filão da banda — até agora — é o disco Anatema (2010). São seis faixas, coladas uma nas outras, umas mais densas, outras mais pesadas, mas com guitarras sempre afiadas, cujas construções melódicas permitem um misto de sensações, depende da imagem criada por cada ouvinte durante a viagem sonora.Muriel bateu um papo com o Palco, por e-mail, antes de arrumar as malas rumo à turnê internacional. Confira:Palco Alternativo – Primeiro, queria saber onde e como tudo começou.Labirinto - As primeiras ideias e projetos sobre a banda surgiram em 2003, mas nosso primeiro EP foi lançado em 2005, ano em que nos estruturamos, realmente, como um grupo instrumental e experimental. Desde que começamos a tocar com o Labirinto, há quase 8 anos, fizemos as primeiras composições pensando em não ter vocal e em usarmos instrumentos não comuns em bandas de rock; mas foi ao longo da existência do Labirinto, experimentando formas de compor, instrumentos e formações diferentes, que chegamos à um som que nos agradasse. Consideramos que o primeiro lançamento, no qual conseguimos apresentar nossas ideias musicais de uma maneira mais fiel àquilo que imaginávamos, foi com o EP Etéreo, lançado apenas um ano antes do Anatema.A banda sempre foi assim, generosa, no número de integrantes?Labirinto – A ideia sempre foi experimentar e brincar com timbres, texturas, dinâmicas e sonoridades diversificadas. Para isso, buscamos utilizar diversas ferramentas e instrumentos em nossas composições, e em apresentações ao vivo eventualmente convidamos um músico para juntar-se a nós. O limite é o tamanho do palco! (risos)Anatema é um disco muito conceitual, bem amarrado. Vocês já estão pensando no segundo trabalho, no que vai dar base a essa nova criação, especialmente agora que você estão com a novas experiências na bagagem?Labirinto – Engendramos o Anátema em cima de uma narrativa, que balizou todo o processo de criação do disco. Conceitualmente, o segundo disco será uma continuação. Contudo, ele terá novos elementos, sonoridades e instrumentos. Já temos uma parte dele pensado e composto. Em breve, após as turnês e shows, começaremos a “trabalhá-lo”.Aliás, o que significa Anatema?Labirinto – Excomunhão, maldição, mácula. O conceito do disco de “eterno retorno” engloba todas essas definições. Tentamos tornar esta ideia mais nítida por meio da relação proposta entre as músicas e as ilustrações impressas no LP e no CD.
Por que vocês terminaram a mixagem do disco Anatema em Chicago?Labirinto – Resolvemos mixar em Chicago com o Greg Norman, no Electrical Áudio, pois ele já fizera trabalhos muito interessantes com bandas gringas, que possuem sonoridades próximas a do Labirinto, como Pelican e Russian Circles.; além da sua própria forma de “trabalhar”, que coincidia com toda proposta e fomentação do disco. Mandamos um material da pré-produção do Anatema para ele, que apreciou e topou a empreitada. Depois masterizamos com o Bob Weston, também em Chicago. Adoramos o resultado de ambos os processos.O disco vem acompanhando de um trabalho gráfico bem interessante, nos shows vocês fazem projeções. Queria saber se para você a ideia de fazer música sempre esteve atrelada a essa coisa de unir outras formas de arte. Sempre funcionou assim?Labirinto – É como se a experiência fosse mais completa… Buscamos relacionar nossas composições com outras formas de expressão cultural, como cinema, fotografia, literatura. Tentamos construir músicas imagéticas, onde as pessoas possam ser envolvidas por diferentes formas e signos de percepção. As ilustrações do disco associam-se com as músicas correspondentes, que representam fragmentos da narrativa de Anatema. Tentamos levar esse conceito pra nossas apresentações também.
