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    setembro 22nd, 2011blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, resenhas

    Divulgação

    O cantor e compositor Lirinha


    [por Andréia Martins]

    A notícia do fim do Cordel do Fogo Encantado, banda que durou mais de dez anos e conquistou o público no rastro do manguebeat, pegou muita gente de surpresa, há mais ou menos um ano e meio. A primeira impressão era que, bem, ficávamos mais uma vez sem uma boa banda. Parece que nessas horas a gente nunca pensa que coisas melhores, diferentes e até mais interessantes podem surgir do fim.

    Após o final da banda, Lirinha foi experimentar outras artes, outras dores e trocar experiências com outros artistas. Participou de filmes – O Último Romance de Balzac (2010), de Geraldo Sarno, e O Transeunte (2011), de Eryk Rocha – e lançou o livro Mercadorias e Futuro, mesmo nome de sua peça que teve uma turnê de sucesso em 2009.

    Agora, ele ressurge com sua música em Lira, seu novo disco. E para quem ainda está com saudades do Cordel, uma ‘boa’ notícia: o novo trabalho de Lirinha vai totalmente na contramão da música de sua antiga banda.

    O disco já está disponível no site do cantor e será lançado oficialmente em 1º de outubro. Gravado metade em Recife, no estúdio Casona, e a outra metade em São Paulo, no YB, o disco tem produção de Pupillo, da Nação Zumbi.

    As primeiras quatro-faixas – além de indicarem que se trata de um disco sobre a dor, de sua construção, destruição e reconstrução, pois há muita referências a perda e ao vazio – usam bem as guitarras e pedais. Há um quê de samba ali – “Noite Fria” -, algo mais regional ali, mas ao final, são as guitarras que constroem a sonoridade de Lira. Que o diga “Eletrônica”, que traz um verso dos bons onde Lirinha canta “eu sou feito de distorção e mau contato”.

    “Adebayor” é outro destaque, com direito à participação de Lula Côrtes, que pouco antes de morrer, em fevereiro deste ano, gravou seu tricórdio (cítara marroquina) na faixa. Ainda participam do álbum Bactéria, do Mundo Livre S/A, Neilton, da Devotos, Otto e Ângela Ro Ro (os dois reunidos em peso na faixa “Valete”), Fernando Catatau e Maestro Forró.

    A turnê do disco já tem algumas datas confirmadas: 1º de outubro em Natal (RN); dia 5 em Araraquara (SP); dia 8 na Cidade do México, para um recital solo; dia 16 em Sorocaba (SP), e nos dias 27 e 28 em São Paulo.

    Os mais de 10 anos à frente do Cordel renderam três discos: Cordel do Fogo Encantado (2000), O Palhaço do Circo Sem Futuro (2002) e Transfiguração (2006). Em outubro de 2005, a banda ainda lançou o DVD MTV Apresenta: Cordel do Fogo Encantado. Agora, Lirinha abre um novo ciclo, carregando boas recordações do que ficou para trás e com muito a dizer. Como ele mesmo diz: “Caminhei pra dentro da minha própria música procurando a paz. E eu não quero mais guardar silêncio”.

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    agosto 17th, 2011blogpalcoalternativonotas, resenhas

    Beirute lança terceiro disco, mais pop


    [por Andréia Martins]

    Zach Condon está de volta com mais sonhos e seu punhado de canções mágicas. O terceiro disco do Beirute, Rip Tide, caiu na rede essa semana, bem antes do lançamento oficial, marcado para 30 de agosto.

    Para quem acompanha o trabalho da banda de Zach Condon, o novo disco traz uma sonoridade que é simples e ao mesmo tempo sofisticada, como  nos trabalhos anteriores. O ukelele, o trompete, os instrumentos barrocos, o clima de cabaret, está tudo lá, assim como os momentos instrospectivos de Condon. No trabalho deste jovem trovador, você nunca sabe se alegria é melancolia ou vice e versa.

    Rip Tide é o disco que todos esperavam depois de The Flying Club Cup, lançado em 2007, um disco onde a banda fez uma ode às canções tradicionais da França, mas talvez não para suceder March of the Zapotec/Holland (2009), onde Zach e cia flertaram bem com a eletrônica e outros elementos.

