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maio 23rd, 2011posts por autor: Andréia, série música para se ver[por Andréia Martins]
Albert Maysles, 85, é o que podemos chamar de testemunha privilegiada da música, ou melhor, do rock. Há poucas semanas ele dividiu algumas de suas melhores histórias com o público no festival In Edit, em São Paulo. Entre algumas frases marcantes desse ícone do documentário, está a que ele explicou seu interesse por fotografar e filmar as pessoas: conhecer melhor e se aproximar do outro.
“Comprei uma câmera para conhecer melhor as pessoas comuns”, disse ele, que começou seus registros em um época onde muitos americanos estavam indo para guerras. “As guerras seriam evitadas se nós conhecêssemos a quem estamos matando”, declarou.
A frase define bem o que guia Maysles em sua profissão. Quer enxergar de um outro ponto de vista, se aproximar de pessoas que às vezes passam por nós diariamente ou ás vezes vivem em mundos completamente diferentes, mas que de perto não são tão diferentes assim de nós. Seu objetivo, como ele mesmo contou, é “humanizar”.
“Você se aproxima tanto dessas pessoas que pode sentir-se no lugar delas”, disse Maysles durante uma palestra no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. E foi isso que ele fez com duas das maiores bandas de rock do mundo, Beatles e Rolling Stones, entre outras figuras da música.
“Recebi um telefonema de uma emissora de TV dizendo que os Beatles estariam na cidade e perguntando se eu não queria fazer um filme. Olhei para o meu irmão e perguntei: Quem são os Beatles? Eles são bons?”, contou ao relembrar o convite para o que seria seu debut no mundo da música, What’s Happening! The Beatles in the U.S.A., sobre a visita dos Beatles aos Estados Unidos em 1964.
Depois de descobrir quem afinal eram os Beatles, Maysles pegou sua câmera e foi atrás do quarteto. Apesar da estadia da banda nos States ter sido de cinco dias, ele diz que passou os próximos 60 dias com a banda. “O tempo que passamos juntos nos transformou em amigos para sempre”, contou o cineasta.
A proximidade com o quarteto também o levou a conhecer outra figura importante, Yoko Ono. Ela é o centro do documentário Cut Piece, que Maysles dirigiu em 1965 ao lado do irmão, o também cineasta David Maysles.
Seis anos depois, suas lentes mostrariam ao mundo um dos momentos mais emblemáticos da história do rock’n’roll: o show dos Stones em Altamont, na Califórnia, onde um homem morreu assassinado pelos Hell’s Angels, que faziam a segurança do evento, uma das apresentações da turnê americana que o grupo fazia em 1969.
Lançado em 1970, Gimme Shelter é um dos documentários mais polêmicos do mundo da música. Entre as melhores cenas do documentário está a de uma audição de Wild Horses, recém-gravada pela banda. [Repare a “viagem pessoal” de Keith Richards e o olhar de Charles Watts encarando a câmera enquanto ouvem a canção na cena do vídeo abaixo, que integra o documentário ].
Acompanhando a banda na turnê americana, Mysles ainda filmaria o primeiro show do grupo liderado por Mick Jagger no Madison Square Garden, em Nova York, em novembro de 1969.
O show rendeu aos Stones o álbum Get Yer Ya-Ya’s Out!. Quatro décadas depois, em 2009, Mysles lançou o filme homônimo com as imagens até então inéditas.
“Meus filmes são sobre isso. Mostrar as pessoas e ver o que elas estão experimentando”, comentou.
Segundo Maysles, se aproximar dos Beatles e dos Rolling Stones foi fundamental para que ele entendesse bem os anos 60. “Enquanto os Beatles são a inocência daquele período, os Stones indicam uma profunda mudança no final da década”, disse.
Amizade com Paul McCartney
O tempo passado ao lado dos Beatles, como o próprio Maysles disse, rendeu uma amizade para o resto da vida. Por isso, anos depois do primeiro encontro entre o cineasta e o quarteto, Paul McCartney não pensou duas vezes ao escolher o diretor para dirigir o documentário The Love You Make, sobre os bastidores do festival The Concert for New York.
