Entrevista: conheça a Monoswezi, banda formada por músicos de quatro países diferentes

Grupo aborda temas sociais e políticos no álbum “Shanu”

Foto: divulgação

A música “Imagine“, conhecida mundialmente por todos e lançada em um quase longínquo 1971 por John Lennon, é uma narração de um mundo ideal, onde as fronteiras, físicas ou não, são derrubadas e a humanidade vive em paz, sem conflitos ou diferenças. Essa realidade ficou mesmo só na imaginação, tendo em vista que essa tal possibilidade nunca nem passou perto de existir. Ainda assim, a passos curtos, a globalização é inerente, e, a música (pasmem!) é um dos indícios disso.

Você já imaginou uma banda com integrantes de vários países? Sim, isso não é novidade para ninguém, a coisa já existe e já, inclusive, foi extensamente compartilhada com o fenômeno pop Now United. Mas, dentro do nosso mundo alternativo, a banda Monoswezi, formada por pessoas de 4 nações diferentes, segue conquistando espaços e lançou recentemente o álbum “Shanu“, que, na língua Shona do Zimbábue, significa 5. Não por menos, este é o quinto álbum da banda. Na composição do grupo temos Calu Tsemane (percussão, vocal e guitarra), Hallvard Godal (saxofone, clarinete, harmonium, mellotron), Putte Johander (contra-baixo e guitarra), Hope Masike (vocal, percussão, mbira) e Erik Nylander (bateria, percussão).

O nome Monoswezi é uma contração das quatro nacionalidades dos membros fundadores: Moçambique (Mo), Noruega (No), Suécia (Swe) e Zimbábue (Zi). Calu conversou com o Palco a respeito do projeto e do novo disco. Confira:

PA: O Monoswezi é uma banda com integrantes de quatro nacionalidades diferentes. Como vocês se encontraram e qual a história da formação dessa banda?

Calu: A história começa com o Hallvard indo para Moçambique em um programa de intercâmbio cultural. A partir daí, começamos a tocar juntos, em diversos projetos.

Hallvard já conhecia o Putte e Erick e eles já tinham tocados juntos. Todos nós partilhamos do mesmo interesse pela música africana.

Eu me mudei para Noruega e a Hope também veio pra cá, no mesmo programa de intercâmbio cultural em que o Hallvard esteve anteriormente. A partir daí começamos a tocar todos juntos.

PA: Entre as misturas, tanto na parte sonora quanto nas partes culturais, o que vocês desejam passar com a música de vocês, em especial com o álbum “Shanu”?

Calu: Bem, este álbum contém uma nova roupagem em termos de temas abordados, inclusive com a execução das composições. Estamos constantemente em busca de elementos que podem salientar a nossa musica de uma forma experimental, por isso, felizmente, os nossos álbuns são completamente distintos um dos outros. Não temos uma mensagem premeditada ou um som definido que a gente adotou como base, então a mensagem em si é tão livre que só aparece durante a gravação, quando o compositor explica a banda do que realmente se trata.

Mas, podemos dizer que, dentro dessa diversidade de temas, abordamos a injustiça social, desigualdade de direitos, promoção do amor próprio, promoção da paz, tolerância e harmonia entre os povos no mundo.

PA: Acredito que vocês tenham influências musicais diversas que foram adquiridas durante as suas vidas. Como é trazer todas essas coisas para dentro da Monoswezi?

Calu: Todos nós da banda já trabalhamos com músicos de diferente países e em diferentes projetos individualmente. Essa experiência faz com que a convivência dentro da Monoswezi seja fácil de uma certa forma, porque uma das coisas que eu aprecio nesta banda é o respeito, tolerância, curiosidade e o espaço que cada membro tem para se expressar livremente. Isso faz com que a gente consiga trabalhar, e produzir muito material. Como sabe, os membros da banda vivem em diferentes países. A gente só se encontra quando é hora de gravar um álbum ou quando é hora de viajar pelo mundo em turnê.

Então, isso tudo nos dá mais humildade, pois se trata de apreciar a oportunidade que temos de trabalhar juntos e fazer o que nos gostamos. E também, todas a ideias são apreciadas, experimentadas e desenvolvidas até ficarmos todos satisfeitos.

PA: Acabo de ver que boa parte dos ouvintes de vocês são daqui do Brasil. Por que você acha que existe essa identificação do brasileiro com o som de vocês?

Calu: Sério? Eu nem sabia disso (risos). Que bom, mais um motivo para Banda viajar para o Brasil.
Mas talvez deve-se ao fato do Brasil ser um país rico culturalmente, livre e cheio de diversidade. Então, existe uma probabilidade maior de ter mais gente que percebe melhor a nossa onda do que em outros cantos do mundo.

Nos gostaríamos bastante de ir para o Brasil pois já tocamos Na África, Europa e Ásia. Mas nunca na América, Austrália e Antártida. Então, se houver alguém com atrevimento de organizar uma turnê para nós no Brasil, fique sossegado que vamos fazer as malas, pegarmos os instrumentos e apanharmos o primeiro voo (risos).

PA: Algumas das faixas do “Shanu” trazem questões mais sociais, como a desigualdade entre gêneros e o egoísmo dos governantes. Essas e outras questões foram ressaltadas durante a pandemia. Como tudo isso que aconteceu, o aumento da pobreza, falas contrárias às vacinas por alguns governos e também as tantas mortes, interveio na arte de vocês?

Calu: Sim, claro, nós fazemos parte desta bolha e, direta ou indiretamente, acabamos ficando afetados. Quase que em todo mundo os fazedores de cultura sentem-se marginalizados porque os governos dão mais apoio, por exemplo, para as linhas áreas ou para empresas estabelecidas primeiro.

Os governos não olham com prioridade, mas esquecem que há mais riscos de pequenas empresas falirem do que empresas já estabelecidas. Mas no fim do dia todo ser humano tem um dispositivo que lhe permite ouvir música nestes tempos críticos. Mas mesmo assim, eles não enxergam o músico como um indivíduo de função fundamental e crítica na sociedade.

Por isso vamos continuar com a abordagem até surtir efeitos.

PA: Para finalizar, quais os próximos planos da Monoswezi e qual o seu recado para quem está conhecendo trabalho de vocês agora?


Calu: Bem, neste momento estamos desnorteados, tínhamos uma turnê marcada para Índia em Janeiro com a maior parte da logística no lugar, mas a mutação (Ômicron) da covid-19 nos obrigou a cancelar tudo.

Neste dias estou em casa a compor, a cuidar dos negócios e projetos pessoais, enquanto traçamos novas trajetórias.

Para quem está conhecendo a banda agora, siga-nos no Instagram, Twitter , TikTok , Facebook, porque postaremos todas as novidades nestes canais. Compartilhe a nossa música com todos os seus amigos e familiares. Vamos aumentar a possibilidade de nossa viagem ao Brasil!

E aguarde, mais álbuns vão aparecer.

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