Produzidas em 2009 pelo artista paulistano João Ruas, as seis ilustrações que fazem parte do álbum foram criadas de acordo com a história desenvolvida pelo guitarrista Erick Cruxen para Anatema. Norteadas pelos fantásticos mundos dos jogos de RPG, mitologia antiga e conceitos de psicologia, as imagens ilustram os conceitos e os momentos da história, cada uma representando uma música do álbum
Você estão de malas prontas para uma turnê internacional, certo? Onde vão tocar e será a primeira vez?Labirinto – Fomos convidados a tocar no festival North by Northeast (NXNE) em Toronto/Canadá, que acontecerá daqui a menos de um mês. Aproveitamos, e antecipamos a turnê que faríamos em setembro. Ainda estamos confirmando outras datas, mas já temos apresentações confirmadas em algumas cidades pela costa leste dos EUA, como Nova York e Baltimore, além de Chicago, Urbana e Detroit. Estamos muito ansiosos, mas muito felizes e satisfeitos por podermos realizar essa tour.Li boas resenhas do disco de vocês em sites gringos… Essa boa repercussão lá fora foi inesperada ou vocês também trabalharam nessa divulgação lá fora?Labirinto – Sempre mantivemos contato com um pessoal do exterior. Em nossas redes sociais nos relacionamos com pessoas de diversas partes do mundo. Ficamos, realmente, surpresos com a repercussão que o Anatema obteve, permitindo-nos conhecer mais gente, bandas e festivais ao redor do mundo.Na volta dos EUA, já tem algum grande show a vista?Labirinto – Temos algumas datas sendo confirmadas. Dia 4 de agosto tocaremos em Sorocaba no Asteroid, e até o mês de setembro devemos tocar em Curitiba e em São Paulo, na Serralheria. Disponibilizaremos todas as informações em nossa mídias sociais e no informativo que enviamos mensalmente: www.labirinto.mus.br, www.twitter.com/labirintomusic e www.facebook.com/labirintoband.Tags: anatema, labirinto -
fevereiro 26th, 2011posts por autor: Andréia, raio-xPrestes a lançar seu segundo disco e a embarcar para a primeira turnê no exterior, o Loungetude46 fala sobre a mistura de linguagens e o trabalho inspirado em São Paulo
[por Andréia Martins]
Um tecido de vários cenários e referências que vêm dos quatro cantos do planeta. Essa é a banda paulista Loungetude46, que já traz no nome uma de suas principais inspirações, São Paulo (longitude 46 é a localização geográfica da metrópole).
A trupe, formada por Adolfo Moreira (baixo), Bruno Duarte (percussão e vibrafone), Mariana Degani (voz), Paulo Papaleo (bateria), Rafael “Chicão” Montorfano (piano), Remi Chatain (sopros e violão) e Thiago Bandeira (poemas e flauta transversal), vai lançar o segundo trabalho em abril – “Ação e Reação” – e depois segue para uma turnê na Europa.
O novo trabalho aponta novos rumos no trabalho da banda, que começou unindo várias linguagens artísticas e agora parece apostar mais na música.
“Sempre tivemos o desejo pela mistura de linguagens, no entanto nosso trabalho tem a música como essência. Diferentes parceiros já passaram pelo grupo, inserindo outras formas de arte, e queremos continuar fazendo experimentações. Além disso, todos os integrantes do grupo trabalham com outros segmentos artísticos. Por isso, para esse novo trabalho, resolvemos prezar essa essência e fazer da música nosso carro-chefe. Mas isso não significa que deixamos de mesclar em nosso trabalho outras vertentes artísticas como a fotografia e a ilustração que compõe esse universo. Além disso, nosso show é bastante visual”, diz a banda ao Palco.
Nas letras do novo disco a banda faz crônicas sobre o dia a dia na metropóle – que claro, não precisa ser apenas São Paulo, o palco de experiências da trupe - sobre a rotina cansativa e também o leque de possibilidades que a tal selva de pedras nos oferece, entre o caos e a poesia, suas ações e reações.
“’Ação e Reação’ tem como essência a nossa visão da vida cotidiana, a nossa posição perante a essa contradição urbana, o paradoxo das grandes metrópoles. São as contradições do dia a dia no mundo contemporâneo, das notícias de jornais, nas interações entre as pessoas, nas escolhas de consumo, nas questões ambientais e, mais a fundo, nas questões existenciais”, comenta a banda.
O disco vem acompanhado de um livro que reúne fotografias e ilustrações que retratam cenicamente a proposta das músicas.
“Ele representa a nossa intenção de resgatar o trabalho gráfico que era feito antigamente com os vinis, por exemplo. Era possível explorar visualmente muito mais o disco. Acreditamos também que o artista independente tem, por necessidade, que atuar em mais de uma área, e com a livre circulação musical pela internet, a música tornou-se um produto muito volátil”, conta a banda.
O lançamento do novo trabalho vem acompanhado de uma turnê na Europa – 19 shows ao todo -, momento super aguardado pela banda por ser a primeira leva de shows fora do Brasil.
“Sempre pensamos em tocar fora do Brasil. Na França, além de termos conhecidos por lá, que nos ajudaram bastante, os franceses gostam muito da cultura brasileira. Além disso, o trompetista francês Roman Quartier participou como compositor de uma das músicas do nosso álbum e se apresentou conosco em 2008. Começamos a divulgar nosso trabalho por lá e entre uma conversa de skype e outra e fomos marcando os shows”, diz a banda.
Para os gringos, o Loungetude46 vai levar seus diferentes climas e ritmos diversos, o que, segundo a banda, não confunde o ouvinte ou levanta dúvidas sobre a essência do grupo. Afinal, ser diverso e rico em referências não quer dizer sem identidade.