Filmado em 2001, logo após os atentados de 11 de setembro, Maysles lembra que a ideia do show era dar ânimo à cidade. Um trecho do documentário foi exibido durante o In Edit. Além de imagens de ensaios e do show, o filme mostra Paul McCartney pelas ruas de Nova York, sendo parado por fãs, amigos de fãs e até moradores de rua. Segundo Maysles, o filme deve ser lançado no aniversário do 11/9 deste ano.
Mais músicas pelas lentes de Albert Maysles
Nem só de Beatles e Rolling Stones é feita a obra musical de Maysles. Em sua extensa filmografia — que abrange personagens como Orson Welles, Marlon Brando, pacientes terminais em um hospício, a Edith Bouvier Beale e sua filha, Little Eddie, que viviam isoladas do mundo, apesar de pertencerem à família dos Kennedy, e foram imortalizadas no filme Grey Gardens, entre outros.
Um personagem muito explorado por Maysles foi o pianista Vladimir Horowitz. O primeiro documentário, The Last Romantic, de 1985, mostra conversas privadas entre o pianista e a mulher, além de um recital em um teatro de Nova York. Vladimir voltaria a ser tema de um novo documentário dois anos depois, em 1987. Em Horowitz Plays Mozart, Maysles explora uma grande paixão do pianista, durante sua primeira sessão de gravação em estúdio em 35 anos.
Seiji Ozawa, que era diretor musical da Sinfonia de Boston, foi retratado por Maysels no documentário Ozawa, lançado em 1985. O maestro foi um dos primeiros orientais a ocupar tal cargo no mundo ocidental.
Na sequência vieram Jessye Norman sings Carmen, de 1989, um show filmado por Maysles com direção musical do mesmo Osawa; Soldiers of Music: Rostropovich returns do Rússia, de 1991, outro filme sobre um personagem da música clássica; Baroque Duet, de 1992, com performances da estrela da ópera Kathleen Battle e do trompetista Wynton Marsalis, e Accent on the Offbeat, de 1994, um filme sobre dança e música.
O gosto por artistas clássicos vem de criança. “Aprendi a gostar de música apreciando a música clássica com meu pai, que costumava colocar discos e sentar-se ao lado da vitrola para sentir a música. Foi como conheci a música”, disse Maysles.
Em todos esses trabalhos, Maysles contou que o que o move “é o desejo de conhecer quem você está filmando. É a filosofia da descoberta, de trazer para a vida real. Muita coisa precisa de transformação, humanização”.
Tags: Albert Maysles, beatles, documentário, in edit, MIS, rolling stones -
novembro 10th, 2009posts por autor: Andréia, série música para se ver[por Andréia Martins]
Em 1992, os meninos do Red Hot Chili Peppers foram capa da revista Rolling Stone em trajes… ou melhor, sem traje algum. Irreverentes, foram fotografados nus, no auge do sucesso do disco Blood Sugar Sex Magik. O autor da foto foi o texano Mark Seliger, mais um fotógrafo que tem seu nome na história do rock e que, de tanto registrar figuras e momentos marcantes da música, acabou rendendo-se a ela. Mas vamos ao início, onde tudo começou.Seliger pegou gosto pelas imagens ainda adolescente, em Houston. Na faculdade, começou a trabalhar como assistente de outros fotógrafos. Cansado da mesmice do trabalho, decidiu encarar Nova York, a cidade onde, certamente, muito mais estaria acontecendo. “Decidi que, se queria mesmo saber como as pessoas trabalhavam e entender o que era o mundo da fotografia editorial, tinha de me mudar para Nova York”, diz.
A sorte parece ter decidido acompanhá-lo. Ao chegar em Manhattan, logo arrumou um emprego de assistente de fotografia, no qual ficou por dois anos. Depois, trabalhou na revista Manhattan Inc., onde conseguiu visibilidade para um voo maior: a revista Rolling Stone.
Foram mais de 90 capas em 10 anos na revista, ícone da cultura pop dos anos 90. Tudo e todos que foram notícia no mundo das artes passaram por ela, e grande parte disso foi registrada pelas lentes de Seliger.
De lá pra cá, já são 23 anos de carreira e uma extensa lista de artistas fotografados como Metallica, White Stripes, Paul McCartney, Chuck Berry, Ray Charles, Diana Krall, Snoop Dog, Gilberto Gil, Ozzy Osbourne, Bono, Kurt Cobain, Courtney Love, B.B. King, Bob Dylan, Eric Clapton, Bruce Springsteen, Sheryl Crown, Eddie Vedder, Tom Waits, entre tantos outros.