    Embora não seja um álbum inovador na carreira da badna, os trabalhos anteriores de Zach e cia lhe dão um aval precioso: no caso do Beirute, o mais do mesmo, parece, será sempre bom. Até porque, não há como ir contra um dos pontos fortes da banda: as boas composições. E essas, continuam lá.

    O disco traz nove faixas, entre as quais se destacam “The Candle’s Fire”, que abre o álbum, “Santa Fe”, dançante e na qual ele brinca com o sentido de lugar e tempo [a música leva o nome da cidade onde ele cresceu no México, talvez por isso seja a mais contagiante do disco], “East Harlem”, “Goshen”, que traz um dueto entre a voz de Condon e o piano, e “Port of Call”, que encerra o disco. Agora é aguardar para ver se a trupe passará novamente por terras brasileiras com seu novo baú de canções mágicas.

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    janeiro 25th, 2011blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, resenhas

    Cantora inglesa lança seu primeiro disco; intitulado Anna Calvi, ele explora as duas metades de Anna: a esperança e a escuridão


    [por Andréia Martins]

    Anna Calvi foi minha aposta no BBC Sounds of…, concurso que a BBC promove todo o mês de janeiro para eleger a grande promessa do ano na música. Apostar em Anna foi um palpite ousado, já que o concurso não tem a tendência de premiar artistas muito experimentais. Mas a conexão com a música dessa inglesa foi imediata e irresistível para essa que vos escreve.

    Intitulado Anna Calvi, o primeiro disco dessa cantora meio-inglesa e meio-italiana  foi lançado pela Domino, tradicional selo independente, em 17 de janeiro, e traz 10 faixas que seduzem e intrigam ao mesmo tempo. Não à toa, (quase) todos estão se rendendo a ela. Brian Eno disse que ela é a coisa mais interessante desde Patti Smith – exageros são irresistíveis quando somos tomados pela sensação de que aquilo que esperávamos bate à nossa porta -, e Nick Cave levou a moça para abrir os shows de sua banda. Nada mal para começar a sair do anonimato. Mas, afinal, qual é o grande “it” de Anna?

    Talvez a mistura de sensações que as músicas produzem nos ouvintes. Há paixão, angústia, dúvida, desespero, uma necessidade que surge de sair do lugar,de se libertar, mas de que? No caso de Calvi, muitas coisas.

    Anna passou boa parte da adolescência lidando com um problema de saúde. Viveu na pele o isolamento, repleta de cuidados e a sensação de estar quase todo o momento em espera. Daí lançar um disco que ronda o gótico, o obscuro, mas que parece ser apresentado no meio de um cabaré, dada a dramaticidade cênica de Anna e seu visual.

    Anna é dona de uma expressão forte ao cantar. Seu timbre de voz e o clima de suas músicas lembram artistas como Florence and the Machine, Siouxsie & the Banshees, Arcade Fire, The Cure, além das referências que a própria cita como fundamentais, indo desde Jimmy Hendrix a Edith Piaf.

    O debut de Anna foi coproduzido por Rob Ellis, conhecido pelo trabalho com PJ Harvey (além de Marianne Faithful e Placebo), não é difícil reconhecer algumas semelhanças entre o trabalho das cantoras. Mas há uma carga dramática que diferencia o trabalho de Anna e talvez a única semelhança verdadeira entre ambas seja o fato de que nenhuma das duas apareceu para ser negada.

    Rider to the Sea abre o disco com riffs dramáticos – se é que algum riff pode ser classificado como tal – e vocais nebulosos, dando o clima do que espera o ouvinte nas próximas nove faixas.

    No More Words é a faixa e transição para Desire, música que vai conquistar os fãs saudosos de Siouxsie & the Banshees e Cocteau Twins, cujo clima anos 80 segue em Suzanne and I.

    First we Kiss toma ares mais dramáticos, e The Devil dá o toque flamenco ao disco além de explorar, talvez da forma mais intensa entre as faixas do álbum, o vocal de Anna. Blackout é uma das mais pops do disco, seguida da dark  I’ll be your man e da introspectiva Love won’t be leaving – que a julgar pela forma como é interpretada por Anna, fica difícil saber se ela diz as palavras “love won’t be leaving” para se convencer de tal ou se, na verdade, o amor já abandonou o barco faz tempo.

    Calvi toca guitarra em todas as músicas – é ela quem manda nos riffs e distorções – e é fácil enxergar o instrumento como uma extensão de seu corpo, acompanhada apenas por Mally Harpaz (teclado e percussão) e Daniel Maiden-Wood (bateria).

