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    novembro 26th, 2011blogpalcoalternativocone-sul, posts por autor: Andréia

      [por Andréia Martins]

      À primeira vista, elas parecem tudo, menos um trio de tango. Quando reparamos em seus instrumentos – violino, violão e piano -, a impressão é a mesma. Mas basta a primeira nota para você entender que o Las Rositas é sim um grupo de tango, mas com algo diferente.

      O trio formado por Cecilia Palma (violão), Gabriela Palma (violino) e Ana Belén Disandro (piano), o trio natural de Córdoba faz parte dessa nova geração de artistas argentinos que abraçou um gênero antigo e tradicional da terrinha para apresentá-lo a um novo público, em novas versões e interpretações. As performances – Ana, sempre sorridente, comanda o duelo de cortas entre Cecília e Gabriela – renderam a elas o apelido de “revolucionárias do tango” pela imprensa argentina.

      “É o encanto do tango que faz com que esse gênero sobreviva ao tempo. E ainda há algo mágico, que atrai tantas gerações, não apenas na Argentina, mas em todo o mundo. O tango tem melancolia, alegria, é sutil, uma força que tem um pouco de tudo. O tango é muito humano, e isso o faz transcendental”, diz Ana Belén ao Palco Alternativo.

      O grupo esteve recentemente no Brasil para uma turnê que passou por São Paulo capital e algumas cidades do interior. Essa não foi a primeira vez do trio por aqui. Aliás o Brasil já está virando uma segunda casa para a garotas.

      O trabalho das meninas mistura composições próprias e releituras “misturando o ancestral com o pop e o eletrônico”, diz Ana. Sobre o apelido de “revolucionárias”, ela diz que é “um bom elogio”. “Na verdade buscamos isso todos os dias. Misturar o tradicional com novos estilos e instrumentos é o que faz de nosso trabalho chamativo e desafiador”.

      Entre os autores que ganham novas versões nas mãos do trio estão nomes como Carlos Gardel, Astor Piazzolla, Osvaldo Pugliese e Rosita Melo, autora de um dos mais famosos tangos argentinos, “Desde el Alma” e que inspirou o nome Las Rositas.

      “Rosita é um nome muito representativo da mulher argentina. Pode ser a mulher que canta tango ou mesmo a lavadeira. Além disso, tem a ideia perfeita do que queremos transmitir”, diz a pianista.

      Conhecida a história do nome, passemos para a de como tudo começou, parte na qual o Brasil tem papel importante.

      “Em 2007 viemos fazer um curso de música clássica e nos apresentamos com uma orquestra de Córdoba. Nas reuniões e ensaios as pessoas dos outros países viviam nos pedindo para tocarmos um tango. Então começamos, primeiro com Piazzolla, e desde então nunca mais abandonamos o tango”.

      Para 2012 elas preparam um novo disco. “Será inovador e terá clássicos de tango gravados em formato acústico, outros com bases eletrônicas e também composições próprias”, revela. Com relação ao eletrônico, Ana diz que é diferente do que se vê, “um tipo de tango eletrônico up”. É esperar para ver.

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      agosto 18th, 2010blogpalcoalternativocone-sul, posts por autor: Andréia, posts por autor: Carol, raio-x

      [por Andréia Martins e Carol Cunha]

      No palco do Finlandia, a tradicional a rivalidade entre Brasil e Argentina sai de cena para dar espaço a um baile eletro-acústico que mistura ritmos tão distintos como tango, bossa nova e baião.

      Essa é a proposta do duo formado pelo argentino Mauricio Candussi e pelo brasileiro Raphael Evangelista: explorar novas possibilidades de fusão entre ritmos tradicionais e elementos contemporâneos. O duo mostra a que veio nas performances, quando mescla batidas eletrônicas ao vivo (Live P.A)  a  instrumentos acústicos, como o violoncelo, piano e acordeão.

      O Finlandia não se encaixa muito em gêneros, é música em movimento, com uma inconfundível pegada latina. Deve ser ouvido como um set, criado a partir de uma colagem de sensações: às vezes uma saudade indefinida quando surgem solos de violoncelo e piano, quebrada com batidas dançantes de cumbia ou house, que põe o povo para mexer o esqueleto na pista – ou na milonga.