O "balé" de Tom Waits
Com um vasto material, contando um pouco da história de gêneros como o hip hop, o rock, blues e country, Seliger reuniu todas as suas fotos no livro, que ele veio lançar no Brasil em agosto desse ano: Mark Seliger – The Music Book. “O livro é uma boa biblioteca do meu trabalho. Mergulhei nos arquivos de anos de música que retratei e selecionei aquelas fotos que tinham um tom histórico e icônico, tendo como referência todas as sessões que fiz”, afirma. “O processo me trouxe grandes memórias e serviu como uma redescoberta da fotografia para mim”, comenta ele sobre o livro.
Entre suas fotos históricas estão a de Johnny Cash, com o violão nas costas, e o close de Kurt Cobain, tirado poucas semanas antes da morte do líder do Nirvana, em abril de 1994. “É um peso que todo mundo carrega nas costas. Como alguém podia estar tão triste?”, diz ele sobre o momento pelo qual passava Cobain.

Cash, clicado em 1992

Retrato de Kurt Cobain
“Tento conceitualizar as fotos que vou fazer. Eu escolho um estilista, um cabelereiro e maquiador, encontro um local e pesquiso sobre o artista. Tenho muitas ideias. Umas simples outras bem complicadas”, diz o fotógrafo sobre como pensa e executa seus trabalhos.
“Eu tento conhecer um pouco sobre a pessoa antes de ir à sessão de fotos. Eu também tento observar o que ela faz quando está parada na minha frente. Quando essas pessoas entram com amigos no estúdio e ainda estão conversando, eu posso pegar um gesto, um movimento ou algo qe eles estejam fazendo que me levam à fotografia”.

A banda Metallica
Rusty Truck: Seliger assume o microfone
Hoje, Seliger assina fotos para as revistas Vanity Fair, GQ e Vogue italiana. Aos 50 anos, ainda vive e trabalha em Manhattan, no bairro do West Village e, há poucos anos, resolveu explorar um outro lado seu: o de cantor e compositor.
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Seliger, de azul, com sua banda
Seliger sempre tocou violão e gostou de cantar. Lembra que no seu bar mitzvah, ganhou uma guitarra e desde então passou a tocar, começando com as músicas e Cat Stevens. Mais velho, inspirações não faltaram para que o fotógrafo decidisse entrar na música, saindo de trás da câmera, para ser o frontman da banda Rusty Truck.
Segundo ele, a música como atividade profissional aconteceu meio sem querer. A brincadeira deu certo. Começou a ser chamado para programas, turnês, festivais, e a banda já tem dois discos lançados: Broken Promises, de 2003, que ganhou elogios dos críticos do seu antigo local de trabalho, a Rolling Stone, e Luck’s Changing Lanes, de 2008.
O CD tem colaborações de nomes como Willie Nelson, Lenny Kravitz, Sheryl Crow e Jakob Dylan. As canções são todas de autoria de Seliger, a maioria inspirada em sua infância e adolescência, com uma pegada mais country do que rock.
Com experiência na produção de videoclipes – ele já produziu vídeos dos amigos Lenny Kravitz, para quem também fotografou um álbum exclusivo, Elvis Costello, entre outros – ele aproveitou para fazer alguns vídeos da sua própria banda. Um dos destaques é o vídeo da música So Long, Farewell, que reúne vídeos caseiros de Seliger ainda criança.
Mesmo depois de tanto tempo de carreira e uma nova empreitada pela frente, Seliger ainda diz ter uma lista de fotos para fazer, como Prince, Madonna e Michael Jackson, pessoas que ele lamenta ainda não ter clicado. E é bom ele correr contra o tempo, pois as oportunidades podem acabar quando menos se espera. Que o diga o rei do pop…
Tags: mark seliger, rusty truck -
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outubro 19th, 2009posts por autor: Natasha, série música para se ver[por Natasha Ramos]
Com mais de quatro décadas de carreira, são dele, o fotógrafo rock’n’roll, imagens clássicas de ícones da música, como John Lennon, Sid Vicious e Rolling Stones