    O álbum externa as duas metades de Anna, a escuridão, em busca de um surrealismo Lynchiano, e a esperançosa, baseado naquilo que há de mais concreto: a vida real.

    Resumindo, o disco de Anna Calvi já é um dos melhores lançamentos do ano, cuja qualidade e honestidade, tanto nas letras quanto nos arranjos, servirão de parâmetro para os futuros lançamentos que vão engordar a lista ao lado dela.

    Para ouvir: myspace.com/annacalvi

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    novembro 23rd, 2010blogpalcoalternativoposts por autor: Natasha, resenhas

    O músico de 68 anos apresentou-se na capital paulista no último fim de semana com o seu projeto paralelo, o Metal Machine Trio

     

    Lou Reed durante apresentação no SESC Pinheiros. Foto: Natasha Ramos

     

    [Por Natasha Ramos]

    Depois do cancelamento de sua vinda à Festa Literária Internacional de Paraty, em agosto deste ano, Lou Reed finalmente encontra-se com seus admiradores tupiniquins em duas apresentações  realizadas no último sábado e domingo (20 e 21/11), no SESC Pinheiros, em São Paulo.

    Pela terceira vez no Brasil, a lenda-viva do rock, no entanto, não viria tocar os clássicos memoráveis do Velvet Underground ou de sua carreira solo –como fizera outrora–, mas de seu projeto-experimental-recém-saído-da-gaveta, Metal Machine Trio. Ao lado do saxofonista Ulrich Krieger e do programador eletrônico Sarth Calhoun, o músico revisitou seu disco de 1975, Metal Machine Music, eleito pela crítica da época como o “pior álbum de todos os tempos”.

    De fato, a música ­–ou os sons ininterruptos de microfonia, distorções e  ruídos–, tanto do disco quanto da apresentação, são bem incômodos, principalmente para os ouvidos desavisados. Depois da primeira meia hora de show, via-se algumas pessoas deixando o teatro Paulo Autran. À medida que alguns se retiravam do local vencidos por aquele pesadelo sonoro, outros –os fãs mais ferrenhos– persistiam e galgavam lugares mais próximos do músico.

    Trajados com camisetas pretas, os três –principalmente Reed– tocavam seus sons desconexos numa espécie de transe. Lou parecia um monge introspectivo concentrado em sua mesa de som. Não falou com o público, nem sequer olhou para os presentes até pegar a guitarra das mãos do roadie que a segurava pacientemente ao seu lado pelo que pareceu uma eternidade.  Foi então que arranhou alguns acordes, olhando pela primeira vez o público inquieto  como que os percebendo naquele instante.

    Em um dado momento, Lou sinaliza para os seus dois companheiros de palco pararem de tocar –ele é o regente daquela controversa sinfonia. Toca sua guitarra solo olhando para frente (no que seria um breve descanso aos ouvidos do público) para, em seguida, ser acompanhado novamente por solos ensandecidos de sax de Krieger e sons eletrônicos produzidos pelo notebook de Calhoun.

    Como eu, acredito que, durante a audição daquela massa sonora inquietante, outras pessoas tenham reconsiderado seus conceitos do que é música. Assim como Duchamp e outros artistas de vanguarda propuseram novos parâmetros para a arte como era compreendida até então; Lou nos fez repensar os paradigmas musicais no mundo pós-moderno.  Com esse projeto, ele produz a musica não como entretenimento, mas como experiência, mesmo que provocativa e incômoda. E, talvez, essa fosse justamente a proposta. Uma espécie de anti-música, um teste para ver quem conseguiria permanecer até o final.

    É sabido que Reed não é conhecido por produzir canções de fácil assimilação. Desde seu début Velvet Underground and Nico (1967), ele sempre tocou um rock`n`roll provocativo, batendo de frente com os tabus (vide Venus in Furs, sobre sadomasoquismo; e Waiting for my man, sobre o consumo de drogas) e abusando da microfonia (vide European Son).

    Apesar dos picos em que atingiu uma sonoridade mais comercial, como no disco Transformer (1972), Reed sempre foi um músico essencialmente underground. E a retomada de seu Metal Machine Music, trinta e cinco anos depois de seu mal-sucedido lançamento prova isso.  A despeito do que disseram ou poderiam dizer, ele encara novamente o seu projeto experimental de difícil degustação e insiste em nos fazer (seus admiradores) experimentá-lo mais uma vez.