      “Muitas de nossas canções são melancólicas, não que sejam tristes. Finlândia [o país] nos remete a este tipo de imagem. Além disso, na Finlandia (país) tocam tango… um tango muito especial e melancólico que se aproxima muito a nossas canções. Portanto, podemos dizer que há uma afinidade estética”, diz Maurício ao Palco Alternativo ao explicar a escolha do nome do duo.

      Tango na Finlândia? Pois é, neste país nórdico o tango foi reinventado com o tempero local e tornou-se um gênero muito popular -mas isso é uma outra história.

      O Finlandia (a dupla) se conheceu há uns dois anos, quando cada um se dedicava a projetos musicais diferentes. Maurício (piano e acordeão) já foi integrante de uma banda argentina bem conhecida dos brasileiros, o Los Cocineros. Raphael foi cellista da Orquestra Filarmônica de São Paulo e tocou com músicos latinos como o cubano Pedro Bandera e o peruano Fernando Elias.

      Depois de participarem dos mesmos festivais e viajarem juntos, o argentino apresentou seu projeto de música instrumental ao brasileiro. Estava formada a parceria que renderia o disco “Nandhara”, o primeiro do Finlandia.

      Para lançar o disco, o duo caiu na estrada em uma longa turnê que inclui cerca de 30 shows passando pela América do Sul, incluindo Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Bolívia e Peru. Uma viagem que promete novas memórias sonoras.

      “Estamos muito contentes. Aprendendo muito de cada cidade que passamos, dividindo o palco com músicos locais e incorporando muita música de diversos lugares”, conta Maurício. Durante os shows, o duo acredita na interação com músicos locais. “É uma maneira de vincular-nos com o lugar através da música, e também aprender”, diz.

      No Brasil, já passaram por São Paulo (SP) e tem shows marcados em cidades tão distantes como a alagoana Arapirica e Cuiabá (MT). Em setembro, o duo volta a São Paulo para encerrar a turnê.

      Da raiz aos sintetizadores, um medida equilibrada

      O duo em Buenos Aires, no VeraVera Teatro

      Ao ouvir o Finlandia, nota-se que a criação é bem dividida entre os elementos mais tradicionais da música argentina e os da música brasileira, uma troca sob medida.

      “Essa busca sem fórmula pré-definida em mesclar o clássico ao contemporâneo é um atrativo muito forte na música atual. Mas creio que para que o trabalho tenha um conteúdo sincero e valioso, faz-se necessária a fusão de ritmos e culturas que tenham sido vivenciados pelos músicos. Afinal é bem mais fácil você compor em um ambiente musical que escutou por toda a vida”, diz Raphael.

      Para Maurício, essa mistura é resultado do “tempo”, da evolução da música. “É uma maneira de apresenta-los [estilos tradicionais] ao novo público, mas também é o resultado do caminhar do tempo, da incorporação de novos instrumentos, de novas tecnologias, de novas formas de vincular-se ao tradicional. Nossa ideia é tocar também gêneros menos ‘para exportação’, como ritmos pouco difundidos fora de nossos países, como a milonga ou o baião”, comenta ele.

      O brasileiro ainda destaca a dramaticidade e intensidade da música argentina. “Adoro ritmos tradicionais de qualquer país. Gosto muito da dramaticidade dos temas, tanto nas letras quanto nas melodias. O próprio tango, com a carga melancólica é um ritmo que me identifico muito. Creio que essa preocupação com o sentimento é um ponto que me atrai na música argentina”, conta.

      Gravado em São Paulo e Córdoba (Argentina), o disco mostra bem a fusão de ideias, ritmos e culturas da qual falam os músicos. Todas as músicas são autorais, exceto “Buenos Aires Hora Certo”, releitura de Astor Piazzolla

      O disco Nandhara (Baritone Records) pode ser baixado gratuitamente no site do Finlandia. Abaixo,  um aperitivo do duo:

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