Entrevista: Pratagy canta por lugar de pertencimento em “Um Objeto No Céu”

Artista paraense lançou single com diversas reflexões emocionais

Foto: Isabella Dias

Em ritmo melancólico de balada romântica capitaneado pelo som do piano, o paraense Pratagy canta como quem quisesse se encontrar. Diante a um ano como 2021, estar perdido, distante ou mesmo não sentir-se em casa virou sentimento comum, ainda mais para nós, brasileiros, sobreviventes do caos potencializado por políticas omissas. Afinal, é disso que se trata “Um Objeto No Céu“, o mais recente single do artista? Pode ser que sim, afinal, na arte nada é concreto. É fato que Pratagy, em período de isolamento social, buscou em si mesmo reflexões e, em viagens internas e percepções externas, compôs a canção logo após assistir “Aquarius“, filme do pernambucano Kleber Mendonça Filho

“Acho que além do lugar físico, como uma casa, por exemplo, essa música é uma referência a esse lugar de pertencimento dentro do mundo em vários níveis. Em um nível mais íntimo, é um manifesto meu como artista. Em um nível maior, pensando especialmente no contexto político-social que vivemos hoje, é sobre clamar o seu lugar nesse cenário caótico que é o Brasil desde 2018”, explica Pratagy.  “É a ideia do refrão: ‘Não quero ir, não quero voltar / Eu sei que aqui é nosso lugar’. A música acabou expressando – a nível microscópico – a minha relação com a casa que moro. Em um nível maior e político, nas pessoas que lutam diariamente pelo seu espaço, por serem quem são e de ocuparem os espaços que são delas”, comenta.

“Um Objeto No Céu” é a segunda canção lançada por Pratagy dentro do período de pandemia. Anteriormente, o cantor lançou “Te Amo”, também disponível nos mais derivados serviços de streaming. “Me voltei principalmente às letras e melodias nessas novas composições, diferente dos últimos trabalhos que eram mais voltados aos arranjos, elementos eletrônicos e tal. Acabou que essas músicas novas, dentre elas “Te Amo” e “Um Objeto no Céu”, trazem uma carga emocional grande pra mim e muita coisa que eu ainda não havia compartilhado em música. Me sinto exposto com essas músicas e ainda estou me adaptando a isso (risos)”. 

As duas faixas fazem parte também de um projeto ao vivo, chamado “Te Amo: Sessões Ao Vivo”, divulgado pelo artista há pouco tempo em seu canal no YouTube.  Dirigido por Lucas Domires e com imagens de Domires, Victória Teixeira e Thiago Pelaes, o registro ao vivo traz Pratagy em uma apresentação com banda: Rafaela Lobato no contrabaixo, guitarras de Lucas Torres e bateria de Emmanuel Penna. 

“A ideia da Sessão Ao Vivo surgiu justamente da saudade que estávamos de tocar juntos. Essas músicas novas foram feitas para serem tocadas com banda: baixo, guitarra, bateria e piano, sabe? Tocamos pela primeira vez as duas novas (“Te Amo” e “Um Objeto no Céu”), além de “Tramas Sutis”, música minha, lançada no disco “Búfalo”, que senti que combinaria com esse repertório recente. A ideia foi capturar o registro do jeito mais cru possível, sem refazer os takes ou regravar coisas que não deram certo, para manter aquele clima de ao vivo”, explica. Tenho mais duas músicas que foram gravadas nas mesmas sessões de “Te Amo” e “Um Objeto no Céu”, porém ainda falta finalizá-las. Tenho um desejo muito grande de lançar um álbum, mas realmente não tenho como dizer se consigo fazer isso ainda em 2021. Estou estudando meios de como fazer isso”, completa. 

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