Bob Gruen recebe o prêmio de “Imagens Clássicas”por seus anos fotografando momentos históricos do rock’n’roll, durante cerimônia de premiação em Londres da revista Mojo, em 2004
Não é preciso dizer que Bob é um grande fã de música, em especial de rock. E, como todo bom fã de música, sua paixão começou cedo. Mas antes mesmo de ele pensar em assistir a seu primeiro show, o novaiorquino teve contato com algoq ue se tornaria sua profissão e o uniria definitivamente a sua grande paixão.
“Fotografia era o hobby de minha mãe. Quando eu era bem pequeno ela me levou para sua câmara escura, onde revelava suas fotos. E quando eu tinha oito anos, meus pais me deram um presente, a minha primeira câmera. E eu venho tirando fotos desde então. Quando estava no colegial eu fiquei amigo de alguns artistas e, depois desse tempo na escola, comecei a morar com uma banda de rock e fiz as fotos para eles enviarem a uma gravadora. A gravadora gostou do meu trabalho e fui fazendo uma sessão atrás da outra”, disse Bob durante sua passagem ao Brasil, em 2007, para a abertura de sua exposição “Rockers”.
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Bob e Supla
Considerado o fotógrafo oficial da família Lennon entre 1970 e 1980, a ideia inicial da exposição, que surgiu do encontro de Bob e Supla na Big Apple (NY), era abordar a vida de Lennon, já que o fotógrafo havia acabado de lançar o livro John Lennon The New York Years. Porém, ao ver a gama de imagens registradas ao longo dos anos sobre diversos músicos, esta proposta foi ampliada e o foco da exposição caiu sobre a obra de Bob Gruen.
“Conheci John e Yoko em 1971, pouco depois de eles terem se mudado para Nova York. Éramos amigos e vizinhos e, por nove anos, fui seu fotógrafo pessoal quando eles precisavam de fotos para publicidade ou para a capa de algum álbum ou para sua família”, conta Bob no livro homônimo à exposição.
Bob não se considera um fotojornalista, já que não se limita a registrar os fatos, mas sempre gostou de dividir seus sentimentos durante uma sessão de fotografia. “Tento, com as minhas fotos, mostrar um pouco da paixão, um pouco do meu ‘feeling’ por trás do que aconteceu”, conta.
Na hora certa, no lugar certo
Se Cartier-Bresson é o fotógrafo do “instante decisivo”, pode-se dizer que Bob Gruen é o fotógrafo da “hora certa, no lugar certo”. Vivendo no estilo do rock, Gruen ficou amigo de muitos músicos que encontrou e pôde fotografá-los em ambientes casuais. Muitas das bandas com as quais trabalhou não eram famosas quando as conheceu. Assim, ele pôde registrar seus momentos iniciais.
“A primeira banda que vi tocar em um teatro foram os Rolling Stones, em 1964, na Academia de Música de Nova York. Imediatamente me tornei fã eterno. Pelo estilo, atitude e musicalidade. Eles são o grupo que todo mundo venera”, conta.
Durante suas mais de quatro décadas de trabalho, Bob-enciclopédia-do-rock-Gruen acompanhou desde o nascimento do punk, passando pelo auge do Led Zeppelin, até os últimos anos de Elvis Presley.