“Assim como a cidade de São Paulo, nossa música tem muitos cenários sim, e talvez seja mesmo essa nossa identidade. A ordem. O caos. Tudo ao mesmo tempo, agora. Em São Paulo, não é possível seguir uma única linha quando se vê tudo acontecer ao mesmo tempo e em tão larga escala, portanto, precisamos refletir nossa consciência por todos os cantos da cidade”. Ou seja, abraçar o diverso.
Para ouvir e saber mais: www.loungetude46.com
Tags: loungetude46
A palavra trabalho não está no vocabulário do quarteto que hoje forma a banda Subburbia. Ensaiar, marcar shows e toda a correira que montar uma banda dá não é vista como trabalho pelo grupo curitibano. A música funciona como uma desculpa para a reunião entre amigos e horas de diversão.
Como a própria banda diz, a ideia “é se encontrar e falar sobre assuntos diferentes que vão da cultura pop atual a ícones como Lynch, Cronenberg, Warhol e Basquiat. Feito uma gangue, andam juntos e se veem todo dia, mesmo que não tenham ensaio”. “A gente tenta ganhar dinheiro encontrando os amigos e fazendo barulho”, diz E1000 (voz). Além dele, completam o quarteto Penny (voz e guitarra), Vir (bateria) e Ernani (sinths e baixo).
Para a barulheira, nada de estúdio, garagem ou sala de casa. O QG da banda é o sótão do sebo que pertence a E1000, já há quase uma década, localizado no bairro de Água Verde, em Curitiba. “É no sotão do sebo que a gente produz 90% do nosso material. Toda música que é minha (a Penny também compõe), tem alguma citação a ver com a literatura”, diz ele. Na faixa Stevie Nicks, por exemplo, quem prestar atenção vai encontrar o Oscar Wilde entre os versos, na frase “You’re My Favorite Female Dorian”.
Na estrada desde 2007, a formação atual da banda é recente. Ernani está desde 2009 enquanto as gurias, como diz E1000, entraram na banda este ano. Curiosamente, o entrosamento já é total. “Entramos numa sintonia única (resultado de horas bebendo e ouvindo Smashing Pumpkins e Prince), e em consequência passaram a prestar atenção na gente”, diz o vocalista.
B-side – Stevie Nicks by subburbia
O trabalho do quarteto é baseado em EPs e singles, uma opção da banda. “Por enquanto acho que os singles estão fazendo o seu papel, mas com certeza vai chegar a hora de gravar um disco e, quando ele sair, quero ter certeza que será realmente relevante”, comenta E1000.
O primeiro EP, chamado Subburbia, foi lançado em junho de 2008 e traz 4 faixas: Out of drugs, Soul Sister [música sobre a frustração de E1000 por não conseguir escrever como Sam Cooke, Stevie Wonder e Prince, este, ao que tudo indica, é uma figura presenete no espírito da banda], 9,10 once again!, e Jesus Express. Depois veio o EP John D. Rockefeller. Além da faixa original, UR Here, traz dois remixes: um produzido pelo DJ Kurc e outro pela Jo Mistinguett, produtora da faixa original.
O single mais recente, Bullets – lançado em setembro deste ano e cujo lado B é a faixa Stevie Nicks -, produzido por Eduardo Ramos, reforça a pegada dançante da banda, misturando grunge, new-wave e disco. A combinação é bombásticas nas apresentações ao vivo do grupo, cujo destaque vai para a performance de E1000. “Me vejo meio Bez do Happy Mondays… Mas acho que as pessoas gostam do nosso show porque a gente se diverte”, diz ele.
O quinto elemento
A designer Estelle Flores é o que se pode chamar de quinto elemento do Subburbia. Mas E1000 tem uma definição muito mais cool para ela: “é o nosso Andy Warhol de saias”. Cartazes, flyers, fotos e até o figurino despretensioso da banda têm direção de arte de Estelle.
“Ela está sempre com a gente e , como é uma das melhores ilustradoras do Brasil, foi natural que toda produção visual como foto, video, capa dos singles fosse feita por ela. Ela passa a banda pra uma outra linguagem, é o nosso Andy Warhol de saias, a quinta integrantes.
Agora, a banda anda se dedicando exclusivamente à música, o que pode indicar que em breve um disco completo da banda estará pronto para rodar por aí.
Para ver, seguir e ouvir:
http://www.myspace.com/subburbia
http://www.twitter.com/subburbia
http://subburbia.tumblr.com/
http://soundcloud.com/subburbia
http://www.flickr.com/subburbia
http://www.tramavirtual.com.br/subburbia
Tags: curitiba, estella flores, subburbia