    Como um remédio amargo, engolimos a contragosto na esperança de uma recompensa maior ao final. Eis, então, que Reed levanta-se de sua mesa de som e se dirige, com sua guitarra a tiracolo, à frente do palco, perto da beirada.  Num movimento sincronizado, diversas câmeras fotográficas de formatos variados surgem da penumbra da platéia para captar a imagem de Lou ­–algumas, inclusive, disparando flashes que o fazem piscar incomodado. Ele toca seu instrumento, agradece e deixa o local.

    Imediatamente, o público corre para a frente do palco e clama para que ele toque alguma das músicas antigas. Eis, que, atendendo aos pedidos, Reed volta sozinho acompanhado de sua inseparável guitarra e toca uma versão de “I`ll Be Your Mirror” (Velvet Underground and Nico), para deleite e recompensa dos fãs que pacientemente assistiram à cerca de uma hora e meia do que muitos classificariam simplesmente como barulho.

    Ao final, ele se levanta, vai novamente à frente do palco para cumprimentar o público e agradece aos que permaneceram até aquele momento. Com esse ato, o cantor abandona completamente o ar blasé do começo da apresentação e conquista ainda mais seus admiradores tupiniquins, que saíram de alma lavada, após ouvirem a canção que valeu pelo show inteiro.

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    março 5th, 2009blogpalcoalternativoposts por autor: Andréia, resenhas

    yaelnaim_sit

    (por Andréia Martins)

    O nome pode não soar comum aos seus ouvidos: Yael Naim e David Donatien. Com shows marcados em cidades dos EUA, como Boston, Nova York, Los Angeles, Paris, Portugal, Montreaux, Tel Aviv, entre outros, essa dupla vem conquistando cada vez mais o público com canções delicadas, misturando o inglês e o hebraico num folk pop de primeira.

    Naim começou a cantar em casa, depois que o pai trouxe um piano. Enquanto acompanhou o exército francês, lá pelos idos de 1996, também aproveitou para mostrar seus dotes de cantora. Foi quando repararam que a moça dava para a coisa. O primeiro disco, In a Man’s Womb, lançado em 2001, não obteve muito sucesso. Ou melhor, não teve sucesso algum. Depois de conhecer Donatien durante um festival, formaram uma dupla.

    Juntos eles se reuniram no estúdio que a cantora franco-israelense tem em seu apartamento, na França, para gravar as canções dela. Isso há quase três anos. Donatien, que é precussionista, acompanha Naim fazendo programação eletrônica, tocando baixo, órgão, guitarra elétrica e o que mais precisar.

    O resultado foi Yael Naim & David Donatien, um disco que mostra que para uma boa música, não existem barreiras como ideologias e idioma. O disco é repleto de músicas contemplativas que, na doce voz de Naim, não pedem que o ouvinte entenda árabe, hebraico, ou até mesmo o inglês, e sim que você aproveite a música. Destacam-se a super pop – e talvez a única canção feliz do disco – “New Soul“, usada na campanha da Apple; há também “Shelcha”, essa em hebraico, com uma melodia  irresistível e, acredite, uma versão para “Toxic”, de Britney Spears, que ganhou outra cara com a dupla.

    A faixa que abre o disco fala sobre Paris, cidade onde a dupla reside atualmente, e tem uma batida leve, mostrando bem o que você pode esperar do resto do disco traz. Vale a pena repetir a faixa “Far Far”, essa em inglês, e a seguinte, “Yashanti”. Ambas abusam do violão e da guitarra de fundo, como coadjuvante, e a última, ainda traz sons de passarinhos ao fundo. O tipo de canção perfeita para aquele dia em que tudo o que você precisa é sentir um pouco de paz.

    Lançado em 2007 pelo selo independente “tôt Ou tard”, o CD chegou ao Brasil via Warner apenas no segundo semestre de 2008, mas ainda é missão impossível encontrá-lo nas lojas. O jeito mesmo é recorrer ao You Tube e ao My Space, que infelizmente, disponibiliza poucas músicas da dupla.

    No geral, um disco intimista, de uma dupla ainda não conhecida do público brasileiro, mas que se chegar ao ouvido de quem não tem restrições ou preconceitos musicais, vai ganhar o espaço que merece, seja na prateleira de discos ou na lista de preferidos do iPod.

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