Quando a objetiva de Gruen focou o Led Zeppelin pela primeira vez, a banda já tocava para enormes platéias e já tinha seu próprio avião, 1973
Vários artistas já posaram ou foram flagrados por suas lentes fotográficas

Rolling Stones, Nova York, 1972

Sex Pistols 'sorrindo', 1977

Sid Vicious, em San Antônio (EUA), 1978

John Lennon, Nova York, 1974

John Lennon e Yoko Ono, NYC, 1972

Bob Dylan, Nova York, 1974

The Clash, Boston, 1979

“Vestidos para matar”, Kiss, NYC, 1974

David Bowie - Luvas de Boxe, 1974
Mas o trabalho de Bob, hoje com 64 anos, não se limita ao passado. Por onde passa, sua câmera está sempre a postos para captar novidades do mundo da música. Um bom canal para conferir e acompanhar seu trabalho é seu site oficial: www.bobgruen.com .
Fotos: Rockers, Bob Gruen
Tags: bob gruen, fotografos do rock, rockers -
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outubro 1st, 2009posts por autor: Carol, série música para se ver
Annie Leibovitz: a primeira dama da fotografia do rock e das celebridades
[por Carol Cunha]
John Lennon estava nu e agarrado a uma Yoko Ono vestida de preto. O maior astro dos Beatles naquela época posava de olhos fechados e parecia vulnerável. Lennon olhou para a Polaroid e comentou: “Esse é o nosso relacionamento”. Horas depois, ele seria baleado e morto em frente ao edifício Dakota, em Nova York.Clicada em 1980, a última foto de John Lennon foi imortalizada em uma capa histórica da revista Rolling Stones, esgotada nas bancas em poucos dias. Em 2005, a Sociedade Americana dos Editores de Revistas (ASME) considerou a capa a mais importante dos últimos 40 anos. Por trás das lentes, estava a fotógrafa americana Annie Leibovitz.
Nascida em 1949, Annie começou sua carreira profissional aos 20 anos na Rolling Stones, na época, uma publicação recém-lançada em São Francisco que cobria a cultura do rock and roll. Morando no epicentro da contracultura hippie, Annie estava no lugar certo, na hora certa.
Estudante do San Francisco Art Institute, ela tinha um pequeno portfólio de fotografias que impressionou os editores da revista: um retrato do poeta beatnik Allan Ginsberg, tirado numa manifestação contra a guerra, e fotos de Israel, fruto da temporada que viveu num kibutz. Sua habilidade com a câmera fez com que ela conquistasse rapidamente o seu espaço. Em 1973, com apenas 23 anos, já era chefe de fotografia da publicação.
Like a Rolling Stone
Annie foi uma das primeiras mulheres a exercer o fotojornalismo e trabalhou na Rolling Stone durante dez anos. Ela imprimiu seu trabalho em 142 capas, ajudando a moldar a identidade da revista e o imaginário de uma época. Neste período fotografou praticamente todos os artistas em ascensão como Bob Dylan, The Clash, Diana Ross e Bob Marley, apenas para citar alguns.
Annie apresenta muitos estilos ao longo de sua carreira, mas o que nunca mudou foi sua capacidade de testar novas ideias. Em alguns cliques, buscava se conectar com a essência da personalidade do artista. Quando disseram que Patti Smith seria matéria de capa em 1978, Annie não hesitou em jogar fogo num barril e posicionar a cantora em frente a uma grande labareda. Tudo para transmitir a energia e força que ela via na cantora. Ideias simples também valiam, como pintar de azul o rosto dos Blues Brothers e fotografar Alice Cooper com uma cobra enrolada no pescoço. Em outros momentos, seus retratos refletiam um humor afiado e personagens em situações surreais.Uma de suas experiências mais marcantes foi em 1975, quando foi para a estrada com os Rolling Stones para documentar a turnê de seis meses da banda de rock mais popular daquele tempo. A lendária viagem testou os limites de Annie com a rotina de drogas e baladas, mas ela também produziu fotos reveladoras e intimistas de Keith Richards e Mick Jagger dançando e cantando no palco, afinando instrumentos ou chapados nos corredores dos hotéis.

"Parecia que, para mim, o show era o lugar menos interessante de se fotografar um músico. Eu estava interessada em como as coisas foram feitas. Eu gostava dos ensaios, quartos de hotéis, qualquer lugar menos o palco”. (Annie)
A turnê rendeu uma amizade com o grupo para a vida inteira e um vício: a cocaína, que ela só conseguiu largar após se internar em uma clínica. Em uma entrevista para a Vanity Fair, ela declarou que demorou cinco anos para apagar as marcas daquela turnê. “As pessoas sempre falam sobre a alma do fotografado, mas o fotógrafo tem uma alma, também. E eu quase a perdi”.
Em 1983, Leibo aceitou trabalhar para a revista Vanity Fair e começou a fotografar celebridades e editoriais de moda. Também fez fotos para a Vogue e campanhas publicitárias. Com total liberdade criativa, foi responsável pela idealização de cenários fantásticos e caros, mas que rendiam cliques memoráveis. São famosos os editorais com a atriz Kirsten Dunst no palácio de Versailles encarnando o papel de Maria Antonieta, Whoopi Goldberg numa banheira de leite ou Betty Mindlin mergulhada em rosas vermelhas. A editora de moda da Vogue, Anna Wintour declarou em uma entrevista que o investimento valia a pena, já que “ela te dá uma imagem como ninguém mais pode conseguir”.
As raízes da música americana
Em 2003, Annie Leibovitz lançou o livro Annie Leibovitz: American Music, um projeto pessoal que pretendia refletir a riqueza sonora norte-americana. No livro, ela conta que seguiu o desejo de retornar ao seu tema original com um olhar mais maduro. Durante 1999 e 2001, percorreu lugares sagrados da música como o Delta do Mississipi, Texas e Nova Orleans, para documentar ícones do blues, jazz, country, folk, rap e o rock. As fotografias, com luz natural, valorizam e capturam a simplicidade dos músicos em seu cotidiano e comunidades, dentro de suas casas e ranchos, cantando em igrejas e clubes de jazz, gravando em estúdios ou dirigindo carros.
Estão lá: Johnny Cash and June Carter,Tom Waits, Dj Shadow, B.B. King, Beck, Brian Wilson, Iggy Pop, John Frusciante, Johnnie Billington, Lou Reed, Laurie Anderson, Michael Stipe, Norah Jones, Patti Smith, Ryan Adams, The Roots, The White Stripes e Willie Nelson.

"Eu estava dirigindo no Delta e sabia que todo ano em seu aniversário, B.B. King voltava a Indianola e tocava lá. Estávamos perto de Indianola e ele estava tocando no Clube Ebony. O clube era tão pequeno, eu estava praticamente sentada em seu colo. Foi incrível sentar neste pequeno clube e ver este homem tocar”.

“Esta banda é um duo. Vê-los tocar uma música juntos é como assistir a uma dança ou um romance. Eu peguei o alvo de um material que sobrou da Vogue, eu estava sentada no estúdio, tentando pensar, eu não sabia como fotografar os White Stripes".

Iggy Pop, Miami, Florida, 2000 – “Ele apareceu na porta sem camisa e e disse que não queria ser fotografado sem blusa, mas ele nunca a colocava. O seu corpo é um mapa do caminho de uma viagem difícil”.
O foco das lentes de Annie tem um segredo. Ela não ficou famosa por clicar as maiores celebridades americanas, pelo equipamento que usa ou pelas produções com verba astronômica,e sim pelo olhar clínico e sincero pelas pessoas. Sua vasta e polêmica produção fotográfica já foi exposta em dezenas de galerias e museus de arte.
Hoje, com 40 anos de carreira, Annie Leibovitz é um dos maiores nomes da fotografia mundial, uma cronista visual de seu tempo, com lugar garantido na história da cultura pop.
Para quem quiser saber mais sobre Annie, além do livro citado vale a pena assistir ao documentário: Annie Leibovitz -A vida através das lentes (Annie Leibovitz: Life Through a Lens, 2006).
Tags: annie leibovitz, fotografos do rock -





